Indústria sinaliza que acordo entre UE e Mercosul pode estar próximo

Assis Moreira – Valor Econômico: 

Várias questões que vinham bloqueando o avanço das negociações entre o Mercosul e a União Europeia (UE) para um acordo de livre comércio birregional parecem superadas e a reunião de negociadores, na semana que vem em Bruxelas, poderá determinar os próximos passos das barganhas, segundo expectativa de representante da indústria.

“Entendo que os principais óbices foram superados, os temas complicados estão bem encaminhados”, afirmou o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Thomaz Zanotto.

Para a Fiesp, o momento é oportuno para concluir as negociações e resultará tanto no aumento do fluxo comercial quanto em benefícios intangíveis quanto a transferência de tecnologia, capitais e serviços para a indústria nacional. “Há uma janela de oportunidade e isso tem prazo de validade, porque senão ela tende a se fechar”, diz Zanotto.

Pelas informações que circulam no setor privado, os europeus sinalizaram com aumento da quota para importação de carne bovina para 110 mil toneladas. A UE tinha começado com quota de 70 mil e depois com 99 mil. Negociadores dizem que muito do que foi conversado com Bruxelas nas últimas semanas precisa ser formalizado.

Duas questões centrais envolvendo o setor automotivo parecem ter avançado. Primeiro, os europeus queriam eliminação das tarifas de importação para seus carros num prazo de oito anos, enquanto as montadoras do Mercosul pediam prazo de 15 anos. A avaliação agora é de que o fim das tarifas deve ocorrer entre 10 e 12 anos.

Além disso, um dos princípios básicos da negociação é que não haveria prazo de carência, e a liberalização começaria desde o primeiro ano do acordo. O sentimento é de que, se houver carência, pela insistência de montadoras do Mercosul, será entre dois e três anos.

Outra questão técnica sensível estava em discussão no campo das regras de origem. Ponto que, pela análise de Zanotto, prosperou. O setor têxtil brasileiro defendia que para se ter a tarifa menor pela regra de origem nesse segmento, o fio, o tecido e a roupa precisariam ser da região. A regra acertada agora manteve só duas etapas do conteúdo local: o tecido e a roupa. Os europeus alegam que são importadores de fio.

A questão de produtos remanufaturados fica fora do acordo. Os europeus queriam sua inclusão, por exemplo, porque países como a Alemanha têm um programa que incentiva a troca de máquinas com frequência – e a revenda do equipamento com pouco uso. Mas permitir tarifa menor para esse tipo de produção causaria problemas para setores no Brasil. É o mesmo caso de pneus, que os europeus, por causa dos ciclos do verão e interno, descartam o produto com mais frequência e procuram exportar o que em outros países é visto como seminovo.

A avaliação é também de que a UE compreende a importância de se manter o regime de “drawback” – pelo qual há isenção na tarifa de importação para insumos usados na fabricação de bens industriais depois exportados. É um regime aduaneiro especial no Brasil e para o Paraguai com suas maquiladoras, por exemplo.

A UE queria manter uma forte proteção de mais de 300 denominações de origem, incluindo queijos, azeites etc. Agora, isso foi reduzido para cerca de 10%, o que também facilita o avanço da negociação birregional.

Nas negociações ministeriais em Buenos Aires, em dezembro de 2017, a Argentina parecia querer fechar o acordo a qualquer preço, e coube ao Brasil esfriar um pouco os ânimos diante do que Bruxelas colocava na mesa.

Mais tarde, alguns europeus procuraram representantes do setor privado brasileiro, indagando se o Brasil estava postergando a negociação para fazer o acordo em outro momento político.

De seu lado, a Fiesp considera que o momento para fechar a negociação é oportuno inclusive por ver uma convergência inédita de políticas econômicas entre o Brasil e a Argentina, cujos governos coincidem na decisão de realizar reformas estruturais, buscar o equilíbrio fiscal e promover maior inserção externa da região.

Thomas Zanotto destaca que, para a Fiesp, a negociação de acordos comerciais é o caminho mais seguro e inteligente para a abertura da economia brasileira. A entidade avalia que uma redução unilateral de tarifas de importação limita o poder de barganha do bloco com outros parceiros, como também ameaça a produção e emprego local, sobretudo de pequenas e médias empresas que terão dificuldade de se adaptar no curto prazo.

O fluxo comercial entre a UE e o Mercosul alcançou US$ 80 bilhões em 2017, com deficit de US$ 362 milhões para o bloco do cone sul. As exportações do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai foram principalmente subprodutos das indústrias alimentícias (15%), minerais metálicos (10%) e soja (7%). As importações foram principalmente de reatores e caldeiras (19%), produtos farmacêuticos (11%) e máquinas e equipamentos elétricos (9%).

