Guerbet vai exportar meios de contraste fabricados no Brasil

Stella Fontes – Valor Econômico: 

Pioneira no mercado global de meios de contraste para exames de imagem, a centenária francesa Guerbet esteve perto de encerrar as operações no Brasil em 2015. Dois anos depois e sob novo comando, a filial brasileira, a primeira fora da França, passou por ampla reestruturação, vai iniciar exportações para a Europa e deve voltar a ser rentável em 2018.

A virada da operação local, que acumulou prejuízos nos últimos cinco anos, começou a se desenhar no fim de 2015, quando a companhia francesa comprou o negócio global de meios de contraste e sistemas de injeção da concorrente Mallinckrodt por € 250 milhões.

Em termos consolidados, a Guerbet praticamente dobrou de tamanho após a aquisição, com vendas líquidas de € 776 milhões no ano passado. No Brasil, ganhou musculatura para fazer frente a gigantes dessa indústria, entre elas a General Electric (GE) e a Bayer, em um mercado cada vez mais concorrido e concentrado por causa da consolidação dos grandes competidores.

A partir da aquisição e da percepção de que o mercado de saúde no país ainda oferece importante potencial de crescimento, a companhia francesa decidiu manter a filial. Na sequência, contratou o executivo Roberto Godoy para levar adiante um processo de reestruturação, finalizado há quase dois meses.

Formado em Ciências da Computação, Godoy tem passagens por empresas como Siemens, Abbott e pela própria GE. De acordo com o executivo, que assumiu a direção-geral da filial em dezembro do ano passado, a forte desvalorização cambial e o não repasse da inflação para os preços tornaram deficitária a operação brasileira.

Uma das primeiras iniciativas foi investir cerca de R$ 3 milhões na reforma e modernização da fábrica instalada na zona oeste do Rio, ampliando a capacidade em 30%. É a única unidade do país voltada ao processamento da matéria-prima importada (compostos químicos) e envase de meios de contrastes.

O investimento preparou ainda a unidade para uma inspeção da agência reguladora da União Europeia, que concedeu há cinco meses a licença que permite exportar para aquele mercado – o que vai ocorrer a partir de janeiro. Hoje, praticamente toda produção é voltada à demanda doméstica. Além disso, com a ampliação da capacidade, a fábrica poderá produzir localmente o portfólio da Mallinckrodt e ampliar o atendimento ao mercado latino-americano.

“Revimos processos e investimos também em pessoas”, conta Godoy. A Guerbet tem 200 funcionários no país. Com a instalação de um centro de treinamento a clientes da América Latina, a empresa vai reforçar os serviços oferecidos. “O objetivo é ajudar o cliente a obter melhores diagnósticos.”

A crise econômica, que reduziu o ritmo de crescimento do mercado farmacêutico nacional, não chegou a afetar o mercado de contrastes, conforme o executivo. Embora o número de beneficiários dos planos de saúde tenha caído, há tradicionalmente maior procura pela realização de exames em períodos de instabilidade do emprego, mediante o risco de demissão, o que acabou mitigando o impacto inicial. “Vamos fechar 2017 no zero a zero e, em 2018, voltamos ao terreno positivo”, afirma.

No mundo, a Guerbet tem nove unidades industriais, incluindo a do Brasil, que é a única na América Latina. Hoje, cerca de 90% dos negócios no país estão no mercado privado. Mas a ideia é ampliar presença também no mercado público. O mercado global de agentes de contraste movimenta por ano cerca de € 6,1 bilhões. O maior mercado está nas Américas, com 46% dos negócios, seguido de Europa, com 27%, e Ásia, com 22%.

IPO da farmacêutica Blau pode girar R$ 1 bi

Carolina Mandl e Stella Fontes – Valor Econômico: 

Em uma oferta inicial de ações que deve movimentar entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão, segundo o Valor apurou, a farmacêutica Blau quer estrear na bolsa de valores no começo de fevereiro.

