Com Vallée, MSD busca acelerar vendas

Luiz Henrique Mendes – Valor Econômico:

Pouco mais de um ano após concluir a transação bilionária na qual adquiriu a indústria veterinária brasileira Vallée, a multinacional MSD – braço de saúde animal da farmacêutica americana Merck – pretende recuperar o espaço perdido pela brasileira no mercado. A Vallée, que havia sofrido uma intervenção judicial em 2016 devido a conflito entre os antigos sócios, é protagonista na estratégia da MSD para superar, pela primeira vez, a casa de R$ 1 bilhão em vendas no Brasil.

No longo prazo, a meta da MSD é crescer ao menos 10% ao ano. Se atingir esse objetivo, as vendas somadas de MSD e Vallée, que ainda são companhias separadas, alcançarão R$ 1,6 bilhão em 2022, o que significa um aumento de 60% em comparação com as vendas esperadas para este ano.

Em entrevista ao Valor, o presidente da MSD no Brasil, Edival Santos, ressaltou que a compra da Vallée, por quase R$ 1,3 bilhão, alçou a multinacional americana ao posto de maior indústria veterinária em atuação no Brasil, ultrapassando a também americana Zoetis (antigo braço de saúde animal da Pfizer).

O executivo não esconde o desejo de manter a liderança do setor – que movimenta mais de R$ 5,5 bilhões por ano no Brasil -, mas reconhece os desafios que terá pela frente com o fim da vacinação obrigatória contra o vírus da febre aftosa em 2021. Com a aquisição da Vallée, a MSD assumiu a liderança do mercado brasileiro de vacinas contra o vírus da febre aftosa. Por ano, a empresa mineira produz cerca de 150 milhões de doses de vacinas, o equivalente a 50% da demanda.

“Logicamente, a indústria deixa de vender. Mas não é o fim do mundo”, ponderou o presidente da MSD, lembrando que a indústria veterinária no Brasil já foi muito mais dependente do negócio de vacinas contra febre aftosa. “Isso já representou 40% do faturamento”, disse. Para a MSD, as vacinas representam 12%, afirmou o executivo.

A estratégia da MSD para seguir crescendo mesmo com a extinção da vacinação contra aftosa é ampliar as vendas de outras vacinas, indicou o diretor-presidente da Vallée, Delair Bolis, que também participou da entrevista na sede da MSD, na capital paulista.

Segundo ele, a fábrica da Vallée em Montes Claros (MG) é muito forte em vacinas para bovinos, produzindo mais de 400 milhões de doses ao ano. Além da aftosa, principal negócio, a Vallée também produz medicamentos biológicos contra raiva, brucelose e clostridiose (doença causada por bactérias). “O mercado de bovinos tem um oceano azul para trabalhar a prevenção”, disse Bolis.

Os executivos da MSD entendem que a evolução da pecuária nacional – necessária para dar conta do crescimento da demanda pela carne bovina do Brasil – precisará de maiores investimentos em sanidade. “Há um nível bastante baixo de vacinação de outras enfermidades”, reforçou Silva, mencionando a brucelose.

Além da aposta em outras vacinas, a MSD vê potencial de crescimento da tecnologia de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) para bovinos. Para a indústria veterinária, essa tecnologia significa o aumento das vendas do pacote hormonal usado para sincronizar o período reprodutivo das vacas.

Com as principais apostas para o futuro concentradas no mercado de bovinos, a MSD tende a manter uma participação expressiva dos ruminantes nas vendas. Hoje, essa fatia é de cerca de 60%, disse. Santos. Os negócios de aves e suínos representam, cada um, pouco mais de 10% das vendas.

O segundo segmento mais importante para a MSD é o de animais de companhia (cães e gatos), com 15%. “O mercado pet é o que mais cresce no Brasil”, ressaltou Santos, destacando as mudanças demográficas no Brasil. A tendência é que, dada a menor taxa de natalidade e o envelhecimento da população, o número de famílias com cães e gatos aumente, beneficiando as vendas das indústrias veterinárias.

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