No primeiro trimestre deste ano, as exportações de manufaturados brasileiros para a UE cresceram 74%, na comparação interanual, e totalizaram US$ 4,9 bilhões. Para a Fiesp, esse resultado mostra o potencial do mercado europeu para as vendas de produtos industrializados de origem brasileira.

Do lado das importações, as compras de manufaturados europeus aumentaram 10% e totalizaram US$ 7,9 bilhões no período. Cerca de 60% da pauta de importações originárias da UE pode ser classificada como bens intermediários utilizados pela indústria de transformação no Brasil.

Para Zanotto, se as barganhas entre UE e Mercosul avançarem na semana que vem, como é a expectativa, o passo seguinte será a realização de uma reunião ministerial para anunciar o acordo político e, talvez ainda este ano, concluir a negociação do acordo de livre comércio birregional.

Hypera Pharma lidera em anúncios

Gustavo Brigatto – Valor Econômico: 

Com um salto de 64% em seu orçamento de compra de mídia, a Hypera Pharma (nome que a Hypermarcas passou a adotar em fevereiro), ultrapassou a Genomma e se tornou o maior anunciante do Brasil em 2017, segundo a Kantar Ibope Media. O salto da companhia da quarta para a primeira posição no ranking também foi auxiliado pela queda de 9% nos gastos da Genomma ao longo de 2017.

Em comunicado, a Kantar não divulgou valores, mas, em 2016, a Hypermarcas havia registrado R$ 2,28 bilhões em compra de mídia. A Genomma desembolsou R$ 3,45 bilhões.

A pesquisa se refere a quanto os anunciantes compram de espaço publicitário nos veículos de comunicação. Os valores considerados são os de tabela cheia, sem contar descontos e negociações.

O segmento farmacêutico, ao qual pertencem Hypera Pharma e Genomma, é o que tem mais empresas na lista dos 10 maiores anunciantes do país, com mais Divcom Pharma Nordeste e Ultrafarma.

A lista completa é formada por Unilever em terceiro lugar (mesma posição do ano anterior, mas com gastos 35% menores), seguida por Ambev – que subiu do sétimo para o quarto lugar, com alta de 29% nos investimentos. A Procter & Gamble (P&G) subiu da sexta para a quinta posição, apesar de reduzir os gastos com propaganda em 2%. Ainda estão entre os dez maiores anunciantes Claro, Caixa e Trivago.

De acordo com a Kantar, a compra de anúncios publicitários atingiu a marca de R$ 134 bilhões em 2017, um crescimento de 3,1% em relação a 2016. Descontada a inflação, o setor apresentou um crescimento real de 0,15%. O número de anunciantes caiu um pouco entre 2016 e 2017: de 63 mil para 61.380.

Entre os 10 setores que mais investiram em mídia em 2017, e que juntos representam mais de 80% de toda a atividade publicitária no período, apenas comércio, automotivo e bebidas apresentaram retração nos números aferidos. Os setores que mais cresceram no período foram administração pública e social, com 38%, e farmacêutico, com 22% de variação positiva.

Entre os mercados monitorados, São Paulo segue como líder, absorvendo um quarto de toda a verba destinada para compra de espaço publicitário. Ao lado de Rio de Janeiro e Belo Horizonte, os três mercados são responsáveis por receber 38% de todo o investimento de mídia do país.

Falta matéria-prima no setor de defensivos

Kauanna Navarro – Valor Econômico: 

Paralelamente aos efeitos negativos provocados pelos estoques elevados nos canais de distribuição no Brasil, agudos em 2017 e que ainda estão sendo debelados, as empresas de agroquímicos que atuam no país também sofrem com a escassez de matérias-primas para a formulação dos produtos finais vendidos aos agricultores.

O aperto da legislação ambiental na China levou ao fechamento de cerca de 700 fábricas de produtos químicos naquele país no último ano. Muitas eram responsáveis pela produção de ingredientes ativos e matérias-primas para indústrias de agroquímicos de todo o mundo.

Assim, apesar de altos estoques no canal de distribuição, a indústria também sofreu com o aumento do preço de ingredientes das formulações, ou mesmo com a falta de produtos. Analistas avaliam que essa crise de escassez de produtos só não foi percebida antes por causa dos estoques fartos nas distribuidoras.

Muitas empresas sentiram falta, inclusive, de produtos amplamente usados nas lavouras, como o herbicida glifosato. Em novembro, Rodrigo Gutierrez, presidente da Adama no Brasil, afirmou que já não tinha glifosato para vender – e isso que a empresa, israelense, é controlada pela ChemChina “Já não temos glifosato para vender faz cerca de três meses. O mercado inteiro não tem”, disse na época. Segundo Silvia Fagnani, diretora do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), houve queda de 50% na produção de glifosato na China.

Apesar dos pesares, a Adama registrou seu melhor faturamento no Brasil. Em 2017, sua receita no país foi de US$ 480 milhões, pouco abaixo dos US$ 502 milhões projetados inicialmente. “Essa diferença ocorreu porque não conseguimos lançar dois grandes produtos no ano passado”, disse. Para 2018, a previsão, segundo Gutierrez, é que o faturamento chegue a US$ 570 milhões.