Dona da marca de preservativos Preserv, a Blau pretende usar os recursos levantados com a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) para ampliar sua capacidade produtiva e de distribuição, investir em pesquisa, fazer aquisições e expandir sua atuação para a América Latina.

De acordo com as informações da minuta do prospecto preliminar da Blau, a companhia também pode vir a usar os recursos captados para o pagamento de R$ 80,7 milhões em dividendos.

O IPO da Blau conta com uma parcela tanto primária (de recursos novos) quanto secundária. Marcelo Rodolfo Hahn, fundador da Blau, também venderá uma parcela de suas ações.

Apesar de ter nos preservativos uma de suas faces mais conhecidas do público em geral, a Blau quer ampliar a fatia dos medicamentos de alta complexidade nos negócios nos próximos cinco anos. Atualmente, esses produtos, em boa parte biológicos e oncológicos, representam 66% da receita líquida, considerando os números do ano até setembro. “A estratégia é aumentar esse percentual nos próximos cinco anos, devido ao fato de apresentarem margens mais atrativas”, informou.

A meta da companhia é alcançar a liderança no mercado de medicamentos de alta complexidade na América Latina fora do varejo. Listada neste ano na B3, a Biotoscana também atua na região com foco em especialidades farmacêuticas de alta tecnologia.

No prospecto, a farmacêutica Blau destaca que sua linha de atuação é dividida em quatro segmentos de medicamentos: biológicos, oncológicos, especialidades e outras classes incluindo medicamentos de prescrição médica, isentos de prescrição, vendidos no varejo, além de uma linha de dermocosméticos, reprodução humana e preservativos e afins.

Além disso, a empresa quer ganhar escala para a produção do portfólio atual e de novos medicamentos, fortalecendo a presença na América Latina. Para tanto, pretende construir duas novas fábricas, na Colômbia e Argentina.

No mercado argentino, a unidade será erguida em “região estratégica que oferece determinados benefícios fiscais” e que favorece a comercialização desses medicamentos tanto internamente quanto no Chile, cuja fronteira está próxima da área escolhida, e no Uruguai.

Na Colômbia, a região escolhida para a fábrica também oferece benefícios fiscais. A unidade abastecerá o mercado colombiano, países andinos e da América Central.

A Blau Farmacêutica registrou receita líquida de R$ 492 milhões no acumulado do ano até setembro, comparável à receita de R$ 430,9 milhões registrada em todo o ano passado. Já o lucro líquido neste ano estava em R$ 93 milhões até setembro,
ante R$ 32 milhões no exercício anterior.

Os desembolsos com pesquisa e desenvolvimento giram em torno de 3% da receita líquida e, em 2016, a farmacêutica obteve três novos registros de medicamentos: oxaliplatina genérica (para tratamento oncológico), oxacilina genérica (antibiótico) e sacarrato de ferro que, juntos, representaram cerca de 2% das vendas líquidas no primeiro semestre deste ano.

Rússia volta a ameaçar frigoríficos brasileiros

Cristiano Zaia – Valor Econômico: 

O serviço sanitário da Rússia comunicou ao Ministério da Agricultura que detectou o promotor de crescimento ractopamina em carregamentos de carne suína exportados por quatro frigoríficos brasileiros, apurou o Valor. O produto é proibido pela Rússia, mas seu uso é permitido em diversos países. No Brasil, o uso é permitido na produção de suínos, mas proibido na de gado bovino. Três dos quatro estabelecimentos são da Seara, divisão da JBS. Estão localizados no municípios de Frederico Westphalen (RS), Seara (SC) e Itapiranga (SC). O outro é da BRF e está em Campos Novos (SC).

Até o fechamento desta edição o órgão russo não havia divulgado em seu site a suspensão das plantas do Brasil – que, portanto, ainda não estavam embargadas. Mas o Ministério da Agricultura confirmou que recebeu o comunicado russo e, entre os técnicos da Pasta, o sentimento era que o veto às unidades pode acontecer a qualquer momento.

