UE e Mercosul fazem última tentativa de acordo

Daniel Rittner – Valor Econômico:

Os ministros de Relações Exteriores e Comércio dos quatro países do Mercosul fazem hoje uma última tentativa de acordo com a União Europeia ainda em 2018.

Eles devem passar todo o dia em reuniões a portas fechadas na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, no que se considera a cartada final para fechar as bases de um tratado de livre comércio negociado pelos dois blocos há quase duas décadas. É praticamente consenso entre as partes que, se nem um “pré-acordo” puder ser anunciado agora, fecha-se uma janela de oportunidade e as discussões devem ser retomadas apenas em meados de 2019.

Os negociadores europeus saem em férias de verão no fim deste mês e só voltam em setembro, durante o auge da campanha eleitoral no Brasil. Já deram indicações de que, se um acordo não for alcançado nesta semana, preferem esperar a posse do presidente eleito. O calendário da UE no ano que vem, entretanto, está bastante agitado: envolve eleições legislativas para eurodeputados no primeiro semestre e troca dos comissários na segunda metade do ano. O ambiente é pouco propício para definições.

Por isso, a reunião de hoje é vista como uma chance de colocar ministros e comissários, frente a frente, para superar divergências que os negociadores técnicos não têm conseguido dirimir. A lista de impasses ainda é longa: cotas para a entrada sem tarifas de carne e etanol do Mercosul na UE; o cronograma de liberalização para automóveis europeus no mercado sul-americano; prazo de vigência de patentes para medicamentos; funcionamento do regime aduaneiro de drawback na indústria do Brasil.

A UE também tenta arrancar do Mercosul o reconhecimento a cerca de 30 produtos com denominação de origem. São principalmente bebidas e alimentos, como queijo parmigiano e presunto de Parma, que não poderiam mais ser vendidos como marcas nacionais por serem indicações geográficas específicas.

Negociadores dos dois blocos estão reunidos em Bruxelas desde a semana passada na tentativa de preparar avanços. Foram fechados os capítulos de serviços – com exceção de regras para o transporte marítimo – e de pequenas e médias empresas no acordo UE-Mercosul. Os sul-americanos, porém, reclamam da demora dos europeus na transformação de acenos em compromissos efetivos de liberalização.

Técnicos afirmam que, se a lista de divergências é longa, existe um roteiro claro para solucionar os problemas. Basta um comando dos ministros e comissários.

Para o ministro brasileiro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge de Lima, ainda é possível ter um desfecho positivo. “O Mercosul e a UE negociam esse acordo há 20 anos. Nunca estivemos tão próximos de fechá-lo. Avançamos muito e é uma oportunidade que jamais tivemos”, ressalta. “O Mercosul entende que o acordo é prioridade. Um aceno mais sólido, político, direcionando as bases desse acordo será muito importante para a conclusão dos detalhes.”

A ideia do “pré-acordo” entre os dois blocos é um pacote final de concessões mútuas e o compromisso de que não haveria recuos dali em diante. Enquanto isso, em um período estimado em quatro a oito meses, continuaria a negociação de detalhes dos textos finais – que precisariam ser submetidos ao Parlamento Europeu e ao Congresso Nacional de cada um dos sócios do Mercosul.

Sem opção imediata, México luta para manter Nafta vivo

Marsílea Gombata – Valor Econômico:

Em meio à transição para um inédito governo de esquerda, na qual o presidente eleito Andrés Manuel López Obrador sótoma posse em 1º de dezembro, o México tem a difícil missão de tentar convencer um governo dos EUA, de visão comercial de “soma zero” (onde só uma parte ganha), a continuar no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Desde que Donald Trump surpreendeu os parceiros ao ameaçar retirar os EUA do Nafta, o México vem buscando outros mercados para suas manufaturas. Porém, não é fácil substituir o vizinho, maior economia do mundo e com quem faz negócio antes mesmo de o Nafta existir. “É difícil superar isso, mas podemos começar a olhar para outras economias, como o Brasil”, diz Beatriz Leycegui, da consultoria SAI e ex-subsecretária de Comércio Exterior.

O próprio López Obrador, antes implacável crítico do Nafta, agora quer renegociar o acordo o quanto antes. Logo após sua vitória, disse que queria uma relação de respeito mútuo com Trump, lembra o ex-vice-chanceler Andrés Rozental. “Mas isso é praticamente impossível. Sabemos que Trump não respeita nem mesmo seus aliados mais próximos, o que dirá do México e dos mexicanos”, diz.

Na sexta-feira, o presidente eleito se reuniu pela primeira vez com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, na Cidade México, para tratar de temas como imigração e comércio.

