Eli Lilly poderá se desfazer da Elanco

David Crow – Valor Econômico: 

A farmacêutica americana Eli Lilly avalia vender ou fazer um spin-off de sua divisão de saúde animal. A decisão de sair desse mercado ocorre em meio a resultados financeiros abaixo das expectativas e vem apenas três anos após a companhia ter pago US$ 5,4 bilhões pelo braço veterinário da Novartis, o que a elevou à posição de segunda maior companhia do mundo de medicamentos para pets e animais de produção.

É uma decisão que atende também a intenção de concentrar o foco dos negócios em seu “core business” – o setor farmacêutico – no momento em que a rival Pfizer também explora a opção de se desfazer de sua divisão de consumo.

“Estamos anunciando uma revisão estratégica da Elanco [o braço de saúde animal da farmacêutica]”, disse David Ricks, CEO da Lilly. “A Elanco se tornou uma empresa de ponta em saúde animal e tem conduzido um importante crescimento e uma fonte diversificada de receita para a Lilly. Por meio de aquisições e expansão orgânica, a elevamos a um tamanho e escala que, agora, nos permite considerar uma variedade de opções para maximizar seu valor”.

A divisão de saúde animal obteve vendas de US$ 740,6 milhões no 3º trimestre, anunciadas ontem, o que representa uma alta de 5% em relação ao mesmo período de 2016, e superior à previsão do mercado de US$ 711 milhões. No entanto, as vendas nos nove meses acumulados do ano ficaram inalteradas em US$ 2,29 bilhões – a companhia justificou a estagnação como “pressão competitiva”.

Em 2016, a divisão gerou receita de US$ 3,16 bilhões e representou aproximadamente 15% das vendas totais da Lilly. Se a companhia conseguir obter o mesmo múltiplo que pagou à Novartis, o braço de saúde animal valeria hoje algo como US$ 15 bilhões, tendo como base os resultados do ano passado.

De acordo com a companhia, um anúncio sobre o destino da divisão será feito apenas em meados do ano que vem. É possível que a farmacêutica mude de ideia e decida manter o negócio, ressaltou o CEO.

De qualquer forma, o anúncio mantém aquecida a discussão perene sobre se as farmacêuticas deveriam manter negócios com margens menores alheias à prescrição de remédios. Alguns analistas afirmam que o segmento de saúde animal traz estabilidade em um mercado marcado por patentes que expiram e por um imprevisível cronograma de desenvolvimento de novas drogas. Outros argumentam que a divisão consome capital e atenção que deveriam ser direcionados à descoberta de medicamentos mais lucrativos.