Fábrica da Roche no Rio será centro de exportação

Glauce Cavalcanti – O Globo:

Em um ano em que a economia brasileira pode entrar em recessão, a farmacêutica suíça Roche anuncia planos de transformar sua fábrica no país, instalada no Rio, em hub (centro de distribuição) de exportação para a América Latina. A previsão é elevar as vendas da produção nacional para o exterior em 20% em dois anos, afirmou o presidente do Conselho Diretor da companhia, Christoph Franz, em visita ao Rio.

— O Brasil é hoje o sexto maior mercado farmacêutico do mundo para a Roche. E, apesar da situação difícil na economia, nos últimos anos tem sido um mercado de rápido crescimento. Na verdade, o mercado de crescimento mais rápido entre os emergentes para a Roche — explicou Franz.

A expansão da demanda no Brasil elevou o país a mercado prioritário para a companhia entre os emergentes, ao lado da China. A velocidade do crescimento também foi determinante para a decisão da farmacêutica de investir R$ 300 milhões na modernização de sua fábrica em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, nos próximos cinco anos.

Venda para 23 países

Atualmente, a Roche Brasil exporta 30% de sua produção, o equivalente a 16 milhões de unidades de medicamentos, para 23 países — apenas um deles no continente europeu. A farmacêutica produz remédios para oncologia, virologia e que atuam no sistema nervoso central (SNC), como o Lexotan e o Valium. Entre os medicamentos exportados estão o Bactrim.

O foco de negócios da companhia está na América Latina. O Brasil é o mercado mais forte na região, respondendo por cerca de 40% das vendas. Segundo Franz, o Brasil se mostra como base competitiva para produzir, apesar da forte volatilidade cambial. O crescimento da demanda por produtos da área de saúde no país e em toda região deve beneficiar a fábrica do Rio.

— É preciso lidar com a oscilação cambial. Temos receita gerada no Brasil e (com o novo investimento na fábrica do Rio) estamos ampliando a base de custos locais. Isso funciona como um hedge natural, e vai diminuir nossa dependência da flutuação cambial em relação à situação atual — explica o executivo.

Previsão de crescer mais de 10% no país

A crise político-econômica não deve frear as operações da farmacêutica suíça Roche no país. Ano passado, a Roche Brasil totalizou R$ 2,3 bilhões em faturamento, alta de 9,5% sobre 2013. Para este ano, a previsão de crescimento é ainda maior, alcançando expansão de dois dígitos. — Essa previsão não tem ligação direta com o investimento na fábrica. É a demanda crescente (por medicamentos) que garante os resultados. A modernização da fábrica é o caminho para que essa demanda seja atendida no futuro. O negócio só é bem-sucedido pela perspectiva de longo prazo — pondera o presidente do Conselho Diretor da Roche, Christoph Franz, destacando que o modelo de negócios na área farmacêutica depende, sobretudo, de investimento em inovação e proteção de propriedade intelectual.

Entre os países emergentes, a China é outro mercado prioritário, mas onde o aumento da demanda vem ocorrendo mais lentamente. Na Rússia, diz Franz, a situação econômica é difícil e afeta diretamente os negócios. A Índia está fora do escopo da farmacêutica, por conta dos problemas relativos à proteção de propriedade intelectual no país.

Sem impacto na folha

Franz não se mostra preocupado com o fim do alívio na desoneração da folha de pagamento das empresas no Brasil, proposto pelo governo como parte do ajuste fiscal. Ele argumenta que o forte investimento em modernização da fábrica inclui o uso de equipamentos que garantem o aumento da produtividade por empregado, que não deve implicar volume relevante de contratações.

As novas normas para reajuste de preços dos medicamentos anunciada pelo governo federal, que pode levar a aumentos inferiores ao da inflação, tampouco afetará o resultado da companhia no Brasil, avalia Rolf Hoenger, presidente da Roche Farma Brasil. Segundo ele, a mudança na regra, que promete reajuste menor no preço dos remédios este ano, afetará principalmente o comércio varejista.