Economistas e especialistas em comércio ouvidos pelo Valor afirmam que atualizar as bases do acordo trilateral é a opção preferencial para o México. A segunda seria acordo bilateral com os EUA, como tem proposto Trump. A terceira, incrementar o comércio com mercados como Japão, China, Brasil e União Europeia (UE), na expectativa de que possam substituir os EUA no longo prazo.

“O México deve insistir no acordo trilateral, junto ao Canadá, com quem tem posições comuns em quase 90% dos temas contenciosos”, afirma Leycegui.

Buscar renegociação de um acordo já existente é mais vantajoso para o México do que partir para um acordo bilateral do zero, afirma Ernesto Revilla, economista-chefe do banco Citi para a América Latina. “Com o acordo que já existe, o México consegue aproveitar as vantagens da região, as cadeias de produção integradas nos três países, o que teria um impacto muito maior do que um acordo bilateral. É por isso que o México continua à mesa negociando.”

Para Fernando Murillo, da Oxford Economics, a prioridade para o México é continuar a exportar para os EUA sem barreiras comerciais e que os EUA continuem investindo no México. Segundo ele, não importa se o acordo será bilateral com os EUA ou envolvendo também o Canadá.

Os EUA são a principal fonte de investimento estrangeiro direito (IED) no México e o principal destino para as exportações mexicanas.

O México é um dos países mais abertos do mundo: mantém dez acordos de livre comércio com 45 países e é parte da TPP-1, a Parceria Transpacífico sem os EUA. O país fica atrás somente do Chile, que possui 26 acordos com 64 países.

A busca para se abrir ainda mais para o mundo ganhou força no último ano, diz Rozental. “Desde que o presidente dos EUA começou com as ameaças de impor tarifas e barreiras, há um esforço de buscar fontes alternativas para exportações e importações, ainda que seja impossível substituir 100% do comércio feito com EUA e Canadá”, diz ao citar o aumento de compras de grãos do Brasil e da Argentina.

Dentre os temas que estão travando a renegociação do Nafta estão mudanças na regra de conteúdo de origem – na qual os EUA querem aumentar de 62,5% para 75%, e o México ofereceu 70% -, e a polêmica cláusula sunset, sob a qual o acordo teria de ser renegociado a cada cinco anos.

Outro tema que vem permeando as discussões é o salarial. Os EUA propuseram que os automóveis deveriam ter componentes fabricados por trabalhadores que ganhem US$ 16 por hora. Trabalhadores em montadoras no México recebem US$ 6 por hora trabalhada, e funcionários de empresas de autopeças recebem US$ 3.

Para Carlos Heredia, do Centro de Pesquisa e Ensino Econômico (Cide), a proposta dos EUA obriga o México rever sua política salarial. “Os salários serão uma dor de cabeça para o México.”

López Obrador disse que manterá a equipe negociadora atual, mas incluirá Jesús Seade, que participou de negociações para adesão ao Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt), em 1986.

Trump disse que vai esperar a eleição legislativa de novembro para decidir sobre o Nafta. A autorização dada pelo Congresso para o presidente negociar tratados expirou em 30 de junho. Para retomar as negociações, Trump tem de pedir nova Trade Promotion Authority, conhecida por “fast track”.

Mas tudo dependerá da escalada entre EUA e China, diz Rafael Fernández, diretor do Centro para Estudos EUA-México da Universidade da Califórnia, em San Diego. “Quanto maior a guerra comercial com a China, maiores as chances do novo Nafta”, diz. “Dificilmente os EUA entrarão em outra guerra com dois parceiros comerciais.”

Novartis define novo comando no Brasil e projeta expansão de vendas

Stella Fontes – Valor Econômico:

O gerente-geral da unidade de oncologia da Novartis no Brasil acaba de ser nomeado presidente da farmacêutica suíça no país. Alexandre Gibim, 45 anos, assume a operação local com a missão de manter o ritmo de crescimento dos negócios, apesar da desaceleração do mercado farmacêutico nacional, e o aumento do número de pesquisas clínicas conduzidas no país, que receberam R$ 220 milhões nos últimos três anos. Isso em um momento de mudança de governo e em que a matriz coloca em marcha um amplo plano de reorganização, com o objetivo de alcançar a liderança global em medicamentos.

O executivo vai acumular a presidência da Novartis Brasil, uma das maiores farmacêuticas no mercado local e no mundo, e o comando da unidade de Oncologia, seguindo uma tradição da empresa. Gibim foi escolhido para suceder o executivo José Antônio Vieira, que deixou a farmacêutica no fim de abril. Desde então, a posição era ocupada interinamente pela diretora financeira do grupo, Aline Medici. O anúncio aos funcionários foi feito na sexta-feira.

