Importação de defensivos bate novo recorde

Mariana Caetano – Valor Econômico:

Puxadas pelo aumento da demanda doméstica por inseticidas, as importações brasileiras de defensivos agrícolas aumentaram e voltaram a bater recorde em 2014, confirmando uma tendência considerada importante para a manutenção da produtividade das lavouras, mas que preocupa cada vez mais os Ambientalistas.

Levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) indica que o país trouxe do exterior 418 mil toneladas de agroquímicos (entre produtos técnicos e formulados) no ano passado, 2,4% mais que em 2013. O valor dessas compras subiu de US$ 7,1 bilhões para US$ 7,3 bilhões na mesma comparação.

A importação de inseticidas foi responsável por US$ 2,7 bilhões desse total, ou 127,5 mil toneladas, uma elevação de 13,26% em relação ao ano anterior. Esse incremento refletiu o temor dos produtores com os ataques de lagartas como helicoverpa e falsa-medideira em lavouras de grãos e algodão.

O tratamento de sementes, um mercado “jovem” mas que já movimenta US$ 750 milhões em inseticidas no país, também deu sua contribuição. Mas, mesmo assim, os inseticidas continuaram a ocupar a segunda posição dentre os agroquímicos mais adquiridos lá fora, atrás dos herbicidas – que, capitaneados pelo glifosato, voltaram a responder por mais da metade das importações totais.

A dianteira dos herbicidas foi mantida apesar da queda de 5,12% no volume trazido do exterior em 2014, para 225,19 mil toneladas, reflexo da seca que atingiu o país e reduziu o ímpeto das ervas daninhas. “O fato é que seguimos altamente dependentes de importação em defensivos. Em torno de 80% dos produtos vendidos no Brasil são de origem importada”, disse ao Valor Ivan Sampaio, gerente de informação do Sindiveg.

Existem cerca de 300 ingredientes ativos disponíveis atualmente no mercado, mas apenas dez deles são sintetizados no Brasil, conforme Sampaio. “Esse cenário é o oposto das décadas de 1970 e 1980, quando 80% do produto comercializado no país vinha do mercado local”, afirmou.

A explicação para essa inversão, acrescentou o gerente do Sindiveg, está nos entraves regulatórios enfrentados pelo segmento. Atualmente, as indústrias veem mais facilidades em importar defensivos do que em produzi-los localmente.

“Há muita restrição, muita fiscalização. E não tem isonomia com o produto importado”, disse Sampaio. Pesa também para esse desestímulo o demorado processo de autorização de novos registros de agroquímicos no Brasil.

Do volume importado pelo país em 2014, 56,2% corresponderam a produtos técnicos (que é o princípio ativo, matéria-prima para os defensivos), enquanto os produtos formulados (agroquímico final) representaram os 43,8% restantes. É a esta última atividade que as indústrias de defensivos do Brasil mais se dedicam. “O Brasil é hoje um grande formulador de defensivos, utilizando-se do produto técnico trazido do exterior”, disse Sampaio.

A China seguiu como a principal origem dos defensivos importados pelo Brasil, com uma fatia de 26,3% do total. Os chineses, ao lado dos indianos – que, por ora, respondem por apenas 6,27% das compras do país no exterior -, têm avançado em progressão geométrica no mercado brasileiro.

O motivo é a forte atuação no segmento de agroquímicos genéricos, ou “pós-patente” – produtos com patentes já expiradas e cujos registros são autorizados com maior celeridade -, o que catapultou esses dois países fornecedores, com preços mais competitivos.

Para 2015, não há sinais de que as importações de defensivos pelo Brasil vão arrefecer. Ainda que o curso do mercado possa mudar diante das condições climáticas, da volatilidade do dólar e dos preços dos grãos, o Sindiveg prevê uma nova alta de, pelo menos, 2% no volume de agroquímicos trazidos do exterior este ano.

País vai à feira de Milão para ‘vender’ alimentos

Fernando Exman – Valor Econômico:

O governo usará a Expo Milão, ExposiçãoUniversal realizada a cada cinco anos e que em 2015 será organizada pela cidade italiana, para tentar impulsionar as exportações de alimentos e de empresas da cadeia produtiva do setor. A ação tem uma justificativa estratégica, uma vez que o segmento de alimentos tem grande peso na balança comercial brasileira: o tema da Expo deste ano será “Alimentando o mundo; Energia para a vida”.

