Finep quer política setorial e dinheiro privado

Renata Batista – Valor Econômico:

Depois de quatro anos, Luis Fernandes reassume, hoje, a presidência da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) disposto a ajustar-se ao novo cenário. A proposta de transformar a instituição em agência de fomento para acessar novas fontes de recursos, que lançou em 2007, se mantém. No cenário sem o dinheiro subsidiado do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), porém, ele quer reforçar o papel estruturante da entidade.

Esta no foco o desenvolvimento de programas setoriais de inovação e uma agenda de reformas para alavancar a participação privada no desenvolvimento tecnológico. E evitar, por exemplo, que o governo dê dinheiro subsidiado para inovação com uma mão e a Receita Federal classifique esta subvenção como receita e estabeleça taxação, como aconteceu quando a Lei de Inovação foi aprovada, em 2004.

“Há a uma agenda de consistência, de coerência, que é o nosso grande desafio para aumentar a eficiência do investimento público em inovação e alavancar a participação privada”, diz. Ele frisa que o investimento público em inovação está no nível de países desenvolvidos, em torno de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para Fernandes, que substitui Glauco Arbix e reassume o cargo por indicação do ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo, não existe nada similar à Finep no mundo. “Nenhuma instituição tem a abrangência de instrumentos e programas que temos, do apoio à pesquisa básica nas universidades ao credito, passando pela subvenção econômica”, diz o cientista político, cuja linha de pesquisa é inovação tecnológica, mas que passou os últimos anos como secretário-executivo de Rebelo no Ministério dos Esportes e coordenou o Grupo Executivo da Copa do Mundo 2014 (Gecopa).

Na ponta do caixa, Fernandes explica que, além do reconhecimento como agência de fomento pelo Banco Central, é preciso reposicionar o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) no funding da instituição. O fundo voltou a ser contingenciado pelo governo.

Além disso, na rediscussão das fontes de recursos para investimento em Ciência e Tecnologia, que depende da regulamentação do Fundo Social do pré-sal, acabou perdendo o dinheiro do CTPetro, que estava associado ao regime anterior, de concessão, e chegou a representar 40% de sua captação. “Decidiu-se vincular a fonte já existente à regulamentação do Fundo Social e o FNDCT perdeu o CTPetro. Recompor o FNDCT ou constituir um novo fundo com o dinheiro do Fundo Social é uma agenda crítica para o país”, diz.

Fernandes reage à provocação de, mais uma vez, assumir a instituição em um período de vacas magras, depois da bonança dos últimos anos. Ele conta que como presidente do conselho deliberativo, entre 2003 e 2007, e como presidente, de 2007 a 2011, foi solidário com o esforço fiscal, mas negociou com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que na época era secretário do Tesouro, o descontingenciamento do FNDCT. “O contingenciamento caiu de 60% para zero, em 2010, e viabilizamos fontes adicionais. Entre 2003 a 2010, multiplicamos por dez a execução financeira de crédito e por sete, os investimentos não reembolsáveis. Não foi um período de vacas magras, foi de fortíssima expansão”, afirma, na expectativa de repetir o desempenho.

Aliança do Pacífico e Mercosul: convergência

Heraldo Muñoz – O Globo:

Os países da América Latina já não podem fugir do fato de que no mundo atual as regiões negociam. A economia mundial está sendo construída sobre a base de macrorregiões. A estagnação das negociações da Rodada de Doha tem empurrado novas negociações comerciais, transregionais, como já foram o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e a própria União Europeia (UE).

Assim, hoje se destacam as negociações para o Acordo Transatlântico sobre Comércio e Investimento entre os Estados Unidos e a União Europeia, o Acordo de Livre Comércio da União Europeia e o Japão, o Acordo de Parceria Transpacífica (TPP) e a iniciativa da China de converter a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na mais poderosa aliança comercial da região.

É urgente, então, fortalecer a integração da América Latina para alcançar um melhor posicionamento no mundo. Portanto, o governo da presidente Michelle Bachelet tem planejado encontrar caminhos de convergência entre a Aliança do Pacífico (AP) e o Mercosul. Não se trata de uma fusão entre os dois blocos, pois isso não seria realista, tendo em conta as diferenças tarifárias e regulatórias. Nem se trata de reduzir nosso firme compromisso com a Aliança.

Em nossa opinião, as diferenças da política econômica e a inserção internacional não constituem um obstáculo para acordos de benefício mútuo. Somente a ideologização pode conduzir a rechaçar esta convergência na diversidade. Este encontro entre os dois blocos tem fundamentos inocultáveis.

Primeiro, a força econômica e política dos países do Mercosul, especialmente da Argentina e do Brasil, é indiscutível. Sua presença no PIB da América Latina e do Caribe supera 56% e, em conjunto, a AP e o Mercosul representam 92% de tudo o que é produzido na região.

