Balança tem saldo de US$ 13,9 bi no trimestre

Daniel Rittner e Marta Watanabe – Valor Econômico: 

A balança comercial registrou superávit de US$ 6,281 bilhões em março, como resultado como resultado de exportações de US$ 20,089 bilhões e importações de US$ 13,809 bilhões, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). No acumulado do primeiro trimestre, o superávit atingiu US$ 13,952 bilhões, considerado robusto, embora menor que os US$ 14,402 bilhões de igual período de 2017.

A alta de 15,8% das importações de janeiro a março, considerada reflexo do maior dinamismo econômico, contribuiu para reduzir o saldo positivo neste ano. No mesmo período as exportações também avançaram, mas em taxa menor, de 11,3%, sempre pelo critério da média por dia útil.

Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), ressalta que os desembarques aumentaram em todas as grandes categorias econômicas. O aumento na compra externa, principalmente de bens intermediários e de combustíveis, diz ele, reflete a melhora no dinamismo econômico. O crescimento é moderado, mas está dentro do esperado e condizente com o ritmo de retomada, avalia o economista.

O desembarque de intermediários cresceu 9,8% de janeiro a março, em relação a igual período do ano passado. No mesmo período os combustíveis e lubrificantes avançaram 44,9%. Mesmo abaixo da alta média de 15,8% das importações totais, a alta nas compras externas de intermediários é um sinal positivo de melhora de atividade, e da recuperação de produção industrial, diz Cagnin.

Dentro dos intermediários, Cagnin destaca o desempenho dos insumos industriais elaborados. Esse grupo representa 60% da importação de intermediários e avançou 14% de janeiro a março, bem próximo à alta média das importação no mesmo período. Isso, diz o economista, reflete a recuperação da produção industrial, principalmente em ramos mais colados ao dinamismo da economia, que importam componentes eletrônicos.

A importação de bens de capital, que avançou 18,2% no primeiro trimestre e que apresenta aumento sustentado desde o fim do ano passado, diz Cagnin, também é outro sinal positivo.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), também considera que as importações seguem o ritmo esperado. Ele pondera, porém, que a alta dos desembarques deve desacelerar no decorrer do ano, como resultado também de bases de comparação mais elevadas. No ano de 2018, estima ele, as importações totais devem subir 12%, numa taxa menor que a do primeiro trimestre, mas maior que a do crescimento das exportações, projetada pela AEB entre 5% e 7% no ano.

Outro efeito da retomada do crescimento econômico se deu no saldo da conta-petróleo, que encolheu no primeiro trimestre deste ano. De janeiro a março, o superávit na balança comercial de petróleo e derivados atingiu US$ 1,472 bilhão. Era de US$ 2,289 bilhões no mesmo período de 2017.

As exportações de óleo bruto e combustíveis aumentaram 11,6% e alcançaram US$ 6,9 bilhões nos três primeiros meses do ano. Só que as importações cresceram em ritmo bem mais forte. Houve alta de 36,7% e elas ficaram em US$ 5,4 bilhões no período.

O secretário de Comércio Exterior, Abrão Árabe Neto, disse ontem que ainda mantém a previsão de saldo na balança comercial “extremamente robusto” e “na casa de US$ 50 bilhões” em 2018. “A tendência, por ora, é a mesma”, disse. Segundo ele, um superávit nessa faixa representaria o segundo melhor da história – abaixo apenas do de 2017.

Ele reiterou a estimativa de crescimento tanto das exportações como das importações, mas com mais intensidade nas compras de produtos do exterior, em função da retomada da atividade. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, porém, o Mdic deverá revisar para cima a expectativa de superávit comercial para o ano.

A revisão deverá ser feita em função de expectativa de alta menor das importações em relação ao que se projetava anteriormente, como reflexo de crescimento do PIB também inferior ao inicialmente imaginado. Ainda segundo as fontes, a nova estimativa não foi divulgada ontem para evitar mais noticiário negativo ao governo após um fim de semana complicado do ponto de vista político.

Ontem o secretário destacou o recorde na média diária de exportações no primeiro trimestre. As vendas externas chegaram a US$ 662,6 milhões por dia útil e superaram o recorde anterior, que era de 2012. Ele ressaltou que a balança comercial registra cinco trimestres seguidos de crescimento nas exportações. De janeiro a março, houve aumento tanto nos volumes (9,5%) quanto nos preços (1,7%) dos embarques.

Para ele, eventuais oportunidades surgidas para produtos brasileiros nos mercados dos EUA e da China são apenas “pontuais” diante do risco representado pela escalada do protecionismo. Abrão também demonstrou otimismo com um bom desfecho das negociações para evitar a sobretaxa americana ao aço e ao alumínio brasileiros.