Roche decide encerrar produção de medicamentos no Brasil

Rodrigo Polito e Rafael Rosas – Valor Econômico

O grupo farmacêutico suíço Roche vai encerrar a produção de medicamentos no Brasil, com o fechamento de sua fábrica no Rio de Janeiro previsto para daqui a quatro ou cinco anos, conforme anunciado ontem pela companhia. A empresa manterá a sede administrativa em São Paulo e o centro de distribuição em Anápolis (GO), porém todos os medicamentos vendidos no Brasil vão passar a ser importados.

A decisão de encerrar as atividades da fábrica no Rio faz parte da estratégia global de inovação e de alterações do portfólio de medicamentos da companhia, que vai se concentrar mais em produtos de alta complexidade e baixo volume de produção. Os remédios fabricados no Rio são considerados maduros, de alto volume e baixa complexidade.

O presidente da Roche Farma Brasil, Patrick Eckert, disse, em nota, que “no primeiro ano [2019] não há previsão de redução do quadro de funcionários no Rio de Janeiro em decorrência deste anúncio [do fechamento]”. No total, a empresa emprega 440 pessoas na fábrica de Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro.

“Sempre que houver posições disponíveis em outras unidades da empresa, todos os colaboradores do Rio poderão se candidatar desde que possuam o perfil e as qualificações solicitadas”, disse a companhia, na nota. “Todos os colaboradores do site impactados por esta decisão serão apoiados da melhor maneira possível durante a jornada de transformação por meio de aprimoramento das habilidades profissionais e suporte para recolocação”.

O grupo confirmou que “com o encerramento das atividades da fábrica do Rio, dentro dos próximos quatro a cinco anos, todos os medicamentos comercializados da Roche no Brasil serão importados”. A empresa reiterou seu “compromisso de longo prazo com o país, trazendo medicamentos inovadores em diferentes áreas terapêuticas”. As operações fabris da Roche no Brasil foram iniciadas em 1931, no Rio de Janeiro. Desde 1978, a fábrica está situada em Jacarepaguá. A unidade também fornece medicamentos para América Latina e Europa.

Em 2015, a companhia anunciou investimentos de R$ 300 milhões para a modernização da unidade. Desse total, R$ 200 milhões foram aplicados e o restante será investido até o encerramento da fábrica, “a fim de garantir a qualidade e segurança dos medicamentos, a sustentabilidade das operações e o abastecimento do mercado local”, informou a empresa. A Roche não precisou o custo da desativação, mas disse que será estabelecido plano de transição para definir o destino das instalações.

A estratégia da farmacêutica para o segmento de medicamentos sintéticos é concentrar esforços em produtos inovadores de alta complexidade e baixo volume de produção.

De acordo com a empresa, os medicamentos produzidos pela fábrica noRio (Bactrim, Bonviva, Cymevene, Dilatrend, Dormonid, Lexotan, Prolopa, Rivotril, Rocaltrol, Rohypnol e Valium) são produtos maduros, de alto volume e baixa complexidade, que estão no fim de seu ciclo de vida. Desses, Bonviva, Dilatrend e Rohypnol foram desinvestidos anteriormente.

O grupo suíço explicou que medicamentos como Rivotril, Prolopa e Valium continuarão sendo importados e comercializados pela companhia. Já Bactrim, Dormonid e Lexotan serão comercializados por outras empresas que compraram recentemente as marcas e farão a transferência de fábrica.

No comunicado, Eckert ressaltou ainda que a empresa continuará “trabalhando em parceria com governos, clientes e demais agentes da sociedade na incorporação de nossas inovações no mercado brasileiro e geração de acesso à saúde”. A Roche fatura R$ 3,1 bilhões no Brasil, responsável pela sexta maior operação do grupo no mundo, empregando 1,2 mil pessoas.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *