Demanda mais fraca de químicos confirma desaceleração econômica

Stella Fontes – Valor Econômico:

O ritmo de consumo de produtos químicos de uso industrial no país está confirmando que a recuperação da economia perdeu força. E a greve dos caminhoneiros, que já levou algumas indústrias do setor a iniciar paradas de produção, pode piorar esse cenário.

Segundo dados preliminares da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o consumo aparente nacional, que mede a produção mais importação menos exportação desses produtos, caiu 10,1% nos quatro primeiros meses do ano, em comparação a desempenho positivo no início do ano passado.

De janeiro a abril, enquanto a produção da indústria química recuou 6,56%, as importações caíram 21,2%, afetadas tanto pela procura menor quanto pela valorização do dólar, que reduz a competitividade do produto importado. Esse desempenho, destacou a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, evidencia a desaceleração da atividade econômica e contrasta com os números positivos exibidos no início do ano passado.

A queda na produção foi motivada por esse cenário macro e pelo menor consumo de intermediários para fertilizantes. Vale ressaltar que a cadeia de agroquímicos iniciou o ano com estoques elevados e, ao invés de ampliar a produção, preferiu regular os níveis de inventário.

Houve, porém, um aspecto positivo nos dados apresentados pela Abiquim. O encolhimento nas importações reabriu espaço no mercado doméstico para o fabricante local. As vendas internas subiram 4,54%, no quadrimestre, com recuperação de participação de mercado pelo produto brasileiro.

No período, a parcela de químicos fabricados localmente e destinada às exportações caiu 27,8%. Em parte, esse desempenho é atribuído ao apagão de energia ocorrido no Nordeste em março e que afetou a produção em fábricas instaladas na região. A produção menor levou a taxa de utilização da capacidade instalada a 74%, quatro pontos abaixo do verificado no mesmo período do ano passado.

Diante disso, após 27 meses consecutivos de resultados positivos, a produção de químicos no acumulado de 12 meses passou para o terreno negativo, com queda de 1,57%, enquanto as vendas domésticas cresceram 1,45%.

Chama a atenção, porém, o fato do volume de produção destinado às exportações vir caindo desde dezembro, após mais de três anos de resultados positivos, apesar de a desvalorização do real aumentar a atratividade das exportações. Em 12 meses até abril, as vendas externas caíram 10,4%.

Em São Paulo, as empresas que formam o polo petroquímico do Grande ABC informaram a parada de suas operações a partir de ontem, por tempo indeterminado, de acordo com o Comitê de Fomento Industrial do Polo do Grande ABC (Cofip), por causa da paralisação dos caminhoneiros.

No Polo de Camaçari (BA), além do setor automotivo, que anunciou a paralisação das operações, outras empresas estão operando com carga reduzida, de acordo com o Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic).

O polo baiano conta com mais de 90 empresas. De acordo com o Cofic, há “grande preocupação” com o recebimento de matérias-primas e escoamento da produção. “Os esforços estão voltados a manter a operação neste momento. Mas a situação já está chegando perto do limite.”.

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