abiquiflashes (29/05/2017 – 571)

  • Plantas: a pilocarpina é um alcaloide extraído de plantas cultivadas no nordeste brasileiro (Maranhão e Piauí). É usado no tratamento do glaucoma. Em 2017, até abril foram exportados US$ 5.188.313,00 deste alcaloide.
  • Vacinas (1): as vacinas para uso veterinário produzidas no Brasil têm um bom mercado na América Latina, particularmente a vacina contra a aftosa. Em 2017, até abril foram exportados US$ 11.398.980,00 destes produtos biológicos.
  • Vacinas (2): quanto às vacinas para uso humano as exportações brasileiras até abril de 2017 alcançaram a soma de US$ 6.526.246,00.

Baxter volta às compras e adquire clínica de hemodiálise no Brasil

Stella Fontes – Valor Econômico: 

Marca onipresente nas farmácias hospitalares ao redor do mundo e referência em produtos para tratamento renal, a americana Baxter deu a volta por cima no último um ano e meio e está pronta para ir às compras. Após reduzir o endividamento e fortalecer o caixa, hoje a companhia está confortável para dedicar algo entre US$ 6 bilhões e US$ 7,5 bilhões a uma ou mais aquisições em diferentes regiões.

No Brasil, estão na mira clínicas de hemodiálise e diálise peritoneal e a estratégia virou negócio recentemente, com a aquisição da Clínica Núcleo, em Belo Horizonte (MG), por valor não revelado. A compra marca a chegada da Baxter a um novo mercado no país ­ em outros países, entre os quais Argentina, Colômbia e Espanha, a farmacêutica já tem entre 50 e 60 clínicas próprias ­ e a ideia é crescer mais.

Em entrevista ao Valor, o executivo­chefe global da farmacêutica, Joe Almeida, diz que há mais dois ou três ativos brasileiros dessa área em fase de prospecção no momento. A Baxter está entre os maiores fornecedores de equipamentos para essas clínicas e, conforme o país e o sistema de reembolso público e privado, faz sentido estar nesse negócio, explica o executivo.

Almeida chegou oficialmente ao comando da farmacêutica em janeiro do ano passado, vindo da Covidien, que foi comprada pela americana Medtronic, e as medidas adotadas em sua gestão parecem ter agradado aos investidores. Naquele momento, as ações da farmacêutica eram negociadas por aproximadamente US$ 36 cada na Nasdaq. Atualmente, valem algo perto de US$ 57, uma alta de quase 60%.

Essa valorização veio na esteira de um processo relativamente rápido de reorganização dos negócios após a cisão da área biofarmacêutica, em operação que deu origem à Baxalta em 2015. Meses depois, a nova empresa foi comprada pela irlandesa Shire por US$ 32 bilhões.

No ano passado, com a venda de ações remanescentes da Baxalta, a farmacêutica levantou recursos suficientes para eliminar dívidas de aproximadamente US$ 3,6 bilhões, recomprar mais de 10 milhões de ações e calibrar o fundo de pensão dos funcionários nos Estados Unidos.

Em custos estruturais, a economia na Baxter chegou a US$ 800 milhões e problemas de qualidade foram contornados, garante Almeida. “Nossos alicerces são qualidade e segurança dos pacientes, melhor empresa para se trabalhar e desempenho líder no setor”, diz.

Como reflexo da reestruturação, a alavancagem financeira caiu a menos de 1 vez, o que colocou a companhia em posição bastante confortável ou para ir às compras ou ampliar o retorno aos acionistas. Ou ambos. Sobre possíveis operações de fusão ou aquisição, ressalta Almeida, o ponto de partida para tomada de decisão é o compromisso com pacientes, funcionários e acionistas.

Além da aposta em crescimento inorgânico, que poderá aumentar a participação da área hospitalar no faturamento, a Baxter quer acelerar o ritmo de lançamentos. Com isso, a participação de novos produtos nas receitas poderá chegar a 10% nos próximos cinco anos, frente a 2% atualmente. Somente em 2016, conta o executivo-­chefe, foram lançados mais de 20 produtos.

