Aspen Pharma muda estratégia e volta a crescer

Stella Fontes – Valor Econômico: 

Depois de registrar, em meados do ano passado, os piores meses de sua história no Brasil, a sul-africana Aspen Pharma, dona do antiácido Leite de Magnésia de Phillips e do fitoterápico Calman, ajustou a estratégia de negócios no país. A nova abordagem funcionou e, além de reverter o mau momento, a operação brasileira encerrou o ano fiscal de 2017 com o melhor desempenho entre as filiais da multinacional, a despeito da recessão que afetou o consumo doméstico de medicamentos.

No exercício, encerrado em junho passado, a receita líquida no país cresceu 30%, para US$ 110 milhões, a maior taxa entre as operações da Aspen, e a lucratividade também foi a mais elevada. Globalmente, a farmacêutica faturou 41,2 bilhões de rands (cerca de US$ 3,15 bilhões).

Para fazer frente à crise econômica no Brasil, a farmacêutica colocou o foco da visitação médica nos três produtos com maior potencial de prescrição, reestruturou a força de vendas em farmácias e cortou despesas internas em 15%.

No ano fiscal em curso, o crescimento tem ficado em 10% e a meta é encerrar os 12 meses com alta de dois dígitos nas vendas. O controle diligente dos gastos e a postura conservadora foram mantidas, mas a farmacêutica voltou a contratar, a conta-gotas, de acordo com o principal executivo da Aspen do Brasil, Alexandre França. “O mercado começou a melhorar, mas ainda não dá para soltar fogos”, diz.

Conforme o executivo, não é tarefa fácil explicar para a matriz o momento atual do país, com descolamento entre economia e política. “O cenário [político] ainda é muito nebuloso, mas é fundamental que as reformas saiam do papel”, analisa.

Implementada, a reforma trabalhista poderia acelerar novas contratações na Aspen se trouxer maior flexibilidade, diz França. “Se ela for efetiva em novembro, vamos contratar mais do que esperamos”,  acrescenta França.

O pacote de iniciativas para reduzir o impacto da crise econômica nos negócios envolveu principalmente a renegociação ou cancelamento de contratos com fornecedores e um novo posicionamento na promoção dos medicamentos mais vendidos. Houve ainda demissões, que não chegaram a 5% do quadro de funcionários – hoje são 340 empregados.

Hoje, o principal produto da Aspen no Brasil é o Diprivan (propofol), um anestésico intravenoso de uso hospitalar que chegou à empresa no ano passado, após a compra do portfólio de anestésicos da AstraZeneca. Junto com o Leite de Magnésia, Calman e Omcilon (usado no tratamento de aftas), representa 60% do faturamento da farmacêutica no país.

A fábrica de Serra (ES), que pode produzir sólidos (comprimidos) e semi-sólidos (cremes), está quase que 100% ocupada e a capacidade instalada deve crescer no futuro, com o objetivo de absorver a produção que hoje cabe a terceiros. De acordo com França, investimentos da ordem de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões nos próximos dois anos devem mudar esse quadro.

Já está certo que a Aspen terá um novo depósito e faz parte dos planos instalar uma nova fábrica. O Omcilon, que hoje é produzido em regime de terceirização pela Takeda, pode ser o primeiro a transferido para a nova linha – o Calman é produzido pela Myralis e o Leite de Magnésia, pela GlaxoSmithKline.