Governo faz nova seleção de projetos para a Embrapii

João Luiz Rosa – Valor Econômico:

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) vai anunciar, hoje, uma chamada pública para a seleção de cinco novas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A meta é escolher até cinco projetos, que ao todo vão receber R$ 20 milhões em recursos públicos.

Como o modelo de investimento prevê que tanto a iniciativa privada como as instituições de pesquisa envolvidas nos projetos façam aportes semelhantes, a expectativa é que até R$ 100 milhões sejam destinados à inovação na indústria.

“É um volume bastante significativo considerando o momento que o país vive atualmente”, disse o ministro Gilberto Kassab, titular do MCTIC, ao Valor.

A Embrapii foi criada pelo governo federal em 2013, com o objetivo de aproximar centros de pesquisa e empresas. Desde então, já foram financiados 135 projetos, com um investimento total de R$ 237 milhões.

O modelo de unidades da Embrapii se baseia no credenciamento de grupos de trabalho em instituições de pesquisa, que podem ser públicas ou privadas. O selo é concedido aos projetos selecionados nas chamadas públicas, e não às instituições como um todo. Por essa razão, uma única unidade pode ter mais de um grupo ou projeto em funcionamento. Até agora, a Embrapii reúne 23 unidades e cinco polos de inovação. Esses últimos são institutos federais e têm chamadas específicas. A expectativa, com o início do novo processo de seleção, é chegar a 33 unidades.

Foram escolhidas oito áreas de competência: robótica, mecatrônica e manufatura avançada; química; química verde; materiais; energia renovável; biotecnologia, biomassa e biodiversidade; tecnologia de alimentos; e biofármacos e fármacos. Os segmentos foram identificados como os de maior demanda pela indústria, de acordo com as organizações consultadas, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse o ministro. As áreas cobrem uma grande variedade de atividades, desde biopesticidas e tintas renováveis, agrupadas na química verde, até embalagens inteligentes e processos de conservação, no caso da tecnologia de alimentos.

A previsão é que as novas unidades sejam anunciadas até abril do ano que vem. Para participar da seleção, os grupos devem comprovar que já obtiveram pelo menos R$ 5 milhões em recursos de empresas no período entre 2012 e 2014.

O orçamento total da Embrapii é de R$ 1,5 bilhão até 2018. Os recursos vêm do próprio MCTIC e do Ministério da Educação. “A Embrapii está funcionando muito bem”, disse Kassab. “É uma instituição que veio para ficar.”

O MCTIC é resultado da combinação do antigo Ministério da Ciência e Tecnologia com o das Comunicações. A proposta orçamentária para 2017, em análise no Congresso Nacional, prevê um total de recursos de R$ 5,190 bilhões para o MCTIC, sem incluir a área de comunicações. Isso equivale a um aumento de 21,7% em relação aos valores deste ano, disse o secretário executivo do Ministério, Elton Santa Fé Zacarias. Com a inclusão das comunicações, o orçamento sobe para R$ 5,762 bilhões, 20% superior ao de 2016.

Apesar dessa elevação proposta, os recursos ainda estão bem abaixo do que a área de ciência e tecnologia já recebeu em períodos como 2012 e 2013, quando o orçamento era de cerca de R$ 7 bilhões.

Para estimular os investimentos em inovação, o MCTIC criou uma cartilha para deputados e senadores. O texto sistematiza os procedimentos para que eles possam destinar recursos das emendas parlamentares ­ uma verba que está disponível para os congressistas­ à área de ciência e tecnologia.

abiquiflashes (29/09/2016 – 505)

  • Medicamento: O medicamento pronto mais exportado pelo Brasil é o elaborado à base de insulina. Nos primeiros oito meses de 2016, foram exportados US$ 124,9 milhões deste tipo de medicamento para várias partes do mundo.
  • Contraceptivos: As preparações químicas contraceptivas produzidas no País têm papel importante nas exportações do setor farmacêutico brasileiro. US$ 20,6 milhões destes produtos alcançaram outros mercados em 2016, até agosto.
  • Cefalosporinas: US$ 24.051.595,00 foi o montante exportado pelo Brasil em 2016, até agosto, de medicamentos à base de cefalosporinas (NCM 3004.20.52 e 3004.20.59). Estas exportações foram dirigidas, basicamente, ao mercado norteamericano.