A farmacêutica tem operação no Brasil há 40 anos e a fábrica de Interlagos, na zona Sul da capital paulista, ainda tem capacidade para absorver a produção de novos itens. Em breve, a unidade passará a produzir localmente uma solução utilizada na hidratação de pacientes em estado crítico desenvolvida nos Estados Unidos, com reformulação no país. Segundo Almeida, a fábrica brasileira é uma das campeãs de produtividade no universo da Baxter.

Brasileiro, o executivo de 54 anos que deixou o país há cerca de três décadas, diz que o mercado farmacêutico local permanece atraente, a despeito da crise econômica, com crescimento anual da operação local de “um dígito alto” ou “dois dígitos baixos”. “É certo que há crise, mas estamos trazendo produtos novos e temos um portfólio bem balanceado entre público e privado”, conta o executivo. Além disso, há bons hospitais no país e bem gerenciados.

Fornecedora de hospitais e clínicas, a Baxter não vende seus produtos diretamente ao consumidor final, em farmácias ou drogarias. No ano passado, teve vendas líquidas de US$ 10,2 bilhões, 62% das quais geradas no segmento hospitalar ­ desde soluções intravenosas a diferentes dispositivos médicos ­ e 38%, na área de tratamento renal. Individualmente, os Estados Unidos ainda são o mercado mais importante da farmacêutica, com cerca de 40% das vendas, mas 60% dos negócios já estão em outros países que não a sede.

No fim de abril, junto com a divulgação dos resultados globais do primeiro trimestre, a companhia melhorou as projeções para este ano e informou que espera crescimento de 2% a 3% nas receitas de 2017 em bases constantes de câmbio.

 

abiquiflashes (25/05/2017 – 570)

  • ácidos biliares: classificados no código NCM 2918.19.29 este produto colerético e colagogo é um dos principais itens das nossas exportações. Dirigidos principalmente para a Itália, o Brasil exportou US$ 20,8 milhões destes produtos no primeiro quadrimestre de 2017.
  • virginiamicina: usado em veterinária como antibacteriano e promotor do crescimento, este antibiótico contribuiu com US$ 17,3 milhões para as exportações brasileiras em 2017, até abril. O principal destino foi o Canadá.
  • celulose  microfina: o Brasil é um importante produtor deste excipiente usado pela indústria farmacêutica na produção de comprimidos. Nos primeiros quatro meses de 2017 foram exportados US$ 7,8 milhões deste adjuvante farmacotécnico.

abiquifi Alerta (24/05/2017)

Confira no link ao lado a Informação Regulatória – IFAs e Excipientes INFOREG (edição extra) – IFA N° 22

Temas abordados:

1- Notícias
2- U.S. Food and Drug Administration (FDA)
3- European Directorate for the Quality of Medicines & Healthcare (EDQM)
4- Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
5- World Health Organization (WHO)
6- Artigos especiais:

– El desabastecimiento de penicilina pone en jaque a la salud mundial

– India relies on China for 90 per cent of drug raw materials (including Penicillin-G and its derivatives)

– Escassez de penicilina afeta o Brasil
por Onésimo Ázara Pereira – Presidente-Executivo da abiquifi

– Tabela: Antibióticos produzidos no Brasol nos anos de 1951 a 2001 (50 anos)

Escassez de penicilina afeta o Brasil

Onésimo Ázara Pereira – Maio 2017:

Depois que Fleming em 1928, acidentalmente, descobriu a penicilina, que antes já tinha sido observada em 1896 pelo francês Duchesne, esta sensacional descoberta permaneceu mais dez (anos) entre quatro paredes acadêmicas. Somente doze (12) anos mais tarde, já durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o australiano Florey e o refugiado alemão Chain conseguiram produzir a penicilina em escala industrial.

Inaugura-se, assim, uma das fases mais espetaculares do conhecimento humano: a antibioticoterapia. Encontrou-se o caminho para o combate às bactérias.

No Brasil, os primeiros carregamentos de penicilina como medicamento chegaram ao Aeroporto do Galeão em 1940, em tambores de alumínio, protegidos por forte quantidade de gelo. Num segundo momento a penicilina é importada como insumo para a produção local de medicamentos.

Nos anos 1950, mais precisamente em 1953, empresas norte-americanas (02), aproveitando a forte demanda do mercado farmacêutico internacional à esta incrível arma terapêutica e a oferta abundante da principal matéria-prima (açúcar), iniciaram a produção da penicilina no Brasil.

Iniciava-se, assim, a era de ouro da fabricação de antibióticos no Brasil, pois com o passar dos anos novos antibióticos foram surgindo no mercado internacional, destacando-se a produção do antibiótico semi-sintético amoxicilina, destaque no arsenal terapêutico brasileiro até hoje, com um consumo anual de 1.273.939 kg por um valor de US$ FOB 32.795.241,00, números de 2016.

As décadas de 1960 a 1980 foram as décadas de implantação de vários projetos de produção de antibióticos no Brasil. O final dos anos 90 e inicio dos anos 2.000 viram o declínio e o epílogo do boom de produção tanto dos mais variados antibióticos como de uma enorme série de outros quimioterápicos que, na atualidade, nosso País importa com um dispêndio de centenas de milhões de dólares e o sacrifício de dezenas de milhares de empregos super especializados. O quadro em anexo mostra os antibióticos produzidos no Brasil desde os anos 50 até até o final da década de 90. Foram 27 diferentes antibióticos seus sais e ésteres, iniciando a série pela penicilina.

Mas, afinal, quais as razões do surgimento destas produções?

Estimuladas por alguns fatores econômicos fundamentais, as empresas detentoras do “know-how” para a produção da penicilina, aportaram no Brasil. Estes estímulos foram muito importantes para este “start-up” da produção de antibióticos no País.

O mercado interno crescente estimulavam. As altas tarifas de importação, tanto para matérias-primas como para medicamentos ajudavam. Como a produção de penicilina era um processo biotecnológico, hoje chamado de tradicional, que usava meios de fermentação ou caldos de cultura cuja base principal era o açúcar, que tal instalá-la no Brasil, ao lado dos canaviais (São Paulo)? Se o intermediário ácido 6-aminopenicilâmico (6-APA) era a base para outros antibióticos, inclusive os semi-sintéticos (amoxicilina, ampicilina) porque não investir nesta área que abria também portas para a exportação.

Assim foi feito.

Estas empresas multinacionais além de trazerem a tecnologia para o País, atendiam o mercado interno e exportavam a penicilina crua para as suas matrizes que a purificavam e a distribuíam para outras suas empresas subsidiarias ao redor do mundo, além da própria penicilina purificada.

Era já a internacionalização e o uso de plataformas de distribuição instituídas – tão prospectadas atualmente pelas autoridades, perfeitamente ajustadas ao conceito de globalização das cadeias produtivas.

A produção de penicilina, como em geral a dos farmoquimicos, tem baixa margem de lucro, quando comparada a margem dos medicamentos e, em geral, têm representatividade pequena na composição dos custos destes últimos que, por terem mais “gordura” sofrem menos as oscilações bruscas de fatores mercadológicos, políticos e cambiais.

A pergunta é: porque razão definhou, para a quase totalidade, tão bruscamente a produção de antibióticos – assim como, os demais insumos ativos – no Brasil? Porque um insumo tão importante como a penicilina – que teve décadas de fabricação, desenvolvimento e exportação – não se fabrica mais no Brasil? Embora esta razão não seja a única, a bem da verdade o inicio do fim da produção começou por medidas administrativas do próprio Governo, seja pela proibição na importação de equipamentos que visavam a modernidade dos parques fabris, controles de preço exercidos sobre estes insumos – embora todos soubessem de sua baixa importância nos custos dos medicamentos.