Como era de se esperar, a escassez de produtos no Brasil foi mais sentida por empresas que não estavam com grandes estoques parados nos canais de distribuição. “O ano passado foi muito bom em vendas, mas teria sido espetacular se não fosse a falta de matéria-prima”, afirmou Marcelo Damus Abdo, vice-presidente da Ourofino Agrociência – empresa brasileira com foco em defensivos pós-patente, os genéricos.

De acordo com o executivo, a empresa deixou de efetivar vendas estimadas em R$ 115 milhões – R$ 85 milhões viriam de vendas cujos pedidos já haviam sido tirados. “Eu já tinha vendido esses produtos e tive de recuar. Fora o que eu deixei de vender”, afirmou Abdo.

A situação afetou os resultados da empresa em 2017. O lucro líquido da Ourofino, que registrou receita líquida de R$ 636 milhões, ficou em R$ 71 milhões, 7,8% menor que em 2016. De acordo com o vice-presidente da companhia, algumas matéria-primas subiram 50%, mas, na média, houve aumento de 30%.

Mesmo quem não enfrentou problemas com a falta de ingredientes sofreu com a situação, em virtude do aumento de preços. Foi o caso da australiana Nufarm, que teve de sacrificar margens para não perder vendas no Brasil. “Houve aumento de preços e isso pressionou as margens. A gente tentou repassar o aumento, mas, em geral, as margens ficaram mais pressionadas”, disse Marcos Gaio, presidente da empresa para a América Latina.

A Nufarm faturou no Brasil cerca de US$ 500 milhões em 2017, 6,4% mais que em 2016 e pouco mais de 20% das vendas globais da múlti.

A consultoria Kleffmann estima que 15% das vendas de defensivos do ano passado no país tenham ficado nos canais de distribuição. Fontes do segmento calculam que, no total, a indústria tenha vendido ao redor de US$ 9 bilhões no ano passado. No início de 2017, os estoques somavam US$ 2,4 bilhões.

Poucas empresas sentiram tanto os reflexos desses estoques elevados no Brasil em 2017 como a alemã Bayer . Sob essa influência, a receita líquida da alemã na área agrícola recuou 3,4% no ano passado, para € 9,6 bilhões. Levando-se em conta apenas o “portfólio ajustado”, que envolve só ativos que não foram vendidos para que a aquisição da americana Monsanto seja aprovada, a queda foi de 2,2%.

Na divulgação do balanço do ano passado, a empresa destacou que os estoques no Brasil estavam “inesperadamente elevados” e que, basicamente por causa disso, na América Latina as vendas recuaram 18% – o equivalente a US$ 600 milhões. Desconsiderando o desempenho no mercado brasileiro, as vendas ajustadas da Bayer teriam crescido 3% no ano passado.

Com menos intensidade, o volume elevado de estoques também pressionou os resultados de outra alemã: a Basf. Segundo o CEO global da companhia, Kurk Bock, foram sobretudo adversidades no Brasil que levaram à queda de € 54 milhões no lucro antes dos juros e tributos (Ebit) em relação a 2016.

Droga da Merck & Co deve mudar combate ao câncer de pulmão

David Crow – Valor Econômico: 

A imunoterapia deverá tornar-se o tratamento padrão para a grande maioria dospacientes com câncer de pulmão, depois de um teste clínico do laboratório farmacêutico Merck & Co., que se chama MSD no Brasil, ter mostrado que um de seus novos medicamentos adicionado à quimioterapia aumenta as chances de sobrevivência.

Diferentemente dos remédios tradicionais contra o câncer, a imunoterapia trabalha encorajando o sistema imunológico do corpo a atacar os tumores. É amplamente celebrada por oncologistas como um dos maiores avanços em décadas.

Alguns pacientes recém-diagnosticados com câncer de pulmão já recebem um novo tipo de tratamento imunológico conhecido como “inibidor de checkpoint” quando seus tumores têm altos níveis de uma proteína conhecida como PDL1. O tratamento padrão para a maioria, no entanto, ainda é a quimioterapia.

Analistas preveem que esse tipo de medicamento vai gerar vendas superiores a US$ 34 bilhões em 2022

Isso parece destinado a mudar depois da publicação de um grande teste clínico, já em sua última fase, divulgado ontem em Chicago, no encontro anual da Associação Americana de Pesquisa do Câncer.

O estudo mostrou que a combinação de quimioterapia com o inibidor de checkpoint da Merck aumentou de forma significativa o índice de sobrevivência dos pacientes com o tipo mais comum da doença, conhecido como câncer de células de pulmão não pequenas e não escamosas (NSCLC, na sigla em inglês).