Em segundo lugar, para cada um dos países da AP, o Mercosul é o mercado mais importante no comércio total com a América Latina, exceto no caso da Colômbia. Com efeito, o bloco representa 50% do intercâmbio total do Chile com a região, e 38% tanto para o México quanto para o Peru. No entanto, é preocupante que o comércio interno da região chegue apenas ao 18% do total.

Em terceiro lugar, a nossa condição bioceânica é uma vantagem estratégica que nos conecta com os principais centros de produção e consumo global. Como bem afirmou a presidente Dilma Rousseff, “nosso continente tem a sorte de ser banhado por dois oceanos e o futuro da América Latina depende desses dois mares”.

Portanto, construir pontes entre o Mercosul e a AP realçará nossa posição competitiva no mundo global, vai ajudar ainda mais o crescimento e também nos permitirá construir cadeias de valor regionais. Essa é a condição fundamental para diversificar nossa matriz produtiva exportadora de recursos naturais em favor da indústria e dos serviços com maior valor agregado.

O esforço que o Chile vem realizando em favor do entendimento regional não só se fundamenta na mesma convicção que tiveram os pais fundadores de nossa Independência. Além disso, é apoiado pela crua realidade internacional que nos empurra para uma agenda pragmática para melhorar a nossa posição no mundo. Depois de importantes reuniões de chanceleres e ministros de Comércio da AP e do Mercosul na Colômbia e no Chile, definimos uma agenda “curta”, que está sendo estudada, incluindo objetivos específicos, como a facilitação do comércio, um balcão único para as exportações, acumulação de origem, a certificação eletrônica e a circulação de pessoas. Todas estas questões encontram-se avançadas no Mercosul e já têm sido negociadas na AP. Portanto, não é nenhuma ilusão facilitar a harmonia entre os dois blocos.

Por outro lado, todos os nossos países estão interessados em melhorar a produtividade de suas economias. Para esse efeito, é necessário gerar energia a custos mais baixos, ter melhor infraestrutura, comunicação fluída, portos modernos, e superar a condição de exportadores de recursos naturais. A complementariedade em cada um desses âmbitos será de indiscutível benefício para cada um de nossos países, ainda que não exista afinidade de políticas econômicas.

Em suma, o encontro inteligente entre os países do Mercosul e da AP aponta para a derrubada do muro invisível que separa os países do Atlântico e do Pacífico. Não é um esforço inútil, como propagam alguns. O diálogo e a convergência interregional não é só uma opção, mas uma necessidade.

Heraldo Muñoz, Ministro de Relações Exteriores do Chile

Câmbio pode elevar rentabilidade média de exportador em 11%

Marta Watanabe – Valor Econômico:

Com a perspectiva de um câmbio médio mais depreciado que o imaginado para 2015, a desvalorização do real pode garantir ao exportador ganho de rentabilidade, mesmo com a queda – também maior que a esperada – dos preços do mercado internacional. Para um dólar médio a R$ 3 no primeiro semestre deste ano, o exportador terá elevação média de margem de 4,6%, mesmo com a queda de preços de exportação estimada em 17,7%, na média, para igual período. Com dólar a R$ 3,10 o ganho de rentabilidade chega a 7,4%. Com a moeda americana a R$ 3,20, a alta de margem será de 11%. Ontem o dólar comercial subiu 2,55% e fechou a R$ 3,2941, maior cotação desde 1º de abril de 2003.

As projeções foram feitas pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), a pedido do Valor. Ao fim do ano passado, a Funcex estimava queda média de 4,2% nos preços de exportação no primeiro semestre de 2015, na comparação com iguais meses de 2014. A nova estimativa para preços no mesmo período, porém, é de queda de 17, 7%. A queda deve ser mais acentuada nos básicos, puxada pelo declínio das cotações internacionais de petróleo, do minério de ferro e da soja. A redução de preços deve atingir também semimanufaturados e manufaturados, diz Daiane Santos, economista da Funcex. Um dos fatores seria o repasse parcial ao comprador externo da desvalorização nominal do câmbio.

O maior ritmo na desvalorização do real frente ao dólar nas últimas semanas, porém, deve neutralizar na média do semestre esse efeito negativo dos preços sobre a rentabilidade do exportador. Na comparação mês a mês, diz Daiane, as três projeções – dólar a R$ 3,00, a R$ 3,10 e a R$ 3,20 – mostram que em janeiro e fevereiro o exportador ainda deve contabilizar perda de rentabilidade. “A partir de março, porém, a desvalorização nominal do câmbio já passa a compensar a redução de preços de exportação.”

Outra variável mais favorável ao exportador este ano, diz Daiane, é o custo de produção, mesmo contabilizando os efeitos do real mais desvalorizado no custo de insumos importados. A projeção da Funcex é que com dólar a R$ 3,00 o custo suba 2,6% no primeiro semestre de 2015 contra iguais meses de 2014. Na mesma comparação o custo deve aumentar 2,8% com dólar a R$ 3,10. Com a moeda americana a R$ 3,20, o custo de produção deve ter alta de 2,9%.

