Remédios puxam taxa de abril, mas inflação segue contida, dizem analistas

Arícia Martins – Valor Econômico

O reajuste anual de medicamentos autorizado pelo governo federal elevou a inflação em abril, segundo economistas, mas o comportamento dos preços seguiu ainda bastante tranquilo. De acordo com a estimativa média de 36 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou de 0,09% em março para 0,28% no mês passado.

As estimativas para o indicador oficial de inflação, a ser divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vão de alta de 0,25% até 0,34%. Como, no ano passado, a inflação de abril foi menor (0,08%), o IPCA acumulado em 12 meses também deve ter aumentado na passagem mensal, de 2,68% para 2,83%.

A principal pressão sobre os preços no quarto mês do ano foi a correção de remédios, que subiram até 2,84% em 31 de março, observam Patrícia Pereira e Breno Martins, da Mongeral Aegon Investimentos. Nos cálculos da gestora de recursos, os produtos farmacêuticos ficaram 1,7% mais caros em abril, depois de terem recuado 0,17% em março. Como resultado, a inflação do grupo saúde e cuidados pessoais dobrou, passando de 0,48% para 1,07%, estimam.

Mesmo assim, o cenário inflacionário segue favorável, afirma Patrícia, para quem o IPCA subiu 0,27% no mês passado. No primeiro trimestre, o indicador acumulou alta de 0,70%, lembra ela, a menor taxa para o período desde a criação do Plano Real. “O lado benéfico com a frustração da retomada da atividade é que não vemos espaço para repasses de preços”, comenta a economista.

Outra surpresa favorável foi a evolução dos preços de alimentos no início do ano, acrescenta ela. Em abril, estes itens devem ter acelerado, mas ainda em ritmo modesto. A Mongeral estima que o grupo alimentação e bebidas aumentou 0,30%, ante apenas 0,07% na leitura anterior. Os alimentos in natura são os maiores responsáveis pela inflação maior, principalmente os tubérculos, diz Martins. “É um movimento sazonal, que já era esperado. O cenário segue confortável.”

Além dos itens in natura, acrescenta a LCA Consultores, as coletas de preços e os índices ao produtor apontam que leite e derivados também estão em tendência de ascensão.

A equipe econômica da consultoria menciona, ainda, a queda mais fraca das passagens aéreas, a elevação sazonal de artigos de vestuário e a saída do impacto da redução de tarifas de telefonia fixa como outros fatores de pressão sobre o IPCA de abril, que aumentou 0,27% nas previsões da LCA.

Em sentido contrário, as tarifas de eletricidade residencial devem ter desacelerado, observa a LCA, após a diluição do efeito dos aumentos no Rio. As contas de energia subiram em três regiões pesquisadas pelo IBGE em abril, mas não compensaram a saída do impacto do reajuste efetuado pela Light em março, de acordo com os economistas.

Para o Itaú Unibanco, as partes de saúde e alimentação serão os maiores impactos sobre o IPCA de abril, e devem adicionar 0,14 ponto e 0,06 ponto ao indicador, respectivamente. O banco projeta que o IPCA subiu 0,30% no período, ou 2,84% na medida acumulada em 12 meses.

Patrícia, da Mongeral, estima que o índice oficial de inflação ficou em 2,81% nos 12 meses até abril. Em 2018, a expectativa é que o IPCA suba apenas 3,3%. “A despeito da taxa de câmbio real mais depreciada, é difícil ver alguém revisando suas estimativas para cima ou algum temor a respeito da inflação”, afirma.

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