Galeão ganha destaque na logística de fármacos

Carlos Vasconcellos – Valor Econômico:

O Aeroporto Internacional Galeão Tom Jobim é uma das principais portas de entrada de turistas no país. Em 2015, foram 16,9 milhões de passageiros. Operado desde agosto de 2014 pelo consórcio RIOgaleão, formado pela Odebrecht TransPort, pela Changi Airports International, de Cingapura; e pela Infraero, o aeroporto já recebeu R$ 2 bilhões em investimento em novas estruturas, modernização e serviços. Até o fim da concessão, em 2039, o investimento total projetado é de R$ 5,2 bilhões.

O antigo Terminal 1, em funcionamento desde 1977, foi desativado na semana passada, e agora todos os voos se concentram no Terminal 2, que foi modernizado. Por outro lado, o Galeão ganhou uma nova construção, o Pier Sul, uma nova área com mais de 100 mil m2 e 26 pontes de embarque, três delas com capacidade para acomodar jatos A380 e B­ 747­800, as maiores aeronaves em operação no mundo. Além de um novo centro de operações, equipado com tecnologia de ponta para dar mais eficiência e agilidade no movimento de aeronaves.

Com isso, foi possível atrair quatro novas companhias aéreas para o aeroporto, que hoje tem capacidade para receber 36 milhões de passageiros. As mudanças são visíveis. Apesar de certa preocupação dos usuários com o fechamento definitivo do Terminal 1, o Galeão vem melhorando seu desempenho sob a nova administração. Nas Olimpíadas Rio 2016, o índice de pontualidade dos voos chegou a 95%, apesar da alta demanda. Durante as competições, o aeroporto bateu seu recorde de embarques diários, movimentando 85 mil passageiros em 24 horas.

Segundo uma pesquisa feita pela Secretaria da Aviação Civil no terceiro trimestre deste ano, o aeroporto internacional do Rio de Janeiro teve média 4,16 numa escala de 1 a 5, uma alta de mais de 6% em relação ao trimestre anterior e de mais de 5% em relação ao mesmo período de 2015. A melhoria, no entanto, ainda não foi suficiente para colocar o aeroporto entre os primeiros do país na percepção dos usuários. O Galeão ficou em 12º lugar entre 15 aeroportos, à frente apenas de Congonhas (SP), Salvador e Cuiabá.

Mas se a percepção dos passageiros ainda precisa melhorar, o mesmo não se pode dizer do segmento de carga, que recebeu R$ 30 milhões em investimentos do concessionário e é uma das grandes apostas do RIOgaleão. O ganho de eficiência permitiu reduzir em 20% o tempo de liberação das cargas. “Nossa expectativa é melhorar ainda mais a produtividade, com investimentos em infraestrutura e por meio de parcerias com as autoridades aeroportuárias”, informa o consórcio, por e­mail.

O grande destaque no Terminal de Cargas do Galeão é a logística de produtos farmacêuticos. Esse segmento já representa 22% da receita total do terminal, e transformou o aeroporto carioca na principal porta de entrada das importações dessa indústria. Para atender essa demanda, uma nova área refrigerada, a TECA Farma 2 foi inaugurada, com docas climatizadas, transelevadores e dois ambientes com temperaturas diferentes. Esses esforços renderam ao Galeão a certificação CEIV Pharma, principal certificado de qualidade de logística na indústria farmacêutica, emitido pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). O aeroporto internacional do Rio foi o primeiro das Américas a ganhar esse selo.

Apesar de todas as melhorias, o Galeão também enfrenta os efeitos da crise econômica. Por causa disso, a concessionária negocia com o governo federal a reprogramação dos pagamentos anuais de outorgas. O RIO-galeão argumenta que a queda expressiva no PIB por dois anos seguidos foi inesperada e coincidiu com os anos de maior necessidade de caixa para investimento. Ao mesmo tempo, o governo não liberou o empréstimo de longo prazo previsto no Edital de Licitação, que segundo o concessionário, era “condição para sua viabilidade”.

