Novartis define novo comando no Brasil e projeta expansão de vendas

Stella Fontes – Valor Econômico:

O gerente-geral da unidade de oncologia da Novartis no Brasil acaba de ser nomeado presidente da farmacêutica suíça no país. Alexandre Gibim, 45 anos, assume a operação local com a missão de manter o ritmo de crescimento dos negócios, apesar da desaceleração do mercado farmacêutico nacional, e o aumento do número de pesquisas clínicas conduzidas no país, que receberam R$ 220 milhões nos últimos três anos. Isso em um momento de mudança de governo e em que a matriz coloca em marcha um amplo plano de reorganização, com o objetivo de alcançar a liderança global em medicamentos.

O executivo vai acumular a presidência da Novartis Brasil, uma das maiores farmacêuticas no mercado local e no mundo, e o comando da unidade de Oncologia, seguindo uma tradição da empresa. Gibim foi escolhido para suceder o executivo José Antônio Vieira, que deixou a farmacêutica no fim de abril. Desde então, a posição era ocupada interinamente pela diretora financeira do grupo, Aline Medici. O anúncio aos funcionários foi feito na sexta-feira.

À frente da divisão de Oncologia, Gibim comandou um processo de acelerada expansão das vendas, que dobraram nos últimos três anos. Assim como no mundo, a área é a segunda maior geradora de receitas para o grupo, atrás da unidade farma (no Brasil, voltada a sistema nervoso central, cardiologia e doenças infecciosas) mas à frente da Sandoz (de genéricos e biossimilares) e da Alcon (de cuidados oftalmológicos). “Há muita pesquisa médica a ser feita em oncologia. Quando se pensa em necessidades médicas não atendidas, grandes respostas ainda precisam ser dadas nessa área”, diz.

A meta é garantir também a sustentabilidade do desempenho verificado nessa unidade nos últimos três anos. Até agora, as indicações são positivas. No primeiro trimestre, a taxa de crescimento foi compatível com a que permitiu à área dobrar de tamanho, afirma o executivo.

Segundo dados da consultoria IQVIA, que audita o mercado farmacêutico em todo o mundo, as vendas consolidadas da Novartis no país cresceram 6% no acumulado de 12 meses até maio. No ano passado, o grupo teve vendas líquidas de R$ 3 bilhões aqui e de US$ 49,1 bilhões no mundo. O Brasil está no grupo dos 10 maiores mercados da organização.

Na avaliação de Gibim, há margem para acelerar o ritmo das vendas até o fim do ano, com importante contribuição dos lançamentos. Em oncologia, são pelo menos duas novidades em 2018. Na Sandoz, 60 novos produtos, incluindo extensões de linha, chegam ao mercado. A Alcon, de oftalmologia, também apresenta novidades. “Não é inovação marginal. É disruptiva. É nisso que o grupo está se concentrando”, afirma.

Em linha a essa estratégia, explica o executivo, a Novartis decidiu globalmente pela cisão da Alcon, transformando a unidade de cuidados oftalmológicos em empresa independente. Poucos meses antes, o grupo vendeu para a GlaxoSmithKline, por US$ 13 bilhões, sua participação em uma joint venture com a própria GSK na área de saúde do consumidor, dona de marcas como Sensodyne e Nicorette, e anunciou a compra da AveXis, cujo foco é o tratamento de doenças raras, por US$ 8,7 bilhões.

Conforme Gibim, a decisão sobre a Alcon foi tomada após um longo processo de análise, que levou à constatação de que a unidade, já líder em sua área, ganhará agilidade como operação independente. A separação deve ser concluída no primeiro semestre de 2019 e, no Brasil, a meta é conduzir suavemente a transição. “Queremos que o paciente nem perceba a transição no país”, diz Gibim.

Ao mesmo tempo, para a Novartis propriamente, a maior especialização em determinadas áreas garante maior capacidade de entrega de soluções. Nos próximos cinco anos, objetivo da multinacional é lançar 50 produtos. No ano passado, o investimento total em pesquisa e desenvolvimento chegou a US$ 9 bilhões, cerca de 20% da receita líquida.

Neste momento, a Novartis tem em andamento 63 estudos clínicos, dos quais 50 em oncologia, e um dos maiores entraves no Brasil, que disputa essas pesquisas com outros países, é o prazo extenso de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Enquanto nos Estados Unidos a aprovação de um estudo leva dois meses, no Brasil esse prazo sobe para até oito meses. “Muita coisa já melhorou [na Anvisa], mas o ideal seria cair para três meses”, observa.

Com mais de 80 anos de presença no Brasil, diz o executivo, a farmacêutica entende que o país tem “altos e baixos, mas com tendência positiva no médio e longo prazos”. “Então, estamos atentos aos cenários políticos, mas nosso olhar é de longo prazo. A performance em oncologia é a demonstração clara de que é possível crescer”, afirma Gibim. Em fevereiro, a Sandoz, divisão de genéricos e biossimilares da Novartis, também anunciou mudanças no comando. Com a aposentadoria de André Brázay, o executivo Mariano De Elizalde assumiu a liderança da operação no país. Nos últimos seis anos, De Elizalde esteve à frente da Sandoz no México e na Argentina.

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