Proteína do café alivia dor e ansiedade, revela pesquisa brasileira

O Globo:

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade de Brasília (UnB) descobriram fragmentos de proteína (peptídeos) no café com efeito similar ao da morfina, apresentando qualidades analgésicas e ansiolíticas. E seus efeitos duraram seis vezes mais. Os experimentos foram feitos com camundongos.

Até quatro horas

Sob a coordenação do pesquisador Carlos Bloch Júnior, o estudante Felipe Vinecky descreveu as propriedades das moléculas em sua tese de doutorado, desenvolvida no Departamento de Biologia Molecular da UnB e na Embrapa. Ele identificou os peptídeos quando procurava genes de café associados à melhora na qualidade do produto, num projeto da Embrapa com o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento ( Cirad, na sigla em francês).

— A morfina é um alcaloide, uma molécula pequena que age no sistema nervoso central inibindo a dor. Após 40 minutos, ela é metabolizada, seu efeito para, e os pacientes voltam a sentir dor — explica Vinecky. — Já esses peptídeos têm efeito de até quatro horas.

Além disso, nos testes com os camundongos, não foram registrados efeitos colaterais, enquanto a morfina pode causar, entre outros problemas, a dependência, de acordo com Vinecky.

— Os fragmentos da proteína podem ser usados não só para evitar dor, como também regulam a ansiedade, ajudando até a emagrecer — acrescenta o especialista. — Eles poderiam ser utilizados no gado que vai ser submetido ao abate, que passa por estresse.

Sequênciamento

O sequenciamento do genoma do café, capitaneado em 2004 pelo pesquisador Alan Andrade, da Embrapa, resultou num banco de dados com mais de 200 mil sequências gênicas, das quais cerca de 30 mil já estão identificadas.

O pedido de patente de sete peptídeos identificados no estudo foi encaminhado ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

Saúde do setor de farmácias atrai interesse de estrangeiras

O Globo:

Cresce o interesse de grandes grupos estrangeiros do setor de farmácias no Brasil. Quase dois anos após adquirir a Onofre, a americana CVS dá duro para comprar a Drogarias São Paulo e Pacheco. Segundo analistas, três propostas já teriam sido feitas, sendo a mais recente delas costurada ao redor de cifras superiores a R$ 6 bilhões, todas recusadas por Samuel Barata, sócio controlador do grupo e à frente da carioca Pacheco. A companhia brasileira não comenta o assunto. Procurada, CVS não respondeu.

Esse interesse pelas redes de drogarias brasileiras é embalado por uma expansão anual de causar inveja à China. As grandes redes viram seu faturamento subir, em média, 15% em 2014, de acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drograrias (Abrafarma), que reúne uma fração inferior a 10% das cerca de 68 mil farmácias em operação no país. O resultado das pequenas — que são maioria — teve incremento de 13% sobre 2013, diz a Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma). O Brasil deve saltar de 10º para 4º maior mercado farmacêutico entre 2008 e 2018, segundo dados da IMS Health, atrás apenas de EUA, China e Japão.

— Com o acelerado envelhecimento populacional, os estrangeiros virão. A CVS comprou a Onofre (quase dois anos atrás) para entender o mercado e o consumidor brasileiros. Agora, estaria em busca de ativos que garantam escala para atuar no Brasil. O acordo com a Drogarias São Paulo e Pacheco é questão de preço — diz Caio Moreira, analista do Banco Fator.

Cosméticos rendem mais

Empresas e especialistas afirmam que a atual crise econômica do país não implicará em retração para o setor, que deve manter crescimento de dois dígitos por pelo menos cinco anos.

O envelhecimento populacional e o ganho de renda são chaves no impulso às farmácias. Com maior acesso à saúde, sobem as vendas de medicamentos; com a busca por bem-estar, as de perfumaria. O segmento — principalmente cosméticos — já equivale a um terço do faturamento. Segundo a IMS Health, 34% das vendas vêm de não medicamentos, crescendo acima da média dos remédios, com altas de 10,4% e 8,9%, respectivamente, nos últimos dois anos.

— As mulheres têm papel preponderante neste cenário, pois têm decisão e, agora, poder de compra — diz Sérgio Mena Barreto, presidente da Abrafarma.

Esses itens transformaram o modelo de negócio. As farmácias apostam em espaço para produtos e marcas de beleza.

