Embrapii se une a mais cinco centros de pesquisa

Camilla Veras Mota – Valor Econômico:

Criada em 2013 com o objetivo de estreitar a distância entre a geração de conhecimento e o setor produtivo, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) conta a partir de hoje com mais cinco institutos federais, que se juntam a outras 13 unidades já conveniadas à entidade e focadas em atender demandas específicas da indústria.

Os centros de pesquisa têm um plano de ação com valor de R$ 86,8 milhões para os próximos três anos e atuam nas áreas de sistemas embarcados e mobilidade digital (Instituto Federal do Ceará), metalurgia (Instituto Federal do Espírito Santo), equipamentos médicos (Instituto Federal da Bahia), sistemas automotivos inteligentes (Instituto Federal de Minas Gerais) e monitoramento e instrumentação para o ambiente (Instituto Federal Fluminense).

Do total de recursos, cerca de um terço virá de aportes da Embrapii, segundo João Fernando Gomes de Oliveira, presidente da entidade. Outro terço será dos próprios institutos, e o restante de contrapartidas das empresas parceiras.

Nas 13 unidades que já fazem parte do sistema, o plano de negócios, com estrutura semelhante de financiamento, chega a R$ 1,4 bilhão para os próximos seis anos. Cerca de R$ 200 milhões já estão contratados – R$ 190 milhões referem-se a 70 projetos tocados pelos três institutos que fizeram parte do projeto-piloto da Embrapii ainda em 2011, e o volume remanescente aos dez contratos fechados pelos dez institutos incluídos no fim de 2014.

Os centros de pesquisa têm a missão, na definição de Oliveira, de suprir “gaps de competência das empresas” e, assim, acelerar o processo de inovação no setor produtivo. Nesse sentido, a antecipação de recursos públicos para os institutos de pesquisa, afirma, serve para reduzir os riscos desse tipo de investimento e atrair um número maior de empresas.

Entre os projetos em andamento estão o desenvolvimento de nanopartículas para cimento dentário pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para a Angelus, fabricante de produtos odontológicos, e a criação de um aço especial resistente pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT) para que a Vallourec substitua o material importado por um equivalente nacional.

Os cinco novos polos, afirma Oliveira, terão ainda a missão de qualificar estudantes e jovens pesquisadores, envolvendo-os nos projetos, para que se tornem uma mão de obra “megaespecialista”, com atuação dentro das empresas.

“O Brasil é a sétima maior economia do mundo, mas tem desempenho sofrível em inovação, o 60º lugar”, diz Aldo Rebelo, ministro da Ciência e Tecnologia, pasta que financia, junto com o Ministério da Educação, a Embrapii. Em defesa da manutenção dos investimentos nessa área como caminho para recuperação da economia, ele afirma que tentará incluir algumas ações do ministério no Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC), para que sejam mantidas durante o ajuste fiscal.

O ministro da Educação, Cid Gomes, afirma que os principais esforços da pasta estão concentrados na expansão da oferta de matrículas no ensino superior, na revisão do currículo do ensino médio e no apoio a Estados e municípios no aumento da qualidade da educação básica. Ele disse, contudo, que considera a melhora da qualificação da mão de obra, junto à promoção da inovação, um caminho necessário para o aumento da produtividade da economia e da competitividade da indústria nacional.