À frente da divisão de Oncologia, Gibim comandou um processo de acelerada expansão das vendas, que dobraram nos últimos três anos. Assim como no mundo, a área é a segunda maior geradora de receitas para o grupo, atrás da unidade farma (no Brasil, voltada a sistema nervoso central, cardiologia e doenças infecciosas) mas à frente da Sandoz (de genéricos e biossimilares) e da Alcon (de cuidados oftalmológicos). “Há muita pesquisa médica a ser feita em oncologia. Quando se pensa em necessidades médicas não atendidas, grandes respostas ainda precisam ser dadas nessa área”, diz.

A meta é garantir também a sustentabilidade do desempenho verificado nessa unidade nos últimos três anos. Até agora, as indicações são positivas. No primeiro trimestre, a taxa de crescimento foi compatível com a que permitiu à área dobrar de tamanho, afirma o executivo.

Segundo dados da consultoria IQVIA, que audita o mercado farmacêutico em todo o mundo, as vendas consolidadas da Novartis no país cresceram 6% no acumulado de 12 meses até maio. No ano passado, o grupo teve vendas líquidas de R$ 3 bilhões aqui e de US$ 49,1 bilhões no mundo. O Brasil está no grupo dos 10 maiores mercados da organização.

Na avaliação de Gibim, há margem para acelerar o ritmo das vendas até o fim do ano, com importante contribuição dos lançamentos. Em oncologia, são pelo menos duas novidades em 2018. Na Sandoz, 60 novos produtos, incluindo extensões de linha, chegam ao mercado. A Alcon, de oftalmologia, também apresenta novidades. “Não é inovação marginal. É disruptiva. É nisso que o grupo está se concentrando”, afirma.

Em linha a essa estratégia, explica o executivo, a Novartis decidiu globalmente pela cisão da Alcon, transformando a unidade de cuidados oftalmológicos em empresa independente. Poucos meses antes, o grupo vendeu para a GlaxoSmithKline, por US$ 13 bilhões, sua participação em uma joint venture com a própria GSK na área de saúde do consumidor, dona de marcas como Sensodyne e Nicorette, e anunciou a compra da AveXis, cujo foco é o tratamento de doenças raras, por US$ 8,7 bilhões.

Conforme Gibim, a decisão sobre a Alcon foi tomada após um longo processo de análise, que levou à constatação de que a unidade, já líder em sua área, ganhará agilidade como operação independente. A separação deve ser concluída no primeiro semestre de 2019 e, no Brasil, a meta é conduzir suavemente a transição. “Queremos que o paciente nem perceba a transição no país”, diz Gibim.

Ao mesmo tempo, para a Novartis propriamente, a maior especialização em determinadas áreas garante maior capacidade de entrega de soluções. Nos próximos cinco anos, objetivo da multinacional é lançar 50 produtos. No ano passado, o investimento total em pesquisa e desenvolvimento chegou a US$ 9 bilhões, cerca de 20% da receita líquida.

Neste momento, a Novartis tem em andamento 63 estudos clínicos, dos quais 50 em oncologia, e um dos maiores entraves no Brasil, que disputa essas pesquisas com outros países, é o prazo extenso de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Enquanto nos Estados Unidos a aprovação de um estudo leva dois meses, no Brasil esse prazo sobe para até oito meses. “Muita coisa já melhorou [na Anvisa], mas o ideal seria cair para três meses”, observa.

Com mais de 80 anos de presença no Brasil, diz o executivo, a farmacêutica entende que o país tem “altos e baixos, mas com tendência positiva no médio e longo prazos”. “Então, estamos atentos aos cenários políticos, mas nosso olhar é de longo prazo. A performance em oncologia é a demonstração clara de que é possível crescer”, afirma Gibim. Em fevereiro, a Sandoz, divisão de genéricos e biossimilares da Novartis, também anunciou mudanças no comando. Com a aposentadoria de André Brázay, o executivo Mariano De Elizalde assumiu a liderança da operação no país. Nos últimos seis anos, De Elizalde esteve à frente da Sandoz no México e na Argentina.

Negociações avançam, e acordo entre Mercosul e UE pode estar próximo

Assis Moreira – Valor Econômico:

O anúncio político de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) pode estar perto, acreditam importantes fontes, com base no avanço das negociações esta semana, em Bruxelas.

Apesar de uma ponta de ceticismo, após debates que já duram 20 anos, fontes confirmam que as equipes negociadoras poderão fazer progressos até esta sexta-feira. Deixariam em aberto alguns pontos para decisão dos ministros do Mercosul e dos comissários de Comércio e de Agricultura da União Europeia, que têm reunião marcada para o dia 18, em Bruxelas.

Os ministros e os comissários dos dois blocos deverão decidir basicamente sobre o equilíbrio da ambição do acordo. Caso as concessões na agricultura pelo lado europeu continuem modestas, não se pode esperar contrapartida maior do Mercosul na liberalização do setor automotivo, por exemplo.