Segundo o RIOgaleão, a proposta de reprogramação dos pagamentos ofertados inicialmente, sem causar perda para o governo. “Estamos confiantes de que será possível chegar a um entendimento entre as partes”, informa a concessionária do aeroporto.

A concessionária ressalta ainda que todos os investimentos previstos no contrato foram realizados dentro do prazo e com o custo previsto, com recursos dos próprios acionistas (R$ 1,8 bilhão); financiamento de curto prazo do BNDES (R$ 1 bilhão) e receita gerada pela operação do aeroporto. A empresa considera o cenário econômico desafiador em todo o país.

 

Países buscam acordo comercial do setor químico

Assis Moreira – Valor Econômico:

A União Europeia (UE) e outros países ricos querem lançar uma ambiciosa negociação para a eliminação de tarifas de importação no setor químico, incluindo produtos farmacêuticos, no valor de US$ 2,1 trilhões. Isso apesar da onda antiliberalização global.

A atual equipe negociadora dos EUA participa das articulações para tentar atrair China e Índia para essa negociação plurilateral (participa quem quer) na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A expectativa nos meios comerciais é que o futuro governo de Donald Trump, apesar da relutância com a liberalização comercial, aceitaria ­ pelo menos nesse caso ­ a negociação num setor de intensa concorrência internacional e no qual o setor privado americano tem enormes interesses.

O Brasil foi um dos países consultados. A indústria química brasileira é uma das mais importantes no Hemisfério Sul, e o país tem recursos naturais e infraestrutura industrial para produzir a matéria-­prima básica e produtos petroquímicos usados no setor químico.

Mas o Valor apurou que não há interesse em Brasília em entrar nessa negociação. O país é hoje importador líquido. Suas compras de produtos químicos alcançaram US$ 38 bilhões no passado, e as de farmacêuticos, outros US$ 7 bilhões, segundo dados da OMC.

Os dez maiores exportadores mundiais de químicos ­ UE, EUA, China, Suíça, Japão, Coreia do Sul, Cingapura, Canadá, Índia e Taiwan ­ responderam por quase 86% do total das vendas em 2015. Só a Índia melhorou sua posição no comércio mundial. No total, as exportações de químicos somaram US$ 1,6 trilhão, e as de produtos químicos, outros US$ 514 bilhões.

A UE exportou US$ 901 bilhões de químicos em 2015, seguida pelos EUA, com US$ 206 bilhões, e pela China, com US$ 130 bilhões.

Nesse cenário, os países ricos querem que participe a China, terceiro maior exportador mundial e grande importador. “Sem a China, complica”, diz uma fonte.

Mas Pequim mostra hesitação com a questão dos “free­riders”, países não membros do acordo que podem aumentar suas exportações de químicos, beneficiando­se da eliminação de tarifas sem dar a sua contrapartida na redução de alíquotas de seu próprio mercado.

Além disso, enquanto países ricos querem abolir tarifas no setor, a China tem uma visão diferente ­ que possivelmente contemplaria uma queda gradual das alíquotas.

Já a Índia quer ver se os articuladores da iniciativa conseguem número suficiente de países interessados, ou seja, a chamada “massa crítica” no jargão da cena comercial, antes de dizer se entra ou não.

Já houve um bom número de tentativas de acordo de liberalização no setor químico, sem sucesso. Os europeus, principalmente, voltam com força agora e com a ambição de concluir a negociação em dezembro de 2017, na reunião ministerial da OMC em Buenos Aires.

O desafio é grande, mas negociadores dizem que as tarifas já são baixas entre os países que devem participar, e que a lista de produtos não enfrentaria grandes problemas para obter consenso.

A definição de indústria químico, na OMC, inclui químicos básicos (plástico, borracha sintética etc), produtos agroquímicos (fertilizantes, pesticidas etc), cosméticos (sabão, perfume etc) e fibras sintéticas. Fontes próximas da negociação dizem que petroquímicos e farmacêuticos estarão na negociação, se ela se concretizar.