Procurada, a JBS garantiu que não recebeu qualquer informação proveniente do mercado da Rússia referente ao cumprimento dos requisitos legais em vigor para exportação” para o país. A BRF, por sua vez, preferiu não se manifestar. De janeiro e setembro, os embarques brasileiros das duas carnes ao mercado russos renderam US$ 941 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic).

A Rússia vem ameaçando barrar as exportações de carnes suína e também de frango do Brasil, ao mesmo tempo em que pressiona pela abertura do mercado brasileiro para trigo, carne bovina e pescados. No caso do trigo, o Ministério da Agricultura já sinalizou – mas não tornou a decisão oficial – que dará o sinal verde, apesar do risco de que pragas “quarentenárias” existentes em lavouras daquele país contaminem plantações no Brasil.

A suposta detecção de ractopamina em cargas do Brasil é encarada por técnicos do Ministério da Agricultura como mais uma forma de pressão. Uma fonte do segmento lembrou que o Brasil tem direito de pedir a contraprova dos testes realizados pela Rússia. E observou que a cota destinada aos importadores russos de carne suína neste ano já está quase esgotada.

STJ analisa nova questão sobre medicamentos

Beatriz Olivon – Valor Econômico: 

Está na pauta da 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma discussão nova sobre fornecimento de medicamentos. Os ministros analisam se os planos de saúde são obrigados a custear tratamentos com remédios “off label” – usados para finalidade distinta da registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O processo envolve a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. O julgamento foi retomado na terça-feira e suspenso por novo pedido de vista. Por ora, há um voto pelo fornecimento e dois contrários.

As turmas do STJ já decidiram que os planos de saúde não são obrigados a fornecer medicamentos não registrados na Anvisa, mas ainda não trataram do off label. No caso, há os dois pedidos, segundo o relator, ministro Luis Felipe Salomão. O remédio foi posteriormente aceito pelo órgão, mas para outro fim.

O processo (Resp 1628854/RJ), trata do fornecimento de medicamento para câncer, após diversas tentativas de modalidades de tratamentos. A doença está contratualmente coberta. A paciente do caso morreu, mas o processo segue com seu espólio.

Ao analisar o caso, a 6ª Vara Cível do Rio de Janeiro aceitou o pedido. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Para os desembargadores, existindo tratamento convencional, o paciente não pode, às custas do plano de saúde, optar por tratamento não constante do rol da Anvisa. Mas nas situações em que os tratamentos convencionais não forem recomendáveis, por causa da especificidade e gravidade do quadro clínico, atestado por médico, a seguradora deve arcar com os custos do tratamento.

A Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil recorreu, então, ao STJ. Para o relator, há três controvérsias no processo: a possibilidade de compelir as operadoras a custearem tratamentos com remédio não registrado na Anvisa, a obrigação com relação ao medicamento off label e o dever de indenizar a paciente pela recusa em custear o tratamento.

Salomão aceitou o pedido quanto ao off label ponderando que deve ser feita uma confirmação da recomendação médica. No processo, há um laudo médico apontando que, embora o medicamento não seja para o tipo de câncer, é recomendado para a paciente.

Já a ministra Isabel Gallotti divergiu, ponderando que, na época dos fatos, o medicamento não tinha registro na Anvisa, então a operadora não teria obrigação de fornecê-lo. O julgamento foi retomado na

Eurofarma investirá em startup de saúde

Stella Fontes – Valor Econômico: 

Em uma iniciativa ainda pouco comum para a indústria farmacêutica de capital nacional, a Eurofarma se prepara para investir em startups na área de saúde. O plano faz parte de um amplo projeto de apoio à inovação desenhado pela empresa, o Centro Latino-americano de Inovação Contínua (Clic), que no médio prazo receberá 5% de seu lucro líquido anual, ou o equivalente hoje a R$ 20 milhões.

“A grande ambição do Clic é colocar a Eurofarma como protagonista de inovação aberta no setor farmacêutico”, afirma a vice-presidente de Sustentabilidade e Novos Negócios, Maria del Pilar Muñoz. Considerando-se seu negócio principal, que são os medicamentos, a empresa já investe 5,5% da receita líquida anual em pesquisa e desenvolvimento – no ano passado, as vendas totalizaram R$ 3,3 bilhões.

