EUA pedem que Brasil apresse registro de medicamentos

Juliano Basile – Valor Econômico: 

O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) cobrou maior celeridade nos procedimentos para registro de patentes de medicamentos no Brasil num relatório em que mantém o país em lista negativa sobre proteção de propriedade intelectual. Em documento concluído recentemente, que o Valor teve acesso, a revisão de pedidos de patentes de remédios pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi apontada como uma preocupação pelo USTR sob a alegação de que haveria “falta de transparência” e atrasos excessivos de registros para novos remédios num processo que dificultaria o exame desses pedidos pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

O Brasil foi colocado ao lado da Suíça, do México, do Canadá e da Bolívia entre os países que ficam numa “lista de observação” na última edição do “Special 301” ­ relatório que trata dos avanços e declínios dos países do mundo na área de proteção industrial. O USTR até reconheceu que houve avanços nesse campo no Brasil no último ano e qualificou como um “passo adiante” o acordo feito com os Estados Unidos para acelerar os exames dos registros de inovações nos setores de óleo e gás. Já no caso da Anvisa, os americanos esperam que haja uma aceleração dos procedimentos de patentes a partir de uma nova sistemática entre a Anvisa e o INPI.

“Os Estados Unidos esperam ansiosamente a revisão do acordo e pretendem monitorar o impacto do novo papel da Anvisa em sua implementação”, informou o relatório, referindo-­se ao anúncio de novos procedimentos entre a agência e o instituto, que foi feito em abril passado.

O USTR acrescentou ainda que, embora a legislação brasileira garanta proteção contra o uso comercial desleal de testes não revelados e de outras informações geradas para obter a aprovação da comercialização para produtos químicos agrícolas e veterinários, ela não prevê proteção semelhante para os produtos farmacêuticos.

Os Estados Unidos também manifestaram preocupação com eventuais ações do INPI para invalidar ou encurtar o prazo de duração de um número significativo de patentes para produtos farmacêuticos e agrícolas. “Uma forte proteção de propriedade intelectual, tanto doméstica quanto para os detentores de direitos internacionais, garante um incentivo crucial ao mercado para investir na inovação futura no Brasil e os Estados Unidos esperam ansiosamente para se engajar de maneira construtiva com o Brasil na confecção de um ambiente fortalecido e para endereçar as preocupações existentes”, completou o relatório.

No campo do combate à pirataria, o governo dos Estados Unidos reconheceu os esforços para proteção de direitos de propriedade intelectual nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, mas, mesmo assim, manteve o país na lista negativa de nações que descumprem regras de direito autoral. De maneira geral, prevalece a visão de que o Brasil tem uma forte pirataria “on­line” e problemas na tríplice fronteira com o Paraguai e a Argentina. O USTR também reclamou do enfraquecimento do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNPC), órgão do Ministério da Justiça, que, segundo o relatório, teve uma atuação, em 2016, que “pareceu não operacional”.

 

Farmacêutica Biotoscana planeja IPO de R$ 850 milhões

Carolina Mandl e Rodrigo Rocha – Valor Econômico: 

Controlado pela gestora de fundos de private equity Advent International, a fabricante e distribuidora de medicamentos de alta complexidade Biotoscana deu a largada ontem ao processo de abertura de capital na bolsa de valores. A companhia pretende listar recibos de ações (BDRs) na B3 (ex­-BM&FBovespa).

A transação deve movimentar cerca de R$ 850 milhões, segundo o Valor apurou com duas fontes a par da transação. Procuradas pela reportagem, a Biotoscana e a Advent não comentaram o assunto.

Cerca de 60% desses recursos vão para os acionistas da Biotoscana, vendedores de uma parcela das ações que detém. Além da Advent, a empresa americana de investimentos na área de saúde Essex Woodlands, além de Robert Friedlander e Roberto Luiz Guttman, ambos da United Medical, uma das companhias controladas da Biostocana, vão vender papéis.

A companhia pretende utilizar o restante dos recursos da oferta na redução do endividamento com o Bancolombia e no resgate de certificados de ações preferenciais, emitidos em 2015.

A oferta tem como coordenadores os bancos BTG Pactual, Itaú BBA e J.P. Morgan.

A companhia, que tem operações em dez países da América Latina e sede fiscal em Luxemburgo, começou a ser criada pela Advent International em 2011, quando a gestora comprou uma fabricante de remédios de alta complexidade na Colômbia, chamada Biotoscana. Depois disso, outras duas aquisições foram feitas: em 2014, a empresa comprou a fabricante brasileira de medicamentos United Medical, e, em 2015, a distribuidora de remédios argentina LKM.

O modelo de negócios da Biotoscana é voltado para áreas terapêuticas especiais, que abrangem doenças infecciosas, raras, oncologia e oncohematologia, tratamentos especiais, imunologia e inflamações. A venda é voltada a canais privados, como hospitais e clínicas.

Altamente especializada, a Biotoscana está em um nicho de mercado bastante diferente daquele criado por outra farmacêutica também listada na bolsa de valores, a Hypermarcas, que é voltada para remédios sem prescrição médica, como Benegrip, Epocler e Atroveran.

A Biotoscana opera duas unidades de fabricação na Argentina, em Buenos Aires, com outra em construção e, detém, opera ou terceiriza centros de distribuição em todos os países onde tem atua. A sede administrativa do grupo fica em Montevidéu.

Até o fim do ano passado, o portfólio da farmacêutica na América Latina contava com 200 produtos. No Brasil, eram sete medicamentos registrados.

Em 2016, a companhia registrou receita de R$ 794,5 milhões, alta de 42% ante 2015, e lucro líquido de R$ 47,2 milhões, revertendo perda de R$ 12,1 milhões. Principal mercado, o Brasil foi responsável por 43% da receita. É aqui que está a United Health, empresa farmacêutica comprada pela Biotoscana em 2014.

Ainda de acordo com o prospecto preliminar divulgado ontem, os recibos de ações serão lastreados em papéis negociados no segmento Euro MTF da bolsa de Luxemburgo. (Colaborou Stella Fontes)

 

EMS assume produção da Medley no DF

Stella Fontes – Valor Econômico:

Maior farmacêutica do país segundo ranking da IMS Health, a EMS assumiu ontem a operação da fábrica de Brasília (DF) da Medley, fabricante de genéricos e similares do laboratório francês Sanofi. Detalhes do acordo, tratado como de locação e não de venda, bem como o valor da operação, não foram revelados. Mas é público que o contrato de longo prazo envolve a compra dos equipamentos produtivos e a transferência de 60 colaboradores da Medley, que deixará de ter produção no local porém manterá as atividades comerciais, para a EMS.

A unidade é voltada à produção de hormônios e antibióticos genéricos e similares, que agora serão produzidos para a Medley por outro fornecedor. A EMS, por sua vez, complementará seu portfólio de medicamentos e se aproximará ainda mais de ter plataforma de produção de 100% das formas e segmentos farmacêuticos ­ a empresa ainda não produz injetáveis, que estão contemplados no plano de expansão que deve ser concluído nos próximos anos.

Desde 2013, a EMS tem em marcha um plano de expansão que supera R$ 600 milhões. Parte dos recursos já foi aplicada na construção de novas fábricas em Manaus (AM) e Jaguariúna (SP) e na atualização tecnológica do complexo industrial de Hortolândia (SP), incluindo uma nova fábrica de embalagens de medicamentos sólidos no local.

Pioneira em genéricos no país, a EMS faz parte do grupo NC, da família Sanchez, com receita de R$ 2,9 bi no ano passado

O acordo com a Medley faz parte desse pacote de investimentos, que também previa a construção de uma fábrica em Brasília. A unidade que é base do acordo foi anunciada pela Sanofi em 2009, mesmo ano em que a Medley foi comprada pelos franceses, e foi inaugurada em 2014. A intenção da EMS é investir na operação para alcançar produção anual de 80 milhões de unidades, o que elevará para quase 200 o número de funcionários diretos em dois anos.

Segundo o diretor de Desenvolvimento Estratégico da EMS, Ricardo Marques, o plano de desinvestimentos da Medley representou uma oportunidade para a empresa. “Foi um ganha-­ganha”, diz. Com a nova unidade, a farmacêutica chega perto de 1 bilhão de unidades (caixas de medicamentos) por ano de capacidade instalada, um aumento de mais de 80% em relação ao tamanho da farmacêutica antes do plano expansão.

A EMS faz parte do grupo NC, controlado pela família Sanchez, e registrou receita de R$ 2,9 bilhões no ano passado, alta de 26%. Pioneira na fabricação de genéricos no país, gera atualmente 35% de seu faturamento nesse mercado. Em nota, o vice-­presidente institucional da farmacêutica, Marcus Sanchez, diz que, com a fábrica de Brasília, o complexo industrial “está praticamente pronto para suportar o crescimento da empresa nos próximos anos”. Para 2017, a previsão é de crescimento de 20% do faturamento.

De acordo com Carlos Aguiar, diretor responsável pela Medley, o encerramento da operação produtiva em Brasília está alinhada à estratégia de buscar sustentabilidade do negócio de genéricos no longo prazo. Nesse sentido, a decisão foi concentrar a produção desses medicamentos em Suzano (SP) e em Campinas (SP), onde funcionam os dois maiores parques industriais da Sanofi no Brasil.

Ao mesmo tempo, a Medley mantém firme a aposta em medicamentos similares como motor de crescimento nos próximos anos. Em 2016, conta Aguiar, foram sete lançamentos e outros 2 estão programados para este ano.

No ano passado, circularam informações na indústria farmacêutica de que a Sanofi estaria disposta a vender a Medley e deixar o mercado brasileiro de genéricos. À época, o grupo negou a intenção de venda e hoje, em nota, reiterou que a Medley é parte da estratégia de longo prazo no país. “As negociações envolveram exclusivamente a fábrica de Brasília, e não têm nenhum impacto nas demais unidades da Medley no Brasil”, diz a nota.

O segmento de genéricos no país é bem concorrido, o que eleva o nível de descontos concedidos ao consumidor final e reduz a margem da indústria. Ao mesmo tempo, tem puxado o crescimento das vendas de medicamentos no país. Em 12 meses até janeiro, conforme a Pró-Genéricos, a alta nas vendas em unidades (1,14 bilhão) foi de 12,87%, contra 5,05% de expansão do mercado farmacêutico no geral. Há grande expectativa de consolidação no setor, que desde meados do ano passado aguarda a venda do Teuto, laboratório que atua nesse segmento e tem como acionistas a família Melo (60%) e a Pfizer (40%).

Bayer Pharma deve crescer no país, mas vê ano mais difícil

Stella Fontes – Valor Econômico:

Dona do medicamento mais vendido no Brasil no ranking por receitas, o anticoagulante oral Xarelto (rivaroxabana), a Bayer Pharmaceuticals projeta crescimento de “dois dígitos baixos” nas vendas no país em 2017, ano que tende a ser mais difícil do que foi 2016, de acordo com o gerente-­geral da operação local, Rubens Weg.

Dois lançamentos na área de oncologia e a manutenção do forte ritmo de crescimento de outros produtos considerados estratégicos, porém, prometem mitigar os efeitos negativos da crise econômica nas vendas de medicamentos e do reajuste anual menor autorizado pelo governo federal, de no máximo 4,76%.

De acordo com Weg, a manutenção do desemprego em níveis elevados é um dos principais desafios à indústria farmacêutica, uma vez que retira usuários dos planos de saúde e leva pacientes a buscar tratamentos mais baratos. “Há um aspecto positivo, que é não abrir mão do tratamento”, pondera o executivo. “Apesar da relativa estabilidade econômica, ainda é preciso gerar emprego”, acrescenta.

No ano passado, as vendas da Bayer Pharma Brasil cresceram 14% em receita, beneficiadas pelo reajuste autorizado pelo governo de até 12,5% e pelo desempenho de produtos inovadores como o Eylia (aflibercepte) e o próprio Xarelto, que segundo o ranking da consultoria IMS Health consolidou-­se em janeiro como campeão nacional de vendas, com participação de mercado de 56% em seu segmento. O anticoncepcional Mirena (levonorgestrel), cujas vendas subiram 74%, também contribuiu para a alta nas receitas.

Em 2016, as vendas subiram 14% em receita, beneficiadas pelo reajuste autorizado pelo governo de até 12,5%

Na seara de lançamentos de 2017, a Bayer trouxe ao país em janeiro o Xofigo (radio223), um radiofármaco produzido na Noruega e com validade de 28 dias. Ainda na área de oncologia, o Stivarga (regorafenibe) é usado no tratamento de câncer colo­retal e tumores do estroma gastrointestinal. No primeiro trimestre, as vendas da Bayer Pharma no mundo totalizaram € 4,3 bilhões, com alta de 9,6% na comparação anual. Na América Latina, que teve o maior índice de crescimento entre os mercados atendidos pela multinacional, as vendas somaram € 272 milhões, avanço de 19,3%.

“A região é uma das que mais tem contribuído para o crescimento orgânico”, diz o vice­presidente da Bayer Pharmaceuticals para a América Latina, Eduardo Magallanes. E o Brasil, com 40% de participação nas receitas, é o motor dessa expansão, acrescenta. No ano passado, o faturamento na região foi de € 1 bilhão.

Segundo o executivo, cerca de metade das receitas ainda é proveniente de produtos maduros, mas os lançamentos globais na área de oncologia tendem a desempenhar o papel de crescimento da receita nos próximos anos. “Há marcas importantes, como Aspirina, que não têm mais peso no faturamento, mas são emblemáticas”, conta.

A única fábrica de medicamentos sólidos da multinacional na América Latina fica no Brasil, na capital paulista, com exportação para outros países da região e da Ásia. Segundo Magallanes, para 2017, a expectativa é de crescimento de “dois dígitos altos” nas vendas no mercado latino­americano, que inclui o México.

Questionado sobre os efeitos da crise econômica do Brasil na operação latino­americana, o executivo pondera que há crises constantes na região. “O que acontece no Brasil em âmbito político e econômico acontece no restante da Ámérica Latina. Isso nos obriga a ter uma comunicação mais direta com o governo”, afirma Magallanes.

A nova aposta farmacêutica de Omilton Visconde Junior

Stella Fontes – Valor Econômico:

Filho do fundador do laboratório Biosintética, Omilton Visconde Junior é conhecido na indústria farmacêutica pela habilidade em fazer dinheiro montando ou comprando empresas que, depois de ganharem musculatura, são vendidas a múltiplos elevados. Aos 54 anos de idade, ele volta com a mesma estratégia na criação da sua nova empresa, a Cellera Farma, que nasce em sociedade com o fundo Victoria Capital Partners e plano de investimento de R$ 400 milhões em quatro anos.

Em cinco ou seis anos, quando o faturamento anual estiver em torno de R$ 500 milhões, o que colocaria a Cellera no grupo das farmacêuticas de médio porte, o objetivo é vender a operação para um laboratório americano ou europeu que queira entrar no mercado brasileiro. Ou então dar saída ao fundo de private equity, que neste momento tem participação de 85%, por meio de uma oferta pública inicial de ações (IPO).

Foi assim com a Biosintética, vendida por Visconde Junior em 2005 para o Aché, por R$ 600 milhões, e com a Segmenta, que se tornou a maior fabricante de soros hospitalares do país sob seu comando e acabou nas mãos da Eurofarma em 2010, por R$ 450 milhões. O empresário conta que, após a venda da Biosintética, ficou sujeito a uma quarentena na indústria que não abrangeu o mercado hospitalar ­e o Aché não havia levado no pacote uma fábrica de soluções parenterais, usadas em hospitais, da qual nasceu a Segmenta.

De lá para cá, Visconde Junior participou de outros negócios. Em 2011, vendeu a Prev Saúde, de gestão de benefícios de medicamentos, para a Orizon (que hoje tem como acionistas Cielo, Bradesco Seguros e Cassi). No ano seguinte, juntou­-se ao criador da Netshoes, Marcio Kumruiam, na Netfarma, maior farmácia online do país, da qual é dono de 70% ­ Kumruiam vendeu sua participação em 2014.

Além de manter essa posição, o empresário constituiu a Mip Brasil Farma, que atua no mercado de medicamentos isentos de prescrição e, agora, será incorporada na Cellera Farma. O comando da nova farmacêutica caberá a Nelson Libbos, executivo com 45 anos de experiência no setor e passagem pela presidência de laboratórios como Hoescht, Aventis Farma, Farmasa e Teva Farmacêutica. Parceiro de Visconde Jr. em outros negócios e ocasiões, Libbos é sócio da Netfarma e atua como consultor na indústria.

É Libbos quem conta como nasceu a Cellera Farma e qual é a estratégia de longo prazo. “Já temos uma boa plataforma de produção e, agora, estamos contratando o time no mercado”, diz, acrescentando que toda a diretoria já está formada. Sobre a plataforma produtiva, há pouco mais de um mês, a Victoria Capital Partners e Visconde Junior concluíram a compra da fábrica de genéricos e similares da canadense Valeant em Indaiatuba (SP), por valor não revelado.

A Victoria Capital Partners e Visconde Jr compraram a fábrica de genéricos e similares da Valeant em Indaiatuba A aquisição integra o pacote de investimentos de R$ 400 milhões em quatro anos, que inclui pelo menos mais uma compra, da Mip Brasil Farma, pertencente a Visconde Junior. Com a incorporação da Mip na Cellera, por valor ainda não definido, a participação de 15% de Visconde Junior na Cellera subirá.

A compra da fábrica já foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e envolveu ainda a linha de produtos Caladryl, adquirida pela Valeant da Johnson & Johnson em 2012. De acordo com Libbos, a tradicional marca de produtos pós­sol será reformulada e a linha crescerá, voltada também a proteção solar.

Além disso, a Cellera nasce com um contrato de produção para a farmacêutica canadense, em regime de terceirização, por sete anos. Hoje, a taxa de ocupação da capacidade instalada na fábrica é de apenas 20%, o que dá ampla margem de crescimento de portfólio. Genéricos e similares não estão no centro da estratégia da empresa, que pretende lançar um probiótico no próximo ano e já negocia licenças de marca e formulações com laboratórios estrangeiros que ainda não atuam no país. Já as áreas de dermatologia, neurociência e OTC (medicamentos isentos de prescrição) estão no radar.

Segundo Libbos, o contato com a Valeant em torno do Instituto Terapêutico Delta, razão social da operação de Indaiatuba, começou há pouco mais de dois anos, quando os canadenses recusaram uma primeira proposta apresenta conjuntamente pelo fundo e por Visconde Junior.

Há cerca de um ano, a própria Valeant procurou os potenciais compradores e, após nova due diligence (auditoria nas informações financeiras, operacionais e contábeis), o negócio foi fechado. Com dívidas de aproximadamente US$ 30 bilhões, a Valeant colocou à venda uma série de ativos em mercados considerados não estratégicos e, em teleconferência em fevereiro, o executivo­-chefe Joe Papa citou desinvestimentos em curso no Brasil, Indonésia e Vietnã.

A Victoria Capital Partners, por sua vez, tem em seu portfólio de investimentos, entre outros, o grupo argentino Los Grobo, a brasileira Elemidia, a rede chilena de academias Energy e é controlador da Oncoclínicas, maior rede privada de centros de oncologia da América Latina, cujo faturamento deve chegar perto de R$ 1 bilhão neste ano.

“A Cellera será uma grande plataforma de negócios em sua área”, diz Visconde Junior. Complementa o portfólio de investimento do empresário uma participação de 30% na rede de clínicas Doutor Agora.

Brasileira Farmabase chega à Argentina

Luiz Henrique Mendes – Valor Econômico:

Em uma mercado cada vez mais dominado por multinacionais estrangeiras, a indústria veterinária paulista Farmabase quer fugir do script. Em vez de ser incorporada por algum player interessado em avançar no Brasil, país­-chave quando o assunto é a cadeia produtiva de carnes, a companhia mira o exterior.

O movimento, inédito para uma empresa de capital nacional, começou a tomar forma em março, com a compra da indústria veterinária argentina Cevasa. Com isso, a Farmabase se tornou a primeira indústria brasileira a ter fábrica fora do país.

Ao Valor, os irmãos Alexandre e Guilherme Machado, sócios da Farmabase, ressaltaram que a trajetória rumo ao exterior começou justamente com a recusa em ser vendida.

Em 2009, a companhia foi alvo de uma investida da americana Alpharma (que hoje faz parte da Zoetis). Rejeitada, a oferta resultou no ano seguinte em uma alteração societária. Dos quatro sócios fundadores, restou apenas Paulo Machado, que hoje preside a Farmabase. “Alguns sócios queriam vender. Meu pai ficou e comprou a participação dos sócios”, disse Guilherme.

Sem os antigos sócios, Paulo Machado recrutou os dois filhos para a empresa. Veterinário, Alexandre trabalhava na antiga Sadia. Administrador de empresas com passagens pelos fundos de investimentos GP e Carlyle, Guilherme se juntaria à Farmabase em 2012, após concluir MBA nos EUA. Juntos, os irmãos lideram as operações da empresa no Brasil e, desde março, também no exterior.

“De uns tempos para cá, temos percebido que crescer no mercado brasileiro virou um desafio, porque já conseguimos uma posição muito relevante aqui”, afirmou Guilherme, que é vice-­presidente financeiro da Farmabase. Atualmente, a empresa é a sexta maior do segmento de saúde animal no Brasil, onde faturou cerca de R$ 350 milhões em 2016. As multinacionais MSD, da americana Merck, e a também americana Zoetis lideram esse mercado no país.

Com atuação concentrada na fabricação de produtos para aves e suínos ­ sobretudo medicamentos que são misturados às rações ­, a Farmabase disputa a liderança nas vendas nas duas áreas com a americana Elanco, braço da farmacêutica Eli Lilly. Em suínos, a companhia detém fatia de 27% do mercado brasileiro, segundo Alexandre Machado, que é vice­-presidente de operações.

Se já se vê consolidada nas áreas de aves e suínos, a Farmabase admite não ter condições de competir com as rivais nos segmentos de bovinos e animais de companhia (cães e gatos, principalmente). Tanto é assim que, em 2010, a empresa decidiu descontinuar uma linha de produtos de bovinos “que não vinha dando certo”, conforme Guilherme Machado. Na mesma época, vendeu a linha de itens para animais de companhia. “Focamos no que sabemos fazer”, disse ele.

Carro­chefe da indústria veterinária no Brasil, o mercado de bovinos demanda grandes investimentos, dentre os quais na produção de vacinas contra febre aftosa. No segmento de animais de companhia, as múltis têm uma vantagem de atuar em países onde os gastos com cães e gatos são bem maiores do que no Brasil, o que lhes dá escala.

Nesse cenário, avançar no exterior foi a alternativa escolhida. Recém­-adquirida pela Farmabase, a argentina Cevasa é encarada como a porta de entrada da brasileira na Ásia. Com uma fábrica em Pilar, na Província de Buenos Aires, a Cevasa obtém 50% de seu faturamento fora da Argentina ­ em 2016, a receita total da empresa foi de US$ 12 milhões. Na Farmabase, as exportações representaram somente 1% em 2016.

A avaliação do vice­-presidente de operações da Farmabase é que a rede de distribuição da Cevasa ajudará a impulsionar as vendas externas da empresa brasileira, além de dar “know­how” para os registros de seus medicamentos fora do Brasil. “As vendas da Cevasa estão espalhadas por 50 países”, disse Alexandre, destacando o potencial de crescimento dos embarques para Filipinas, Tailândia e Indonésia.

“Na Tailândia, estamos engatinhando. Estamos conhecendo os distribuidores”, afirmou Guilherme. Segundo o sócio da Farmabase, o registro de produtos na Tailândia demora, em média, três anos.

Marketing e inovação puxam ganho da Hypermarcas entre janeiro e março

Stella Fontes – Valor Econômico:

Esforços de marketing e aposta crescente em inovação puxaram o crescimento da Hypermarcas no primeiro trimestre, de acordo com o presidente da companhia, Claudio Bergamo. De janeiro a março, a receita líquida da farmacêutica, uma das maiores do país, cresceu 12,2%, para R$ 927,9 milhões, enquanto o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) das operações continuadas subiu 12,6%, a R$ 349,4 milhões.

Ao mesmo tempo, as despesas com marketing subiram 21,2%, com novas equipes de propagandistas e aumento dos gastos com campanhas publicitárias. “Não estamos investindo em preço. O crescimento da companhia vem principalmente dos esforços de marketing e inovação”, disse Bergamo, acrescentando que o índice de participação de produtos inovadores nas vendas foi recorde nos três primeiros meses do ano.

Os desembolsos com inovação tendem a mostrar ligeiro aumento neste ano, à medida que entre em operação o novo centro de desenvolvimento da Hypermarcas, com início previsto para este trimestre.

O presidente da companhia afirmou ainda que nos mercados de prescrição e OTCs (isentos de prescrição), que representam mais de 70% do negócio, o crescimento da companhia chegou a 15,9%, contra 14,9% do mercado. “São mercados onde basicamente existe zero de redução de preço. Isso é realmente advindo de investimento em marketing, inovação e execução”, reiterou. O negócio de genéricos também caminhou bem no primeiro trimestre, com alta de 11,6% em volume e participação de mercado recorde de 15,7%.

Sob outra ótica, dos 12,2% de crescimento da receita líquida, 7,9 pontos percentuais corresponderam a preço e 4,3 pontos, a volume ­ o sucesso em lançamentos também está refletido nesse desempenho, afirmou Bergamo, em teleconferência com analistas. Já a margem bruta foi de 74,7% no trimestre, com expansão de 1,4 ponto percentual, diante do “melhor mix de vendas”.

Questionado por um analista sobre o efeito que o aumento de preços autorizado pelo governo, bem menor do que o de 2016, pode ter sobre as receitas, o executivo disse que é prematuro fazer uma projeção. “A partir do segundo trimestre, passa a haver uma base maior de comparação e o efeito nominal de aumento de preço tende a ser menor, mas não quer dizer que em termos reais isso [também] vai acontecer”, ponderou.

Segundo o Brasil Plural, os resultados operacionais vieram ligeiramente acima do esperado. Para os analistas Guilherme Assis e Felipe Cassimiro, a percepção é que a fatia total da Hypermarcas no mercado farmacêutico permaneceu estável no trimestre e que a companhia segue lutando para conquistar participação adicional.

“Apesar da dinâmica de participação de mercado, mantemos uma visão positiva em relação à Hypermarcas, que combina resiliência do setor e os efeitos positivos da considerável redução da alavancagem financeira”, escreveram.

Hypermarcas avalia uma fusão e papel sobe

Stella Fontes e Adriana Mattos – Valor Econômico:

Uma das maiores farmacêuticas brasileiras, a Hypermarcas está olhando oportunidades de fusão no país, preferencialmente com outro laboratório de capital nacional, apurou o Valor. Segundo uma fonte, a companhia já contratou bancos que podem auxiliá-­la em uma eventual operação, entre os quais o Bradesco. Outra fonte comentou que a ideia é buscar um parceiro nacional para a combinação dos negócios. Procurada, a empresa não comentou o assunto.

Desde o fim de semana, circulam no mercado informações sobre a possível venda do controle da Hypermarcas a uma multinacional. Mas, em comunicado no início da tarde de ontem, a empresa negou a existência dessa operação. Após as negativas, as ações, que chegaram a subir pouco mais de 7% no fim da manhã, encerraram o dia com alta de 3,83% na bolsa paulista, negociadas a R$ 30,35.

A alta do papel levou a um movimento de venda de ações da companhia por parte de investidores antes do fechamento do pregão. Pouco depois das 16h, houve um leilão, quando o papel era cotado ao preço de R$ 30,45. Foram negociados 6,7 milhões de ações ON, movimentando total de R$ 204,2 milhões, equivalente a 1% do total de ONs da empresa. A corretora do banco Credit Suisse foi a intermediária, e segundo apurou o Valor, tratam­se de papéis da família Gonçalves, fundadora da Neo Química.