Os preparativos para a participação brasileira são debatidos em um grupo interministerial presidido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que delegou à Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) a operacionalização da ação. A Expo Milão ocorrerá entre maio e outubro, com a participação de 145 países, organismos internacionais, organizações da sociedade civil e representantes de empresas. Os organizadores esperam 20 milhões de visitantes.

“É muito importante para a imagem do Brasil, principalmente neste caso específico porque o tema é alimento”, afirmou ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho. “É uma oportunidade extraordinária”, acrescentou, citando produtores de grãos, carnes, vacinas, defensivos agrícolas, máquinas, equipamentos, colheitadeiras, integrantes do segmento de logística, alimentos industrializados, embalagens, fertilizantes e instituições financeiras responsáveis pelo fomento do setor.

O investimento previsto na participação do Brasil na Expo Milão é de R$ 80 milhões, cifra que o governo pretende dividir com parceiros privados. Tais recursos serão usados na construção de um pavilhão de 4 mil metros quadrados, que terá um jardim com plantas, árvores e flores nativas do Brasil. Dentro, equipamentos interativos demonstrarão tecnologias de produção, agroenergia, agricultura familiar e segurança alimentar, agricultura empresarial e a rede do agronegócio brasileiros.

Para conquistar adesões na iniciativa privada, o governo vem realizando um périplo em associações setoriais para divulgar a ação. Estão sendo ofertadas cotas de patrocínio que variam de R$ 500 mil a R$ 2,5 milhões.

No ano passado, as exportações da indústria alimentícia caíram 6,1% em relação a 2013, para US$ 33,706 bilhões. O principal revés foi observado nos embarques de açúcares e produtos de confeitaria, segmento que em 2014 exportou US$ 9,616 bilhões e no ano anterior vendeu US$ 12,014 bilhões. O principal item da pauta da indústria de alimentos – carnes e miudezas COMESTÍVEIS – viu crescer suas exportações em 4,3% no período, para US$ 15,417 bilhões.

Fiocruz mira biofármacos e aposta em parcerias

Janes Rocha – Valor Econômico:

Apontado como um dos setores de maior potencial econômico do Rio de Janeiro, os biofármacos estão na mira Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A procura por biofármacos é crescente em todo mundo. No Brasil, embora constituam apenas 4% da demanda total de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), representam 32% da despesa do governo neste segmento, diz Paulo Gadelha, presidente da Fiocruz. Ele explica que isso se deve aos preços elevados destes produtos. “São caros porque ainda estão em uma fase de desenvolvimento muito competitiva a nível mundial”, explica.

Um estudo do Sebrae, intitulado “Roadmap – Desenvolvimento do Cluster de Biotecnologia para a Saúde Humana”, divulgado em junho de 2014, mostrava que a estrutura já montada na cidade, especialmente os grandes centros tecnológicos como a Biomanguinhos e a Farmanguinhos, o Instituto Vital Brazil (soros), a Fundação Ataulpho de Paiva (vacina BCG) e o Polo Farmacêutico de Jacarepaguá, formam um complexo pronto para acelerar o desenvolvimento em biofármacos.

A Biomanguinhos e a Farmanguinhos são ligadas à Fiocruz, a mais antiga e importante instituição do setor, condutor do desenvolvimento na área. Mas para Gadelha, o potencial também se apoia na própria estrutura médica da cidade. “O Rio de Janeiro tem a vantagem da base hospitalar e ambulatorial, construída ainda no tempo em que era capital. Apesar das deficiências de estrutura, há grandes hospitais que podem servir de base tanto para pesquisas como para a clínica de medicamentos e vacinas”, disse Gadelha.