Ao avançar no projeto, explica Pilar, a Eurofarma tanto aprimora seu conhecimento na área de inovação aberta quanto amplia o leque de áreas que são objeto de inovação. “Já temos uma área robusta de P&D para o nosso negócio principal e já temos a busca de parceiros externos. Agora, queremos levar isso para as outras áreas da empresa”, afirma.

A primeira fase do Clic, considerada o pontapé da Eurofarma na área de inovação aberta e sob a liderança da área de fusões e aquisições (M&A) da farmacêutica, consiste em uma parceria de aceleração com a Endeavor, batizada Synapsis. Num segundo momento, o foco estará em estimular as startups para que se tornem empresas operacionais.

A constituição de um fundo de venture capital, para efetivo aporte financeiro em iniciativas empreendedoras, corresponde à terceira etapa do projeto. Ainda não há data definida para a constituição do fundo de venture capital (capital de risco).

A primeira fase, que está sendo lançada neste momento, beneficiará 12 startups já operacionais. A captação dos candidatos será feita pela Endeavor e a escolha efetiva, por uma equipe multidisciplinar da Eurofarma. A expectativa é a de que até meados de março os nomes escolhidos já sejam conhecidos. “Esperamos encontrar soluções e empresas que possam vir a ser nossos fornecedores”, afirma Pilar.

O trabalho com essas startups, cujo produto ou solução deve contemplar uma ou mais áreas em foco (relacionamento com grupos de interesse, ganho de eficiência, sustentabilidade, inteligência de mercado ou gestão de pessoas), deve se estender ao longo de 2018. A farmacêutica colocará sua estrutura, conhecimento e rede de relacionamento à disposição dessas empresas.

Com essa plataforma de busca de inovações para a saúde, a multinacional brasileira pretende antecipar tendências assim como as grandes farmacêuticas estrangeiras têm feito lá fora. A percepção é que, depois do setor financeiro, a área de saúde será o grande campo de lançamento de novas tecnologias, em um movimento similar ao que culminou no surgimento das “fintechs”. “Acreditamos que o setor farmacêutico será um alvo importante”, ressalta.

No Brasil, o número de startups de saúde cresceu cinco vezes desde 2015. No mundo, nove das dez empresas que mais gastam com inovação já estão trabalhando com startups. “Queremos sair à frente da concorrência. O momento de lançamento é bem adequado e o processo é robusto”, ressalta Pilar.

Hypermarcas avalia expandir capacidade

Stella Fontes – Valor Econômico: 

No caminho para alcançar resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de cerca de R$ 1,2 bilhão neste ano, a farmacêutica Hypermarcas está avaliando um novo ciclo de investimentos em expansão de capacidade. A perspectiva de crescimento da demanda de medicamentos e o fato de algumas linhas produtivas estarem perto do limite justificam esse estudo, segundo o presidente Claudio Bergamo.

Ainda não há definição sobre o tamanho do investimento, mas o aumento “significativo” dos volumes vendidos no terceiro trimestre e fatores macroeconômicos, como queda da inflação e dos juros e perspectiva de melhora nos índices de emprego, indicam que a trajetória do mercado farmacêutico tende a permanecer positiva. “Nós temos que nos preparar para esse novo ciclo”, explicou.

Os planos de expansão da capacidade operacional vêm na esteira da transformação da Hypermarcas em uma farmacêutica “pura”, após a venda dos negócios de cosmésticos, preservativos e fraldas descartáveis. Para 2017, a expectativa na indústria é de alta de 8% a 10% nas vendas de medicamentos no país e a meta da empresa é manter o ritmo superior ao do mercado.

No terceiro trimestre, a demanda por produtos da companhia pelo consumidor final (“sell out”) subiu 12,6%, ante 11,1% do varejo farmacêutico em geral. Em termos consolidados, a receita líquida da companhia cresceu 17,7% na comparação com o mesmo intervalo de 2016, a R$ 955 milhões.