Também precisarão de decisão política os temas de regra de origem e de indicações geográficas. “Tudo é questão de equilíbrio”, como diz um negociador. Anúncio político do acordo para a UE significa que praticamente tudo estará acertado, ficando para depois apenas alguns detalhes técnicos.

Em todo caso, apesar do otimismo entre certos negociadores, o comissário de Agricultura, Phil Hogan, declarou esta semana, no interior da Bélgica, que “não penso que haverá um acordo a curto prazo” com o Mercosul, procurando tranquilizar agricultores europeus na plateia.

Na verdade, a UE dá persistentes sinais contraditórios sobre o estado da negociação com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Recentemente, a reação do governo alemão, no Encontro Economico Brasil-Alemanha, em Colonia, foi decepcionante, ainda mais para um país favorável ao acordo. Os alemães falaram de falta de tempo e de outros temas que se tornam prioridade no momento.

Para um negociador do Mercosul, se os europeus não aceitarem fechar a negociação, será incompreensível pelo que ganharão, por exemplo, em relação a exportadores americanos e chineses, ainda mais no contexto internacional atual.

Como o Valor revelou, o Mercosul ofereceu à UE uma cota para entrada de carros europeus com tarifa 50% menor do que a atual, pelo período de sete anos.

A alíquota de importação cairia de 35% para 17,5% sobre um determinado volume. Após o prazo de sete anos, começaria a redução da tarifa sobre automóveis europeus até a eliminação completa, oito anos depois.

Um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE seria oito vezes mais importante do que o acordo UE-Canadá e quatro vezes maior que o acordo UE-Japão, segundo os europeus.

Mezei, ex-presidente da Pfizer, assume Orygen Biotecnologia

Stella Fontes – Valor Econômico:

A Orygen Biotecnologia, joint venture entre os laboratórios nacionais Eurofarma e Biolab, tem novo comando. O ex-presidente da Pfizer no Brasil, Victor Mezei, assumiu há poucas semanas a presidência da farmacêutica, que ainda está em fase pré-operacional. Mezei deixou a liderança da operação brasileira da Pfizer em julho do ano passado, após onze anos no cargo. O executivo Carlos Murillo, que estava à frente da presidência da Pfizer no Chile, foi escolhido para sucedê-lo.

A informação foi antecipada pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, na tarde de ontem. Procurada, a Orygen confirmou, por meio de assessoria de imprensa, no início da noite, a chegada de Mezei.

No comando da biofarmacêutica, Mezei sucede Dante Alario Júnior – que é um dos controladores e diretor científico da Biolab. Sua contratação foi interpretada no setor como uma confirmação da aposta das sócias na empresa e como sinal de evolução dos projetos da Orygen.

A joint venture tem um acordo com a Pfizer que prevê transferência de tecnologia para a produção de até cinco anticorpos monoclonais: Adalimumabe, Bevacizumabe, Infliximabe, Rituximabe e Trastuzumabe, usados no tratamento do câncer e de doenças autoimunes. Há ainda acordo com a americana Protein Sciences Corp. que cobre a comercialização da primeira vacina recombinante contra o vírus da gripe aprovada pelo FDA (do inglês Food and Drug Administration).

A Orygen foi constituída em 2012, com apoio do governo federal, com a missão de ser uma das duas “superfarmacêuticas” nacionais que vão desenvolver e produzir medicamentos biológicos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Originalmente, a joint venture reunia quatro laboratórios brasileiros. Em 2013, porém, Libbs e Cristália deixaram a associação para tocar projetos independentes no segmento de biossimilares.

O plano estratégico original da Orygen prevê investimentos de R$ 500 milhões e a construção de uma fábrica em São Carlos, no interior de São Paulo. Contudo, diante do atraso na definição de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) que estavam previstas pela joint venture, o planejamento inicial sofreu ajustes e a Orygen passou a investir em uma fábrica menor, no complexo industrial da Eurofarma em Itapevi (SP). A unidade de São Carlos segue no radar da farmacêutica.

A outra biofarmacêutica brasileira que nasceu com apoio do governo para a produção local de biossimilares é a Bionovis, que tem como sócios o Aché, a EMS, a Hypera e a União Química.

Biomm produzirá insulina de última geração no país

Stella Fontes – Valor Econômico:

A farmacêutica brasileira Biomm, que nasceu em 2001 da cisão da antiga Biobrás e tem entre seus acionistas TMG Capital, Vinci, BNDESPar e o empresário e ex-ministro Walfrido dos Mares Guia Neto, caminha para se tornar a primeira fabricante de insulina análoga de longa duração do país.