Enquanto no Brasil as autoridades congelavam ou restringiram preços e, por consequência, as margens , no exterior a tecnologia avançava a passos rápidos em direção ao aumento da produtividade dos antibióticos que já existiam, e em direção aos novos que estavam para enriquecer o arsenal terapêutico. Não era a vez da China de hoje, mas da Itália de ontem (Milão como centro deste desenvolvimento) que dominava, com os EUA e outros países europeus, o mercado mundial de insumos farmoquímicos.

No caso da penicilina, o avanço europeu na tecnologia da sua produção permitiu que, em poucos anos, os fermentadores que comportavam 50.000 litros de meio de cultura (que era o caso do Brasil, também) passassem a ser de 75.000 ou 100.000 litros, reduzindo, drasticamente, os custos de produção. as modernas linhas de produção com centrifugas automáticas, secadores de grande produtividade e demais equipamentos eram sonhos inalcançáveis para os produtores locais que a burocracia do Governo transformava em pesadelos.

Ora, os preços da penicilina como matéria-prima autorizados no Brasil que mal cobriam os custos de produção, não geravam recursos para que, como na Europa e EUA, as empresas aqui instaladas pudessem atualizar as suas tecnologias, ou seus equipamentos, aumentar a capacidade dos fermentadores, reduzindo os custos e poder assim, competir com as ofertas do exterior.

Executivos das empresas produtoras de antibióticos (inclusive o autor destas considerações) fizeram verdadeiras romarias aos Ministérios correspondentes (Saúde e Fazenda) reiterando insistentemente que, de continuar este tipo de restrição a preços justos em relação aos custos, a indústria farmoquimica brasileira, em especial a de antibióticos, tão escassa de margem operacional, estaria fadada a desaparecer, e a extinção seria uma questão de tempo.

Infelizmente, envolvidas em evasivas, a resposta era sempre a mesma: “Nada disso, se a situação apertar (no que não cremos) basta que vocês apertem o botão e as suas matrizes enviarão o dinheiro necessário”.

O tempo passou, os problemas de preços continuaram (com alguns momentos de respiro), apertamos o botão e as matrizes não mandaram o dinheiro. Pior, para não perder mais recursos financeiros, fecharam as suas fábricas no Brasil. Estavamos no fim dos anos 1980. Uma empresa brasileira tentou resistir comprando uma das multinacionais retirantes. Em vão, sucumbiu, também, em 2000.

E, para piorar, a tão propalada “ abertura comercial”, totalmente atabalhoada, ceifou toda a energia daqueles que ainda pensavam em prosseguir uma vez que, sem nenhuma proteção tarifária e, com um sistema regulatório menos que engatinhando, o setor foi vítima fácil de quantos (italianos, espanhóis, chineses, indianos, etc.) que de nosso mercado quiseram se assenhorar.

Pois aqui chegamos ao ano de dois mil e dezessete (2017).

Da nossa indústria de antibióticos só escombros. E lá se vão 17 ou mais anos. Da penicilina só saudade e unidades fabris vendidas a preço de ferro velho. Agora o País esta a procura frenética de produtores mundiais deste antibiótico. A penicilina ainda é fundamental em muitos tratamentos, pela eficiência e baixo custo. Consta que, mundialmente, só existem quatro produtores, sendo três (03) na China. Em breve estas doenças, ainda hoje tratadas com a penicilina estarão inseridas no rol das doenças negligenciadas.

Em condições normais de “temperatura e pressão”, hoje não existe a menor possibilidade da reintrodução da produção de penicilina no Brasil. Isto em função do altíssimo custo do investimento, dos preços internacionais vilipendiados pelos chineses e, claro, da pouca confiabilidade de um mercado no qual a interferência do Governo pode ser, como vimos, mortal.