O documento do Sebrae aponta também para outros recursos de pesquisa e desenvolvimento e recursos humanos que podem atrair novos investimentos para a cidade, dependendo dos estímulos corretos em termos de financiamento e apoio governamental. Alguns importantes exemplos são a Rede Nacional de Pesquisa Clínica em Câncer coordenada pelo Inca, o Into (ortopedia) e o Inmetro, que mantém um laboratório de biotecnologia em Xerém (Baixada Fluminense). O Estado possui seis cursos de nível superior em biotecnologia (bacharelado e tecnológico), com oferta de 476 vagas/ano, quatro cursos de nível técnico e 32 programas de pós-graduação. Apesar da estrutura, o Rio está em terceiro lugar na produção nacional, atrás de São Paulo e Belo Horizonte.

Gadelha lembra que a Fiocruz está afinada com um esforço de retomada da produção de biofármacos, desmantelada há mais de 20 anos pela política de redução a zero das alíquotas de importação promovida pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992). O Brasil importa hoje quase 90% dos insumos farmacêuticos (princípios ativos) e a Fiocruz está desenvolvendo uma área de síntese química em uma tentativa de recuperar a competitividade do setor para reduzir a dependência de importados.

A estratégia da Fundação é de parceria com as empresas privadas (PPP), apoiada por uma legislação de 2014 que estabelece estímulos ao desenvolvimento de biofármacos com transferência de tecnologia, associando programas governamentais como os financiamentos do programa Brasil Maior, do BNDES, a uma política de margem de preferência de 25% nas compras públicas para produtos que tiveram transferência de tecnologia.

Por essa regulamentação, a Fiocruz já fez mais de 30 PPPs com cerca de cem empresas. “As parcerias sempre envolvem um laboratório público, uma empresa nacional e a multinacional que detém a patente e transfere a tecnologia”, explica Gadelha. “Se não dominarmos a tecnologia e desenvolver medicamentos no próprio país será uma ameaça imensa, não só ao setor, mas à sustentabilidade do SUS que se pretende ser universal.”

Câmbio ainda não traz alívio a setor externo

José de Castro e Silvia Rosa – Valor Econômico:

A forte valorização do dólar, de 21,13% no acumulado de 12 meses, ainda não trouxe o alívio esperado para o desempenho das contas externas, como mostraram dados divulgados ontem pelo Banco Central. Isso acaba por reforçar o debate sobre a necessidade de uma alta adicional do dólar para que o déficit em transações correntes caminhe para um nível mais sustentável.

O déficit em conta corrente ficou em US$ 10,6 bilhões em janeiro. Em 12 meses, até janeiro, representa 4,17% do PIB. Os números não mostram uma deterioração adicional em comparação ao déficit de 4,19% acumulado em 2014. A questão é que não refletem a melhora que se esperava a partir do movimento de alta do dólar, o que reforça a visão de analistas sobre a necessidade de maior desvalorização cambial, leitura que ganhou força a partir de declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no fim de janeiro, de que não é possível manter o câmbio artificialmente desvalorizado.

Analistas ponderam que o efeito do câmbio sobre o déficit em conta corrente demora. Mas é bom lembrar que a trajetória de perda de valor do real em relação ao dólar vem sendo observada há quatro anos, tendo sido acelerada em 2014.

Outro ponto é a piora na qualidade do financiamento do déficit em transações correntes do Brasil em 2015, diz o economista da Tendências Consultoria especializado em contas externas e finanças públicas, Bruno Lavieri.

O volume de déficit financiado, no entanto, subiria de 103% no ano passado para 121%, considerando a soma de entradas de recursos via Investimento Estrangeiro Direto (IED), ações totais e títulos negociados no país. O cálculo considera a previsão da Tendências para o IED, de US$ 65 bilhões, mesma estimativa do BC, e déficit em transações correntes de US$ 89,2 bilhões, pior que o rombo de US$ 83,5 bilhões projetado pelo BC. “O volume financiado é maior, mas a qualidade desse financiamento piorou, porque é um dinheiro que, da mesma forma que vem rápido, pode ir embora rápido”, diz Lavieri.

O ingresso de recursos para portfólio, especialmente para o mercado de renda fixa em função das altas taxas de juros, tem ajudado a financiar o déficit em conta corrente. Os números divulgados ontem confirmam esse quadro.

Em fevereiro, até o dia 20, os investimentos em ações somavam ingresso líquido de US$ 118 milhões, enquanto a aplicação em renda fixa totalizava US$ 2,423 bilhões no período.