Com a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Glargilin, nome comercial para o biossimilar da insulina glargina que será comercializado pela Biomm, a companhia poderá dar andamento a seu plano estratégico e solicitar a certificação da fábrica de Nova Lima (MG), que já está pronta.

Hoje, toda insulina consumida no Brasil, que tem cerca de 8 milhões de pacientes diagnosticados com diabetes, de um total estimado em cerca de 15 milhões, é importada. A insulina glargina, oferecida no país por multinacionais, consiste no tratamento mais moderno de diabetes e, por ter efeito prolongado, reduz o índice de eventos de hipoglicemia.

Num primeiro momento, até que saia a certificação da fábrica, a Biomm vai importar o medicamento para venda – o que agora depende apenas da autorização de preço pela Câmara de Regulação de Mercado de Medicamentos (Cmed). Conforme a companhia, a aprovação dá acesso a um mercado estimado em mais de R$ 1 bilhão por ano e com crescimento anual de dois dígitos.

Em entrevista ao Valor, o principal executivo da farmacêutica, Heraldo Marchezini, não fez projeção para as vendas do medicamento, mas lembrou que o potencial de crescimento desse mercado é grande, tendo em vista o avanço do diabetes tipo 2 e do maior acesso a tratamento médico no país. “No Brasil, 80% do mercado é de insulina humana e 20%, glargina. Em outros países, é o inverso. Isso dá uma ideia do potencial”, disse.

A Biomm já investiu R$ 180 milhões na fábrica de Nova Lima, de um total de R$ 540 milhões previsto em seu projeto. Em razão do processo de certificação depender dos ritos da Anvisa, a Biomm não faz previsão de data de início da operação fabril. “Preferimos não falar em prazos diante da complexidade de uma fábrica de biotecnologia e dos padrões mais rigorosos de certificação”, disse Marchezini.

A Biomm tem uma pequena atividade comercial, concentrada em um creme hidratante específico para pés de diabéticos, o Confort Care, que é produzido pela Affinitá Brasil. Diante do legado da Biobrás, explicou o executivo, a Biomm desenhou uma estratégia claramente voltada a diabetes e também para oncologia, utilizando a plataforma biológica.

Além da produção própria da Glargilin e de uma insulina humana que aguarda registro na Anvisa, a farmacêutica planeja comercializar no país a única insulina inalável disponível mundialmente, a Afrezza, da americana MannKind Corporation, já aprovada pelo FDA (do inglês Food and Drug Administration) e submetida ao aval da agência brasileira. A companhia tem ainda um acordo para distribuição no Brasil do medicamento Herzuma, biossimilar do Trastuzumabe, usado no tratamento do câncer de mama.

De acordo com Marchezini, a Biomm poderá recorrer a uma nova oferta de ações para financiar futuros projetos conforme “as ambições que surjam”. A farmacêutica tem ações listadas na B3, no segmento Bovespa Mais, mas liquidez ainda limitada. Ontem, após 141 negócios, os papéis da Biomm lideraram as altas da bolsa paulista com ganho de 23,15%, a R$ 8,67, repercutindo fato relevante relativo à aprovação ao registro da insulina glargina. No fim de maio, a diretoria colegiada da Anvisa deu provimento parcial a recurso impetrado pela Biomm contra o indeferimento do pedido de registro do Glargilin, como tinha deliberado a área técnica da agência em outubro.

Globalmente, comentou o executivo, farmacêuticas especializadas em biotecnologia são públicas e se financiam via mercado de capitais. “A Biomm já nasceu listada e isso vem do conceito das empresas de biotecnologia, que dependem de novos investimentos”. (Colaborou Ivan Ryngelblum)

Sanfarma planeja avançar em loja de preço único e pequeno mercado

Stella Fontes – Valor Econômico:

Com uma operação enxuta perto das gigantes que disputam os mercados nos quais atua, a brasileira Sanfarma, cujo diversificado portfólio vai de curativos e compressas a testes de gravidez e produtos que aliviam dores musculares, tem garantido o crescimento das receitas a partir da exploração de nichos que são menos visados por concorrentes do porte da multinacional Johnson & Johnson ou da também brasileira Cremer.

“Buscamos olhar para o que não é oferecido no varejo mas é uma necessidade do consumidor”, diz o fundador e presidente da empresa, Luciano Biagi. Foi assim no desenvolvimento do primeiro oclusor estéril (tampão) oftalmológico em versão individual para o varejo, reforçando a estratégia de inovação que se consolidou em 2010. “Os pequenos [fornecedores] fazem qualquer preço, e os grandes têm um portfólio maior e conseguem vender o pacote. Percebemos que seria preciso inovar”, afirma.

