Parceria facilita acesso a recursos para pesquisa

Ediane Tiago – Valor Econômico:

“Há um grande potencial de inovação nas empresas de micro e pequeno porte. Temos de aproveitá-lo”. O diagnóstico é de Jorge Guimarães, diretor-presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) – organização social, criada em 2013, financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI) e pelo Ministério da Educação (MEC). No ano passado, uma parceria com o Sebrae deu início à incursão da Embrapii no universo dos negócios de menor porte, surpreendendo a instituição pela qualidade e maturidade dos projetos. “O Sebrae nos trouxe uma carteira de projetos competitivos e prontos para investimento”, comenta Guimarães.

Ao todo, 53 projetos gerados por micro e pequenas empresas estão em desenvolvimento nas unidades da Embrapii. As iniciativas somam investimentos na ordem de R$ 40 milhões. O modelo de compartilhamento de risco e a desburocratização para acesso de verbas públicas são os principais atrativos da parceria. A Embrapii responde por até um terço do valor dos projetos. São recursos públicos não reembolsáveis. Isso significa que, se a tecnologia não vingar, o contrato é encerrado, sem saldo de dívida para o empresário com o governo federal.

Outra terça parte é de responsabilidade dos centros técnicos homologados pela rede Embrapii. Estas instituições participam com o valor equivalente em serviços técnicos, mão de obra especializada e infraestrutura. “O problema para chegar aos negócios de menor porte está na estruturação financeira para a contrapartida delas, que também é de um terço”, explica Guimarães.

A maior parte dos projetos realizados pela Embrapii exige verbas na casa de R$ 1 milhão. Tomando esse montante como exemplo de modelagem financeira, a conta é simples: mesmo com o uso de recursos públicos e serviços pagos por institutos de pesquisas, o empresário precisa entrar com R$ 333 mil – valor relevante nos pequenos negócios. Para equilibrar a equação, o Sebrae anunciou, no ano passado, repasses de R$ 20 milhões, também em recursos não reembolsáveis. A ideia é pagar entre 70% e 80% da contrapartida da micro ou pequena empresa, reduzindo a exigência de capital do empreendedor. “Outro ponto relevante está no acesso a centros de excelência em pesquisa e inovação”, lembra Heloisa Menezes, diretora técnica do Sebrae.

O fato de as unidades Embrapii selecionarem e avaliarem as iniciativas é importante para reduzir o risco do empreendimento. Guimarães explica que a equipe está preparada para prestar uma consultoria prévia e adequar os projetos, quando necessário. “O empresário não está sozinho. Tem apoio técnico para entender o que é preciso fazer para obter sucesso”, diz. As iniciativas podem ser inscritas individualmente ou em sistema de encadeamento produtivo. Neste último caso, há a possibilidade de unir forças

com empresas de médio ou grande porte – que também colocam dinheiro no projeto. “O desenvolvimento conjunto permite a integração tecnológica e o adensamento da inovação nas cadeias produtivas”, lembra Heloisa.

Até agora, o Sebrae liberou metade do valor acordado. “Novas chamadas vão depender dos resultados alcançados por meio da parceria”, comenta Heloisa. Para Guimarães, o interesse das empresas pelos recursos já indica sucesso. “Em apenas um mês, inscrevemos 50 projetos”, lembra. Não é preciso esperar novas chamadas. Segundo Heloisa, os empresários e empreendedores podem submeter projetos às unidades da Embrapii. “É um processo de fluxo contínuo”, diz. Para saber a qual instituição enviar o projeto, basta realizar busca no site da www.embrapii.org.br ou procurar equipe do Sebrae.

Quando entrou em operação, a Embrapii recebeu orçamento de R$ 1,5 bilhão para aplicar em projetos de inovação, seguindo um plano de seis anos (2014 a 2019). O último balanço, fechado em dezembro, registrou desembolsos acumulados de R$ 646 milhões, 388 projetos em carteira – 75 deles concluídos – e 267 companhias envolvidas. A atuação da Embrapii consiste em facilitar o acesso a recursos financeiros e técnicos necessários para projetos de inovação. Mais de 40 unidades estão cadastradas para prestar serviços técnicos, entre institutos públicos e privados de pesquisa, universidades e polos federais de inovação. Toda a negociação é realizada diretamente entre a empresa e a unidade da Embrapii, o que inclui contratos de propriedade intelectual e participação financeira no projeto, caso haja sucesso.

Para Guimarães, a parceria com o Sebrae trouxe aprendizado sobre a demanda e a força inovadora das empresas de pequeno porte no Brasil. “Vamos ampliar o atendimento desse filão”, diz. Além da parceria com o Sebrae, a Emprapii busca outros instrumentos para financiar a contrapartida dos empreendedores. “Estamos conversando com fundos de investimento e com bancos públicos e privados. É essencial construir um ambiente de inovação que inclua negócios de menor porte”, defende.

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