Pacientes que receberam o inibidor de checkpoint Keytruda e também foram tratados com quimioterapia tiveram chance 51% menor de morrer durante o período do teste em comparação aos que fizeram apenas quimioterapia, segundo o estudo, feito com 616 participantes.

“Esses dados clínicos agora sugerem essa combinação como o novo padrão de assistência médica para o tratamento de primeira linha para esses […] pacientes”, disse a doutora Leena Gandhi, oncologista no NYU Langone Medical Center, que comandou o estudo.

O doutor Roger Perlmutter, cientista-chefe da Merck, disse que os resultados “inequívocos” excederam a expectativa da empresa. “Como tratamento de primeira linha, este é melhor do que qualquer outro que conheçamos”, acrescentou.

A combinação de tratamentos, contudo, ainda sujeitou os pacientes aos efeitos colaterais debilitantes e, algumas vezes, potencialmente letais, associados à quimioterapia.

As conclusões significam que, a partir de agora, a maioria dos pacientes com câncer de pulmão por tratar vai receber imunoterapia como tratamento padrão. A dúvida, então, seria decidir se também vão receber quimioterapia como segundo tratamento – ou se podem ser poupados totalmente de seu desgaste.

Os pacientes com níveis maiores de proteína PDL1 – que tendem a responder muito bem à imunoterapia – poderiam ser capazes de evitar a quimioterapia, especialmente quando são mais idosos ou estão fragilizados, segundo o doutor Perlmutter.

“Muito disso tem a ver com o estado de saúde do indivíduo”, acrescentou. “É uma decisão muito personalizada, mas o fato de que se veja uma diferença tão dramática quando há a combinação [de tratamentos] acho que vai fazer com que as pessoas fiquem ansiosas por usá-la.”

O recente teste consolida a posição da Merck como líder na corrida por lançar tratamentos imunológicos para pacientes com câncer de pulmão, cujo mercado é visto como sendo o mais lucrativo, em vista do grande número de afetados: 1,8 milhão de pessoas são diagnosticadas com NSCLC por ano no mundo, sendo mais de 200 mil nos Estados Unidos.

Os inibidores de checkpoint, que removem freios do sistema imunológico para que este possa combater o câncer, foram criados pela Bristol-Myers Squibb, AstraZeneca e vários outros laboratórios farmacêuticos.

Já foram aprovados para tratar vários tipos de câncer, incluindo os de pele, bexiga e rim. Analistas preveem que esse tipo de medicamento vai gerar vendas superiores a US$ 34 bilhões em seu pico, em 2022.

O teste da Merck com o medicamento também serve de incentivo à teoria de que a combinação entre imunoterapia e outros tratamentos pode aumentar o número de pacientes que reagem positivamente.

Um dado importante é que mesmo pacientes com baixos níveis de proteína PDL1 – que normalmente não reagem à imunoterapia – se beneficiaram da combinação de drogas. Entre esses pacientes, a chance de morte diminuiu 41% em comparação ao que haviam sido tratados apenas com quimioterapia.

A teoria da combinação de tratamentos havia sofrido um grande golpe nas últimas semanas, depois de um grande teste de um medicamento da Merck combinado a outro do grupo de biotecnologia Incyte não ter exibido bons resultados.

A Bristol-Myers Squibb também havia publicado um estudo mostrando que a combinação de duas de suas imunoterapias ampliou o tempo em que um subgrupo de pacientes com câncer de pulmão ficou sem pioras em sua doença.

Os pacientes cujo câncer teve muitas mutações genéticas e que tomaram os dois remédios da Bristol-Myers Squibb ficaram 7,2 meses sem que o câncer crescesse. Os que apenas foram tratados com quimioterapia ficaram 5,5 meses.

Não está claro, no entanto, se os oncologistas e os pacientes vão escolher a combinação da Bristol-Myers Squibb agora que a Merck conseguiu um impacto tão grande nos índices gerais de sobrevivência, ao combinar a imunoterapia e a quimioterapia.

Uma análise inicial do estudo da Bristol-Myers Squibb, ainda não concluído, indicou que o subgrupo de pacientes com um alto grau de mutação nos tumores teve chance 21% menor de morrer durante o teste do que os tratados apenas quimioterapia.

No teste da Merck, a redução das chances de morte, de 51%, levou em conta todos os pacientes com câncer de pulmão.

Rentabilidade das exportações cresce 3,2%, acima da desvalorização cambial

Marta Watanabe – Valor Econômico: 

No primeiro bimestre o real desvalorizou-se 2,4% frente ao dólar em relação a igual período do ano passado. Mesmo assim,a rentabilidade média dos exportadores avançou mais, em 3,2%. Contribuíram para a alta do índice as demais variáveis da rentabilidade: o preço de exportação, que subiu 1,3%, e o custo de produção, que ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,5% em igual período.