Salvo que vejamos surgir um novo “campeão” patrocinado pelo Governo ou pior, a criação, por parte do Governo, de uma “penicilinobrás” nos moldes da hemobrás”, o que, aí, já seria uma outra história…

Para os estudiosos fica o recado de como alguns temas da área da saúde não devem ser tratados, porque os efeitos colaterais podem matar o paciente!!!

Onésimo Ázara Pereira – Presidente-Executivo da abiquifi

abiquiflashes (22/05/2017 – 569)

  • Farmoquímicos: esta classe de insumos farmacêuticos contribui, regularmente, para o desempenho das exportações brasileiras. Em 2017, até abril, foram enviados a vários países US$ 183,5 milhões destes insumos farmacêuticos ativos (IFAs).
  • heparina: importante protagonista da terapêutica mundial, este anticoagulante é produzido no Brasil em suas três fases – complexo heparínico, heparina crua e heparina purificada. Nos primeiros quatro meses de 2017 o Brasil exportou US$ 10,6 milhões destas três fases de heparina ao preço médio de US$ 437,3 /kg.
  • ácido salicílicoqueratolítico e intermediário na produção da aspirina, as exportações deste ácido renderam ao Brasil US$ 3.522.462,00 em 2017, até o mês de abril.

Sugestões para aprimoramento do Mercosul

Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB)

A Associação de Comércio Exterior do Brasil – AEB vem acompanhando os aspectos políticos, institucionais, operacionais e comerciais do Mercosul, especialmente ocorridos nos últimos dez anos. Constatou existir sérias inconsistências e inações que comprometem o funcionamento pleno da união aduaneira e posterior constituição do mercado comum preconizado pelo Tratado de Assunção (1991) e consolidado no Protocolo de Ouro Preto (1994).

Os principais óbices identificados dificultam, inibem, ou impedem os respectivos setores privados da sub-região desenvolver suas transações comerciais e alimentar as decisões de investir na região, resultam numa completa falta de previsibilidade empresarial para desenvolver seus negócios. Tais óbices foram assim detectados:

  • inúmeras restrições não tarifárias visando contornar problemas de instabilidades econômicas nacionais;
  • crescentes dificuldades para aprovação dos diversos atos normativos frente ao preceito de votação por consenso;
  • acentuado descompasso na internação dos atos normativos no arcabouço jurídico dos países membros;
  • crescente volume de exceções à Tarifa Externa Comum para contemplar necessidades nacionais de abastecimento;
  • impossibilidade de criar mecanismo que evite a dupla cobrança da TEC;
  • incompatibilidades no estabelecimento de um código aduaneiro comum;
  • adoção político-ideológica tendenciosa, adotada pela maioria dos países membros, na condução da agenda interna e do relacionamento comercial externo do bloco, provocando acentuada defasagem em relação aos diversos acordos bilaterais e plurilaterais que proliferam no cenário mundial;
  • progressivo afastamento de seus tradicionais parceiros regionais que buscaram relacionamentos externos com mercados mais avançados, o que tende a produzir perdas comerciais, financeiras e de capitais dos países do Mercosul naqueles mercados;
  • carência de entendimentos coletivos ou individuais sobre setores e disciplinas que movimentam o cenário global e regional de negociações;
  • crise institucional e jurídica decorrente do processo de suspensão da Venezuela pelo não cumprimento de obrigações previstas no Protocolo de Adesão de 2006, culminando com a cessação de direitos como Estado Parte, a partir de 2/12/2016, até que os demais sócios julguem cumpridos os compromissos anteriormente assumidos por aquele país.

Panorama atual

As carências apontadas no desenvolvimento da agenda geral do Mercosul, sobretudo no que tange ao progressivo isolamento dos países do bloco em relação às negociações que vêm sendo desenvolvidas na esfera da OMC e mesmo além daquele organismo (como alguns acordos denominados plurilaterais), têm suscitado diversos pronunciamentos, tanto nas esferas oficiais quanto nas empresariais. Tais manifestações postulam a necessidade dos países do Mercosul encontrar novas fórmulas de participação no cenário global, seja por meio de velocidades diferenciadas ou num formato autárquico. Num exame mais recente, tais fórmulas vêm ganhando corpo, na medida em que torna-se mais remota a consolidação da união aduaneira no bloco, notadamente após a adesão da Venezuela e da virtual incorporação da Bolívia.