União Europeia evita definir prazos para negociações com o Mercosul

Assis Moreira – Valor Econômico:

A União Europeia não quer assumir compromisso de acelerar as negociações de um acordo de livre comércio com o Mercosul, como foi reivindicado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai na semana passada. A comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmström, ao ouvir questão sobre a demanda do Mercosul, disse ao Valor que as negociações estão em curso e que em outubro haverá a “verdadeira primeira rodada de negociações” dos últimos tempos.

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, previu que um acordo poderá ser alcançado em um ano e meio a dois anos, mas a comissária evitou entrar nessa discussão. “Não queremos estabelecer prazo; vamos ver.”

A avaliação tanto em setores do Mercosul quanto da Europa é que a resistência continua forte entre alguns países europeus, liderados pela França, contra um acordo birregional. O temor da concorrência agrícola do Mercosul é, entre os europeus, maior que a ambição por acesso para indústrias europeias.

Além disso, o ímpeto do Brasil por abertura comercial ocorre na contramão da tendência atual, em que as forças anticomércio ampliam sua influência nos EUA e na Europa. Em todo caso, a visão da comissária, pelo menos oficialmente, é que “não há grande oposição [a negociar com o Mercosul]. Há apoio. Temos mandado dos 28 países para negociar”, afirmou.

A primeira discussão sobre ofertas de liberalização apresentadas no primeiro semestre vai ocorrer entre 10 e 14 de outubro, em Bruxelas. Para Soraya Rosar, gerente de negociações internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), como a negociação da UE com os EUA sobre o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) não avança, é possível que haja mais foco de Bruxelas em relação ao acordo com o Mercosul.

O secretário de Comércio do Reino Unido, Liam Fox, afirmou que Londres vai manter seus compromissos de “campeão de liberalização” depois que deixar a UE. O Reino Unido vai ter de renegociar com 58 países com os quais a UE tem acordos de livre comércio, algo jamais visto e que pode causar turbulências nas trocas globais. Com a saída da UE, britânicos perdem as margens de preferência para suas empresas.

Enquanto o Mercosul exclui a Venezuela, Cecilia Malmström deixou claro que o Reino Unido, que não oficializou sua saída, continua sendo levado em conta negociação com o Mercosul. “São 28 países [do lado europeu]”, afirmou.

Brasil ganha força na estratégia da UPL

Mariana Caetano – Valor Econômico:

A decisão da indiana United Phosphorus Limited (UPL) de investir R$ 1 bilhão em uma nova fábrica de agroquímicos no Brasil, anunciada na semana passada, é um movimento estratégico que deve reforçar a posição do país como uma importante plataforma para a companhia atender o restante da América Latina, parte da África e dos EUA. Por ser o maior investimento da empresa desde que fincou raízes por aqui, há cinco anos, o aporte contribuirá também para acelerar a meta de atingir o primeiro bilhão (nesse caso, de dólares) de receita no país, diz Carlos Pellicer, presidente da UPL no Brasil.

“Planejávamos chegar a US$ 1 bilhão de faturamento no Brasil até 2020, mas acho que chegaremos antes até”, disse o executivo ao Valor. A empresa, que se dedica aos defensivos pós-­patente (genéricos) encerrou o último exercício, em março de 2016, com uma receita de US$ 381 milhões, ou cerca de R$ 1,6 bilhão. Para o atual ano fiscal, a expectativa é de um crescimento de 40% em real. O Brasil já é o terceiro mercado para a UPL, atrás de Índia e EUA. Globalmente, a empresa fatura em torno de US$ 2 bilhões.

A fábrica planejada pela companhia será dedicada à síntese de produto técnico, que é a matéria-­prima para os defensivos. A unidade contará com uma área menor para formulações, mas essa tarefa seguirá concentrada em Ituverava (SP), onde a UPL já mantém uma planta. “O Brasil não tem muitos produtos sintetizados aqui, e entendemos que se construíssemos um parque fabril com esse foco, isso nos daria uma posição diferenciada”, afirmou Pellicer.

Conforme o executivo, do total de agroquímicos produzidos no país, menos de 10% é sintetizado domesticamente, daí a grande dependência de importações. Mas das 28 unidades que a UPL tem espalhadas pelo mundo, 18 fazem síntese de produtos.