Na indústria de transformação, a margem de lucro do exportador avançou mais que a média, em 4,1%. Nesse setor, o custo de produção avançou um pouco mais que o total, em 0,8%, mas os preços de exportação ajudaram mais, com alta de 2,5%. Os dados são da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

Esse avanço pequeno no custo de produção reflete o recuo do índice de preços ao produtor, que caiu 2,02% no acumulado de 12 meses até fevereiro, diz André Mitidieri, economista da Funcex. Ele destaca que esse custo de produção praticamente estável representa uma mudança em relação aos anos anteriores, em que desvalorizações cambiais maiores foram em boa parte neutralizadas pelo aumento de custo. Em 2017 a elevação de custo foi de 2,3%. Em 2016, de 7,5%. Em 2015, de 8,2%, sempre em relação ao ano anterior. Para Mitidieri, a tendência é que o custo de produção se mantenha mais desacelerado ao menos no primeiro semestre deste ano.

O economista da Funcex destaca que na formação do custo de produção do total da exportação, os insumos nacionais caíram 0,5%, enquanto os salários e serviços aumentaram 0,5%, sempre no primeiro bimestre contra igual período de 2017. Os insumos importados subiram 8,8%, mas como a representatividade dos insumos domésticos é maior, no total o custo avançou apenas 0,5%.

Entre os grandes setores de atividade, a da indústria extrativa foi a que teve maior ganho de rentabilidade média nos dois primeiros meses do ano. O índice avançou 10,8% porque o preço médio de exportação subiu 6,8% e o custo de produção recuou 1,3%. O exportador na área de agricultura e pecuária foi o que amargou perda de margem de lucro no início do ano. A rentabilidade do setor, que inclui produção florestal e pesca, caiu 5%. O que mais pesou foi o preço médio de embarque, que recuou 6,8% enquanto o custo de produção cresceu 0,5%.

Dos 29 setores de atividade que a Funcex acompanha, em 23 houve avanço de rentabilidade em fevereiro contra igual mês do ano passado. A alta de preços puxou o índice do segmento de extração de petróleo e gás natural, com avanço de 31,9%. A margem do exportador de produtos têxteis subiu 9,9% enquanto a do de celulose e papel cresceu 26%. Os setores de máquinas e equipamentos e de metalurgia tiveram alta de 9,4% e 14,4%, respectivamente. No primeiro bimestre, a rentabilidade aumentou em 21 dos 29 segmentos.

Welber Barral, sócio da Barral M Jorge Consultores e ex-secretário de Comércio Exterior, lembra que no curto prazo é possível que haja pressão maior das importações no custo de produção. Com a retomada da economia, diz, aumentam as importações não somente de insumos como também de bens de capital, o que deve também reduzir o superávit comercial brasileiro. A maior compra de insumos externos, porém, é algo esperado com o aumento de produção industrial e a importação de bens de capital, que significa investimento, é positiva.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), também acredita que não deve haver pressão maior sobre custo de produção este ano. Como a recuperação econômica deve continuar lenta, não há perspectiva de pressão maior sobre os salários ou sobre preços.

Pelo comportamento mais recente, o câmbio pode ter uma desvalorização maior que a imaginada inicialmente. A ressalva é que fatores que hoje influenciam o câmbio, como o conflito comercial entre China e Estados Unidos, dependendo do desfecho, podem ter impacto nas demais variáveis da rentabilidade do exportador.

No campo internacional, esse atrito entre os americanos e chineses é uma grande preocupação. No cenário doméstico há ainda a incógnita sobre o resultado das eleições, que também podem mudar a tendência de câmbio e do que se espera de retomada econômica.

Anvisa reabre debate sobre novos tipos de cigarro

Murillo Camarotto – Valor Econômico: 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reabriu nesta semana as discussões sobre a possibilidade de regulamentação dos dispositivos eletrônicos para fumar. Um debate realizado anteontem na sede do órgão, em Brasília, contou com a participação de várias empresas interessadas em comercializar os aparelhos no Brasil, entre as quais a Philip Morris International, que aposta boa parte de seu futuro em um aquecedor de tabaco.

Diferentemente dos cigarros eletrônicos, que vaporizam uma solução líquida de nicotina, o aquecedor é abastecido com o próprio tabaco. A diferença é que o fumo é processado e manipulado para ser apenas aquecido, e não queimado. Pesquisas conduzidas pela Philip Morris mostram que, sem a combustão, o número de substâncias nocivas produzidas cai algo entre 90% e 95%.

Foi em defesa dessas pesquisas que a vice-presidente de comunicação científica da Philip Morris, a escocesa Moira Gilchrist, participou do debate na Anvisa. Em entrevista ao Valor, ela disse esperar que a agência não adie por muito tempo a definição sobre a regulamentação dos produtos de risco reduzido, categoria em que se enquadra o aquecedor.

