CNI e Apex promovem vendas para o exterior de pequenas empresas

Cristiane Bonfanti – Valor Econômico: 

Em meio a uma constante guerra contra crises que ameaçam arranhar a imagem de produtos nacionais no exterior, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex­ Brasil) vão investir, ao longo de dois anos, R$ 14 milhões em ações para inserir empresas brasileiras no comércio internacional.

Os recursos serão destinados a missões prospectivas, comerciais e encontros de negócios no Brasil e no exterior, além de apoio ao investidor estrangeiro.

As ações fazem parte de projeto iniciado pela CNI e a Apex em 2008 e renovado neste semestre. Neste ano e em 2018, a meta das entidades é atender 1,3 mil empresas, sobretudo de pequeno e médio portes, com resultado de R$ 900 milhões em negócios.

Na última edição do convênio, entre 2015 e 2016, foram investidos R$ 10,5 milhões em ações junto a 1,6 mil empresas. Dessas, 300 se tornaram exportadoras e movimentaram R$ 1 bilhão em negócios no exterior.

A Apex calcula que, desde 2008, mais de 6 mil empresas foram beneficiadas pela parceria. Uma delas foi a Maryne Alimentos, com sede em Belém, que começou a conquistar o mercado internacional. O negócio foi iniciado há 25 anos pela mãe do hoje diretor comercial da companhia, Délcio Sá, com a produção caseira de pão de queijo.

Atualmente, a empresa produz, além do pão de queijo, alimentos congelados como pão francês, salgados e biscoito três queijos. O diretor comercial disse que, internamente, a fábrica já vende para as regiões Norte e Nordeste e, há dois anos, começou o projeto de exportação.

“Fizemos um ano de planejamento, prospecção e pesquisa”, disse Sá, que explicou que o treinamento inclui cursos sobre temas como mercado externo, avaliação de concorrente, apresentação de produtos e desenvolvimento da cadeia de consumidores. Hoje, a Maryne possui 300 pontos de venda nos Estados Unidos e planeja expandir os negócios para a China e para países da Europa e do Oriente Médio.

O gerente de exportação da Apex, Christiano Braga, disse que, ainda em 2017, estão previstas 27 ações dentro do projeto ­ 15 no Brasil e 12 no exterior. Entre as iniciativas estão consultorias, participações em feiras no Brasil e no exterior e visita a centros de produção. Esta semana, por exemplo, um grupo de empresários vai participar da Summer Fancy Food, em Nova York, a feira mais importante do segmento de alimentos e bebidas nos Estados Unidos.

Braga destacou que o convênio dá prioridade ao desenvolvimento de oito setores industriais: alimentos e bebidas; têxtil e calçados; máquinas e equipamentos; móveis e madeira; construção; produtos químicos e farmoquímicos; tecnologias da informação e comunicação. Segundo o gerente, nesses segmentos, a agência identificou oportunidades para exportação a países da América Latina e Central.