Com faturamento de R$ 30 milhões no ano passado, 33% acima do registrado em 2017, a Sanfarma tem forte presença no varejo farmacêutico, em especial nas redes independentes, e quer avançar em pequenos mercados e lojas de preço único. Hoje, 90% das vendas são geradas em drogarias e farmácias, ante 10% nos demais canais. Nos próximos anos, esse mix pode ficar em 80% e 20%, respectivamente, sem abrir mão de preço. “Não temos o preço mais alto, mas não queremos ser o primeiro preço, porque isso pode significar perder alguma qualidade”, afirma Biagi.

Com um portfólio de mais de 70 produtos, a Sanfarma é dona de marcas como Confira (de testes de gravidez), Doutorsan (para alívio de dores musculares), Despack (linha de coletor de resíduos hospitalares) e Sancare (de algodão, compressas e hastes flexíveis, entre outros produtos). Entre os mais vendidos aparecem o teste de gravidez e uma compressa de gaze não aderente.

Fundada em 1998 em Extrema (MG), a Sanfarma tinha foco inicial no fornecimento de compressas de gaze esterilizadas para o varejo farmacêutico, que ainda não era atendido pelas grandes fabricantes. No começo dos anos 2000, começou a produzir ataduras em Bragança Paulista (SP), em sociedade com um empresário local, e transferiu-se para Americana, onde acaba de investir R$ 3,6 milhões para deslocar a produção para uma área maior.

Hoje, produz mais de 150 milhões de compressas de gaze por ano, 80 milhões de compressas de TNT, 50 milhões de curativos, 5 milhões de testes de gravidez, além de 100 toneladas anuais de algodão bola e em caixinha. A Sanfarma também fornece produtos para varejistas de medicamentos que operam com marca própria, entre as quais Panvel, Ultrafarma e Drogaria São Paulo.

Nordeste, que reduzirá oprazo de atendimento. Hoje, os pedidos podem levar até 20 dias úteis para chegar ao cliente. Com o novo CD, o número de dias pode cair pela metade.

Para 2018, diz Biagi, a previsão era de crescimento de 10% a 15% nas vendas antes da greve dos caminhoneiros. Depois da paralisação, que bloqueou estradas em todo o país, já não havia expectativa de alcançar o topo da projeção.

Mercosul e Efta fazem a primeira troca de ofertas

Assis Moreira – Valor Econômico:

O Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (conhecida pela sigla inglesa Efta) fizeram esta semana a primeira troca de ofertas de liberalização de bens, serviços e compras governamentais, acelerando as negociações de um acordo de livre comércio. A Efta é formada pela Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, países pequenos, mas com poder aquisitivo entre os maiores do mundo.

A negociação foi lançada no ano passado. A quarta rodada de discussões ocorre em Genebra até sexta-feira. A expectativa nos dois blocos fechar o acordo até o fim do ano que vem, ou seja, num prazo de apenas três anos.

Os países da Efta, que normalmente estão entre os mais protecionistas do mundo na área agrícola, apresentaram oferta de acesso a seus mercados, que pela primeira vez vai além do que costumavam oferecer até agora. Isso reflete uma ligeira reviravolta liberal da Suíça, país mais forte do bloco. O governo helvético defende a abertura do mercado e desmantelamento de proteção aduaneira. Isso provoca uma enorme irritação por parte dos agricultores locais.

Os dois blocos terão nova rodada de negociações no quarto trimestre, quando uma segunda troca de ofertas poderá ocorrer. Há sinais de flexibilidade dos dois lados para acomodar questões sensíveis. Do lado do Mercosul, produtos químicos, farmacêuticos e alguns maquinários. Do lado da Efta, a sensibilidade é sobre a entrada de produtos como carnes, açúcar e outros itens agrícolas.

Além disso, há interesses ofensivos, como da Noruega, no transporte marítimo, e da Suíça, no setor financeiro. por exemplo. Os suíços poderão aparecer com demanda para o Mercosul permitir abertura de contas bancárias pela internet, por exemplo.

A flexibilidade e disposição para acelerar as negociações é destacada por quem tem acesso às discussões. É verdade também que o número de produtos na mesa de discussões é bem menor, se comparado à negociação Mercosul-UE.

O governo suíço não tem escondido a pressa para assinar um acordo com o Mercosul, para não ficar em desvantagem em relação aos países-membros da UE. Se houver logo um acordo entre Mercosul e UE, produtos industriais da Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein continuarão a pagar tarifa de 7% a 35%, enquanto as exportações dos 27 países-membros da UE serão menores ou ficarão isentas no médio prazo pelo acordo.