Apesar de continuar subindo, o custo de produção deve aumentar este ano em ritmo mais lento que o do ano passado. No primeiro semestre de 2014, o custo de produção aumentou 6,9% contra igual período do ano anterior. O preço recuou 4,7% no mesmo período, com desvalorização nominal do real de 13%. Mesmo com a alta do dólar, a pressão de custos e preços permitiu ganho de rentabilidade de apenas 0,8%.

O passado, diz Rodrigo Branco, pesquisador do Centro de Estudos de Estratégias de Desenvolvimento (Cedes /Uerj), precisa ser levado em conta na hora de analisar a rentabilidade que o exportador pode ter este ano com o dólar mais forte. “Há uma base de comparação baixa, porque o exportador perdeu rentabilidade por períodos sucessivos, praticamente desde que o real começou a se valorizar frente ao dólar, em 2011.”

Este ano, ressalta Branco, há um quadro mais favorável à exportação, com a inversão do comportamento anterior não só do câmbio como também dos custos. Enquanto o déficit de transações correntes deve ter no câmbio um dos instrumentos de administração, diz ele, com um Banco Central menos intervencionista, o ritmo de elevação do custo de produção também caiu. Nos anos anteriores o custo crescia a taxas em torno de 6% ou até 7% ao ano, o que pressionava a rentabilidade do exportador. Com a desvalorização da moeda nacional, há efeito de elevação de insumos importados, mas há queda relativa em itens importantes, como o custo da mão de obra.

Para Daiane, o real ainda tem um longo caminho de desvalorização no decorrer do ano. “Não descarto a possibilidade de o dólar chegar a R$ 3,50”, diz. Para ela, uma depreciação maior ainda é possível porque até agora a alta do dólar aconteceu mesmo sem os fatores de pressão previstos para 2015. Esses fatores, diz, ainda poderão vir e contribuir para o avanço da moeda americana.

Entre esses fatores, Daiane destaca a alta dos juros nos Estados Unidos, o rebaixamento da nota soberana pelas agências de rating com a elevação do risco político, a maior desaceleração da demanda doméstica e uma sinalização mais clara do Banco Central na política cambial.

Para Silvio Campos Neto, economista da Tendências, o câmbio deve devolver no decorrer do ano parte da desvalorização das últimas semanas e chegar ao fim de 2015 com dólar a R$ 3,06. Essa taxa foi estimada pela consultoria, lembra ele, após a volatilidade mais recente do câmbio. A taxa projetada anteriormente era de dólar a R$ 2,79 ao fim do ano. A grande mudança no nível de câmbio estimado, diz Campos Neto, mostra o quanto os movimentos mais recentes surpreenderam.

De qualquer forma, o economista concorda que a tendência será de desvalorização do câmbio médio em 2015, na comparação com 2014. Esse quadro de depreciação da moeda nacional, avalia ele, deverá se manter para os próximos anos, num movimento que favorecerá o exportador e permitirá maior rentabilidade. Ele destaca que a maior vantagem do avanço do dólar será para a exportação das indústrias, cujos preços de exportação devem ter quedas menores. “Há setores de produtos manufaturados com pouca ou nenhuma queda de preço para neutralizar. Os de mão de obra intensiva devem ter vantagem adicional, com a queda relativa do custo com salários.”

Para a indústria, diz Campos Neto, não há muita solução a não ser o setor externo. “O mercado doméstico está muito desfavorável.” O crescimento do embarque de manufaturados será ainda lento este ano, avalia, e poderá dar sinais mais claros de recuperação somente em 2016. Para a exportação total, a Tendências estima queda de 0,7% em 2015, na comparação com o ano passado. O recuo estimado das importações é de 3,1%, com superávit comercial de US$ 1,5 bilhão.

DSM aposta em novos suplementos para bovinos

Luiz Henrique Mendes – Valor Econômico:

Cada vez mais questionado no mundo, o uso de antibióticos como promotores de crescimento em animais criados para abate e consumo humano encontrou uma alternativa à base de óleos naturais na área de bovinos. Essa é a promessa da multinacional holandesa DSM. Dona da brasileira Tortuga, maior empresa de nutrição animal em bovinos do país, a companhia lança hoje em São Paulo dois novos suplementos para o uso em confinamentos.

Além da aposta em um “substituto perfeito” para os antibióticos, a DSM também desenvolveu um suplemento que combina duas tecnologias – que usa óleos naturais e uma enzima chamada amilase. Com esse produto, a DSM vislumbra um aumento de 12% ou 1,8 quilo no ganho de peso diário de bovinos criados em confinamento.

Na prática, o rendimento desse novo suplemento se aproxima do potencial dos polêmicos aditivos da classe dos beta-agonistas desenvolvidos pela indústria veterinária, que foram suspensos pelo Ministério da Agricultura em dezembro de 2012 após ameaça de embargo à carne bovina brasileira feita pela União Europeia.