“Esses produtos têm os fumantes como foco exclusivo, porque eles não são livres de riscos. Não miram ex-fumantes ou não-fumantes. Eles contêm nicotina, que é viciante, e pequenos níveis de substâncias químicas nocivas. No entanto, temos a comprovação científica de que usar esses produtos é muito melhor do que continuar fumando os cigarros tradicionais. Sabemos que o melhor para os fumantes é parar de fumar, mas sabemos também que muitos deles não vão fazer isso”, afirmou a executiva.

O entendimento da empresa é de que a política nacional de combate ao tabagismo é bem-sucedida, mas dá pouca ou nenhuma atenção às pessoas que continuam fumando e que não querem ou não conseguem abandonar o vício. Apesar da queda vertiginosa nas últimas décadas, o Brasil ainda tem entre 15 milhões e 21 milhões de fumantes.

“Achamos que é muito importante que essas pessoas tenham acesso a escolhas melhores. Queremos que seja um elemento a mais no portfólio do que a Anvisa está fazendo para ajudar os fumantes”, completou Moira.

A agência proibiu a oferta dos dispositivos eletrônicos em 2009, mas agora está disposta a retomar os debates. Gerente de registro e fiscalização de produtos fumígenos na Anvisa, Patricia Francisco Branco diz que as empresas têm permissão para registrar os produtos, mas que a liberação ainda depende de uma série de testes e análises técnicas.

Philip Morris tenta aprovar aquecedor de tabaco, opção para seu negócio diante da queda no número de fumantes

“Sabemos que essa indústria evoluiu nos últimos anos, mas ainda precisamos escutar a academia, os pesquisadores e a Fundação Osvaldo Cruz, por exemplo. Precisamos entender melhor se de fato existe essa não maleficência”, disse Patricia. Uma nova rodada de debates está programada para outubro deste ano.

Para a Philip Morris, a demora na definição acaba protegendo o mercado atual. “Ontem, no painel, eu disse para a Anvisa agir o quanto antes e não postergar, porque nós sabemos que ao adiar esse debate nós simplesmente estaremos mantendo o ‘status quo’ para esses milhões de fumantes”, disse Moira Gilchrist.

Enquanto o mercado brasileiro não se abre, a multinacional conta com a boa aceitação dos dispositivos em países como o Reino Unido, Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul e mantém pesados investimentos em produtos de risco reduzido. Na última década, a Philip Morris aplicou US$ 4,5 bilhões no desenvolvimento desse nicho de produto.

A meta no longo prazo é abandonar completamente a produção do cigarro tradicional, que segundo a executiva terá o mesmo destino das câmeras fotográficas analógicas. Ao fim deste ano, a empresa terá a capacidade de produzir 100 bilhões de “heatsticks”, nome em inglês do bastão de tabaco que é usado no aquecedor.

O bastão é parecido com um cigarro cortado ao meio. Ele é introduzido no aparelho, que contém uma lâmina de aquecimento. A temperatura chega, no máximo, aos 350º C, enquanto que para o início da combustão são necessários pelo menos 400º C. Cada bastão rende o mesmo que um cigarro: 6 minutos ou 14 baforadas, em média. Além de menos substâncias nocivas, o produto tem como apelo a ausência de odor, de cinzas e de fumaça.

No ano passado, a Philip Morris vendeu 36 bilhões de “heatsticks” no mundo, contra aproximadamente 900 bilhões de cigarros convencionais. Apesar da tendência de queda no número global de fumantes, pelo menos 1 bilhão de pessoas devem continuar consumindo tabaco até 2025, o que justifica a manutenção dos pesados investimentos.

Moira explica que a Philip Morris detém hoje uma fatia entre 16% e 17% do mercado global, e que a oferta de produtos de risco reduzido, como o aquecedor, podem ajudar a abocanhar clientes das concorrentes e, assim, manter o negócio sustentável em meio à queda no número de fumantes ao redor do mundo. No Brasil, a participação é de 20%.

Crescimento das exportações do Brasil deve desacelerar

Assis Moreira – Valor Econômico: 

O ritmo de crescimento das exportações e importações do Brasil deve diminuir neste ano e em 2019, em conformidade com o que pode acontecer com o comércio internacional.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) projeta alta menor nas exportações da América do Sul, onde o Brasil tem grande peso. As importações continuarão a aumentar, mas igualmente em ritmo menor neste ano e um pouco maior no ano que vem.

Em 2017, o Brasil foi um dos três países com maior crescimento das exportações. O país registrou alta de 17,5% em valor nas exportações comparado ao ano anterior, totalizando US$ 218 bilhões. Em volume, a alta das vendas brasileiras foi de 6,8%. Ou seja, o crescimento foi sobretudo em razão do preço maior dos produtos vendidos.

Somente a Rússia, que também saiu da recessão, teve aumento maior nas exportações, de 25,3%, e a África do Sul, de 18,4%.

No caso das importações, que caíram 19,8% em valor em 2016, houve um aumento de 9,7% em 2017, mas que ainda ficou abaixo da média mundial de 10,7%. As importações russas aumentaram 24,1%. Em volume, as importações brasileiras aumentaram 5,5%.