Para seguir nessa direção, além do provável aporte em capacidade, a farmacêutica está acelerando os investimentos em marketing e mídia, força de vendas e visitação médica e inovação. Maior anunciante do país, posição que foi conquistada no segundo trimestre, a Hypermarcas fechou um pacote de patrocínio da temporada 2018 de futebol da Globo no valor de R$ 200 milhões – os desembolsos ocorrerão até o primeiro trimestre do ano que vem -, ante gasto que vinha em torno de R$ 140 milhões.

No campo da inovação, a Hypermarcas recém inaugurou um novo centro e tem “vários lançamentos previstos para 2018, em todas as unidades de negócio”. Com um portfólio mais concentrado em produtos em fase de crescimento e a caminho da maturidade (e não em maturidade e declínio), as metas relativas ao índice de inovação já foram superadas. “Vamos continuar fazendo esse processo e isso gera um lastro importante para companhia, aliado a um mercado que está demandante”, afirmou.

De julho a setembro, os gastos com pesquisa e desenvolvimento corresponderam a 2,5% da receita líquida, alta de 0,5 ponto percentual na comparação anual. Já o índice de inovação, medido pelo percentual da receita líquida proveniente de produtos lançados nos últimos cinco anos, atingiu 31,4%, o maior já registrado pela companhia e acima da meta de 30%. Agora, o plano é chegar a 35%.

Em relação ao desenvolvimento de novos negócios, a Hypermarcas está “mais ativa”, segundo Bergamo, e há oportunidades surgindo, como a compra de moléculas ou de registros. “Mas são aquisições pequenas. Não tem, no radar, grandes aquisições”, afirmou. “Estamos ativos, mas, por enquanto, sem nenhuma novidade.”

A forte posição de caixa permitirá ainda dar sequência à política de distribuição de resultados para seus acionistas, de acordo com Bergamo. Em setembro, o caixa líquido estava em R$ 742,3 milhões, mesmo após a distribuição de R$ 821,9 milhões relativa à redução de capital finalizada em julho.

Diante do patrimônio líquido elevado, de pouco mais de R$ 8 bilhões no fim de setembro, a companhia está estudando usar o pagamento de distribuição de juros sobre o capital próprio para dar continuidade a essa política.

 

Eli Lilly poderá se desfazer da Elanco

David Crow – Valor Econômico: 

A farmacêutica americana Eli Lilly avalia vender ou fazer um spin-off de sua divisão de saúde animal. A decisão de sair desse mercado ocorre em meio a resultados financeiros abaixo das expectativas e vem apenas três anos após a companhia ter pago US$ 5,4 bilhões pelo braço veterinário da Novartis, o que a elevou à posição de segunda maior companhia do mundo de medicamentos para pets e animais de produção.

É uma decisão que atende também a intenção de concentrar o foco dos negócios em seu “core business” – o setor farmacêutico – no momento em que a rival Pfizer também explora a opção de se desfazer de sua divisão de consumo.

“Estamos anunciando uma revisão estratégica da Elanco [o braço de saúde animal da farmacêutica]”, disse David Ricks, CEO da Lilly. “A Elanco se tornou uma empresa de ponta em saúde animal e tem conduzido um importante crescimento e uma fonte diversificada de receita para a Lilly. Por meio de aquisições e expansão orgânica, a elevamos a um tamanho e escala que, agora, nos permite considerar uma variedade de opções para maximizar seu valor”.

A divisão de saúde animal obteve vendas de US$ 740,6 milhões no 3º trimestre, anunciadas ontem, o que representa uma alta de 5% em relação ao mesmo período de 2016, e superior à previsão do mercado de US$ 711 milhões. No entanto, as vendas nos nove meses acumulados do ano ficaram inalteradas em US$ 2,29 bilhões – a companhia justificou a estagnação como “pressão competitiva”.