“Esses produtos substituem com vantagem os antibióticos e outros promotores de crescimento”, afirma o diretor de integração DSM e Tortuga, Gabriel Ghirardi. Segundo o presidente da DSM para a América Latina, Antonio Ruy Freire, para cada R$ 1 investido, o pecuarista tem um retorno de R$ 7 a R$ 10 com o produto. “O lucro é de R$ 100 por animal. É dinheiro que não acaba mais”, enfatiza, em referência ao suplemento que combina óleos naturais e enzima.

A área de nutrição animal e, particularmente, a de bovinos, é de extrema relevância para a DSM. No ano passado, a empresa teve receita global de € 9,1 bilhões no mundo, dos quais € 675 milhões na América Latina. Segundo Freire, a área de nutrição animal é a principal responsável pelo resultado, e o setor de bovinos responde por 50% da área.

Do ponto de vista da produção, a utilização desse suplemento na alimentação dos bovinos pode significar tanto um menor prazo para que o animal atinja o peso de abate comparado com a alimentação tradicional que inclui o antibiótico ionóforo – usado como promotor de crescimento – quanto vender um animal mais pesado. Geralmente, os bovinos ficam, em média, 90 dias no confinamento.

Apesar do otimismo com os produtos que serão lançados hoje, o professor e pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Flávio Portela Santos. Coordenador do estudo feito a pedido da DSM, o especialista afirma que os resultados são “promissores” no que diz respeito ao suplemento animal que combina as tecnologias dos chamados óleos essenciais e a enzima amilase. “É bastante promissor, mas precisa de mais dados. É o primeiro estudo do tipo”, diz, ressalvando que, no caso do suplemento que inclui somente a tecnologia com óleos e que substitui apenas os antibióticos, os dados são mais consolidados.

Portela admite que os resultados mostraram que o produto tem o mesmo efeito dos beta-agonistas, mas ressalva que os dois produtos não podem ser vistos como concorrentes e poderiam ser usados de modo complementar caso os beta-agonistas não estivessem suspensos.

Do ponto de vista financeiro, o suplemento da DSM pode ter um impacto tão grande na produtividade no confinamento quanto prometiam os beta-agonistas. E o uso complementar não parece estar no horizonte. Além do veto europeu, os beta-agonistas também enfrentam maior resistência nos EUA desde 2013, onde são permitidos. Naquele ano, a americana MSD, braço veterinário da farmacêutica Merck, suspendeu o uso dos produtos após suspeitas de frigoríficos de que o medicamento tenha provocado problemas motores nos animais.

Diante da tendência de crescimento dos confinamentos no Brasil, a DSM espera fechar as primeiras vendas dos novos suplementos em encontro com confinadores nesta quinta-feira.

Conforme estimativa da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), o Brasil engordou 4,1 milhões de cabeças de bovinos no confinamento. Para este ano, a entidade estima um avanço de 7,65% e o crescimento tende a continuar.

Roche investirá R$ 300 mi em expansão no Brasil

Rodrigo Polito – Valor Econômico:

A gigante farmacêutica Roche vai investir R$ 300 milhões nos próximos cinco anos na expansão da sua unidade de produção de medicamentos em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A expectativa da companhia é ampliar em 10% a capacidade atual da fábrica, de 55 milhões de unidades de medicamentos por ano, a partir de 2017.

Sexto maior mercado da Roche no mundo, o Brasil responde por 40% das vendas do grupo na América do Sul e é o país com o maior crescimento do volume de negócios entre os emergentes. No ano passado, a companhia faturou R$ 2,3 bilhões no Brasil, com crescimento de 9,5% em relação a 2013. Para 2015, a expectativa é crescer em linha com o mercado farmacêutico no país, no patamar de dois dígitos.

“Vemos um desenvolvimento muito positivo [no Brasil] e prevemos muitos elementos positivos nos anos que virão. Estamos confiantes que a participação [do mercado brasileiro no faturamento total do grupo] vai crescer”, afirmou o presidente do conselho de administração da Roche, Christoph Franz, ao Valor. “Não estamos lidando somente com produtos que podem ser vendidos. Estamos lidando com produtos que são essenciais para a saúde de pacientes. Essa é a razão para termos capacidade suficiente para fornecer a quantidade necessária de cada medicamento no país”, completou.

O investimento na fábrica de Jacarepaguá, disse ele, não é justificado apenas pelo mercado interno, mas também pela demanda positiva de outros países da América Latina. A ideia é aumentar em 20% o volume de exportação de medicamentos a partir da unidade brasileira a partir de 2017. Hoje a fábrica já exporta 16 milhões de unidades de medicamentos por ano, o equivalente a 30% do volume total produzido.