Apesar de ter mantido a mesma fatia de exportações e importações, no comércio global, o Brasil perdeu posições na classificação da OMC, em um indicativo de que outros países estão ganhando mais espaço nos mercados.

Nas exportações, o Brasil passou da 25ª para a 26ª posição, sendo superado pela Arábia Saudita, grande produtor e vendedor de petróleo. A fatia do Brasil nas exportações mundiais continua sendo de 1,2% do total. Economias menores, como da Polônia, exportam mais que o Brasil.

Igualmente do lado das importações, o Brasil perdeu uma posição, superado pela pouco expressiva República Checa, e caiu para a 29ª posição, com a mesma fatia de 0,9% do total global.

Fiesp quer que bloco adote agenda de convergência de regras

Marta Watanabe – Valor Econômico: 

Os riscos de uma guerra comercial entre Estados Unidos e China tornam mais urgente a busca por ganho de escala no comércio dentro do Mercado Comum do Sul (Mercosul). A ideia é aproveitar um momento conjuntural propício aos países membros, principalmente do Brasil e da Argentina, para colocar em prática uma agenda de convergência regulatória, defende a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para Thomaz Zanotto, diretor de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp, algumas áreas do governo brasileiro ainda apontam uma redução geral de tarifas como forma de propiciar a integração comercial. Mas atualmente, avalia, as tarifas são somente um dos pontos de negociação. Hoje, diz, as barreiras não tarifárias são determinantes para as relações comerciais e por isso a integração regional demanda uma harmonização de regras de conformidade no comércio intrabloco.

A entidade deve encaminhar documento com proposta nesse sentido via Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que é o ponto focal do Brasil na coordenação das comissões técnicas dentro do subgrupo de trabalho do bloco, responsável pelos regulamentos técnicos e avaliação da conformidade. Além de criar uma agenda, o documento propõe o aprimoramento de estruturas institucionais para convergência de regras e processos dentro do bloco, incluindo mais transparência e abertura à participação do setor privado.

Segundo dados da proposta, a atividade regulatória do subgrupo nº 3 perdeu intensidade ao longo do tempo e encontra-se atualmente estagnada. De 1991 a 2000, diz o documento, período de constituição e fortalecimento do Mercosul, houve um pico da produção normativa do bloco em questões regulatórias, com média anual foi de 15 regulamentos novos e 6,6 revisões. Desde 2011, porém, diz a proposta, a média de regulamentos originais caiu a 0,3 ao ano e as revisões, a 1,2. O documento aponta também que a atividade regulatória é desigual. A área de alimentos, por exemplo, responde por cerca de 65% dos regulamentos originais enquanto a indústria automotiva participou com 13%.

Um dos gargalos identificados na convergência é a dificuldade de se obter consenso entre todos os países na adoção de regulamentos técnicos, o que, apesar de legítimo, cria incentivos para a escolha seletiva de temas e produtos a serem regulamentados, diz Zanotto. Atualmente o grupo de trabalho não busca só o alinhamento em relação aos níveis de segurança e proteção das sociedades, mas também a convergência sobre as especificações técnicas.

A proposta, diz Zanotto, é que as comissões técnicas se concentrem na definição de “requisitos técnicos essenciais”, o que tornaria a negociação da regulação mais ágil. “Se precisarmos concordar 100% em tudo não alcançaremos nada.”

Vice-ministro argentino defende maior abertura no Mercosul

Francisco Góes – Valor Econômico: 

O Mercosul tem que perseguir maior abertura comercial, movimento que passa pela redução de tarifas na indústria. “O Mercosul é importante, mas tem que facilitar que nos integremos mais ao mundo”, disse ao Valor o vice-ministro da Fazenda da Argentina, Sebastián Galiani. Ele afirmou que a tarifa externa comum é alta e defendeu que o bloco precisa fazer mais acordos comerciais. Galiani e o ministro da Fazenda da Argentina, Nicolás Dujovne, participam hoje, no Rio, de evento na Fundação Getúlio Vargas (FGV) que discutirá Mercosul e comércio.

“A Argentina acredita que os acordos comerciais são bons e é preciso olhá-lhos em seu conjunto e não por áreas ou setores”, afirmou, referindo-se ao acordo Mercosul-União Europeia (UE), que está em fase adiantada de negociação. Professor licenciado da Universidade de Maryland (EUA), Galiani disse que acordos como o que está sendo negociado entre Mercosul e UE preveem prazos de abertura gradual para que os diferentes setores se adequem a uma maior competitividade externa. “Se não pensarmos dessa forma, protegemos algum setor, mas desprotegemos os demais.”