Em 2016, a divisão gerou receita de US$ 3,16 bilhões e representou aproximadamente 15% das vendas totais da Lilly. Se a companhia conseguir obter o mesmo múltiplo que pagou à Novartis, o braço de saúde animal valeria hoje algo como US$ 15 bilhões, tendo como base os resultados do ano passado.

De acordo com a companhia, um anúncio sobre o destino da divisão será feito apenas em meados do ano que vem. É possível que a farmacêutica mude de ideia e decida manter o negócio, ressaltou o CEO.

De qualquer forma, o anúncio mantém aquecida a discussão perene sobre se as farmacêuticas deveriam manter negócios com margens menores alheias à prescrição de remédios. Alguns analistas afirmam que o segmento de saúde animal traz estabilidade em um mercado marcado por patentes que expiram e por um imprevisível cronograma de desenvolvimento de novas drogas. Outros argumentam que a divisão consome capital e atenção que deveriam ser direcionados à descoberta de medicamentos mais lucrativos.

Aspen Pharma muda estratégia e volta a crescer

Stella Fontes – Valor Econômico: 

Depois de registrar, em meados do ano passado, os piores meses de sua história no Brasil, a sul-africana Aspen Pharma, dona do antiácido Leite de Magnésia de Phillips e do fitoterápico Calman, ajustou a estratégia de negócios no país. A nova abordagem funcionou e, além de reverter o mau momento, a operação brasileira encerrou o ano fiscal de 2017 com o melhor desempenho entre as filiais da multinacional, a despeito da recessão que afetou o consumo doméstico de medicamentos.

No exercício, encerrado em junho passado, a receita líquida no país cresceu 30%, para US$ 110 milhões, a maior taxa entre as operações da Aspen, e a lucratividade também foi a mais elevada. Globalmente, a farmacêutica faturou 41,2 bilhões de rands (cerca de US$ 3,15 bilhões).

Para fazer frente à crise econômica no Brasil, a farmacêutica colocou o foco da visitação médica nos três produtos com maior potencial de prescrição, reestruturou a força de vendas em farmácias e cortou despesas internas em 15%.

No ano fiscal em curso, o crescimento tem ficado em 10% e a meta é encerrar os 12 meses com alta de dois dígitos nas vendas. O controle diligente dos gastos e a postura conservadora foram mantidas, mas a farmacêutica voltou a contratar, a conta-gotas, de acordo com o principal executivo da Aspen do Brasil, Alexandre França. “O mercado começou a melhorar, mas ainda não dá para soltar fogos”, diz.

Conforme o executivo, não é tarefa fácil explicar para a matriz o momento atual do país, com descolamento entre economia e política. “O cenário [político] ainda é muito nebuloso, mas é fundamental que as reformas saiam do papel”, analisa.

Implementada, a reforma trabalhista poderia acelerar novas contratações na Aspen se trouxer maior flexibilidade, diz França. “Se ela for efetiva em novembro, vamos contratar mais do que esperamos”,  acrescenta França.

O pacote de iniciativas para reduzir o impacto da crise econômica nos negócios envolveu principalmente a renegociação ou cancelamento de contratos com fornecedores e um novo posicionamento na promoção dos medicamentos mais vendidos. Houve ainda demissões, que não chegaram a 5% do quadro de funcionários – hoje são 340 empregados.

Hoje, o principal produto da Aspen no Brasil é o Diprivan (propofol), um anestésico intravenoso de uso hospitalar que chegou à empresa no ano passado, após a compra do portfólio de anestésicos da AstraZeneca. Junto com o Leite de Magnésia, Calman e Omcilon (usado no tratamento de aftas), representa 60% do faturamento da farmacêutica no país.

A fábrica de Serra (ES), que pode produzir sólidos (comprimidos) e semi-sólidos (cremes), está quase que 100% ocupada e a capacidade instalada deve crescer no futuro, com o objetivo de absorver a produção que hoje cabe a terceiros. De acordo com França, investimentos da ordem de US$ 10 milhões a US$ 15 milhões nos próximos dois anos devem mudar esse quadro.