 

abiquiflashes (28/11/2016 – 521)

  • rutina: este farmoquímico é extraído de plantas cultivadas no nordeste brasileiro (Maranhão e Piauí) e é usado no tratamento da fragilidade capilar venosa. US$ 1.848.867,00 foram exportados pelo Brasil em 2016, até outubro, especialmente para a Europa.
  • Cefalosporinas: o Brasil exportou em 2016, até outubro, US$ 6.804.772,00 em cefalosporinas, importante grupo de antibióticos amplamente usado internacionalmente. Os EUA foram destino principal desta exportação.
  • virginiamicina: este antibiótico é usado em veterinária como antibacteriano e promotor do crescimento em aves. Particularmente enviado ao Canadá, as exportações de virginiamicina alcançaram em 2016, até outubro, US$ 30,3 milhões, excelente contribuição para as exportações brasileiras de manufaturados.

abiquiflashes (24/11/2016 – 520)

  • Vacinas (1): as vacinas para uso veterinário representam uma fonte interessante de divisas para o Brasil. Em 2016, até outubro, foram enviados ao exterior US$ 27,0 milhões deste tipo de vacina.
  • Vacinas (2): das vacinas acima indicadas, destaca-se a vacina contra a aftosa que gerou US$ 10.289,045,00 em exportações em 2016, até outubro, particularmente, para países da América Latina.
  • medroxiprogesterona: este farmoquímico (NCM 2937.23.10) tem uma participação crescente nas exportações brasileiras de farmoquímicos. Nos primeiros 10 meses de 2016, o País enviou ao exterior US$ 2.720.200,00 deste hormônio.

Passando o bastão do conhecimento

José Carlos Pinto – Valor Econômico:

Muito se fala do estado da saúde no Brasil; em particular, do mau atendimento a pacientes nos hospitais públicos. Contudo, uma faceta pouco discutida dessa crise é o baixo percentual de insumos farmacêuticos produzido no país. Como pode ser possível que, apesar dos mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil importe cerca de 95% dos compostos farmacêuticos usados para a fabricação de remédios? Se fôssemos impedidos de importar insumos farmacêuticos básicos não seríamos capazes de curar sequer algumas inflamações que demandam uso de antibióticos de uso corrente.

Considerando o tamanho do Brasil, essa dependência externa é estrategicamente inaceitável, mesmo que se desconsidere o impacto dessa dependência sobre os preços dos medicamentos. Isso fica claro toda vez que um laboratório internacional decide interromper a fabricação de um insumo farmacêutico por razões patentárias ou econômicas, a despeito dos benefícios que esses insumos possam trazer aos doentes que deles dependem.

Não é razoável que a produção de bens de alto conteúdo tecnológico seja virtualmente inexistente no Brasil

O retrato apresentado é similar em outros setores da economia. Por exemplo, dependemos do fornecimento externo de insumos computacionais, de eletroeletrônicos, de sistemas mecânicos de precisão, dentre muitos outros. Além disso, a dependência do país em relação aos equipamentos usados para a instalação de unidades industriais impõe a importação dos bens de produção que movimentam a maior parte da economia nacional, em particular daqueles com grande quantidade de tecnologia embarcada. Não se trata de querer que o país seja autossuficiente em tudo, mas não parece razoável que a produção de bens de alto conteúdo tecnológico seja virtualmente inexistente no Brasil, com poucas exceções que apenas confirmam a regra.

A despeito disso, é preciso reconhecer que a capacidade de geração de conhecimento tem aumentado de forma continuada nas últimas décadas. Segundo os diversos rankings mundiais de produção científica, o Brasil ocupa posições compatíveis com o tamanho de nossa economia, em torno do décimo lugar, a depender do ranking considerado. Nas instituições públicas de ciência e tecnologia, em especial, os investimentos efetuados levaram à melhora substancial da infraestrutura disponível e da capacidade de fazer pesquisa. Contudo, o aumento da capacidade de gerar conhecimento não foi acompanhado pelo aumento do impacto científico, da capacidade de inovação nem da competitividade do conhecimento gerado no Brasil.

Nos variados rankings mundiais de competitividade e inovação, o país ocupa sempre vexatórias posições, muitas vezes próximas do centésimo lugar, incompatível com qualquer avaliação acurada que se faça sobre o tamanho e importância da economia brasileira. Por que?