A menor aversão a risco no mercado externo ontem, após as declarações de Janet Yellen, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), e a redução das incertezas sobre a aprovação das medidas de ajuste fiscal do governo podem contribuir para a atração desses capitais.

Em sabatina no Senado americano ontem, Yellen sinalizou que a retirada da palavra “paciência” do comunicado do Fed não significará um aumento iminente da taxa de juros de referência, indicando que a taxa deve permanecer estável por mais duas reuniões. O discurso de Yellen e a aprovação da extensão do plano de resgate da Grécia pelo Eurogrupo por mais quatro meses levaram a uma queda global do dólar, com a moeda americana fechando no mercado local em baixa de 1,64%, a R$ 2,8308.

O recuo do dólar por aqui ainda foi acentuado pelas notícias de um esforço do governo de se aproximar da base aliada, promovendo vários encontros com líderes do PMDB. A ação é vista como importante para aprovar as medidas de ajuste fiscal, essenciais para o cumprimento da meta de superávit primário de 1,2% do PIB para este ano e para a retomada de credibilidade da política macroeconômica.

O cenário menos tenso também contribuiu para a queda das taxas de juros futuros na BM&F. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2016 caiu para 13,1%, ante 13,23% do ajuste do pregão anterior. Já o DI para janeiro de 2021 recuou para 12,54%, de 12,71% do pregão anterior.

“A aprovação das medidas fiscais é importante para fortalecer a expectativa de que a inflação começará a cair já neste ano, abrindo espaço para o Banco Central cortar a taxa básica de juros neste ano”, diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. Segundo o economista, essa discussão é um primeiro sinal, mas a redução da incerteza depende da aprovação das medidas que endurecem o acesso a benefícios trabalhistas e também a aprovação do Orçamento para 2015.

Nesse cenário, o banco vê a possibilidade de o BC cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual já no fim deste ano. No curto prazo, o economista do Fator espera mais uma alta de 0,5 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na quarta-feira que vem, além de mais um aumento de 0,25 ponto na reunião de abril.

Drogaria São Paulo e Pacheco reabrem negociação com CVS

Adriana Mattos – Valor Econômico:

O grupo DPSP, dono das redes de farmácias Pacheco e Drogaria São Paulo (DPSP), procurou semanas atrás a cadeia norte­americana CVS para retomar as conversas para a venda da sua operação, antecipou ontem o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor. É a primeira sinalização mais clara de que a DPSP aceita se desfazer do negócio, após a empresa recusar duas ofertas da CVS em 2014. Parte dos sócios da DPSP, liderados pelos controladores da cadeia paulista, tem interesse na venda e teria pressionado a família Barata, dona da Pacheco, para que o negócio avance. Segundo uma fonte a par do assunto, a última proposta da CVS colocada na mesa, em meados do ano passado, envolvia valores de R$ 5 bilhões e, na época, os bancos Espírito Santo e Morgan Stanley, que representam os sócios da DPSP, recusaram a oferta. “Ainda há interesse da CVS, mas não por certos valores que têm sido mencionados pelo mercado”, diz uma fonte. Dias atrás, começaram a circular informações no setor de que a CVS teria oferecido R$ 6,5 bilhões pela DPSP, e que as conversas avançaram após se chegar a esse patamar ­ equivalente a 16 vezes o valor do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, da sigla em inglês), que foi de pouco mais de R$ 400 milhões em 2014. Em 2013 foi de R$ 345 milhões. A expansão nos resultados de 2014 foi meta da companhia ao longo do ano, ajudando a “turbinar” o valor de venda do negócio, e criando condições de a DPSP a voltar a negociar com a CVS numa faixa de valores mais alta. Um executivo do setor lembra que a valorização do dólar desde o segundo semestre de 2014 aumenta as chances de que as partes fechem um acordo. A fase de investigação e auditoria nas contas e nos negócios da DPSP devem começar nas próximas semanas. Desde que as conversas entre as redes começaram, um ano atrás, o dólar se valorizou 25%. Em moeda estrangeira, os US$ 2,2 bilhões (R$ 5 bilhões) mencionados nas últimas tratativas entre as partes equivalem hoje a R$ 6,2 bilhões. A CVS avalia que há alguns pontos negativos na operação, em especial no Rio de Janeiro, onde a Pacheco tem lojas antigas e há muita concorrência de redes informais. Já os vendedores entendem que a DPSP é um dos grandes ativos à venda no varejo de farmácias. Logo, na visão da DPSP, se a CVS não fechar um acordo, terá poucas opções entre operações de grande porte. A Pague Menos, a maior rede do Nordeste, não aceita vender o controle. A Panvel, historicamente, descarta uma negociação e tem presença só no Sul do país. Segundo fontes ouvidas, até o momento não houve uma integração dos negócios das duas redes ­ Drogaria São Paulo e Pacheco ­ que se juntaram em 2011. Ainda há divisões de comando dentro da empresa: a operação da Pacheco não é comandada pelo presidente do grupo, Gilberto Ferreira, mas por Samuel Barata, 83 anos, fundador da Pacheco. A família Barata tem fatia de 51% na DPSP, e os 12 sócios da Drogaria São Paulo, 49%. Ronaldo de Carvalho é o acionista na linha de frente da Drogaria São Paulo. E Samuel Barata é presidente do conselho de administração da DPSP. Barata mantinha posição contrária à venda, em parte pelo preço inicialmente proposto pela CVS, abaixo do esperado por ele, e pelo fato de ele ter uma relação muita próxima ao negócio. Agora, cresce no grupo a ideia de que há chance de vender, pelo preço certo. Procurada, a DPSP informa que não irá se pronunciar sobre o assunto. A CVS também não se manifestou.