Em outubro, a família decidiu sair do bloco de controle da Hypermarcas e de seu conselho de administração para ter liberdade de se desfazer dos seus papéis, o que até então não era permitido. Nos últimos meses, os sócios têm vendido ações ON de forma gradual. Em outubro, a participação da família era de 5,54% no capital total.

No início do mês, a Modena Capital, empresa de assessoria financeira independente, já havia indicado em relatório que desde que a companhia se consolidou como operação 100% farmacêutica, a eventual combinação de ativos com outro laboratório passou a fazer mais sentido.

Para a Modena, o brasileiro Aché poderia ser um bom candidato. À época da divulgação do relatório, o laboratório foi procurado e informou que não havia negociação dessa natureza em curso. Informações e análises sobre uma potencial fusão entre Hypermarcas e Aché começaram a circular em 2012, quando farmacêuticas estrangeiras teriam se aproximado do Aché com vistas a comprar as participações das famílias controladoras, Depieri, Baptista e Siaulys.

Naquele momento, lembrou a Modena Capital, a família Depieri teria considerado exercer a preferência sobre a participação dos outros sócios e procurado o BTG Pactual e o empresário João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, que controla a Hypermarcas, para participarem da transação. As conversas, porém, não foram adiante uma vez que as três famílias decidiram permanecer no Aché.

A partir de uma hipotética fusão com o Aché, segue a Modena Capital, a nova empresa ganharia tamanho suficiente para entrar no radar de aquisições de grandes farmacêuticas americanas e europeias. A percepção de que a Hypermarcas pode estar a caminho de uma nova operação, na avaliação da assessoria financeira, é reforçada pelo recente aumento das posições de gestoras de ativos que costumam farejar essas oportunidades no capital da companhia.

A edição de domingo do jornal “O Globo” informou que o dono da Hypermarcas teria recebido três propostas de multinacionais interessadas em comprar a empresa. Segundo notícia de ontem da “Reuters”, Johnson & Johnson, Novartis e Takeda Pharmaceutical estariam em negociações com o bloco de controle ­ Igarapava Participações e Maiorem SA de CV, que detêm uma participação combinada de 34% ­ para a compra da companhia.

Uma fonte da indústria, porém, observou que tanto a Novartis quanto a J&J estariam em busca de um parceiro no país para produção e comercialização, em regime de terceirização, de seus portfólios de “primary care” (cuidados primários), que já perderam ou estão em vias de perder a patente. Procurada, a Novartis informou que não comenta rumores de mercado.

A Takeda, por sua vez, está avaliando oportunidades de compra no mercado brasileiro e já contratou bancos para mapear possibilidades. Porém, as áreas de genéricos e dermocosméticos, nas quais a Hypermarcas têm presença, não estão no radar de interesse do laboratório japonês, conforme entrevista concedida ao Valor em meados de março.

EMS faz doação de genérico para a OMS

Assis Moreira – Valor Econômico:

A EMS, maior laboratório farmacêutico do Brasil, será uma dos fabricantes a anunciar hoje a doação de remédio genérico num projeto contra doenças tropicais negligenciadas (DTN’s) da Organização Mundial da Saude (OMS), num evento reunindo governos e doadores privados.

A empresa brasileira vai anunciar a doação de antibiótico oral Azitromicina para tentar eliminar até 2020 a bouba, uma doença infecciosa da pele, ossos e cartilagens causada pela bactéria espiroqueta, que afeta regiões da África e da Ásia.

Além de ser o primeiro laboratório privado a fornecer gratuitamente medicamento nesse caso, sem detalhar a quantidade, a EMS poderá com isso queimar uma etapa na sua estratégia comercial no exterior: a OMS precisará pré­-qualificar o produto antes de receber a doação. E a expectativa é de que isso facilite depois para a EMS ser credenciada a vender genéricos para os programas da agência da ONU.

A EMS diz ter o maior portfólio de medicamentos no Brasil, com mais de 2.600 drogas que servem para as diversas áreas da medicina.

Em 2015, quase um bilhão de pessoas receberam tratamento doado por companhias farmacêuticas

Também hoje no “Global Partners Meeting”, em Genebra, a Fiocruz, principal instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, vai anunciar seu compromisso para formação de profissionais de saude globalmente, além de pesquisa e produção de remédios contra essas doenças.

O fato de os setores público e privado do Brasil estarem sentados na grande reunião da OMS é comemorado por representantes do país como uma ilustração de que se pode ser “global player” no segmento, apesar dos problemas enfrentados nos últimos anos.

