Pacto regional depende do Mercosul, diz Bachelet

Assis Moreira – Valor Econômico:

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, que está na presidência rotativa da Aliança do Pacífico, sinalizou que o nível de aproximação com o Mercosul vai depender do que o bloco do cone sul quer aceitar para enfrentar os novos tempos da globalização.

“Teremos protocolo de acordo em reunião de 7 de abril [em Buenos Aires] e queremos avançar no que os países estão dispostos, não queremos forçar situações”, disse a presidente chilena.

Em discurso na Organização Mundial do Comércio (OMC), Bachelet disse que a região enfrenta um ponto de inflexão “e temos o desafio de fortalecer nossas economias, seguir melhorando nosso comércio intrarregional, que alcança 15% do total do comércio exterior da região, e trabalhar como bloco para fazer frente a incertezas do contexto internacional”.

A presidente chilena disse que a Aliança do Pacífico ­ Chile, México, Peru e Colômbia ­ fez propostas ao Mercosul “e vamos ver quais os elementos que eles aceitam para seguir avançando”.

Indagada sobre eventual acordo de livre comércio, ela disse que a ideia é alcançar uma “convergência na diversidade”, levando em conta particularidades nacionais. Na sua visão, os dois blocos devem “impulsionar instâncias que permitam aumentar nossa produtividade, incrementar o valor de bens e serviços que produzimos, eliminar as barreiras não­ tarifárias e diversificar o que exportamos”.

Relatou que a Aliança do Pacífico e o Mercosul já estão trabalhando para melhorar a conectividade, com a construção de corredores bioceânicos, para unir o Pacífico e o Atlântico e potencializar os fluxos comerciais.

A Aliança do Pacífico decidiu iniciar negociações comerciais com países da Ásia-­Pacífico, esperando conclui­-las rapidamente. Também terá um acordo de cooperação com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

No discurso na OMC, Bachelet observou que as economias da América Latina nos últimos anos foram afetadas por baixos preços das matérias primas, desigualdade, insegurança e corrupção.

Ao receber a presidente chilena, diante dos 164 países membros, o diretor­-geral da OMC, Roberto Azevêdo, conclamou os países a que “em tempos de crescimento lento devemos resistir à tentação do protecionismo”.

Azevêdo não citou nomes, mas a inquietação generalizada na cena comercial persiste com a retórica protecionista do presidente americano Donald Trump. “Temos que procurar cooperar e colaborar mais, e não menos”, disse. “Nesse contexto, considerado que a importância do sistema multilateral de comércio é mais evidente do que nunca”.