Brasil Pharma coloca redes à venda

Adriana Mattos – Valor Econômico:

A Brasil Pharma, braço de varejo de farmácias do banco BTG Pactual, estuda formas de gerar caixa e recuperar o negócio e uma das opções é se desfazer de ativos, apurou o Valor. A companhia passou a oferecer para grupos rivais algumas de suas redes de farmácias, como a Mais Econômica, com pouco mais de 180 lojas no Sul do país, e a Big Ben, um dos melhores negócios da empresa, com cerca de 250 pontos no Norte e Nordeste. A falta de interessados, a um preço considerado “justo” pelo BTG, e a existência de poucos ativos considerados atraentes pela mercado pode impedir que uma negociação aconteça, apurou o Valor. A BR Pharma nega que suas redes estejam à venda. Ontem, as ações ordinárias da empresa fecharam o dia com preço abaixo de R$ 1 ­ a R$ 0,92. Neste ano, o papel perdeu 64% do valor. Segundo uma fonte a par do assunto, a companhia sondou, nas últimas semanas, varejistas concorrentes e grupos estrangeiros para verificar quais ativos têm interesse maior do mercado. Como não seria possível se desfazer apenas dos pontos ou de redes com os resultados mais fracos, até porque não renderiam caixa necessário, a rede passou a considerar a possibilidade de colocar na mesa a Big Ben. A BR Pharma ainda teria uma dívida em aberto com os sócios da Big Ben, relacionada à parcela da aquisição anunciada em 2011. A separação dos negócios entre BR Pharma e Big Ben pode não ser algo tão complicado, já que a integração das redes não está completamente finalizada. A Big Ben, até agora, comandada por Raul Aguilera, não está unificada aos sistemas operacionais do grupo. É uma empresa que representa uma parcela significativa das despesas e ainda possui uma estrutura administrativa independente. Em relação à Mais Econômica, a análise é de que o negócio, com sede no Rio Grande do Sul, estaria reagindo mais devagar às ações de integração da empresa e passou a ser uma opção de venda. A Brasil Pharma somava em setembro de 2014, data de publicação do último balanço, cerca de 1,2 mil lojas, sendo 486 franquias da cadeia Farmais (maioria no Sudeste), além da Farmácia Sant’ana, no Nordeste, e Rosário Distrital, no Norte e CentroOeste. Essas operações ficariam dentro da BR Pharma. Nas últimas semanas, começaram a circular informações de redes que poderiam ter avaliado os negócios da Brasil Pharma. Entre essas empresas estariam a americana Walgreens e a Extrafarma, rede do grupo Ultra, dono da rede de postos Ipiranga. Porém, segundo uma fonte a par do assunto, não há proposta formulada para a aquisição dos negócios do grupo hoje. “O problema é que eles [Brasil Pharma] não queriam se desfazer só de um negócio em melhor situação e ficar com outros. E há lojas ali que não interessam. Além disso, quem ficar com Big Ben, precisa dividir o comando com os Aguilera”, diz uma fonte. A Brasil Pharma passou a enfrentar uma série de dificuldades após tomada de decisões estratégicas erradas anos atrás. Ações tem sido tomadas, mas após recente aumento de capital dos controladores e uma série de financiamentos de bancos, a empresa mantém nível alto de alavancagem, o que estaria exigindo novos aportes. Mas o BTG não quer colocar mais dinheiro no negócio, apurou o Valor. Há menos de um mês, a agência de risco Mood’s rebaixou a nota de risco da empresa.