Com a nova unidade, a UPL quer garantir 65% da matéria-­prima que necessita para sua produção local e trazer do exterior apenas os 35% restantes. Hoje, a relação é inversa. A fábrica abastecerá outras unidades da empresa indiana no mundo, mas também deve fornecer uma pequena parcela para terceiros. A expectativa é que a planta tenha uma capacidade de produção de 150 mil toneladas por ano e que gere cerca de 700 empregos diretos. O local da nova unidade ainda não foi definido.

Há um ano, Pellicer disse ao Valor que a UPL estudava erguer uma nova indústria, mas à época estimou um aporte mais modesto, de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões. “Acontece que decidimos ampliar o portfólio, produzindo mais produtos, em maior quantidade e para mais culturas”, explicou. A empresa não detalha quais produtos técnicos fabricará, mas adianta que serão voltados a soja, milho, cana, algodão e café. “O câmbio atual também tornou o Brasil mais competitivo para esse investimento”, admitiu o executivo.

Maior empresa de defensivos da Índia, a UPL iniciou operações no Brasil em 2003, com a comercialização de produtos importados. Em 2011, adquiriu o controle da subsidiária brasileira do grupo alemão DVA, do qual herdou a estrutura fabril em Ituverava. A empresa não cria novas moléculas, mas busca novos usos e misturas.

Além de defensivos, o grupo mantém negócios nas áreas de sementes e fertilizantes. Na última década, a companhia investiu em torno de R$ 600 milhões no Brasil, entre pesquisa e desenvolvimento, pedido de registros, estação experimental, laboratório de formulações e ampliação da fábrica em Ituverava.

O projeto da nova fábrica aproximou a companhia do governo brasileiro ­ o anúncio do investimento foi feito pelo próprio ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em viagem à Índia na semana passada.

“Para começar a produzir, precisamos do registro dos produtos e queríamos alinhar com o ministério o apoio nesse trabalho de adequação dos registros”, explicou Pellicer. Além do Ministério da Agricultura, também o Ibama e a Anvisa serão responsáveis por autorizar a fabricação desses produtos técnicos pela UPL no Brasil. Otimista, a empresa espera que o primeiro litro de agroquímico saia da nova unidade em 2018.

Com uma estrutura mais robusta, a UPL também se fortalece em um setor marcado por um crescente movimento de concentração. De um ano para cá, foram fechadas a fusão de Dow e DuPont, a compra da Syngenta pela ChemChina e da Monsanto pela Bayer. “Tudo isso nos dá mais motivação, porque o mercado fica mais profissional”, disse Pellicer. Para ele, essa ‘dança das cadeiras’ no mercado tende a obrigar as empresas a venderem parte de seus negócios, o que abriria oportunidades de aquisições para a companhia indiana.

BR Pharma encolhe e pode até vender a fatia do controlador

Cynthia Malta – Valor Econômico:

A BR Pharma, varejista do setor de farmácias controlada pelo banco BTG Pactual, está encolhendo. Já vendeu duas redes e reiterou ontem, em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que avalia constantemente oportunidades para vender suas bandeiras e até a participação do controlador.

A companhia tem ainda quatro marcas no portfólio: a paraense Big Ben, a baiana Sant’Ana, a carioca Farmais e a pernambucana Guararapes.

O plano do BTG, de ter uma rede de farmácias de alcance nacional, com diversas marcas, mostrou-­se de difícil execução. Integrar sistemas operacionais e culturas diferentes provou ser um desafio, talvez, grande demais para a companhia, constituída há quase sete anos, em dezembro de 2009, e com metade da diretoria originária do mercado financeiro.

Antes mesmo do país entrar em recessão ­ cenário que levou o varejo a registrar em 2015 o pior desempenho em 10 anos ­, o braço de farmácias do BTG já avaliava vender alguns ativos.

A Raia Drogasil, concorrente direta da BR Pharma, surgiu há cinco anos da união de duas redes ­ a Droga Raia e a Drogasil ­ e mostra trajetória diferente. A integração dos negócios avançou e o grupo é hoje o maior do setor de farmácias do país, com resultados positivos no balanço, valorização recorde em bolsa e metas ambiciosas. Deve somar cerca de 1,6 mil pontos ao fim de 2017. Serão 400 aberturas entre 2016 e 2017 ­ uma nova loja a cada 48 horas, em média.

