Takeda põe à venda divisão de OTC na AL

Stella Fontes – Valor Econômico

A farmacêutica japonesa Takeda, que no ano passado fechou a aquisição da britânica Shire por US$ 62 bilhões, está buscando um comprador para seu negócio de medicamentos isentos de prescrição médica (OTC, na sigla em inglês) na América Latina, conforme informou ontem pela manhã o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. Segundo fontes do mercado financeiro e do setor, a meta é levantar US$ 1 bilhão com a transação. A brasileira EMS, do grupo NC, é vista como forte candidata a levar os ativos.

Com um portfólio de produtos que compreende marcas maduras e consolidadas em seus segmentos, como o analgésico Neosaldina e o fitoterápico Eparema, o negócio foi oferecido para diferentes farmacêuticas brasileiras, entre elas a Eurofarma, a Biolab e a EMS, apurou o Valor.

Biolab e Eurofarma, que teria interesse somente nas operações de OTC fora do Brasil, teriam declinado de apresentar uma proposta neste momento. Já a EMS, maior farmacêutica do país, está avaliando a oportunidade, segundo uma fonte, já que planeja investir para expandir e consolidar sua presença no mercado de medicamentos isentos de prescrição dentro e fora do Brasil.

De acordo com essa fonte, o grupo estaria interessado tanto na operação brasileira quanto na internacional e o entendimento interno seria o de que o portfólio de OTC da Takeda é forte e robusto. No México, por exemplo, os medicamentos isentos de prescrição responderiam por uma fatia relevante dos negócios do laboratório, de cerca de 30%.

Procurada, a Takeda informou que não comenta especulações de mercado e reiterou “seu compromisso para manter-se como uma empresa focada no lançamento de produtos inovadores de pesquisa e desenvolvimento, seguindo o seu propósito de oferecer uma saúde melhor e um futuro mais brilhante àquele que está no centro de tudo o que faz: o paciente”. A EMS disse que não comenta rumores de mercado e a Biolab preferiu não comentar o assunto. A Eurofarma, por sua vez, respondeu que “não confirma ou comenta eventuais negociações em curso”.

No ano passado, a Takeda já havia vendido seu negócio de genéricos no país, o laboratório Multilab, para a Novamed, também do grupo NC. Globalmente, a estratégia da farmacêutica japonesa é se concentrar principalmente em gastroentereologia e oncologia com medicamentos biológicos e de alta complexidade, além de doenças raras, neurológicas e hematologia. A ideia é replicar essa estrutura no Brasil.

No início do ano, o executivo-chefe da Takeda, Christophe Weber, informou que a Nycomed – adquirida em 2011 e dona original do portfólio de OTC do laboratório – estava entre os ativos considerados não estratégicos, o que levou o jornal “Financial Times” a escrever que a farmacêutica poderia considerar a venda do negócio como parte de um programa de desinvestimentos de US$ 10 bilhões, cujo objetivo seria reduzir o endividamento após a compra da Shire. Analistas de mercado estrangeiros já haviam indicado que a área de OTC e certas marcas de remédios vendidos sob prescrição não estariam no foco dos negócios.

No Brasil, com a conclusão da compra da Shire em janeiro, a Takeda dobrou de tamanho e a área de OTC passou a representar 14% da receita de vendas – a maior contribuição vem dos medicamentos com prescrição, com 36%, seguidos de hematologia com 29%. O país está inserido no grupo dos emergentes, junto com China e Rússia, que responde por 14% da receita global de mais de US$ 31 bilhões da “nova” farmacêutica.

Apesar da intenção de vender ativos para reduzir a dívida, a reorganização do portfólio da Takeda, do ponto de vista estratégico, está em linha com o movimento de outras multinacionais do setor. Gradualmente, as grandes farmacêuticas globais têm abandonado mercados tradicionais e investido bilhões de dólares para desenvolver medicamentos inovadores e biotecnológicos, ou comprar empresas que já têm desenvolveram terapias altamente inovadoras. Outra consequência desse rearranjo é a revisão das bases produtivas existentes, o que tem levado ao fechamento ou desinvestimento de fábricas de menor escala.

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