Instituto ligado à Fiocruz lança fundo e mira R$ 10 milhões

Juliana Schincariol – Valor Econômico

O Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), instituição ligada à Fiocruz, lançou um “endowment” para captar doações para investimentos na produção e no desenvolvimento tecnológico de novos produtos para a saúde. O objetivo, segundo o diretor-presidente da entidade, Pedro Barbosa, é levantar R$ 10 milhões nos primeiros dois anos, quantia mínima necessária para gerar as operações do fundo patrimonial e começar a aplicar em projetos.

O endowment é um fundo patrimonial que em geral possui obrigação de desenvolvimento de produtos

preservar perpetuamente o valor doado e usar somente os rendimentos para a manutenção da organização que financia. O maior deles, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, tem um patrimônio avaliado em quase US$ 40 bilhões.

O assunto ganhou força nos últimos meses no Brasil. Nos primeiros dias de seu mandato, em 4 de janeiro, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) sancionou a lei que regulamenta os “endowments” no Brasil, depois de medida provisória editada pelo ex- presidente Michel Temer (MDB) no ano passado. Já havia uma demanda por uma legislação, mas o movimento ganhou força depois do incêndio do Museu Nacional, no Rio, em setembro de 2018, que evidenciou a falta de financiamento da instituição.

O fundo patrimonial do IBMP foi aprovado antes de a legislação entrar em vigor. “A aprovação foi oportuna, porque um assunto mobilizou o outro. A lei regulamenta os fundos patrimoniais operados pela administração pública. O IBMP não precisava da lei”, diz o diretor-presidente da entidade.

O instituto tem atualmente cerca de 50 projetos de desenvolvimento, como o kit para diagnóstico de zika, dengue e chikungunya, além de febre amarela e diagnóstico de câncer, por exemplo. O doador poderá escolher o projeto no qual queira aplicar seus recursos. Há também a opção de fazer doações para nomear prédios. A iniciativa visa a captação de doações para investimento na produção e desenvolvimento tecnológico de novos produtos para a saúde, em especial soluções para diagnóstico in vitro e também produtos terapêuticos. Toda a inovação desenvolvida será entregue à Fiocruz, que hoje possui três dos cinco assentos do conselho da instituição, e ao Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

Barbosa lembra que os recursos para inovação no Brasil ainda são escassos, especialmente na área de saúde. “Ter inovação em saúde no Brasil é imperioso. Há uma quantidade enorme de remédios e diagnósticos que ainda importamos. A lógica do fundo é acelerar as inovações.”

O objetivo é que os doadores acompanhem o desempenho e aplicações do fundo, o que reforça a confiança e demonstra transparência, além de motivá-los a fazer novas contribuições.

“Estamos estruturando a lógica de captação. Não queremos fazer distinção de pessoa jurídica e pessoa física. Do ponto de vista de pessoa física, podemos trabalhar tanto com a lógica de espólios, legados, até doações de pequena monta. Faremos também um trabalho como pessoas jurídicas que queiram valorizar o campo da inovação em saúde”, afirma Barbosa.

Apesar de ser sediado no Paraná, a expectativa é de que, por ser uma instituição vinculada à Fiocruz, o “endowment” tenha
uma lógica de captação nacional.

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