Já está certo que a Aspen terá um novo depósito e faz parte dos planos instalar uma nova fábrica. O Omcilon, que hoje é produzido em regime de terceirização pela Takeda, pode ser o primeiro a transferido para a nova linha – o Calman é produzido pela Myralis e o Leite de Magnésia, pela GlaxoSmithKline.

Biolab abre centro de P&D e planeja fábrica no Canadá

Stella Fontes – Valor Econômico: 

A Biolab Farmacêutica está acelerando seu projeto de internacionalização. O laboratório abre hoje as portas do primeiro centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D) próprio fora do Brasil, na província de Ontário, Canadá, e, nos próximos dois ou três anos, pretende instalar uma fábrica de medicamentos naquele país.

Resultado de investimentos de 56 milhões de dólares canadenses (cerca de US$ 45 milhões), o centro funcionará como plataforma tecnológica para avanço do laboratório, o primeiro de capital 100% nacional a instalar uma unidade de P&D em outro país, em mercados internacionais.

Forte cultura de inovação e agilidade na aprovação de pesquisas e novos produtos, que já saem do Canadá com registro automático nos países que fazem parte da Comunidade Britânica, levaram a Biolab até lá, de acordo com o presidente Cleiton de Castro Marques. “Agilidade foi o fator que mais nos impulsionou”, afirma.

Antes, o laboratório brasileiro chegou a olhar Nova Jersey, nos Estados Unidos, como alternativa ao investimento, mas a estrutura oferecida pelos canadenses foi determinante. “Num primeiro momento, vamos replicar no Canadá as pesquisas que estamos fazendo no Brasil, para produzir dossiês fortes para [aprovação de produtos] em mercados altamente regulados.”

Pesquisas em curso no Brasil serão conduzidas também pela Biolab Canadá. Inicialmente, o centro contará com equipe de 60 pesquisadores até o fim da primeira fase, todos contratados no mercado canadense. A direção-geral da unidade caberá a Paulo Wickbold Marques, representante da segunda geração à frente da Biolab.

Conforme o empresário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já atua com elevado rigor em termos de regulamentação e tem avançado nos debates sobre inovação, mas os processos ainda são demorados no país. “É uma política ainda em construção, em andamento”, diz. No Canadá, é mais fácil avançar em P&D, acrescenta. A farmacêutica brasileira já está presente em mercados internacionais, via licenciamento de produtos. Mas não conta ainda com produção própria em outros países.

O interesse da Biolab por aquele país não é isolado. Em entrevista ao Valor, o cônsul comercial de Ontário, Todd Barrett, afirmou que sete das maiores farmacêuticas do Brasil, incluindo a Biolab nessa conta, estão em conversas com o governo local. Essas tratativas poderão, no médio prazo, resultar em investidas similares à da farmacêutica dos irmãos Cleiton e Paulo de Castro Marques, e do farmacêutico Dante Alario Jr.

Além de já contar com a presença de todas as grandes farmacêuticas do mundo, a província canadense lançou mão de incentivos financeiros para consolidar-se como polo de inovação do setor. No caso da Biolab, o governo de Ontário colocará à disposição 2,8 milhões de dólares canadenses para despesas relacionadas a pesquisa e desenvolvimento.

Segundo Barrett, os recursos serão provenientes de um fundo criado em 2013 com o objetivo de fomentar a atividade de P&D e atrair projetos nas áreas de ensaios clínicos, pesquisas farmacêuticas e “start-ups de biotecnologia. O governo oferece ainda um programa de créditos fiscais, que podem resultar em redução de pelo menos 15% do imposto de renda. “Há um forte interesse do governo em impulsionar a indústria farmacêutica”, afirma.

Novo programa deve reduzir atraso em concessão de patentes a partir de 2018

Assis Moreira – Valor Econômico: 

Um programa de procedimento simplificado de concessão de patentes, para reduzir substancialmente o “backlog” de 230 mil pedidos, poderá ser implementado a partir do ano que vem, afirmou em Genebra o presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), Luiz Otávio Pimentel.