Dois aspectos marcantes ilustram esse novo contexto de maior liberdade negociadora dos países do bloco: a manifestação oficial da chancelaria uruguaia com relação à negociação de um tratado de livre comércio (TLC) do país com a China (documento a) e a manifestação conjunta CNI / AMCHAM recomendando a negociação de um acordo de livre comércio Brasil – EUA (documento b).

O maior óbice institucional para ocorrer negociações individualizadas pelos países do Mercosul reside na Decisão CMC 32/2000 que obriga haver entendimentos conjuntos com outros países ou blocos extra regionais, com o objetivo de não afrontar a formação da união aduaneira. Contudo, segundo informações oficiais do MRE brasileiro, a referida Decisão “não foi internalizada por qualquer Estado Parte do Mercosul, pois apenas regulamenta aspectos da organização ou do funcionamento do bloco”. Tal interpretação tem dado margem a especulações de ser falsa a obrigatoriedade de haver negociações conjuntas do Mercosul com outras áreas ou países não regionais.

Proposições

Com base nas apreciações sobre o atual estágio de precário funcionamento do Mercosul, que não mais atende os preceitos básicos para o qual foi concebido, a AEB propõe um exame mais acurado da situação do bloco mediante as seguintes alterações e /ou melhoramentos operacionais::

  1. Reverter o funcionamento do Mercosul à uma área de livre comércio ainda que mantendo a estrutura da Tarifa Externa Comum.
  2. Rever e eliminar progressivamente as restrições não tarifárias existentes no bloco.
  3. Estabelecer licença temporária (waiver) na Decisão CMC 32/2000 para que os países membros tenham liberdade de promover negociações individuais com blocos ou países não regionais, conforme propostas anexas (documento c). Esclarecemos que tal alteração é alternativa, ou seja, não prejudica a disposição de negociações conjuntas do bloco.
  4. Promover atualização do acordo sobre serviços de 1997, finalizar o de compras governamentais (em curso), negociar o de facilitação de investimentos, além de acelerar o cumprimento entre os países membros dos dispositivos contidos no Acordo de Facilitação de Comércio aprovado na Reunião de Bali da OMC em 2013.
  5. Adotar o critério de reconhecimento mútuo das normativas nacionais e seus respectivos regimes como equivalentes para fins regulamentares, face às dificuldades de adoção de uma convergência regulatória comum..
  6. Nas negociações Mercosul – União Europeia, dadas as reconhecidas dificuldades do bloco europeu avançar as negociações em bens, sugerimos priorizar os entendimentos em áreas de regulamentação normativa utilizando o mesmo princípio recomendado no item 5 precedente.

Em resumo, o documento expressa a necessidade dos países do Mercosul, de forma coletiva ou individualmente, abolir o protecionismo e experimentar um choque de competitividade via maior relacionamento comercial externo de suas economias. A reformulação dos objetivos centrais do Mercosul está prevista no Artigo 47 do Protocolo de Ouro Preto.

EUA pedem que Brasil apresse registro de medicamentos

Juliano Basile – Valor Econômico: 

O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) cobrou maior celeridade nos procedimentos para registro de patentes de medicamentos no Brasil num relatório em que mantém o país em lista negativa sobre proteção de propriedade intelectual. Em documento concluído recentemente, que o Valor teve acesso, a revisão de pedidos de patentes de remédios pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi apontada como uma preocupação pelo USTR sob a alegação de que haveria “falta de transparência” e atrasos excessivos de registros para novos remédios num processo que dificultaria o exame desses pedidos pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

O Brasil foi colocado ao lado da Suíça, do México, do Canadá e da Bolívia entre os países que ficam numa “lista de observação” na última edição do “Special 301” ­ relatório que trata dos avanços e declínios dos países do mundo na área de proteção industrial. O USTR até reconheceu que houve avanços nesse campo no Brasil no último ano e qualificou como um “passo adiante” o acordo feito com os Estados Unidos para acelerar os exames dos registros de inovações nos setores de óleo e gás. Já no caso da Anvisa, os americanos esperam que haja uma aceleração dos procedimentos de patentes a partir de uma nova sistemática entre a Anvisa e o INPI.

