Quatro dias intensos de programação, eventos técnicos, dezenas de reuniões de trabalho e perspectivas de negócios com os diferentes mercados globais. Esse é o resumo da missão empresarial da Abiquifi e ApexBrasil à San Francisco, nos Estados Unidos, durante a semana da JP Morgan Healthcare Conference 2026, um dos principais eventos globais de inovação e investimentos em saúde.
A delegação brasileira reuniu empreendedores e executivos das indústrias farmoquímica e farmacêutica, além de seis startups, e contou com a participação institucional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), representada por Daniel Meireles, diretor da Segunda Diretoria, e por Bianca Zimon, assessora de Assuntos Internacionais (Ainte). O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) também integrou a Missão, com representação de Claudia Caparelli, head de Inovação.

“Missões como essa organizada pela Abiquifi, em conjunto com a ApexBrasil, são de grande valia para fomentar uma articulação internacional entre líderes globais de empresas e startups, fundos de investimento, centros de pesquisa e governos, a partir do debate acerca de temas como modernização do ambiente regulatório para acelerar a inovação em saúde no país”, afirma Carolina Sellani, coordenadora de Assuntos Estratégicos e do Grupo de Trabalho de Insumos de Cannabis da Abiquifi.
Débora Lima, que atua na área de Investimentos da ApexBrasil, destacou que a J.P Morgan é uma das principais conferências do mundo para a atração de investimentos em Early Stage. “Trouxemos 7 startups brasileiras com soluções variadas em Saúde e tivemos prazer de contar com a presença da Anvisa para falar sobre o ambiente regulatório no Brasil e como a regulação é importante para a inovação”.
Startups em saúde
A delegação brasileira contou com a participação de seis startups que, ao longo dos quatro dias de programação, tiveram a oportunidade de apresentar seus produtos e serviços em saúde para investidores de todo o mundo, principalmente durante a RESI Conference (Redefining Early Stage Investments), em português “Redefinindo os Investimentos em Estágio Inicial”, evento que conecta startups e empresas de biotecnologia com investidores e parceiros estratégicos, simultaneamente à J.P. Morgan Healthcare Week.
Conheça um pouco mais sobre as startups:
BioLinker: atua na descoberta, desenvolvimento e manufatura de proteínas recombinantes, a fim de desenvolver produtos biotecnológicos que melhorem o desempenho de pesquisas e processos.
brain4care: tecnologia de monitoramento não invasivo de variações da complacência intracraniana, que qualificam o diagnóstico e proporcionam conduta médica preditiva, favorecendo a evolução e segurança do paciente;
huna: plataforma digital avançada utiliza Inteligência Artificial para analisar resultados de exames de sangue, laudos complementares e laudos clínicos, identificando padrões de risco para doenças crônicas e múltiplos cânceres;
Nintx: atua no desenvolvimento de novas terapias a partir de interações biológicas complexas, tais como plantas, microrganismos e humanos.
Orby.co: adquirida pela Uniphore, atua em pesquisa, raciocínio neurosimbólico e descoberta de processos agentes para o tratamento de traumatismo cranioencefálico.
Telavita: plataforma que funciona como uma clínica digital para pacientes e empresas, voltada para o cuidado da saúde mental.

Transformando o cenário de risco em inovação
Como parte da programação da RESI Conference (Redefining Early Stage Investments), em português “Redefinindo os Investimentos em Estágio Inicial”, a mesa redonda “Transformando o Cenário do Capital de Risco para Ciências da Vida no Brasil”, contou com a participação da Anvisa, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e das gestoras de fundos de investimentos Kortex e IKJ, sob moderação da ApexBrasil.
Daniel Pereira, diretor da Segunda Diretoria da Anvisa, apresentou algumas das ações da Agência com foco na modernização do ambiente regulatório vigente no país em consonância ao fomento da inovação em saúde. “Temos um mercado muito competitivo em relação à custos e preços, então agora é um momento oportuno para fazer pesquisa clínica no Brasil”.
Segundo Claudia Caparelli, head de Inovação do CNPEM, eventos internacionais como a RESI Conference são importantes para as empresas brasileiras apresentarem as tecnologias existentes no país. “Essa troca de informações com Anvisa e Ventures Capital permite que nós, como ambiente de inovação local, possamos compreender como desenvolver o ecossistema local para que mais soluções saiam da bancada e cheguem ao mercado. Só assim melhoraremos a saúde e o cuidado com as pessoas”.

Fundos de investimentos em saúde
Enrico Carbone, sócio da IKJ Capital, gestora de fundos de Venture Capital focada em Healthtechs, afirmou que o Brasil conta com oportunidades gigantes no setor de Biotecnologia e Saúde em geral. “E essa conexão de empresas, governos e institutos locais gera valor para o ecossistema no Brasil”.
Já o sócio da KX Ventures, que atualmente gere um dos maiores fundos de Venture Capital do país especializado em Saúde, Gustavo Cavenaghi, destacou o público qualificado presente no evento. “Muito interessante essa colaboração entre órgãos reguladores, investidores privados e empresas, ou seja, todos os elos da cadeia num só ambiente pensando na construção do futuro da saúde no Brasil”.

A missão empresarial aos Estados Unidos é uma entre diversas iniciativas que integram o escopo do Brazilian Pharma & Health (BPH), projeto setorial promovido pela Abiquifi em parceria com a ApexBrasil, criado com o objetivo de fortalecer e internacionalizar a indústria farmoquímica do Brasil.

Por Flávia Albuquerque
Por bioBR