As causas que explicam a baixíssima influência econômica e social da pesquisa brasileira são várias: o baixo nível de investimento de empresas brasileiras em pesquisa, desenvolvimento e inovação; a falta de uma política industrial consistente e baseada no estímulo à inovação; a centralização excessiva das políticas governamentais e do arcabouço jurídico nas instituições públicas; os custos elevados e a baixa eficiência dos processos relacionados à proteção intelectual, dentre outros.

De uma forma ou de outra, esses temas vêm sendo discutidos por profissionais envolvidos com a questão do desenvolvimento tecnológico brasileiro, embora as soluções demandadas não venham sendo implementadas com a velocidade necessária. Contudo, uma dessas razões é particularmente relevante e frequentemente negligenciada nessas discussões: a falta de espaços que permitam o escalonamento das descobertas e desenvolvimentos tecnológicos feitos nos laboratórios do país (as chamadas plantas piloto multipropósito e os laboratórios de desenvolvimento de fábricas).

Em outras palavras, produzir cinco miligramas de um insumo farmacêutico em um laboratório não é o mesmo que produzir cinco toneladas em uma unidade fabril. Quando se aumenta a escala de produção, os gargalos tecnológicos e econômicos mudam e o processo industrial pode acabar muito distinto do processo usado na pequena escala. Assim, o domínio do conhecimento no laboratório não garante a independência tecnológica da nação, de maneira que o país pode ir bem no laboratório e muito mal no mundo real, em que quantidades expressivas do bem tecnológico precisam ser produzidas para o bem da sociedade. A passagem do bastão entre o laboratório e a unidade industrial, como numa corrida de revezamento 4 x 100, é fundamental para a produção de insumos em quantidades relevantes para impactar positivamente a sociedade.

No Brasil os termos “tecnologia” e “inovação” são frequentemente associados a “tecnologia da informação ­ TI”. É óbvio que as soluções de TI são fundamentais no mundo moderno e parece também óbvio que bens de alto conteúdo tecnológico certamente contam com apoio expressivo de recursos computacionais e de comunicação. Contudo, as atividades de escalonamento e produção extrapolam em muito as soluções de TI e essa capacitação para o escalonamento fabril precisa ser desenvolvida no país. Por exemplo, a produção de um insumo farmacêutico requer o desenvolvimento dos processos químicos, dos vasos de transformação, dos mecanismos de mistura e purificação, dos procedimentos e instrumentos necessários para o monitoramento e o controle de qualidade, dentre muitos outros. Para sairmos dos cinco miligramas e chegarmos às cinco toneladas, é preciso passar antes pela produção dos cinco gramas e dos cinco quilos.

Nesse sentido, é imperioso que os vários níveis de governo, as instituições de fomento, as federações da indústria e comércio e as entidades promotoras de inovação, como as incubadoras de empresas espalhadas pelo país, despertem para essa relevante questão do desenvolvimento tecnológico. Sem espaços acessíveis para o desenvolvimento da manufatura industrial, continuaremos gerando conhecimento de baixo impacto e importando a maior parte da base tecnológica que movimenta o Brasil, a despeito da qualidade da pesquisa e da quantidade de conhecimento que seja gerado no país.

José Carlos Pinto é diretor executivo do Parque Tecnológico da UFRJ.

abiquifi Alerta (23/11/2016)

Confira no link abaixo a informação Regulatória – IFAs e Excipientes INFOREG – IFA N° 13:

http://brazilianpharmasolutions.com.br

Mercosul e grupo de 4 países europeus vão negociar acordo

Assis Moreira – Valor Econômico:

Associação Europeia de Livre Comércio, conhecida pela sigla inglesa Efta, poderão enfim começar negociação de um acordo de livre comércio no ano que vem, para ampliar os negócios para suas empresas. A Efta é formada pela Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, países pequenos, mas com poder aquisitivo entre os maiores do mundo.

Em reunião esta semana em Genebra, seus ministros de Economia deram como concluída a fase exploratória com o Mercosul, “pavimentando o caminho para possíveis negociações de livre comércio no próximo ano”.

