Bayer Pharma deve crescer no país, mas vê ano mais difícil

Stella Fontes – Valor Econômico:

Dona do medicamento mais vendido no Brasil no ranking por receitas, o anticoagulante oral Xarelto (rivaroxabana), a Bayer Pharmaceuticals projeta crescimento de “dois dígitos baixos” nas vendas no país em 2017, ano que tende a ser mais difícil do que foi 2016, de acordo com o gerente-­geral da operação local, Rubens Weg.

Dois lançamentos na área de oncologia e a manutenção do forte ritmo de crescimento de outros produtos considerados estratégicos, porém, prometem mitigar os efeitos negativos da crise econômica nas vendas de medicamentos e do reajuste anual menor autorizado pelo governo federal, de no máximo 4,76%.

De acordo com Weg, a manutenção do desemprego em níveis elevados é um dos principais desafios à indústria farmacêutica, uma vez que retira usuários dos planos de saúde e leva pacientes a buscar tratamentos mais baratos. “Há um aspecto positivo, que é não abrir mão do tratamento”, pondera o executivo. “Apesar da relativa estabilidade econômica, ainda é preciso gerar emprego”, acrescenta.

No ano passado, as vendas da Bayer Pharma Brasil cresceram 14% em receita, beneficiadas pelo reajuste autorizado pelo governo de até 12,5% e pelo desempenho de produtos inovadores como o Eylia (aflibercepte) e o próprio Xarelto, que segundo o ranking da consultoria IMS Health consolidou-­se em janeiro como campeão nacional de vendas, com participação de mercado de 56% em seu segmento. O anticoncepcional Mirena (levonorgestrel), cujas vendas subiram 74%, também contribuiu para a alta nas receitas.

Em 2016, as vendas subiram 14% em receita, beneficiadas pelo reajuste autorizado pelo governo de até 12,5%

Na seara de lançamentos de 2017, a Bayer trouxe ao país em janeiro o Xofigo (radio223), um radiofármaco produzido na Noruega e com validade de 28 dias. Ainda na área de oncologia, o Stivarga (regorafenibe) é usado no tratamento de câncer colo­retal e tumores do estroma gastrointestinal. No primeiro trimestre, as vendas da Bayer Pharma no mundo totalizaram € 4,3 bilhões, com alta de 9,6% na comparação anual. Na América Latina, que teve o maior índice de crescimento entre os mercados atendidos pela multinacional, as vendas somaram € 272 milhões, avanço de 19,3%.

“A região é uma das que mais tem contribuído para o crescimento orgânico”, diz o vice­presidente da Bayer Pharmaceuticals para a América Latina, Eduardo Magallanes. E o Brasil, com 40% de participação nas receitas, é o motor dessa expansão, acrescenta. No ano passado, o faturamento na região foi de € 1 bilhão.

Segundo o executivo, cerca de metade das receitas ainda é proveniente de produtos maduros, mas os lançamentos globais na área de oncologia tendem a desempenhar o papel de crescimento da receita nos próximos anos. “Há marcas importantes, como Aspirina, que não têm mais peso no faturamento, mas são emblemáticas”, conta.

A única fábrica de medicamentos sólidos da multinacional na América Latina fica no Brasil, na capital paulista, com exportação para outros países da região e da Ásia. Segundo Magallanes, para 2017, a expectativa é de crescimento de “dois dígitos altos” nas vendas no mercado latino­americano, que inclui o México.

Questionado sobre os efeitos da crise econômica do Brasil na operação latino­americana, o executivo pondera que há crises constantes na região. “O que acontece no Brasil em âmbito político e econômico acontece no restante da Ámérica Latina. Isso nos obriga a ter uma comunicação mais direta com o governo”, afirma Magallanes.