As cariocas Drogasmil e Farmalife seguem essa receita, remodelando a rede de lojas. Após a reforma, a unidade eleva o faturamento em 20%, diz Ivan Engel, diretor comercial da unidade de varejo da Profarma. A empresa comprou as duas redes em 2013 e é exemplo da estratégia de consolidação. A fusão de empresas está turbinando o Ranking Ibevar 2014, que lista as 120 maiores do varejo brasileiro. No segmento de drogarias e perfumarias, há oito redes no clube do faturamento bilionário, com expansão média de 16,5% sobre 2013.

Pague menos quer abrir capital

Em 2011, as Drogarias Raia e Drogasil deram as mãos. São Paulo e Pacheco fizeram o mesmo. Os dois novos grupos traduzem a motivação para o interesse de estrangeiros no país. O primeiro fechou 2014 com faturamento estimado em R$ 7,38 bilhões; o segundo, R$ 6,4 bilhões.

A Panvel, com 321 lojas na região Sul, equivale a 67% do faturamento do grupo gaúcho Dimed. Das vendas, 35% vêm de itens de beleza, com 20% do total de artigos de marca própria. O cearense Deusmar Queirós, sócio fundador da Pague Menos, com 740 lojas no país, credita a expansão de 18% em 2014 sobretudo à perfumaria e planeja abrir o capital da empresa em Bolsa em 2016.

As farmácias independentes também estão fazendo associações, diz Renato Tamarozzi, diretor executivo da ABCFarma. A união visa à melhora na negociação de preço, mas preserva a gestão de cada negócio.

Índia nega patente a droga contra hepatite C e pode produzir genérico

O Globo:

Numa decisão que causou apreensão na gigante farmacêutica Gilead — e, segundo analistas, pode influenciar outros países em desenvolvimento —, a Índia negou o registro de patente do sofosbuvir, uma substância tida como “revolucionária” no tratamento da hepatite C. Desenvolvida pelo laboratório norte-americano, a droga, de nome comercial Sovaldi, atinge taxas de cura de até 95%, mas tem preços altíssimos de, em média, US$ 1 mil por cada uma das 12 a 24 pílulas requeridas para o tratamento completo.

Líder mundial na produção de de genéricos oriundos de quebras de patentes, a Índia pode estar dando um primeiro passo para suprimir também os direitos da Gilead sobre a substância. Com isso, o país asiático a produzida em laboratórios nacionais com custos muitíssimo menores. Na decisão, a Oficina de Patentes indiana diz que o sofosbuvir “não é tão inovador quanto parece”.

De acordo com Tahir Amin, advogado e diretor de propriedade intelectual da ONG internacional I-Mak (Iniciativa de Medicamentos, Acesso e Conhecimento), dos Estados Unidos, a decisão certamente abre precedente para que as empresas farmacêuticas comecem a produzir o medicamento livremente. A organização e a empresa farmacêutica indiana de genéricos Natco Pharma pediram a recusa do registro da patente há mais de um ano.

Na Europa, o medicamento conhecido como “pílula dos mil dólares” deve ser distribuído gratuitamente pelos sistemas de saúde britânico e espanhol, entre outros. Mas a chegada do tratamento esbarra nas negociações de preços.

O Sistema de Saúde Britânico adiou em quatro meses o uso do sofosbuvir até que a Gilead melhore a oferta de 35 mil libras (ou quase R$ 140 mil) pelo tratamento individual completo. O adiamento surpreendeu, pois o relatório de um instituto ligado ao próprio sistema autorizara a compra, sustentando ser compensadora a longo prazo.

Na Espanha, a fabricante chegou a um acordo com autoridades para oferecer o tratamento por € 18 mil (pouco mais de R$ 55 mil). Mesmo assim, o governo central ainda não tem previsão para o início da distribuição, o que levou as administrações de algumas comunidades autônomas a antecipar a entrega.

Brasil espera daclatasvir

Enquanto isso, ainda não há data para a distribuição, no Brasil, do daclatasvir, outro medicamento considerado inovador no tratamento da hepatite C, embora menos efetivo, com estudos clínicos alcançando a cura em até 90% dos casos. No início do ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a venda e o uso da substância, mas o SUS não anunciou quando ela chegará aos cidadãos. Estima-se que três milhões de brasileiros sejam portadores do vírus.