“Estamos muito interessados num acordo com o Mercosul e vemos que, comparado a alguns anos, o interesse do Brasil e da Argentina também aumentou”, afirmou o embaixador Markus Schlagenhof, representante do governo suíço em negociações de acordos comerciais.

Os países da Efta vão agora buscar os mandatos de negociação junto a seus parlamentos nacionais. Uma dificuldade é a questão agrícola, já que há, de um lado, grandes exportadores, e de outro, países que dão os maiores subsídios para seus agricultores, como Noruega e Suíça.

Para Schlagenhof, porém, o Mercosul “está consciente da nossa situação e já é uma boa base para os dois lados se entenderem e encontrarem uma solução”, em direção do acordo para troca de preferências para suas empresas.

Na conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Nairobi (Quênia), em dezembro de 2015, os países concordaram com a eliminação imediata de subsídios à exportação por países ricos. Mas Suíça, Noruega e Canadá, que atualmente são os que mais dão esse tipo de ajuda, poderão mantê­-los até 2020 no caso das exportações respectivamente de produtos processados (como chocolate), lácteos e carne suína. Nos países em desenvolvimento, o prazo vai até 2018.

O comércio entre os dois blocos alcançou US$ 7,3 bilhões em 2014, com superávit de US$ 2 bilhões para os membros da Efta. Esses países exportam principalmente maquinários, equipamentos médicos, químicos, farmacêuticos, enquanto o Mercosul vende químicos inorgânicos, carne bovina, café, chá.

Na reunião em Genebra, os ministros do Efta manifestaram interesse em concluir negociações de acordo de livre comércio com a Índia e Indonésia em 2017. Ao mesmo tempo, querem avançar em negociações com Malásia e Vietnã. Negociações começaram com o Equador. Também vão expandir o acordo com o México, retomaram discussões com a Turquia, países da África e exploram possibilidade de acordo com o Canadá.

Laboratório nacional domina 67% das vendas

Stella Fontes – Valor Econômico:

Os laboratórios nacionais têm abocanhado fatia crescente nas vendas de medicamentos no varejo farmacêutico e hoje já fornecem mais de dois terços do volume comercializado no país. Em receita, a participação das farmacêuticas brasileiras também é superior à das multinacionais, mas menor do que a presença em unidades: 58%, ante 67%.

É o que mostra uma extensa análise produzida pela Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), com base em dados da consultoria IMS Health relativos ao desempenho do varejo farmacêutico de janeiro a setembro deste ano. Nesse intervalo, as vendas de medicamentos nas farmácias brasileiras cresceram 12,4%, para R$ 37 bilhões. Em número de doses, a alta foi de 4,9%, a 109 bilhões.

Na avaliação do presidente-­executivo Alanac, Henrique Tada, o avanço demonstra que os remédios das empresas brasileiras conseguem, de fato, chegar a um custo mais baixo ao consumidor, seja em mercados mais competitivos, como o de genéricos, seja em classes com maior valor agregado. “Há alguns poucos produtos que ainda não são produzidos no país e têm preço mais elevado, sem a concorrência local. Mas, na maior parte dos segmentos, a indústria brasileira já está presente”, afirma o executivo.

Além disso, o setor tem assistido ao fechamento de fábricas e redução da produção de multinacionais no país, ao mesmo tempo em que marcas brasileiras investem em capacidade e vão entrando em nichos considerados extremamente sofisticados, como o de medicamentos biológicos e biossimilares. “Os últimos eventos de inauguração foram de empresas nacionais e, além de demonstrar a tecnologia alcançada, há redução de custo”, analisa Tada.

No próximo dia 25, por exemplo, a Libbs inaugura em Embu das Artes (SP) a Biotec, fábrica voltada ao desenvolvimento de anticorpos monoclonais, considerados uma nova fronteira para a indústria global. E, hoje, grandes empresas de capital nacional, como EMS, Hypermarcas, Eurofarma e Aché, desbancaram as chamadas “big pharma” e aparecem entre as seis maiores no ranking local em vendas (considerando-­se os descontos concedidos na cadeia).