Barioni assume Apex com a visão ‘pragmática’ do setor privado

Valor Econômico:

O novo presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), David Barioni Neto, pretende utilizar a sua experiência no setor produtivo para agilizar processos dentro da autarquia, dando ao órgão “o mesmo timing que o setor privado”. Ele toma posse hoje, em substituição a Mauricio Borges.

“Venho da iniciativa privada e essa é minha primeira experiência no setor público. Posso contribuir muito com essa visão pragmática do setor privado, que não tem muito tempo para grandes estudos acadêmicos, porque todos estão focados em tocar o negócio, em investir, empregar, aumentar a rentabilidade”, disse Barioni ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

Barioni é do ramo da aviação civil. Foi presidente da TAM e vice-presidente da GOL. É da sua experiência como comandante de aeronaves e executivo dessas companhias que tirou o seu diagnóstico e a visão para o mandato de quatro anos à frente da Apex. “O que nós temos cada vez mais que fazer é fincar pé e trazer as necessidades do setor privado, mostrando necessidade de rapidez do setor privado, de decisões mais ágeis, procurar simplificar.”

Foi também com uma comparação entre o setor privado e público que Barioni respondeu quando questionado sobre a possibilidade de fechar as representações da agência no exterior. “É uma obrigação, como qualquer empresa, verificar cada filial que temos, se está dando resultado ou não”, disse. Ele fez a ressalva, porém, de que ainda está estudando o assunto e que não há “nada definido”.

Barioni disse acreditar que o seu trabalho à frente da agência não será atrapalhado pelo ajuste fiscal levado adiante pelo governo. “A otimização do Brasil é sempre muito bem-vinda, porque quando Brasil mostra otimização de gastos, o empresário se sente na obrigação de fazer o mesmo e ser cada vez mais eficiente. Corte de gastos pelo governo é um círculo virtuoso para todo o setor”, disse.

A agilidade prometida por Barioni também se aplicará na identificação de oportunidades de negócios para as empresas brasileiras. Um exemplo é o câmbio, que fechou ontem em R$ 2,87 por unidade da moeda americana e chegou a quebrar um recorde com mais de dez anos ao bater em R$ 2,90 no pregão no pre itradia.

“[O atual cenário do câmbio] é uma situação que pretendemos tirar vantagem com certeza. Por isso, não temos tempo a perder. Precisamos trabalhar muito rápido porque existe uma janela de oportunidade para o Brasil”, analisou. “Vamos focar naqueles mercados onde nossos recursos gerem mais retorno para o país.”

O novo presidente da Apex ponderou que ainda não sabe se o órgão tem pessoal suficiente para ajudar a aumentar a base de empresas exportadoras do país e ao mesmo tempo ampliar o saldo comercial com base nos relacionamentos já existentes. “Obviamente teremos que priorizar uma das áreas. Mas elas não são excludentes. São somatórias”, analisou. A certeza é que nos dois casos o objetivo da Apex será o de fazer crescer as vendas brasileiras de bens com maior valor agregado.

“Cerca de 50% das nossas exportações são commodities, somos fortes [nesse ramo] desde o império. Então, nós temos que cada vez mais promover esse Brasil de valor agregado, de qualidade, porque é aí que vamos fazer a diferença”, analisou Barioni. Para tanto, alguns mercados serão prioritários. Como exemplo, ele citou “a América do Sul, com certeza, mas também os EUA, que agora saem da crise, a Ásia, notadamente a Índia e a Europa”.

