Os selos de qualidade

Onésimo Ázara Pereira – Junho 2017:

As empresas de um modo geral, hoje em dia, buscam selos que atestem a boa gestão das suas organizações, bem como a excelente qualidade dos seus produtos ou serviços. Muitos são os movimentos nesta direção, contudo, convêm registrar três deles.

O selo ISO 9000 é ambicionado pelas empresas porque ele garante que as mesmas operam dentro das normas mínimas de qualidade exigidas para desenvolvimento, produção, instalação e serviços objetivando a satisfação do cliente.

As normas do selo ISO 9000 da International Organization for Standardization foram oficializadas em 1987, embora fossem baseadas em normas já existentes, particularmente na Inglaterra. O selo ISO 9000 diz respeito ao sistema de gestão de qualidade da empresa e não às especificações dos produtos por ela fabricados. O selo ISO 9000 indica que a empresa é sólida e tem boa reputação internacional.

No Brasil, temos o selo INMETRO. O INMETRO é o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia que foi fundado em 1973 e, por este selo atesta a produtividade dos produtos e serviços das empresas nacionais, por meio de mecanismos que asseguram a qualidade dos mesmos.

O selo INMETRO indica que a empresa executa, com fidelidade, as politicas nacionais de metrologia e de qualidade.

Contudo, o grande selo do Brasil é o S.I.F., emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA para as empresas produtoras de produtos de origem animal. O S.I.F., é o Serviço de Inspeção Animal, órgão conhecido em todo o mundo e que está ligado ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) do MAPA. Este órgão é o responsável por garantir que as empresas produzam e mantenham a qualidade dos produtos de origem animal, comestíveis ou não, destinados ao mercado interno e, também, externo. O selo S.I.F. é o decano dos selos de qualidade no Brasil e, hoje, tem mais de 5 mil empresas, sob a supervisão do DIPOA.

O selo de qualidade S.I.F. surgiu há mais de 100 anos no Brasil, quando foi editado o primeiro regulamento para a criação do serviço de inspeção  nos estabelecimentos processadores, conforme registra o “site” do Serviço de Inspeção Federal. Na verdade, até receber o carimbo (selo) do S.I.F. o produto atravessa várias etapas de fiscalização e inspeção, cujas ações são orientadas e coordenadas pelo DIPOA, da Secretaria de Defesa Agropecuária (DAS/MAPA). O “site” ainda informa que todos os produtos de origem animal sob a responsabilidade do MAPA são registrados e aprovados pelo S.I.F., visando a garantir produtos com certificação sanitária e tecnológica para o consumidor brasileiro e estrangeiro, respeitando as legislações nacionais e internacionais vigentes.

Atualmente, o Brasil exporta seus produtos de origem animal para mais de 180 países, destacando-se como um dos principais exportadores mundiais, transmitindo segurança dos produtos sob fiscalização do DIPOA, por meio do selo S.I.F. (Serviço de Inspeção Federal), finaliza o “site” deste serviço.

O que se deve destacar é que nestes 100 anos, o MAPA conseguiu cristalizar no selo S.I.F. uma imagem nacional e internacional de qualidade e responsabilidade, graças aos milhares de funcionários que, anonimamente, construíram este espetacular patrimônio que deve ser um orgulho para todos os brasileiros. Não está demais afirmar que os estragos mercadológicos advindos do problema do episódio recente denominado “Carne fraca” foram profundamente minimizados pela altíssima reputação internacional do selo S.I.F.

A indústria farmoquímica brasileira produz, vende internamente e exporta, regularmente, matérias primas de origem animal para a produção de medicamentos. Cerca de 25% das exportações brasileiras de farmoquímicos,  hoje, são de origem animal. De alta qualidade e enviada a vários países, esta produção sempre esteve validada pelo selo S.I.F. que, pela alta respeitabilidade deste no âmbito internacional, serve como uma confirmação da qualidade do produto de origem animal exportado pelas empresas produtoras brasileiras.

O pedido da indústria farmoquímica brasileira é que, na avaliação do recente Decreto 9013 de 29.03.2017, não só a certificação dos farmoquímicos de origem animal seja mantida, mas, também, a “emissão do selo S.I.F.” continue sendo uma forte alavanca exportadora para o setor farmoquímico brasileiro.

Certamente, o MAPA não ficará insensível a este importante pedido da indústria farmoquímica brasileira.

Onésimo Ázara Pereira – Presidente-Executivo da abiquifi