Conforme o estudo da Alanac, entre janeiro e setembro de 2012, os laboratórios nacionais responderam por 58% das vendas de remédios (em unidades) em drogarias e farmácias. Em 2014, essa fatia chegou a 63% e, neste ano, a 67%. Os números mostram que, nesse período, a taxa média de crescimento anual das vendas das farmacêuticas brasileiras foi de 3,7%, enquanto as multinacionais tiveram desempenho negativo.

Em receita, a taxa média de crescimento anual das empresas brasileiras, entre 2012 e 2016, foi de 3,8%, também comparável a taxas negativas das concorrentes internacionais. “O ritmo ainda é de crescimento, mas a tendência é de desaceleração neste ano e no ano que vem, porque a base [de comparação] se tornou maior e a crise tem afetado principalmente os laboratórios que tem vendas para setor público, o que impacta diretamente o desempenho da indústria”, afirma Tada.

No Farmácia Popular, programa do governo federal que amplia o acesso a tratamentos para doenças mais comuns no país, os laboratórios nacionais também têm presença majoritária, com 67% em unidades e 61% em valor, ante 25% e 34%, respectivamente, das multinacionais.

O maior preço médio praticado pelos laboratórios estrangeiros explica a diferença menor de participação nas vendas em valor. “A participação dos nacionais é bem maior também por causa de sua capacidade de resposta rápida”, diz o presidente da Alanac. Conforme o levantamento, no geral, o preço médio da unidade vendida pelos laboratórios nacionais é de R$ 20,76 neste ano, abaixo dos R$ 30,37 médios das múltis.

De acordo com Tada, a análise dos números da IMS também confirma a dominância da indústria nacional nas categorias de medicamentos genéricos e similares, com participação de 79% e 78% nas unidades vendidas, respectivamente. Em remédios de referência, porém, é folgada a liderança das farmacêuticas estrangeiras e as brasileiras têm apenas 22%.

No fim dos anos 90, lembra Tada, quando foi lançada a proposta do genérico no país, os laboratórios nacionais adotaram a ideia e se tornaram grandes fornecedores. “A indústria é ágil e consegue responder rapidamente ao governo. Também nas PDPs [Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo] os laboratórios nacionais têm maior participação”, acrescenta. No recorte por modalidade, laboratórios nacionais respondem por 62% das vendas de medicamentos isentos de prescrição e 69% de remédios sob prescrição.

Conforme Tada, é provável que a participação dos laboratórios brasileiros esteja se aproximando do ponto de acomodação, mas, no curto e médio prazos, a tendência é de crescimento. “Nas condições atuais, se os números se mantiverem elevados, já é uma vitória”.

Japão avalia aprofundar relações comerciais com o Mercosul

Fernando Exman – Valor Econômico:

O gabinete do primeiro-­ministro do Japão, Shinzo Abe, enviou um dos principais especialistas em negociações comerciais do país ao Brasil e à Argentina para avaliar se as posses dos governos de Michel Temer e Mauricio Macri poderão de fato levar a uma maior abertura comercial dos principais integrantes do Mercosul.

Em sua passagem pelo Brasil, a mensagem do professor Yorizumi Watanabe aos seus interlocutores do governo e do setor produtivo foi clara: um acordo com o Japão normalmente gera, além de um impulso nas trocas comerciais, um aumento no número de empresas japonesas interessadas em operar em terceiros países ou blocos comerciais que decidem integrar suas cadeias produtivas ­ uma oportunidade para ampliar investimentos e criar empregos.

Acadêmico sênior da Universidade de Keio, instituição privada fundada em 1858 em Tóquio, Watanabe foi enviado como especialista pelo governo de seu país com a missão de perscrutar os dois mercados, após as recentes visitas ao Japão do presidente Michel Temer e da vice-­presidente argentina, Gabriela Michetti.

Em entrevista ao Valor, ele lembrou que o Japão já tem acordos de livre comércio com países do
Sudeste Asiático, está avançando com o Acordo Transpacífico e negociações com a União Europeia. Na
América do Sul, tem acordos com praticamente todos os principais parceiros que estão voltados para
o oceano Pacífico. No entanto, o país sente dificuldades em negociar com o Mercosul devido às
amarras institucionais do bloco.