A Raia Drogasil tem cerca de 1,2 mil farmácias atualmente. Na BR Pharma são 815, considerando­-se as quatro bandeiras que fazem parte do portfólio agora.

A rede Rosário, vendida para a Profarma, é a segunda operação negociada pela varejista controlada pelo BTG.

Em novembro do ano passado, a companhia se desfez da Mais Econômica, rede de farmácias no Sul do país, para a gestora de private equity Verti Capital, por R$ 44 milhões.

A Big Ben, a maior rede do Norte do país e considerada o filé mignon da BR Pharma, tem atraído interesse. Ela tem receita bruta de R$ 1,5 bilhão e responde por cerca de 40% das vendas da BR Pharma. Vem sendo avaliada pela Extrafarma, do Grupo Ultra, há algum tempo. A Big Ben tem 257 lojas e foi comprada pela BR Pharma em 2011, por R$ 453 milhões.

Outra rede que pode ser negociada é a Sant’Ana. Fundada em 1945, ela conta com 120 lojas na Bahia, sendo 92 em Salvador e 28 no interior. É líder do varejo de farmácias local, mas a rede está algo envelhecida. A Sant’Ana entrou para a BR Pharma em 2012. O leque de marcas do grupo inclui ainda a Farmais e a Guararapes.

A Farmais é a maior rede de franquias no setor farmacêutico brasileiro, com mais de 400 lojas em sete Estados, segundo a própria BR Pharma. Fundada há 22 anos no Rio de Janeiro, a Farmais foi comprada pelo braço de farmácias do BTG em 2009.

Um ano depois, em 2010, a BR Pharma comprou a Guararapes. Fundada em 1965, na cidade de Recife, é uma das mais antigas em atividade no Estado de Pernambuco. Possui 38 lojas distribuídas por Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Esta rede é administrada há quatros anos pela paraense Big Ben.

Ontem, a BR Pharma também informou que tem um novo presidente: Gabriel Monteiro. Formado em Ciências Contábeis pela Fundação Universidade Regional de Blumenau, ele trabalhou no Grupo WTorre por mais de oito anos. Monteiro foi sócio­diretor na Galeazzi & Associados por mais de 12 anos, atuando em projetos de transformação organizacional e melhoria de performance, segundo a BR Pharma.

Monteiro é o quarto executivo à frente da BR Pharma. Entre suas tarefas, terá a missão de avaliar oportunidades para vender mais ativos e até a fatia do controlador.

Profarma compra rede Rosário por R$ 173 milhões

Cibelle Bouças – Valor Econômico:

A Profarma confirmou na manhã de ontem a compra da rede Rosário, pertencente à BR Pharma. A negociação foi antecipada pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, na quinta-­feira. A Profarma vai pagar um total de R$ 173 milhões pela rede, a maior do Centro­-Oeste, com 150 unidades e um centro de distribuição.

Com a aquisição, a Profarma amplia sua presença no varejo: passa a deter 279 drogarias, com um faturamento de R$ 1,4 bilhão, tornando-­se o sexto grupo de farmácias do país em número de lojas. Considerando todos os seus negócios o principal é o atacado de medicamentos, a Profarma registrou receita bruta de R$ 4 bilhões no ano passado.

Dos R$ 173 milhões previstos no acordo com a BR Pharma, R$ 32 milhões serão pagos à vista e outros R$ 91 milhões serão quitados no trigésimo sexto mês após a compra. Esse montante poderá ser pago em dinheiro ou em ações da Profarma. “Ainda não há definição se o pagamento será em ações ou dinheiro, mas é uma decisão que cabe à Profarma”, afirmou Max Fischer, diretor financeiro e de relações com investidores da Profarma. A companhia vai injetar ainda R$ 50 milhões em capital de giro na rede adquirida.

O executivo disse que vê grande potencial de ganhos com a Rosário e espera que a rede volte a ter lucro a partir de 2017. “Na Rosário há menos a ser feito do que no caso da Drogasmil Farmalife. Na primeira aquisição, a empresa levou um ano e meio para tornar a rede lucrativa. A Rosário vai levar menos tempo que isso’, afirmou Fischer.

