Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), o Brasil produz apenas 5% dos insumos utilizados na fabricação de medicamentos. A dependência do país pelo Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) tem causado atrasos e prejuízos na vacinação contra a Covid-19. Enquanto outros países não enviam a matéria-prima, o calendário proposto pelo Programa Nacional de Imunização fica inviável de ser cumprido.PUBLICIDADE

Na terça-feira (25), 3 mil litros de IFA chegaram no Instituto Butantan e, com isso, será possível a fabricação de mais 5 milhões de doses da Coronavac. Até a sexta-feira (28), o Butantan pretende retomar a produção dos insumos para que as doses fiquem prontas daqui a cerca de 20 dias. O contrato com o laboratório chinês, Sinovac, prevê a entrega de mais 15 mil litros de insumos nas próximas semanas. O que será suficiente para a fabricação de mais 18 milhões de vacinas.

De acordo com o presidente da Abiquifi, Norberto Prestes, a abertura de mercado durante o governo de Fernando Collor de Melo (1990 -1992) enfraqueceu a indústria nacional.

“Na década de 1990, com a abertura do mercado, nós não tivemos um planejamento estratégico bem-feito para mantermos as empresas que estavam aqui.”

Não é só o Brasil que produz um baixo percentual de matéria-prima e, atualmente, em decorrência da pandemia, enfrenta dificuldades para manter uma produção robusta de vacinas. O mundo inteiro ficou refém da China e da Índia, que são os dois maiores produtores de IFA. Os Estados Unidos, por exemplo, importam 70% da indústria chinesa, mas em uma pandemia, eles possuem um aparato tecnológico capaz de reagir.

“Na hora que a gente tem uma pandemia e a gente fecha o parque industrial da índia e da China, 90, 95% da produção farmacêutica brasileira está em risco de ser comprometida”, afirma o diretor médico-científico da EMS, Roberto Amazonas.

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