Problemas temporários nas relações entre o Brasil e determinados parceiros estratégicos, como ocorre atualmente com a Argentina, não assustam o novo presidente da Apex. “Quando certos parceiros nossos passarem por uma situação, fortaleceremos outros e assim por diante. O importante é que a Apex olhe globalmente e, sentindo que dado mercado tem pressão momentânea, a gente possa incentivar outros.

Déficit da indústria atinge US$ 63,5 bilhões

Valor Econômico:

Em dez anos, a balança comercial da indústria de transformação passou de superavitária, com saldo de US$ 24,06 bilhões em 2004, para deficitária, com resultado negativo de US$ 63,5 bilhões no ano passado. A deterioração foi generalizada. De 19 setores industriais que o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) acompanha, 8 tinham déficit na balança comercial em 2004.

No ano passado, foram 14 com saldo negativo. O número de segmentos que conseguiram elevar a exportação em relação ao ano anterior caiu de 15 em 2004 para 5 no ano passado.

A comparação feita pelo Iedi mostra o impacto do período de valorização do real frente ao dólar sobre a indústria doméstica. Rogério César de Souza, economista do Iedi, destaca que há dez anos os saldos negativos se concentravam mais em setores industriais mais intensivos em tecnologia e nos quais o déficit era mais explicado pelo alto grau de importação, como por exemplo farmacêutica, material de escritório e informática, equipamentos de TV e comunicação e instrumentos médicos de ótica e precisão.

Segundo o levantamento, esses quatrosegmentos totalizavam déficit de US$ 9,26 bilhões em 2004. Dez anos depois o saldo negativo dos mesmos setores se ampliou para US$ 31,53 bilhões. Souza destaca que a valorização da moeda nacional deu maior ritmo às importações e tirou o fôlego das exportações.

O efeito disso, no entanto, não foi somente aprofundar o resultado negativo de quem já tinha déficit. No decorrer dos últimos dez anos, setores menos intensivos em tecnologia, como têxteis, couros e calçados, assim como segmentos tradicionalmente superavitários, como o setor automotivo, passaram a apresentar balança comercial negativa.

O setor têxtil, de couros e calçados, que exibia superávit de US$ 3,79 bilhões em 2004, amargou saldo negativo de US$ 2,15 bilhões no ano passado. O segmento automobilístico contribuiu há dez anos com o terceiro maior superávit entre os segmentos da indústria de transformação, com resultado de US$ 5,67 bilhões. Em 2014, o déficit foi de US$ 9,55 bilhões.

O relatório classifica por intensidade tecnológica os 19 segmentos da indústria de transformação acompanhados pelo Iedi. Em 2004, o déficit se concentrava mais no grupo dos setores de maior intensidade tecnológica. A exceção ficou por conta do segmento de aeronáutica e aeroespacial, que se manteve superavitário em 2014. O saldo positivo, porém, encolheu de US$ 1,76 bilhão para US$ 1,02 bilhão.

O setor em que mais se generalizou o déficit foi o de média-alta intensidade tecnológica. Em 2004, dois dos cinco segmentos apresentaram saldo comercial negativo. Com déficit nos segmentos de produtos químicos e máquinas e equipamentos elétricos, o grupo tinha saldo negativo total de US$ 2,52 bilhões. No ano passado, o déficit se estendeu para os segmentos de veículos automotores, equipamentos ferroviários e máquinas e equipamentos mecânicos. O saldo negativo do grupo saltou para US$ 59,48 bilhões.

Com nova embalagem, Althaia tenta elevar vendas de genérico do Viagra

Valor Econômico:

A Althaia, braço farmacêutico do grupo de mesmo nome que é controlado pelo ex-presidente do laboratório Medley Jairo Yamamoto, prevê dobrar sua participação no mercado nacional do genérico do Viagra, o citrato de sildenafila, a partir do lançamento de uma nova apresentação. Agora, o genérico da famosa pílula azul poderá ser adquirido nas redes de farmácia em embalagem similar à dos preservativos, o que promete reduzir o eventual desconforto ou constrangimento do cliente no momento da compra.