Quando comprou a Drogasmil Farmalife, em 2013, a Profarma fechou 30 das 80 lojas da rede e reformou as outras 50, mantendo as unidades sem funcionar por um mês. No caso da Rosário, disse Fischer, as lojas não precisam de reformas e os softwares são os mesmos da Profarma, o que facilita a integração.

Fischer também avalia o fechamento de “muito poucas unidades”, após a aprovação da compra pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A empresa estima que o Cade aprovará o negócio sem restrições em até cinco meses. A Profarma ainda não decidiu se manterá o centro de distribuição.

A receita média da Rosário é de R$ 250 mil por loja ao mês, segundo estimativas de mercado. Fischer disse que se os pontos atingirem uma receita média individual de R$ 380 mil por mês, a Rosário atingirá o equilíbrio financeiro. Ele estima que a rede atingirá essa média no fim do segundo trimestre de 2017.

Isso será possível porque a Profarma vai usar a sua estrutura de distribuição para abastecer as unidades da Rosário. “A previsão é que a Profarma leve de 30 a 40 dias para reabastecer as lojas da Rosário”, disse Fischer. O executivo diz que as unidades operam com falta de 50% dos medicamentos encontrados nas redes concorrentes.

Fischer disse que não tem interesse na compra da Big Ben ­rede que também pertence à BR Pharma e está à venda ­ mas avalia fazer novas aquisições no longo prazo. “A estratégia de crescimento de longo prazo abrange a abertura de lojas e aquisições. Mas, no curto prazo, vamos nos concentrar na integração da Rosário”, afirmou Fischer. No alvo estão redes com bandeiras relevantes e potencial de expansão regional.

A Profarma atua no varejo de farmácias há quatro anos, com as redes Drogasmil, Farmalife e Tamoio. O negócio representou no ano passado 15% da receita da Profarma, contra 69% da divisão de distribuição de medicamentos e 16% do negócio de “especialidades”, que inclui itens para hospitais e vacinas. Com a compra da Rosário, a área de farmácias passa a representar 25% da receita total da companhia.

Guilherme Assis, analista da Brasil Plural, considerou o valor pago “relativamente barato”, equivalendo a 0,27 vez a relação entre o valor da rede e suas vendas.

Novidade no regulamento da Anvisa

Alexandre Einsfeld – Valor Econômico:

Foi publicada em 25 de agosto a Resolução RDC nº 102/2016 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que passará a permitir, no âmbito daquela autarquia, a transferência direta de registros sanitários de produtos entre diferentes empresas. O regulamento, que entrará em vigor no prazo de 120 dias contados da sua publicação, é medida de grande importância, que certamente agilizará procedimentos que, até então, esbarravam em uma série de obstáculos, com prejuízo à desejável celeridade e à segurança jurídica.

Até hoje, a figura da transferência de um determinado produto sujeito à vigilância sanitária entre empresas, como tal, não tem previsão no regulamento da Anvisa, a menos que resulte de operações societárias de fusão, cisão, incorporação ou sucessão. Ou seja, ao contrário do que o senso comum permitiria imaginar, não é possível que duas sociedades empresárias, manifestando sua livre vontade, passem de uma a outra a titularidade de registro sanitário validamente expedido e cujo produto respectivo não sofra mudança das suas características técnicas; não, ao menos, com simplicidade.

Nos termos da brevemente revogada Resolução RDC nº 22/2010 o procedimento é complexo: o titular do registro vigente deve requerer o seu cancelamento. Aquele que pretende a titularidade do mesmo produto deve submeter ao órgão todo o dossiê de registro. Os processos são analisados em conjunto e, ao final, decisões são publicadas na imprensa oficial cancelando o registro existente e, de modo concomitante, outorgando um novo.