Na visão de Galiani, a Argentina, ou qualquer país de menor relevância no comércio internacional, precisa de “escala” para ser mais eficiente. “Os países pequenos precisam se integrar e comercializar com o mundo, vendendo aquilo no qual são eficientes e comprando produtos nos quais não têm eficiencia.” Para ele, a guerra comercial entre Estados Unidos e China, dois dos principais parceiros comerciais da Argentina, deve ter efeitos limitados sobre o país, mas advertiu: “O que preocupa é que se gere um clima em que não se siga avançando em um mundo mais integrado.”

Galiani falou ao Valor na sexta-feira, depois de ter feito uma apresentação sobre a perspectiva econômica da Argentina no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Galiani mostrou-se otimista com a relação comercial entre Argentina e Brasil, apesar do forte superávit brasileiro no ano passado, da ordem de US$ 8 bilhões. Na visão dele, os resultados de balança comercial bilateral refletem ciclos econômicos de cada país. Ele salientou que 2017 foi um ano de recuperação mais forte na Argentina do que no Brasil.

“Nesse cenário, é lógico que o país que cresce mais importe mais. Se o Brasil crescer 3% este ano, esse processo pode se reverter. Não temos essa visão mercantilista do comércio. Temos que buscar uma integração maior ao mundo como Mercosul e não só olhar o comércio bilateral”, disse Galiani.

O déficit com a Argentina na relação com o Brasil foi resultado, em grande medida, das exportações brasileiras do setor automotivo. Embora exista regra estabelecida no Mercosul, segundo a qual o Brasil poderia exportar o equivalente a US$ 1,5 no setor para cada US$ 1 importado, houve montadoras que ultrapassaram esse limite. Galiani disse que essa relação precisa ser vista em perspectiva de longo prazo, e previu que o déficit no setor automotivo da Argentina com o Brasil deve ser revertido.

O que aconteceu, segundo ele, foi que a Argentina se especializou na produção e exportação de picapes para a América Latina e depois o país não investiu em novos modelos para exportação, o que já mudou. “O ano passado foi de investimento pelas montadoras, o que se traduziu em 2018 em exportações para o Brasil.”

Galiani traçou um quadro otimista. Disse que a economia argentina cresceu 2,9% em 2017, deve crescer algo como 3% em 2018 e para 2019 espera-se expansão acima de 4%. “É um processo que vai se acelerando e não teremos em 2019 a seca que nos afeta este ano, o que vai potencializar o crescimento”, previu.

O vice-ministro destacou ainda o crescimento do investimento -20% no quarto trimestre de 2017 em relação a igual período de 2016. Segundo ele, há maior confiança dos investidores na Argentina. Ele salientou a queda da inflação, cuja meta é de 15% para este ano, e a redução do déficit primário, para 3,2% do PIB em 2018.

Retomada de conversações com o Mercosul deve estimular comércio

Adriana Carvalho – Valor Econômico: 

A retomada de negociações do Mercosul com Países Árabes deverá estimular o aumento do comércio entre as duas regiões, segundo avaliação de Santiago Mourão, subsecretário de cooperação internacional do Itamaraty. “Em dezembro entrou em vigor o acordo de livre comércio com o Egito e foi aprovada na comissão de relações exteriores da Câmara dos Deputados o acordo com a Palestina”, cita Mourão, acrescentando que estão avançadas as negociações de acordos com outros países árabes.

De acordo com Mourão, o Brasil deve promover ainda no primeiro semestre uma reunião das embaixadas brasileiras no Oriente Médio e norte da África com representantes de setores comerciais. “O objetivo será apresentar o Brasil de forma coordenada e estruturada e ampliar as possibilidades de investimento e comércio”, diz.

O acordo entre Mercosul e Egito prevê a concessão de benefícios tarifários progressivos ao longo de dez anos para 9.800 produtos. O Mercosul ofereceu acesso imediato a 26% dos itens ofertados e ampliação da lista em 6% em quatro anos, mais 31% em oito anos e outros 31% em dez anos. Já o Egito ofereceu acesso imediato a 26% dos itens tarifários o que compreende 1.708 produtos. “O acordo levou sete anos para ser finalizado e é difícil prever seu impacto sobre as exportações brasileiras para o Egito, mesmo porque a lista inicial é mais favorável a eles que aos países do Mercosul”, diz Michel Alaby, diretor geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

Segundo Alaby, as tratativas do Mercosul com Tunísia e Líbano para acordos semelhantes estão avançadas. “Os dois lados já estão na fase de avaliação da lista de produtos”, afirma. No caso dos acordos do Mercosul com Jordânia e Marrocos, diz, as tratativas ainda são embrionárias. Já o acordo Mercosul e Palestina, ainda depende de aprovação dos congressos dos demais países do bloco.

Apesar de considerar os acordos multilaterais importantes, Alaby acredita que o Brasil deveria avançar em seus próprios acordos bilaterais parar reduzir a bitributação de impostos sobre investidores estrangeiros. A proposta para evitar essa bitributação, segundo ele, é assinar acordos que permitam compensar lá o que já foi pago aqui.