Biolab entra em genéricos e avalia compra no Canadá

Stella Fontes – Valor Econômico:

Uma das maiores farmacêuticas de capital nacional, a Biolab acaba de chegar a um novo mercado, o de medicamentos genéricos, com previsão de faturamento de mais de R$ 150 milhões já em 2019. A caminho de inaugurar uma fábrica de R$ 450 milhões em Pouso Alegre (MG), a empresa também estreia na área de sistema nervoso central (SNC) e tem olhado ativos à venda no Canadá, para potencialmente estabelecer sua primeira unidade produtiva fora do Brasil.

A entrada da Biolab em genéricos e em SNC decorre da compra da Actavis Brasil, que pertencia à israelense Teva, maior fabricante de genéricos do mundo. O valor do negócio, concluído na semana passada, não foi divulgado.

O Valor apurou, no entanto, que, na indústria, estima-se que a Biolab teria pago algo entre R$ 40 milhões e R$ 60 milhões pela operação, que compreende uma fábrica no Rio de Janeiro e um portfólio com 30 produtos.

O faturamento da Actavis no ano passado é estimado em torno de R$ 50 milhões.

“Vamos jogar em genéricos, mas sem abrir mão do DNA da Biolab, que é inovação”, disse o presidente e um dos controladores da farmacêutica, Cleiton de Castro Marques. Com a transação, a Teva, que por aqui não conseguiu se consolidar como concorrente relevante em genéricos, limita sua atuação no país à área de oncologia e tratamentos especiais.

Enfrentando grave crise financeira desde a compra da divisão de genéricos da Allergan, por cerca de
US$ 40 bilhões, a israelense colocou ativos à venda e cortou milhares de empregos. A fábrica do Rio
não estava contemplada no plano de desinvestimentos e partiu da farmacêutica brasileira a
iniciativa de conversar com os israelenses.

Interessou à Biolab, sobretudo, o portfólio de medicamentos de marca registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ainda não comercializados – os genéricos não estavam no foco da brasileira. Conforme Marques, são produtos de alta barreira regulatória, sem patente e com no máximo um concorrente, que serão oferecidos no mercado público e nas redes de farmácia. Por razões estratégicas, essas moléculas ainda não são reveladas. “São pelo menos seis moléculas, que serão produzidas aqui”, disse.

As conversas entre Biolab e Teva começaram em janeiro e, em abril, já havia um acordo formal, relatou o empresário ao Valor. Condições precedentes foram cumpridas e, nessa segunda-feira, a farmacêutica brasileira assumiu a operação da Actavis. No mercado de genéricos, a estratégia não será concorrer diretamente com as grandes desse segmento, como EMS, Hypera e Medley (da francesa Sanofi). Até o ano que vem, o portfólio deve ser formado por 60 produtos, que juntos poderão responder por 15% do faturamento da Biolab.

“O genérico é uma realidade do mercado brasileiro, então temos de trabalhar nisso também. Vamos diluir custo de produção”, afirmou Marques, ao ser questionado sobre os fatores que levaram a Biolab, farmacêutica tradicionalmente de preços mais altos e produtos premium, a um segmento marcado por forte competição e descontos elevados.

O grande atrativo está na outra parcela de produtos da Actavis, que permitirão à Biolab entrar com um portfólio mais robusto em sistema nervoso central, área que já estava no radar. A estratégia de longo prazo da farmacêutica está baseada justamente nos produtos de marca e em novas moléculas que venham a ser desenvolvidas no centro de pesquisas e desenvolvimento recém-instalado no Canadá.

Neste momento, a Biolab – laboratório de capital nacional – está investindo R$ 450 milhões em nova fábrica, em Pouso Alegre (MG), que vai dobrar a capacidade de produção, hoje de 100 milhões de unidades por ano. Em termos de expansão, porém, o passo seguinte muito provavelmente será dado no exterior. “O próximo passo deve ser uma fábrica no Canadá”, disse Marques. “Já estamos olhando ativos”.

Além da via potencial de aquisições, a farmacêutica tem dois grandes projetos de internacionalização já desenhados, informou Marques. O primeiro deles é o lançamento do Vonau (ondansetrona), para tratamento de náusea e vômito, no Peru, Equador e Colômbia, e registro também no México e na Arábia Saudita (que abre as portas em países da comunidade árabe).

O segundo é o lançamento do dapaconazol, um antifúngico desenvolvido integralmente pela Biolab e resultado de inovação radical. A intenção é vender o medicamento, que está em fase de registro na Anvisa para a versão tópica, também no mercado asiático, latino-americano e no Canadá. “Estamos bem abertos”, comentou Marques, referindo-se a conversas com potenciais parceiros de distribuição e co-desenvolvimento.

No ano passado, a Biolab teve vendas líquidas (com impostos) de R$ 1,3 bilhão e, antes da greve dos caminhoneiros, projetava expansão de 12% para 2018. Neste momento, um avanço de 10% parece mais factível, observa Marques. “Maio atrapalhou um pouco”, comenta. A farmacêutica é líder em prescrição médica na área cardiológica, que responde por cerca de 50% de seu faturamento.