“Quem compra não quer mostrar que está comprando”, diz o gerente de Marketing da Althaia, Ricardo Ferrari. A afirmação leva em conta uma pesquisa produzida pelo laboratório, junto a 387 atendentes das principais redes farmacêuticas do país, que indica, entre outros aspectos comportamentais, que 87% dos homens que procuram pelo medicamento procuram ser discretos ao fazer o pedido. Além disso, 32% dos clientes esperam o balcão esvaziar, 46% procuram atendentes do sexo masculino e 22% buscam o lixo mais próximo para descartar cartucho e bula.

Para lançar a nova apresentação, o laboratório farmacêutico investiu cerca de R$ 100 mil em uma embaladora “flow pack”, que permite a produção de embalagens individuais idênticas às usadas para os preservativos. Cada embalagem possui bula e código de barras individuais, além do blister com o comprimido. “Na versão tradicional, temos embalagens com um, dois e quatro comprimidos. Com o passar o do tempo, é provável que essa nova apresentação naturalmente substitua a embalagem original de comprimido único”, conta o gerente.

De acordo com Ferrari, a nova versão do citrato de sildenafila permite ainda a prática de preços mais altos – máximo de R$ 6,92 por comprimido na farmácia, ante R$ 4 ou R$ 5 na embalagem tradicional -, o que garante margem 30% superior à do medicamento na apresentação clássica. A margem mais alta, segundo o executivo, torna-se ainda mais relevante se considerado o peso que tem o cartucho no custo final da apresentação com um único comprimido.

“Com a guerra de descontos promovida pelos genéricos, de 2009 [quando expirou a patente que pertencia à Pfizer] para cá, os preços caíram muito. Nesse caso, tanto a farmácia quanto o laboratório podem vender melhor”, afirma. A novidade também deve contribuir para a meta do grupo Althaia de alcançar faturamento superior a R$ 100 milhões neste ano, ante R$ 73,6 milhões em 2014.

“Queremos duplicar nossa participação de mercado”, diz o executivo da Althaia. Atualmente, a farmacêutica vende 100 mil caixas por mês do medicamento no Brasil, em um mercado bastante pulverizado e que movimenta 50 milhões de caixas por ano, considerando-se 2 milhões de caixas do Viagra – a fatia da Althaia, portanto, estaria em torno de 2,5% desse mercado no país. Segundo Ferrari, atualmente, o “pipeline” da “Queremos duplicar nossa participação de mercado”, diz Ferrari, gerente de marketing da Althaia, que vende atualmente 100 mil caixas por mês do medicamento.

Hypermarcas planeja repassar integralmente alta de imposto

Valor Econômico:

Segundo Bergamo, a política da companhia é repassar integralmente esses custos e, com a nova tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), válida a partir de maio, os produtos da linha de consumo devem sofrer reajustes de 6% a 8% em média. Na divisão de farma, os ajustes serão de 5% a 7%, estima o executivo. Ele lembra que, no segmento, o reajuste de alguns medicamentos depende ainda da autorização do Governo.

Mesmo com o aumento, a companhia está confiante com o crescimento da demanda e o ganho de market share visto no último ano. A participação de mercado dos produtos da Hypermarcas no setor farmacêutico chegou a 10,2% no final de dezembro, citando dados do IMS Health. Na divisão de consumo, a companhia detém uma fatia de 8,5% do mercado, segundo dados da Nielsen para o último bimestre de 2014.

No ano passado, a companhia registrou lucro líquido de R$ 402,7 milhões, alta de 56,9% frente a 2013. Já a receita líquida cresceu 11,2% para R$ 4,6 bilhões na mesma comparação, excluindo vendas relacionadas a contratos de fabricação de terceiros. O Ebitda ajustado, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, avançou 10,4% no período, somando R$1,1 bilhão.

Projeção

Para 2015, a aposta da companhia é o lançamento de novos produtos, como a versão líquida do antigripal Benegrip, produto inédito no mercado brasileiro e o analgésico Doril para enxaqueca. Em comunicado, a Hypermarcas anunciou como meta de Ebitda ajustado para o ano, cerca de R$ 1,2 bilhão, valor definido “após análise do cenário macroeconômico e da dinâmica dos mercados em que [a companhia] atua”.