Para Franz, apesar de haver um consenso de que a economia brasileira terá dificuldade para crescer este ano, o grupo entende que alguns ajustes e reformas necessários no país já foram feitas. “Isso leva um tempo para que seja refletido na economia. E, no fim das contas, nosso compromisso de investimento no Brasil é de longo prazo e estamos focando na demanda prevista a partir de 2017”, explicou. “Neste país, assistência médica é um direito constitucional. Isso é diferente, em comparação com a maioria dos países do mundo”, concluiu.

Para o presidente do conselho de administração da Roche, outras reformas ainda são necessárias, como a tributária. Franz chamou atenção para o complexo sistema tributário e para a burocracia existente no país.

A subsidiária brasileira da Roche foi criada em 1930 e emprega atualmente mais de 1.700 pessoas, em três unidades. Além da fábrica em Jacarepaguá, o grupo possui um escritório comercial em São Paulo e um centro de distribuição em Anápolis, em Goiás.

Com atuação nos setores farmacêutico e diagnóstico, para desenvolvimento de soluções para doenças complexas, e com medicamentos diferenciados para áreas de oncologia, virologia, inflamação, entre outras, a Roche tem um forte viés de inovação. A companhia foi a quarta empresa que mais investiu em pesquisa e desenvolvimento no mundo em 2014, totalizando 8,9 bilhões de francos suíços, o equivalente a quase R$ 29 bilhões. O montante corresponde a aproximadamente 20% do faturamento global do grupo no ano passado, de 47,5 bilhões de francos suíços, ou cerca de R$ 152 bilhões.

“Somos a empresa farmacêutica com o maior orçamento de pesquisa do mundo”, disse o presidente do conselho da Roche.

No Brasil, a companhia investiu R$ 368 milhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos três anos. Atualmente, 240 centros de pesquisa estão envolvidos em 79 estudos clínicos conduzidos pela Roche no país, com participação de mais de 1.700 pacientes.

A companhia estima que 19 milhões de pacientes são tratados no mundo hoje com os principais medicamentos do grupo, principalmente nas áreas de oncologia, neurologia e imunologia. No mundo, 360 mil pacientes participam de estudos clínicos desenvolvidos pela Roche.

Fábrica da Roche no Rio será centro de exportação

Glauce Cavalcanti – O Globo:

Em um ano em que a economia brasileira pode entrar em recessão, a farmacêutica suíça Roche anuncia planos de transformar sua fábrica no país, instalada no Rio, em hub (centro de distribuição) de exportação para a América Latina. A previsão é elevar as vendas da produção nacional para o exterior em 20% em dois anos, afirmou o presidente do Conselho Diretor da companhia, Christoph Franz, em visita ao Rio.

— O Brasil é hoje o sexto maior mercado farmacêutico do mundo para a Roche. E, apesar da situação difícil na economia, nos últimos anos tem sido um mercado de rápido crescimento. Na verdade, o mercado de crescimento mais rápido entre os emergentes para a Roche — explicou Franz.

A expansão da demanda no Brasil elevou o país a mercado prioritário para a companhia entre os emergentes, ao lado da China. A velocidade do crescimento também foi determinante para a decisão da farmacêutica de investir R$ 300 milhões na modernização de sua fábrica em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, nos próximos cinco anos.

Venda para 23 países

Atualmente, a Roche Brasil exporta 30% de sua produção, o equivalente a 16 milhões de unidades de medicamentos, para 23 países — apenas um deles no continente europeu. A farmacêutica produz remédios para oncologia, virologia e que atuam no sistema nervoso central (SNC), como o Lexotan e o Valium. Entre os medicamentos exportados estão o Bactrim.

O foco de negócios da companhia está na América Latina. O Brasil é o mercado mais forte na região, respondendo por cerca de 40% das vendas. Segundo Franz, o Brasil se mostra como base competitiva para produzir, apesar da forte volatilidade cambial. O crescimento da demanda por produtos da área de saúde no país e em toda região deve beneficiar a fábrica do Rio.

— É preciso lidar com a oscilação cambial. Temos receita gerada no Brasil e (com o novo investimento na fábrica do Rio) estamos ampliando a base de custos locais. Isso funciona como um hedge natural, e vai diminuir nossa dependência da flutuação cambial em relação à situação atual — explica o executivo.

Previsão de crescer mais de 10% no país

A crise político-econômica não deve frear as operações da farmacêutica suíça Roche no país. Ano passado, a Roche Brasil totalizou R$ 2,3 bilhões em faturamento, alta de 9,5% sobre 2013. Para este ano, a previsão de crescimento é ainda maior, alcançando expansão de dois dígitos. — Essa previsão não tem ligação direta com o investimento na fábrica. É a demanda crescente (por medicamentos) que garante os resultados. A modernização da fábrica é o caminho para que essa demanda seja atendida no futuro. O negócio só é bem-sucedido pela perspectiva de longo prazo — pondera o presidente do Conselho Diretor da Roche, Christoph Franz, destacando que o modelo de negócios na área farmacêutica depende, sobretudo, de investimento em inovação e proteção de propriedade intelectual.

