Hypermarcas avalia expandir capacidade

Stella Fontes – Valor Econômico: 

No caminho para alcançar resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de cerca de R$ 1,2 bilhão neste ano, a farmacêutica Hypermarcas está avaliando um novo ciclo de investimentos em expansão de capacidade. A perspectiva de crescimento da demanda de medicamentos e o fato de algumas linhas produtivas estarem perto do limite justificam esse estudo, segundo o presidente Claudio Bergamo.

Ainda não há definição sobre o tamanho do investimento, mas o aumento “significativo” dos volumes vendidos no terceiro trimestre e fatores macroeconômicos, como queda da inflação e dos juros e perspectiva de melhora nos índices de emprego, indicam que a trajetória do mercado farmacêutico tende a permanecer positiva. “Nós temos que nos preparar para esse novo ciclo”, explicou.

Os planos de expansão da capacidade operacional vêm na esteira da transformação da Hypermarcas em uma farmacêutica “pura”, após a venda dos negócios de cosmésticos, preservativos e fraldas descartáveis. Para 2017, a expectativa na indústria é de alta de 8% a 10% nas vendas de medicamentos no país e a meta da empresa é manter o ritmo superior ao do mercado.

No terceiro trimestre, a demanda por produtos da companhia pelo consumidor final (“sell out”) subiu 12,6%, ante 11,1% do varejo farmacêutico em geral. Em termos consolidados, a receita líquida da companhia cresceu 17,7% na comparação com o mesmo intervalo de 2016, a R$ 955 milhões.

Para seguir nessa direção, além do provável aporte em capacidade, a farmacêutica está acelerando os investimentos em marketing e mídia, força de vendas e visitação médica e inovação. Maior anunciante do país, posição que foi conquistada no segundo trimestre, a Hypermarcas fechou um pacote de patrocínio da temporada 2018 de futebol da Globo no valor de R$ 200 milhões – os desembolsos ocorrerão até o primeiro trimestre do ano que vem -, ante gasto que vinha em torno de R$ 140 milhões.

No campo da inovação, a Hypermarcas recém inaugurou um novo centro e tem “vários lançamentos previstos para 2018, em todas as unidades de negócio”. Com um portfólio mais concentrado em produtos em fase de crescimento e a caminho da maturidade (e não em maturidade e declínio), as metas relativas ao índice de inovação já foram superadas. “Vamos continuar fazendo esse processo e isso gera um lastro importante para companhia, aliado a um mercado que está demandante”, afirmou.

De julho a setembro, os gastos com pesquisa e desenvolvimento corresponderam a 2,5% da receita líquida, alta de 0,5 ponto percentual na comparação anual. Já o índice de inovação, medido pelo percentual da receita líquida proveniente de produtos lançados nos últimos cinco anos, atingiu 31,4%, o maior já registrado pela companhia e acima da meta de 30%. Agora, o plano é chegar a 35%.

Em relação ao desenvolvimento de novos negócios, a Hypermarcas está “mais ativa”, segundo Bergamo, e há oportunidades surgindo, como a compra de moléculas ou de registros. “Mas são aquisições pequenas. Não tem, no radar, grandes aquisições”, afirmou. “Estamos ativos, mas, por enquanto, sem nenhuma novidade.”

A forte posição de caixa permitirá ainda dar sequência à política de distribuição de resultados para seus acionistas, de acordo com Bergamo. Em setembro, o caixa líquido estava em R$ 742,3 milhões, mesmo após a distribuição de R$ 821,9 milhões relativa à redução de capital finalizada em julho.

Diante do patrimônio líquido elevado, de pouco mais de R$ 8 bilhões no fim de setembro, a companhia está estudando usar o pagamento de distribuição de juros sobre o capital próprio para dar continuidade a essa política.