BNDES tem R$ 1,6 bilhão para apoio a laboratórios

Elisa Soares – Valor Econômico:

O Profarma, programa de apoio à indústria farmacêutica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem R$ 1,6 bilhão para emprestar até 2017. Os recursos, entre outros propósitos, são para financiar projetos em biotecnologia. Segundo especialistas ouvidos pelo Valor, a nova fronteira pode gerar revolução tecnológica na indústria farmacêutica nacional, melhorar a visibilidade do setor internacionalmente, e reduzir déficit da balança comercial da Saúde, que em 2014 deve ficar em US$ 13 bilhões.

“O Profarma é muito importante para garantir o longo prazo. A indústria está sempre às voltas com investimentos de produção mais imediata”, afirmou o presidente da Cristália, Ogari Pacheco. A empresa trabalha com biotecnologia há 14 anos, e já contratou R$ 75 milhões pelo Profarma para 23 projetos. E estuda novo financiamento, de R$ 300 milhões, para dar continuidade a 20 projetos, entre eles a produção de anticoagulante oral para evitar trombose. A proposta foi entregue ao BNDES, mas ainda não foi aprovada.

A Bionovis, empresa de biotecnologia fundada por farmacêuticas, está em fase pré-operacional, e já submeteu pedido de financiamento ao BNDES. A quantia gira em R$ 500 milhões para construção de fábrica. A companhia já tem contratos com laboratórios públicos, e sete parcerias para desenvolvimento e produção no país voltadas para o tratamento de doenças do sistema imunológico.

A Orygen é outra empresa pré-operacional de biotecnologia, formada por farmacêuticas e com parceria de transferência tecnológica com a Pfizer. Ela estima investir R$ 500 milhões, começa a construir fábrica este ano e deve pedir recursos ao BNDES.

A farmacêutica Libbs já obteve diversos financiamentos do BNDES. O primeiro, de R$ 16,9 milhões, foi em 2004 para a instalação de parque fabril. Em 2007 recebeu R$ 15,8 milhões para pesquisa e desenvolvimento de produtos. Três anos depois, recebeu R$ 47,3 milhões para novos medicamentos e farmoquímicos não produzidos no Brasil.

Em 2013 a Libbs recebeu outro financiamento, R$ 250,8 milhões para a construção de nova unidade de biofármacos, a ser inaugurada em 2016. Ano passado aprovou investimento de R$ 266,7 milhões para projetos de pesquisa e desenvolvimento de fármacos e medicamentos.

Para a diretora de relações institucionais da empresa, Márcia Bueno, o Profarma é importante pois permitiu o aumento da produção nacional, adensamento tecnológico e aumento da realização de estudos clínicos no país, além de ajudar na redução da importação de medicamentos.

O superintendente da área industrial do BNDES, Mauricio Neves, concorda. Para ele, há relação direta entre as prioridades do programa nos últimos dez anos com o desenvolvimento tecnológico da indústria no país. Segundo o chefe de departamento de produtos para a saúde do banco, Pedro Palmeira, o Profarma já financiou R$ 5 bilhões para 116 projetos de farmacêuticas.

No entanto, há consenso entre os executivos do setor de que é preciso fazer mais. A produção nacional de medicamentos ainda depende da importação de princípios ativos. Para Pacheco, da Cristália, a produção nacional desses componentes e a redução da dependência internacional são “calcanhares de Aquiles”.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do ministério da Saúde, Carlos Gadelha, admite o déficit comercial na saúde. Mas rebateu críticas sobre a importação de princípios ativos. Para ele não existe falsa dicotomia entre inovar e transferir tecnologia.

O ministério se aproximou do Profarma a partir de 2007,e lança, anualmente, lista de produtos estratégicos para o SUS. A medida garante demanda para que as farmacêuticas inovem e produzam no Brasil. Estão em curso 98 processos de transferência de tecnologia para produzir 92 produtos no país. Destes, 26 já são comprados pelo ministério, e 27 são de biotecnológicos.

Gadelha estima que o programa do BNDES, em conjunto com a Finep, proporcionaram R$ 13 bilhões em investimentos na indústria farmacêutica nos últimos anos. E explica que a lista de produtos representa, hoje, poder de compra de R$ 9 bilhões ao ano. A economia para o SUS é de R$ 3 bilhões anuais. “Com a lista do ministério, as farmacêuticas têm mercado garantido. Dá segurança ao desenvolvimento tecnológico, reduz custos com comercialização e marketing”, argumenta.

O ministério lançou outra lista de produtos. As empresas tem que apresentar projetos para 21 deles até abril. O enfoque é em equipamentos e biotecnologia. “Vamos lançar no primeiro trimestre marco regulatório de parceria de pesquisa e desenvolvimento para produtos inovadores, para inovação que tenha sido feita no Brasil”, afirma o secretário.