Entre os países emergentes, a China é outro mercado prioritário, mas onde o aumento da demanda vem ocorrendo mais lentamente. Na Rússia, diz Franz, a situação econômica é difícil e afeta diretamente os negócios. A Índia está fora do escopo da farmacêutica, por conta dos problemas relativos à proteção de propriedade intelectual no país.

Sem impacto na folha

Franz não se mostra preocupado com o fim do alívio na desoneração da folha de pagamento das empresas no Brasil, proposto pelo governo como parte do ajuste fiscal. Ele argumenta que o forte investimento em modernização da fábrica inclui o uso de equipamentos que garantem o aumento da produtividade por empregado, que não deve implicar volume relevante de contratações.

As novas normas para reajuste de preços dos medicamentos anunciada pelo governo federal, que pode levar a aumentos inferiores ao da inflação, tampouco afetará o resultado da companhia no Brasil, avalia Rolf Hoenger, presidente da Roche Farma Brasil. Segundo ele, a mudança na regra, que promete reajuste menor no preço dos remédios este ano, afetará principalmente o comércio varejista.

Laboratório Blanver investe em cogeração diante de energia cara

Stella Fontes – Valor Econômico:

Terceiro maior fabricante mundial de excipientes para medicamentos, o laboratório brasileiro Blanver tirou da gaveta um plano de investimento em cogeração de energia elétrica para atender a fábrica de Itapevi (SP), diante do risco de racionamento e dos custos elevados com o insumo. De acordo com o presidente da farmoquímica, Sérgio José Frangioni, com o aporte de quase R$ 6 milhões, 80% da energia demandada pela unidade estará garantida.

“Já havíamos comprado antecipadamente 50% da energia necessária para 2015 e agora estamos avaliando o que fazer com os 30% que sobram. Uma possibilidade é vender no mercado”, afirmou. Os recursos foram investidos na compra de um gerador a gás natural, que entrou em operação no fim do mês passado, e poderá gerar economia anual de R$ 4,5 milhões. Essa estimativa considera o custo de R$ 190 por megawatt-hora (MWh) com a geração própria e o preço do insumo no mercado.

“Temos planos de aumento de capacidade produtiva, então há possibilidade de comprarmos mais um ou dois geradores”, acrescentou. Segundo ele, o projeto de investimento em cogeração já havia sido analisado pela Blanver há três ou quatro anos, mas naquele momento “não se pagava”. “Agora, com a crise hídrica e o acionamento das térmicas, o que eleva o custo da energia, ficou viável”, explicou.

A farmoquímica já havia blindado boa parte de suas operações contra falhas no fornecimento de energia ou apagões. “Temos geradores grandes que atendem áreas críticas quando há falta de energia. Nesse caso, já estávamos cobertos”, contou o executivo. Frangioni disse ainda que o momento crítico atravessado pela economia brasileira impõe cautela às decisões de investimento. “Não chegamos a postergar, mas vamos olhar a cada trimestre se o orçamento está sendo alcançado antes de assumir o que estava previsto em termos de investimento”, disse.

Embrapii se une a mais cinco centros de pesquisa

Camilla Veras Mota – Valor Econômico:

Criada em 2013 com o objetivo de estreitar a distância entre a geração de conhecimento e o setor produtivo, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) conta a partir de hoje com mais cinco institutos federais, que se juntam a outras 13 unidades já conveniadas à entidade e focadas em atender demandas específicas da indústria.

Os centros de pesquisa têm um plano de ação com valor de R$ 86,8 milhões para os próximos três anos e atuam nas áreas de sistemas embarcados e mobilidade digital (Instituto Federal do Ceará), metalurgia (Instituto Federal do Espírito Santo), equipamentos médicos (Instituto Federal da Bahia), sistemas automotivos inteligentes (Instituto Federal de Minas Gerais) e monitoramento e instrumentação para o ambiente (Instituto Federal Fluminense).

Do total de recursos, cerca de um terço virá de aportes da Embrapii, segundo João Fernando Gomes de Oliveira, presidente da entidade. Outro terço será dos próprios institutos, e o restante de contrapartidas das empresas parceiras.

Nas 13 unidades que já fazem parte do sistema, o plano de negócios, com estrutura semelhante de financiamento, chega a R$ 1,4 bilhão para os próximos seis anos. Cerca de R$ 200 milhões já estão contratados – R$ 190 milhões referem-se a 70 projetos tocados pelos três institutos que fizeram parte do projeto-piloto da Embrapii ainda em 2011, e o volume remanescente aos dez contratos fechados pelos dez institutos incluídos no fim de 2014.

Os centros de pesquisa têm a missão, na definição de Oliveira, de suprir “gaps de competência das empresas” e, assim, acelerar o processo de inovação no setor produtivo. Nesse sentido, a antecipação de recursos públicos para os institutos de pesquisa, afirma, serve para reduzir os riscos desse tipo de investimento e atrair um número maior de empresas.