“Os Estados Unidos esperam ansiosamente a revisão do acordo e pretendem monitorar o impacto do novo papel da Anvisa em sua implementação”, informou o relatório, referindo-­se ao anúncio de novos procedimentos entre a agência e o instituto, que foi feito em abril passado.

O USTR acrescentou ainda que, embora a legislação brasileira garanta proteção contra o uso comercial desleal de testes não revelados e de outras informações geradas para obter a aprovação da comercialização para produtos químicos agrícolas e veterinários, ela não prevê proteção semelhante para os produtos farmacêuticos.

Os Estados Unidos também manifestaram preocupação com eventuais ações do INPI para invalidar ou encurtar o prazo de duração de um número significativo de patentes para produtos farmacêuticos e agrícolas. “Uma forte proteção de propriedade intelectual, tanto doméstica quanto para os detentores de direitos internacionais, garante um incentivo crucial ao mercado para investir na inovação futura no Brasil e os Estados Unidos esperam ansiosamente para se engajar de maneira construtiva com o Brasil na confecção de um ambiente fortalecido e para endereçar as preocupações existentes”, completou o relatório.

No campo do combate à pirataria, o governo dos Estados Unidos reconheceu os esforços para proteção de direitos de propriedade intelectual nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, mas, mesmo assim, manteve o país na lista negativa de nações que descumprem regras de direito autoral. De maneira geral, prevalece a visão de que o Brasil tem uma forte pirataria “on­line” e problemas na tríplice fronteira com o Paraguai e a Argentina. O USTR também reclamou do enfraquecimento do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNPC), órgão do Ministério da Justiça, que, segundo o relatório, teve uma atuação, em 2016, que “pareceu não operacional”.

 

abiquiflashes (18/05/2017 – 568)

  • Cadeia produtiva: a cadeia produtiva farmacêutica brasileira exportou no primeiro quadrimestre de 2017 a expressiva soma de US$ 529,4 milhões, atestando, desta forma, a excelência das suas produções.
  • Medicamentos: a indústria brasileira de medicamentos é uma das principais do mundo. Sua exportação em 2017, até abril, representou US$ 306,1 milhões, aporte importante ao esforço exportador brasileiro.
  • Excipientes: as exportações destes adjuvantes farmacotécnicos, fazem parte da nossa pauta de exportações. Nos primeiros quatro meses de 2017 foram enviados ao exterior US$ 39,8 milhões desta classe de produtos.

abiquiflashes – Extra

  • Farmoquímicos: as exportações brasileiras de farmoquímicos em 2017, até abril, foram superiores em 16,1% às obtidas no mesmo período do ano passado. Subiram de US$ 158,1 milhões em 2016 para US$ 183,5 milhões em 2017 neste período de quatro (04) meses. Já as importações de farmoquímicos, no mesmo período, caíram 5,6% de US$ 672,9 milhões em 2016 para US$ 636,3 milhões.
  • Medicamentos: as exportações de medicamentos no primeiro quadrimestre de 2017 subiram 7,5% em comparação ao mesmo período de 2016, de US$ 284,8 milhões para US$ 306,1 milhões. As importações caíram 6,4%, no mesmo período, de US$ 2.014,2 milhões em 2016 para US$ 1.892,3 milhões em 2017.
  • Relação: neste período analisado de quatro meses de 2017, exportamos farmoquímicos referentes a 28,8% do valor dos farmoquímicos importados e medicamentos equivalentes a 16,1% dos medicamentos importados.