As doenças tropicais negligenciadas afetam mais de um bilhão de pessoas em 149 países, custando bilhões de dólares anualmente a países em desenvolvimento. Trata­se de dengue, doença de chagas, leishmaniose, esquistossomose e hanseníase, entre outras, com a característica comum de serem causadas por vírus, bactérias, protozoários e vermes, principalmente nas regiões mais pobres.

O Brasil, por sua grande dimensão e biodiversidade, tem a mais elevada quantidade dessas doenças no continente americano, e no mundo é um dos maiores ao lado da China, India, Indonésia e Nigéria.

O país se destaca pela dengue, doença de chagas, zika e lepra. Para a OMS, o Brasil poderia controlar essas doenças com menos de 1% do orçamento de saúde ou com US$ 1 por pessoa. Para especialista da OMS, se o Brasil não cuidar desse desafio vai ter um freio no desenvolvimento econômico e social, com parte da mão-­de-­obra doente.

O efetivo controle de DTN só pode ser alcançado pela combinação de esforços público e privado e grande escala de tratamento das populações afetadas, na avaliação da OMS. Para isso, a agência lançou há cinco anos um projeto de cooperação. Sua constatação é de “progressos sem precedentes”.

Em 2015, quase um bilhão de pessoas receberam tratamento doado por companhias farmacêuticas. O número de pacientes precisando de tratamento diminuiu de 2 bilhões em 2010 para 1,6 bilhão, em 2015.

Hoje, dez grandes companhias farmacêuticas vão reafirmar seu engajamento, que calculam em US$ 19 bilhões entre 2012­-2020. Nos último cinco anos, estimam ter doado mais de sete bilhões de tratamentos.

Laboratórios como AbbVie, AstraZeneca, Bayer, Bristol­Myers Squibb, Celgene, Chemo, Daiichi Sankyo, Eisai, Elea, Eli Lilly, GlaxoSmithKline, Johnson & Johnson, Merck KGaA, MSD, Novartis, Pfizer, Sanofi, Shionogi e Takeda dizem estar comprometidos em estudos clínicos para facilitar o desenvolvimento de novas drogas afim de combater várias dessas doenças tropicais negligenciadas.

Novos instrumentos de controle de vetor, por exemplo, estão sendo desenvolvidos, visando resolver o problema crescente de doenças transmitidos pelos mosquitos “Aedes”, o mais eficiente vetor de virus de dengue, Zika, chicungunha e febre amarela.

A Bill & Melissa Gates Foundation se comprometerá com mais US$ 335 milhões nos próximos cinco anos contra doenças tropicais negligenciadas. O governo do Reino Unido vai destinar quase US$ 450 milhões em cinco anos. A Bélgica prometeu mais US$ 27 milhões para um programa específico visando eliminar doença do sono no Congo.

Apesar do avanço no combate à DTN, a OMS constata inquietações globais com aumentos recentes de doenças com virus Zika e suas complicações. E conclama os países a melhorar acesso a água potável e saneamento.

A OMS destaca o avanço na redução da transmissão da doença de Chagas na América Latina, graças a triagem do sangue. Mas vê ainda muito a ser feito na região. Exemplifica com uma pesquisa feita no Brasil que revelou que o país subestima bastante a dengue nos períodos considerados de baixa transmissão.

Projeto de lei prevê entrega permanente

Arthur Rosa – Valor Econômico:

O Senado aprovou recentemente projeto de lei que estabelece o fornecimento permanente pelas indústrias farmacêuticas de medicamentos a pacientes que participaram de pesquisas clínicas. O texto, encaminhado para a Câmara dos Deputados, estabelece regras para a condução de estudos por instituições públicas ou privadas.

A proposta foi apresentada pelos senadores Ana Amélia Lemos (PP­RS), Waldemir Moka (PMDB­MS) e Walter Pinheiro (PT­BA). De acordo com os autores, o projeto de lei pretende, sobretudo, desburocratizar o sistema e acelerar o desenvolvimento de novos medicamentos.

Inicialmente, o projeto de lei previa que o fornecimento gratuito só ocorreria até dois anos após a liberação e o início da comercialização do medicamento. Por meio de emenda da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB­AM), garantiu­-se aos pacientes a entrega permanente. De acordo com a parlamentar, a prática foi adotada em vários lugares do mundo.

Durante as discussões, o senador Aloysio Nunes (PSDB­SP), hoje ministro das Relações Exteriores, propôs, para se chegar a um consenso, o fornecimento até o momento que o medicamento estiver disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), o que foi incorporado ao projeto de lei.

A proposta ainda elenca outras possibilidades para a interrupção do fornecimento: decisão do próprio participante da pesquisa, cura da doença, reação adversa que inviabilize a continuidade do tratamento, quando o emprego não trouxer benefício ou por impossibilidade de obtenção ou fabricação do medicamento por questões técnicas ou de segurança, devidamente justificadas.