Entre os projetos em andamento estão o desenvolvimento de nanopartículas para cimento dentário pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para a Angelus, fabricante de produtos odontológicos, e a criação de um aço especial resistente pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT) para que a Vallourec substitua o material importado por um equivalente nacional.

Os cinco novos polos, afirma Oliveira, terão ainda a missão de qualificar estudantes e jovens pesquisadores, envolvendo-os nos projetos, para que se tornem uma mão de obra “megaespecialista”, com atuação dentro das empresas.

“O Brasil é a sétima maior economia do mundo, mas tem desempenho sofrível em inovação, o 60º lugar”, diz Aldo Rebelo, ministro da Ciência e Tecnologia, pasta que financia, junto com o Ministério da Educação, a Embrapii. Em defesa da manutenção dos investimentos nessa área como caminho para recuperação da economia, ele afirma que tentará incluir algumas ações do ministério no Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC), para que sejam mantidas durante o ajuste fiscal.

O ministro da Educação, Cid Gomes, afirma que os principais esforços da pasta estão concentrados na expansão da oferta de matrículas no ensino superior, na revisão do currículo do ensino médio e no apoio a Estados e municípios no aumento da qualidade da educação básica. Ele disse, contudo, que considera a melhora da qualificação da mão de obra, junto à promoção da inovação, um caminho necessário para o aumento da produtividade da economia e da competitividade da indústria nacional.

Alemã Merck vai expandir fábrica no Rio

Stella Fontes – Valor Econômico:

O grupo alemão Merck, que atua nas áreas farmacêutica e química, se prepara para uma nova rodada de expansão da fábrica de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, a empresa, que está entre as dez maiores farmacêuticas do país, projeta expansão de 8% nos negócios locais em 2015.

Depois de encerrar em agosto de 2012 o projeto de duplicação da área produtiva e implantação de três novas máquinas de medicamentos no Rio, a gigante europeia pretende, agora, elevar de 10% a 30% a capacidade na unidade fabril, que já atingiu a marca de 1,2 bilhão de comprimidos produzidos no ano.

Em 2013, a Merck já havia inaugurado seu novo centro de distribuição, com investimentos de R$ 21 milhões e ampliação de 60% da capacidade total de armazenagem, com vistas a dar suporte ao novo volume de produção. “Os mercados emergentes puxaram o crescimento do grupo no ano passado. A América Latina teve posição de destaque e o Brasil é o principal mercado na região”, disse ao Valor o principal executivo da Merck Serono na América Latina e gerente-geral interino do grupo no Brasil, Lawrence Ganti.

A unidade de Jacarepaguá, além de medicamentos (comprimidos, cápsulas e xaropes), é voltada à produção de itens de consumo e materiais para filtros solares e detergentes. Com a expansão de 2012, uma parcela de fármacos da Merck que antes eram importados e comercializados no Brasil passou a contar com fabricação local. A partir da nova ampliação, a unidade brasileira poderá abastecer outras regiões da América Latina.

Diante do novo ciclo de crescimento, contou o executivo, a Merck deverá ampliar em 5% a 10% seu quadro de funcionários no Brasil. Um dos focos de crescimento do grupo está justamente no maior intercâmbio de profissionais brasileiros. “Vejo muitos indianos, chineses em outros escritórios do grupo, mas não vejo muitos brasileiros. Queremos dar essa oportunidade aos profissionais do país”, contou.

Um dos reconhecimentos da qualificação do Brasil foi a escolha da operação brasileira, junto com outras unidades do grupo ao redor do mundo, para participar das pesquisas de desenvolvimento de um novo tratamento oncológico que serão conduzidas em parceria com a americana Pfizer. O acordo entre as companhias foi anunciado em novembro do ano passado.

Para este ano, a previsão é a de crescimento de 8% dos negócios do grupo no Brasil, em linha com a previsão da indústria farmacêutica nacional, influenciado principalmente pela área farmacêutica, que está sob o guarda-chuva da Merck Serono. “Foi um bom ano para a Merck” e esse desempenho também reflete a reestruturação iniciada em 2010, com direcionamento dos negócios a determinadas áreas estratégicas, disse o executivo.

No ano passado, as vendas do grupo cresceram 5,5%, para € 11,3 bilhões, influenciadas tanto por crescimento orgânico quanto pela aquisição da britânica AZ Electronic Materials. Já o resultado antes de juros e impostos (Ebit) subiu 9,4%, para € 1,8 bilhão, enquanto lucro líquido atribuído aos acionistas declinou 3,7%, para € 1,16 bilhão – o grupo afirmou que o resultado 2013 embutia efeito positivo de itens não recorrentes.