Hertape recompra sua fatia em sociedade e retoma investimentos

Valor Econômico:

Dez anos após vender 50% de seu capital para a espanhola Calier, a indústria veterinária mineira Hertape chegou a um acordo para recomprar a fatia da parceira, e já prepara um ciclo de investimentos de cerca de R$ 90 milhões em pesquisa e desenvolvimento nos próximos três anos, revelou ao Valor o diretor-geral da empresa, Ricardo Renault.

A reorganização societária que agora ensejará mais investimentos não é algo novo para a Hertape. Fundada em 1943 em Belo Horizonte, a companhia até chegou a ter atuação de destaque no país, mas paulatinamente perdeu “expressão” em meio a divergências entre os acionistas – três genros do coronel Juventino Dias, fundador da Cimentos Cauê, que foi vendida na década de 1990 para a Camargo Corrêa.

“A Hertape era uma empresa que tinha ficado com os antigos fundadores por muitos anos, que teve expressão muito grande no mercado, mas foi diminuindo por brigas de sócios”, recorda Renault. Diante disso, houve a primeira reestruturação societária em meados dos anos 1990, pela qual o atual diretor-geral ampliou sua participação e se tornou um dos principais acionistas ao lado de Evaldo Tavares, único oriundo da família de um dos fundadores.

Com a nova composição, a Hertape iniciou profunda transformação, com a construção de uma fábrica em Juatuba (MG), na Grande Belo Horizonte. Em 2000, a planta industrial ficou pronta e a Hertape transferiu sua sede da capital mineira para Juatuba. De lá para cá, a companhia viu seu faturamento crescer quase dez vezes, atingindo R$ 195 milhões no ano passado.

Inaugurada a fábrica, a Hertape tinha como desafio incrementar o portfólio com produtos de maior valor agregado, e precisava de recursos para tanto. É nesse contexto que ocorreu nova reorganização societária. Em 2004, a Calier, que faz parte do grupo espanhol Indukern, adquiriu 50% do brasileira, com o compromisso de investir na construção de uma fábrica de vacinas contra febre aftosa, principal mercado do segmento veterinário no Brasil. “Existem dois tipos de laboratórios: os que têm [vacina para] aftosa e os que não têm”, afirma o executivo.

Considerado elevado mesmo para os padrões dos espanhóis, o investimento na fábrica de vacinas só deslanchou em 2006, com a criação da Inova Biotecnologia, joint venture entre Hertape-Calier e a brasileira Eurofarma. Ao todo, foram investidos R$ 140 milhões para erguer aquela que é uma das maiores fábricas de vacinas contra febre aftosa do país, inaugurada em 2010. Com capacidade para produzir 150 milhões de doses de vacina por ano, a Inova também está sediada em Juatuba. A joint venture representa cerca de 20% do faturamento da Hertape.

Agora, pouco mais de quatro anos após a inauguração da unidade que selou a parceria entre Hertape e Calier, os espanhóis deixam o capital da empresa, em mais uma reorganização societária. “Nós sempre tivemos o sonho de recomprar a participação da Calier”, afirma Renault. Ele não revela o valor do acordo, mas diz que os acionistas da Hertape pretendem obter retorno sobre o investimento num prazo de sete anos.

Segundo ele, a saída dos espanhóis não está ligada à crise que atinge a Espanha, mas a uma estratégia diferente da Calier. Renault avalia que os espanhóis tinham duas “grandes pretensões”: vender os produtos importados no Brasil e transformar o país num entreposto de vendas na América Latina. O primeiro objetivo, diz, foi atingido e a Hertape seguirá como distribuidora da Calier. O mesmo não ocorre com as exportações para a América Latina. “Mas esse nunca foi o nosso foco e isso sempre foi dito”, justifica Renault.

Agora totalmente brasileira, a Hertape concentrará seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento – cerca de R$ 30 milhões anuais até 2017 -, com ênfase nos mercados de suínos e pet.

Sem Copa, Apex foca na abertura de novos mercados às empresas nacionais

Valor Econômico:

O novo ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro Neto, tomará posse hoje (07/01) com um instrumento já em mãos para executar uma das principais missões que a presidente Dilma Rousseff lhe deu. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) tem pronto um plano para tentar abrir novos mercados às empresas nacionais.

