Hypera revê expansão sob novo comando

Rodrigo Rocha – Valor Econômico: 

O plano de expansão da Hypera, defendido pela farmacêutica até fevereiro, deve ser adiado ao menos até o fim do ano. Segundo Breno Oliveira, novo presidente da companhia, o aumento de produtividade das atuais unidades adiou temporariamente a possibilidade.

“Estamos vendo uma mudança no cenário, com recorde de produção”, afirmou Oliveira em teleconferência sobre os resultados trimestrais. “A tendência é que não tenhamos mais gargalos de produção para a demanda deste ano.”

Com a melhora da produtividade, a empresa deve rever sua expectativa de investimentos e pode postergar ou até mesmo reduzí-los. Até fevereiro, cogitava a construção de nova fábrica em Anápolis (GO), hipótese que não é mais defendida com afinco pela companhia. A expectativa de desembolso era de até R$ 500 milhões para o projeto de expansão.

A empresa também está compensando a inflação menor que incide sobre seus produtos regulados com elevação de preços nos medicamentos isentos de prescrição, com o objetivo de manter os ganhos de rentabilidade.

A intenção é não entrar em “guerra” de preço nos medicamentos com reajuste controlado pela Anvisa, agência de vigilância sanitária. “Boa parte do portfólio não está sujeita a preços [regulados].

Estamos compensando inflação menor com aumento de produtos sem regulação de preço”, disse.

A mudança de rumo acontece no momento em que a Hypera é obrigada a fazer alterações em sua administração, após investigações sobre a companhia e executivos no âmbito da Operação Lava-Jato.

A Hypera anunciou na quinta-feira que o até então presidente da companhia, Claudio Bergamo, apresentou pedido de “afastamento voluntário” do cargo, sendo substituído por Oliveira, então diretor financeiro da empresa.

Além disso, a companhia confirmou que seu principal acionista, João Alves de Queiroz Filho, o “Júnior da Arisco”, pediu “afastamento voluntário” da presidência do conselho, pelo período necessário à conclusão de apuração interna e de investigação em curso pelo Ministério Público Federal (MPF).

“A decisão de afastamento deles é de interesse deles e da companhia”, destacou Oliveira.

Além dos dois comandantes, outros dois executivos, do escritório da companhia, foram alvo da Operação Tira-Teima, desmembramento da Lava-Jato. A empresa não abre o nome dos dois funcionários, mas Oliveira detalhou que ambos eram executivos de nível médio dentro da empresa, com funções administrativas e não tinham contatos com agentes externos, como agências reguladoras.

A companhia também voltou a afirmar que não assinou nenhum acordo de leniência e que não está em tratativas com a Procuradoria Geral da República (PGR).

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