Em relatório que acompanha o balanço financeiro, o presidente do conselho de administração da Merck, Karl-Ludwig Kley, afirmou que todos os setores de negócio do grupo – cuidados com a saúde, ciências da vida e materiais de performance – contribuíram para os bons resultados de 2014. “Com a aquisição da AZ, a oferta de compra da Sigma-Aldrich e a aliança com a Pfizer em imuno oncologia, nós estabelecemos as fundações para o crescimento futuro”, disse.

Balança tem pior fevereiro desde 1980 e déficit no ano vai a US$ 6 bi

Thiago Resende – Valor Econômico:

A balança comercial em fevereiro registrou um déficit de US$ 2,842 bilhões, o pior resultado para o mês da série histórica iniciada em 1980. No acumulado do ano, o saldo negativo chegou a US$ 6,016 bilhões, o segundo pior da série.

Apesar desse desempenho, o governo manteve a expectativa de um superávit no comércio internacional em 2015, sustentado pelo aumento de vendas para os Estados Unidos, melhor desempenho dos dados de petróleo, alta na safra de grãos e desvalorização do real. Analistas também acreditam neste desempenho, mas diante de uma perspectiva ruim: forte queda nas importações causada pela baixa atividade econômica.

Tanto as exportações como as importações recuaram em fevereiro na comparação com igual mês do ano passado. As retrações foram de 15,7%, no caso das vendas internacionais, e de 8,1% em relação às compras de bens estrangeiros.

Medidas aditadas pelo governo para ajustar as contas públicas, como elevação de impostos, e a redução do poder de consumo das famílias devem travar a entrada de produtos internacionais. “É de se esperar um impacto recessivo mais aprofundado na economia, o que acaba influenciando mais negativamente as importações. Mas isso não é nada de se aplaudir”, disse André Nassif, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) mostraram um recuo de 20,3% na entrada de combustíveis e lubrificantes e de 8% no caso de bens de capitais. “Quando uma economia tende a crescer, aumentam as importações de combustíveis e bens de capital. Quando o país sinaliza que vai desacelerar ou entra em recessão, tem um impacto muito negativo sobre essas importações”, disse Nassif.

Além disso, a recente desvalorização do real deve diminuir ainda mais as compras de bens estrangeiros nos próximos meses, avaliou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. “Até agora a queda está em níveis ‘civilizados’ e acho que vai ficar mais ‘selvagem'”, disse. A previsão da AEB é que a balança comercial registre um superávit de aproximadamente US$ 8 bilhões em 2015, mas esse valor pode ser revisado em julho.

O movimento do câmbio tornou o cenário menos favorável às importações e, por outro lado, estimula as exportações. O governo analisa que o nível do dólar melhorou, porém ainda há instabilidade. “Esse [o câmbio] é um dos fatores que influenciam as exportações, mas não é o único. O preço tem sido mais determinante para explicar o comportamento” da balança comercial, disse Herlon Brandão, diretor de estatística e apoio à exportação da Secretaria de Comércio Exterior do Mdic.

Houve, em fevereiro, baixa nas vendas ao exterior de todas as três categorias de produtos listadas pelo governo: básicos (22,7%), semimanufaturados (2,3%,) e manufaturados (11,1%). As principais retrações foram registradas por soja em grãos, minério de ferro, carne bovina e petróleo. O governo ressaltou que os preços de importantes produtos da pauta exportadora do país caíram nos dois primeiros meses do ano frente ao mesmo período em 2014, chegando a quase 50% nos casos de minério de ferro e de petróleo em bruto.

Na avaliação do diretor-geral da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), Ricardo Markwald, “não é provável um aumento nas vendas desses produtos [petróleo, soja e minério de ferro] ao exterior capaz de compensar a queda nos preços”. A expectativa do governo, segundo Brandão, é que o preço das commodities se estabilize nos próximos meses.

Mais uma vez a queda na importação de petróleo surpreendeu analistas. Após uma retração de 81,7% em janeiro na comparação com o primeiro mês do ano passado, as compras desse produto caíram 38,6% em fevereiro ante igual mês de 2014, recuando de US$ 1,616 bilhão para US$ 893 milhões. A explicação do ministério é o menor preço internacional do petróleo. Mas a AEB também acredita numa redução dos desembarques da Petrobras por causa, por exemplo, de estoques elevados.

Esse comportamento contribuiu para que o saldo das exportações e importações de petróleo e derivados registrasse uma melhora. O déficit da chamada conta-petróleo no primeiro bimestre do ano passado foi de US$ 3,640 bilhões. Nos dois primeiros meses deste ano, o resultado negativo foi de US$ 2,473 bilhões.

Sobre a greve dos caminhoneiros que causou transtornos a empresas no fim do mês passado, o Mdic informou que ainda é cedo para saber o efeito dos recentes bloqueios a rodovias do país nos dados da balança comercial.

Para Brandão, o movimento grevista pode ter uma relação com a redução da média de exportação na última semana do mês. “Não podemos fazer uma associação direta. Tem que aguardar os próximos dias para ver o efeito” da greve, afirmou.