Em 2014, a principal aposta da agência foi um conjunto de ações de marketing de relacionamento ligadas sobretudo à Copa do Mundo organizada pelo Brasil e outros grandes eventos esportivos. Para 2015, no entanto, a ideia da Apex é priorizar missões comerciais e participações em feiras internacionais. Outra meta da agência é ampliar o número de médias empresas que exportam no país. Até outubro do ano passado, as exportações realizadas com o apoio da Apex totalizaram US$ 52,4 bilhões, uma lata de 39,5% em relação ao mesmo período de 2013. Essas vendas representaram 27,3% das exportações brasileiras registradas entre janeiro e outubro de 2014, participação que cresceu em relação à taxa de 19,1% observada na mesma etapa do ano anterior. A agência não revelou suas projeções para este ano.

“Não teremos outra Copa do Mundo. O marketing de relacionamentos continuará foret, mas teremos um foco em missões comerciais”, afirmou ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, o presidente da Apex, Mauricio Borges.

No ano passado, além da Copa do Mundo, as ações de marketing de relacionamento da Apex e seus parceiros na iniciativa privada ocorreram em meio a provas da Fórmula Indy, Moto GP, Fórmula 1, Golf e do Professional Bull Riders (PBR), o campeonato mundial de rodeio. “Se eu pudesse, teria uma Copa do Mundo todo ano”, brincou Borges, cuja permanência no posto ainda não havia sido definida pelo novo ministro até o fechamento desta edição. “A Copa mostrou para o mundo quantas empresas temos aqui.”

De acordo com o presidente da Apex, o ministro terá toda a liberdade para fazer ajustes nos planos de agência. Ele ponderou, no entanto, que as parcerias entre a instituição e o setor privado têm dois anos de duração e, portanto, podem ser redirecionadas, mas não param.

“Há convênios com mais de 80 associações setoriais que vão até 2016, garantindo foco em mercados, na área de inteligência, dando foco em mercados alternativos dando também uma segurança para que o empresário saiba que o trabalho vai continuar”, disse Borges.

Por ora, já há pelo menos nove missões comerciais agendadas pela Apex. A primeira será em março para o Japão, a qual ocorrerá no âmbito da feira do setor de alimentos e bebidas Foodex.

Em junho, ocorrerá uma missão aos Estados Unidos dos empresários que participarão da Fancy Food, outro evento do segmento.

Na sequência, a Apex promoverá missões comerciais para Egito e Argélia, em maio, e Polônia e Alemanha, em junho. Em julho, ocorrerá uma missão rumo à África do Sul, Angola, Moçambique, Quênia e Tanzânia. Os empresários brasileiros desembarcarão na Colômbia e no Peru em agosto, e em setembro ocorrerá uma missão a Moscou no âmbito da feira WorldFood. Em outubro, será a vez de a República Dominicana e a Costa Rica serem os destinos de uma missão comercial organizada pela Apex.

“Em 2014 forma mais de 85 empresas que participaram da Sial [evento de alimentos e bebidas]. Então, tem um resultado fantástico. Brasil é visto como grande player do mundo na parte de alimentação e isso se materializa nesses eventos”, comentou Borges, destacando ainda o crescimento da Gulfood, feira organizada no Oriente Médio que terá a 20ª edição em Dubai. “Vamos para quase 80 empresas em 2015 [na Gulfood]. Isso mostra uma retomada do mercado árabe e a feira em Dubai é um grande centro com compradores de várias regiões do mercado árabe.”Além do setor de alimentos, o presidente da Apex destaca o desempenho dos exportadores de vinhos,games, serviços, audiovisual, produtos médico-odontológicos e máquinas e equipamentos. Para 2015, Borges prevê uma conjuntura mais positiva ao exportador brasileiro, com a recuperação de algumas economias – como os Estados Unidos, o que pode favorecer os setores moveleiro e calçadista – e uma taxa de câmbio mais favorável. Segundo o presidente da Apex, há um aumento na procura de empresas interessadas em parcerias e informações. A instituição deverá concentrar esforços para que as médias empresas comecem a exportar ou voltem a acessar o mercado internacional. “Para as pequenas empresas, temos treinamento. A grande quer conhecimento, e a média quer conhecimento e apoio para participar de eventos”, declarou o presidente da Apex, argumentando que normalmente as empresas de médio porte já exportaram, por alguma razão deixaram de vender ao exterior e, portanto, têm uma resposta mais rápida justamente por já contar com experiência.