Ao mesmo tempo em fortalece seu portfólio, a Biolab está promovendo profundas alterações em sua governança, com suporte da consultoria McKinsey.

As três famílias controladoras – de Cleiton e de seu irmão Paulo de Castro Marques e de Dante Alario Júnior – foram reunidas em um conselho de família e foi constituído um conselho de administração, com assentos ocupados pelos três sócios e dois membros independentes. A intenção é preparar a empresa para um futuro processo sucessório e, eventualmente, ao acesso ao mercado de capitais, incluindo oferta inicial de ações, caso surja alguma oportunidade de negócio que justifique tal iniciativa.

Blanver testará ‘delivery’ de remédio para prevenção do HIV

Stella Fontes – Valor Econômico:

A farmacêutica brasileira Blanver planeja testar um sistema de entrega (“delivery”) personalizada do primeiro similar do Truvada, indicado também para a prevenção do HIV, registrado no país. Resultado de parceria com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), braço da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), o novo remédio preventivo será distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e diretamente ao paciente, no mercado privado. Mas, antes de eventualmente chegar às farmácias, passará pelo projeto piloto de entrega direta em algumas cidades brasileiras.

“A distribuição na farmácia ainda não é oportuna”, observa o principal executivo da Blanver, Sérgio Frangioni, sem fornecer detalhes sobre o plano de “delivery” que será colocado em prática no fim do ano. Em linhas gerais, a estratégia que está sendo desenhada passa por usar algumas cidades como amostragem e, então, expandir as vendas para outros mercados, incluindo outros países América do Sul. O varejo farmacêutico ainda não aparece nos planos de curto e médio prazos da Blanver.

O Truvada, da americana Gilead Sciences, combina dois princípios ativos, entricitabina (FTC) e fumarato de tenofovir desoproxila (TDF), e recebeu em meados de 2017 a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para casos de pré-exposição (PrEP, de profilaxia pré-exposição) ao vírus HIV. O medicamento começou a ser distribuído pelo SUS no fim do ano e, agora, por meio de uma PDP (Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), o similar, também composto pelas drogas entricitabina e tenofovir e de prescrição médica, começa a ser produzido no país.

Ao mesmo tempo em que iniciará o piloto, a Blanver colocará na rua uma campanha de conscientização – técnica e esclarecedora, conforme Frangioni – sobre o uso do medicamento. “Percebemos que há desinformação e um tabu muito grande”, comentou. O uso do remédio tem gerado uma série de debates, destacando a necessidade de utilização também de outros métodos de prevenção para evitar doenças sexualmente transmissíveis. “O que não queremos é desestimular o uso de outras formas de prevenção”, afirma.

A Blanver recebeu em abril o registro do medicamento, que deve ser tomado diariamente para prevenir contra o HIV. A droga bloqueia a ação das enzimas que permitem ao RNA se replicar nas células hospedeiras, reduzindo a carga viral no corpo do paciente. Inicialmente, o remédio distribuído pelo SUS estará direcionado sobretudo a homens homossexuais e usuários de droga.

Um mês depois, a Anvisa concedeu à farmacêutica o registro de um medicamento genérico inédito para tratamento da hepatite C crônica. A expectativa é a de que o genérico do sofosbuvir, que começaria a ser entregue pelo SUS neste mês a partir de uma parceria entre Fiocruz e o consórcio BMK, que além de Blanver inclui a Microbiológica Química e Farmacêutica e a KB Consultoria, chegue ao mercado com preço bastante inferior ao do produto de referência, o Sovaldi, também da Gilead.

De acordo com Frangioni, o foco da farmacêutica está cada vez mais orientado a tratamentos para hepatite e Aids, mas uma nova área terapêutica começa a ser explorada, a de oncologia. Nesse caso, a ideia é trabalhar por meio de licenciamentos e não apenas PDPs, hoje a principal ferramenta da empresa. Atualmente, são nove parcerias dessa natureza, contra quatro até o fim do ano passado. Além disso, tem entre 10 e 12 produtos esperando por registro na Anvisa.

Em 2017, a Blanver registrou vendas de R$ 300 milhões. Para este ano, a projeção é de faturamento de R$ 350 milhões. Nos últimos anos, a farmacêutica alterou radicalmente seu perfil de negócios e vendeu a operação de excipientes para a francesa Roquette, concentrando-se na fabricação de medicamentos e princípios ativos (IFA).

Com investimentos de quase R$ 85 milhões, expandiu a capacidade da fábrica de Indaiatuba (SP), voltada a insumos farmacêuticos, que atendem também a unidade de produção de medicamentos em Taboão da Serra (SP).