Watanabe argumentou, por exemplo, que empresas japonesas ajudaram países do Sudeste Asiático a integrar suas cadeias produtivas. Em relação ao México, com quem o Japão tem um acordo desde 2005, o número de companhias japonesas lá instaladas subiu de 330 para 957.

“Algumas pessoas dizem que o acordo com o Japão foi mais positivo que o Nafta [para o México]”, destacou. “Com os 15 acordos já assinados [pelo Japão], TPP e acordo com UE, mais de 60% do comércio japonês será coberto por acordos de preferência comercial.”

O especialista japonês acrescentou que, entre os países da Aliança do Pacífico, só falta completar as negociações com a Colômbia. E acrescentou que a parceria com o Chile já ajudou o vinho produzido no país andino a superar em volume as exportações francesas do produto, o que demonstraria que tais acordos podem ajudar produtos agrícolas a entrar no mercado japonês.

“O que devemos fazer em relação ao Mercosul? Devemos esperar até uma espécie de Comissão do Mercosul ser estabelecida? Ou devemos negociar com uma espécie de unidade colegial de cinco governos, incluindo aí Venezuela? Difícil. A bola está do lado do Mercosul”, afirmou. “Agora há novos governos no Brasil e na Argentina e estamos interessados em aprofundar nossas relações econômicas, mas temos que atacar essas questões institucionais. O Japão está pronto para avançar com o Brasil, e a bola está com o Brasil.”

Hoje, segundo dados do governo federal, há cerca de 700 empresas japonesas operando no Brasil. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o superávit acumulado pelo Brasil nas trocas bilaterais entre janeiro e outubro deste ano soma US$ 785,63 milhões ­ resultado de US$ 3,81 bilhões em exportações e US$ 3,02 bilhões em importações.

Envolvido nas grandes negociações comerciais das quais o Japão participou nas últimas duas décadas, Watanabe ocupou altos cargos no Ministério dos Negócios Estrangeiros de seu país. O professor não demonstra otimismo com um aumento do comércio internacional, mas está confiante de que os Estados Unidos manterão o Acordo Transpacífico, “uma questão de relevância para a liderança global dos EUA”. Segundo ele, o presidente eleito Donald Trump “muda o que diz” e um Congresso majoritariamente republicano pode ajudar o partido a pressioná­-lo.

Para o professor, o reconhecimento da China como economia de mercado não é central para o Japão, mas sim para os países que mais adotam medidas antidumping contra produtos chineses. Já em relação ao Brexit, o professor afirmou que o Japão já enviou a Londres um pedido de manutenção do atual ambiente de negócios para que as empresas instaladas no Reino Unido continuem a acessar com liberdade a União Europeia.

“Não é um movimento protecionista. Eles [britânicos] querem sua soberania nacional de volta, mas são favoráveis à liberalização comercial”, disse, ponderando que o Reino Unido terá dificuldades de recursos humanos para tantas frentes de negociação que se iniciarão ­ um acordo para firmar as condições do Brexit, um acordo comercial com a União Europeia, um acordo com a OMC, renovar parcerias com outros países sozinho e negociar novos acordos de livre comércio com outros países ou blocos.

abiquiflashes (21/11/2016 – 519)

  • heparina: este importante anticoagulante é extraído da mucosa intestinal de bovinos e suínos. O Brasil, pelo seu rebanho, é importante produtor mundial deste farmoquímico. Em 2016, até outubro, foram enviados ao exterior US$ 21,7 milhões deste produto.
  • Medicamento: o principal medicamento exportado pelo Brasil é o elaborado à base de insulina, Em 2016, até outubro, foram exportados US$ 156,9 milhões deste tipo de produto.
  • ácido salicílico: este ácido, além de seu uso como queratolítico é o principal intermediário na produção do ácido acetilsalicílico (aspirina) obtido por processo de acetilação. Em 2016, até outubro, o Brasil exportou US$ 7.251.578,00 deste ácido.