Entre 2012 e 2013, o número de médias empresas exportadoras subiu de 5.464 para 5.546. Por outro lado, o valor exportado por esse porte de companhia caiu de US$ 8,13 bilhões para US$ 7,9 bilhões no período. O Ministério do Desenvolvimento só deve disponibilizar esses dados relativos a 2014 em meados deste ano.

De acordo com o presidente da Apex, a taxa de permanência das empresas apoiadas pela Apex no mercado exterior é maior do que entre as não apoiadas. “A continuidade no Brasil é em torno de 20%. Um quinto exporta cinco anos seguidos. Na Apex, é quase 80%.

Aneel admite déficit de R$ 4,5 bilhões na CDE em 2014

Rafael Bitencourt e Daniel Rittner – Valor Econômico:

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já admite que houve déficit de quase R$ 4,5 bilhões na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) do ano passado. Esse rombo terá que ser coberto pelos consumidores em 2015 e torna-se mais um fator de pressão nos reajustes das contas de luz. Os números – ainda preliminares – foram apontados pelo diretor-geral da agência, Romeu Rufino, em entrevista ao Valor.

A CDE é o “superfundo” responsável pelo pagamento das principais despesas do setor elétrico depois do pacote de redução das tarifas anunciado pela presidente Dilma Rousseff em 2012. Entram na conta gastos como indenizações às empresas que aderiram à renovação das concessões, investimentos no Programa Luz para Todos, subsídios para a compra de combustíveis usados nos sistemas isolados, subvenções à agricultura irrigada e a consumidores de baixa renda. Na época, ficou acertado que o Tesouro Nacional assumiria boa parte dos custos da CDE.

O déficit de 2014 ainda poderia ter sido remediado por um repasse de última hora, pelo Tesouro Nacional, de R$ 1,5 bilhão, mas Rufino não tinha indicações, até a semana passada, de que isso realmente iria acontecer. Com o rombo do ano passado, o fechamento da conta neste ano fica ainda mais complicado, já que o aporte do Tesouro Nacional ainda não está definido.

No projeto de lei orçamentária enviado ao Congresso Nacional, o governo previa repasse de R$ 9 bilhões, mas há incerteza sobre a orientação da nova equipe econômica sobre o assunto. A Aneel já mandou um questionamento sobre isso ao Ministério da Fazenda.

“Já formalizamos essa pergunta ao Tesouro e estamos aguardando uma resposta. Precisamos abrir, com urgência, uma audiência pública para fechar o valor definitivo da CDE em 2015”, disse Rufino. Se as despesas não forem cobertas pelo Tesouro Nacional, o déficit é rateado entre todos os consumidores, que pagam esse rombo em “cotas” em suas faturas mensais. Ele explicou que a definição precisa ser tomada até a primeira quinzena de fevereiro, quando ocorre o pagamento da primeira cota.

Diante da cascata de problemas que estão se acumulando nos últimos anos, a Aneel deve aceitar os pedidos de revisão extraordinária das tarifas de pelo menos parte das distribuidoras de energia. Rufino disse, no entanto, que serão admitidas somente as solicitações de concessionárias impactadas diretamente pelo aumento de custo da energia de Itaipu, pelo pagamento de cotas da CDE e pela exposição ao mercado de curto prazo.

Além disso, outro ponto importante a ser considerado na análise de cada pleito é a data de reajuste anual – quanto mais para o fim do ano, mais custos financeiros terão que ser “carregados” pelas distribuidoras ao longo de 2015, então aumenta a necessidade de um reajuste extra. Segundo Rufino, a tendência é que ele saia ainda no primeiro semestre.

A revisão extraordinária só é possível quando a situação de crise põe em risco o equilíbrio econômico-financeiro da concessão.

O Valor apurou que a Light (RJ), Elektro (SP) e CEEE (RS) são fortes candidatas a ter seus pedidos aprovados. Essas só vão ter reajustes nos últimos meses do ano e, portanto, precisam de caixa mais imediato. Todas elas recebem grandes volumes de energia da usina de Itaipu.

Apesar de o calendário já ter virado, os problemas de 2014 persistem.

As liquidações dos contratos de suprimento no mercado de curto prazo, em novembro e em dezembro, ainda não ocorreram.

Os empréstimos dos bancos, no total de R$ 17,8 bilhões, não foram suficientes para cobrir os gastos das distribuidoras nos últimos dois meses do ano. A liquidação de novembro está prevista para o dia 13 e a Abradee, associação das empresas do setor, já pediu adiamento do prazo. Rufino admite a possibilidade de postergação, mas só mediante o encaminhamento de uma solução definitiva.