Espera­-se que cuide a Anvisa de efetivar as ações contempladas na nova regra de modo ágil e, sobretudo, eficiente

Há, contudo, problemas nesta sistemática. Mesmo num ambiente em que os envolvidos ajam orientados pelo espírito de cooperação, a pendência do processo de cancelamento e concessão gera, por si, uma variedade de desconfortos e situações inusitadas. Enquanto aguardam a manifestação da Anvisa e a prolação da decisão final, as partes podem se ver enredadas em uma série de acordos e contratos paralelos ao principal, de modo a assegurar que o produto que já deveria ser do adquirente do registro continue sendo comercializado por aquele que até então detinha a autorização do órgão regulador, afastando a solução de continuidade no abastecimento. Isso, claro, exige, além de criatividade, imensa paciência, eis que o período de transição, não raro, excede o que seria desejável ou recomendável num mercado tão dinâmico.

Mais difícil é a situação daqueles que por qualquer motivo sejam obrigados a seguir a via judicial: a regulação farmacêutica é tema árido, com o qual o Poder Judiciário não tem familiaridade ­ e não há aqui qualquer crítica. O caráter eminentemente técnico o explica. Ao magistrado é apresentado um regramento incoerente e anacrônico, entremeado por particularidades que estão sempre a lhe sugerir que a sua decisão tem o potencial de acarretar impactos maiores do que aqueles que poderia, em princípio, valorar.

Nesse cenário, um procedimento dotado de maior clareza como o que entrará em vigor poderá tornar mais simples o exercício jurisdicional, de modo a garantir o emprego das ferramentas processuais já disponíveis, mas, algumas vezes, inacessíveis pela dificuldade ­ repita­-se, compreensível ­na assimilação de peculiaridades invencíveis a não iniciados.

Quanto à nova regra propriamente dita, ela é motivo de comemoração. Em primeiro lugar, por ter derivado de consulta pública que contou com a participação do setor regulado. E a este, ao que parece, a iniciativa satisfaz: de acordo com o Relatório de Análise da Participação Social elaborado pela própria Anvisa, mais de 75% dos participantes consideram que o conteúdo da proposta convertida na Resolução RDC nº 102/2016 tem impacto positivo alto ou moderado em suas rotinas e atividades. Em segundo lugar, por conferir à questão que propõe regular tratamento superior ao que antes havia.

Dentre outras inovações, entram em cena a operação comercial, que é justamente aquela que prescinde da existência de um negócio societário para justificar a migração do registro de um produto de uma entidade a outra, e a transferência de titularidade de registro, possível nos casos em que as características técnico­-sanitárias do produto objeto da transferência sejam mantidas. Há, ainda que algumas ressalvas possam ser feitas, subversão da lógica burocratizante, com ganho de racionalidade. Espera­se que, em conjugação à iniciativa modernizadora, cuide a Anvisa de efetivar as ações contempladas na nova regra de modo ágil e, sobretudo, eficiente.

Se realmente alcançados os objetivos traçados quando da abertura da consulta pública que originou a Resolução RDC nº 102/2016, que incluem a simplificação administrativa e de análise técnica, com economia de esforços e recursos da Anvisa, a nova norma corresponderá, sim, a um avanço regulatório, com benefícios palpáveis para o setor e para a toda sociedade.

Alexandre Einsfeld é advogado, sócio de Fialdini Einsfeld Advogados

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso dessas informações

Mercosul terminal

Mauro Laviola – Setembro 2016:

Breve análise da atual situação do Mercosul deve levar em conta alguns antecedentes importantes.

Inicialmente, o projeto contido no Tratado de Assunção, de 1991, inverteu os parâmetros básicos do objetivo final, mediante a aprovação prévia de uma tarifa externa comum sem que os quatro países fundadores tivessem realizado estudos visando à coordenação de políticas macroeconômicas e comerciais.

A segunda metade dos anos 90 marcou os descompassos existentes na condução das respectivas políticas de estabilização argentina e brasileira, aquela regida pela conversibilidade do peso ao dólar e a nossa visando estabilizar o descontrole fiscal e a inflação com a adoção do Plano Real. No âmbito internacional, o final da década marca frequentes turbulências nos sistemas cambiais e de movimento de capitais que afetam, basicamente, os países em desenvolvimento e, na região, particularmente o plano argentino de “conversibilidade”.

No início dos anos 2000, as partes aprovam a Decisão CMC 32, que veta negociações individualizadas dos países membros com nações ou blocos não regionais. O ano seguinte marca o começo do calvário argentino com os credores externos com a declaração de default à sua dívida externa. Os períodos subsequentes caracterizam-se por grandes dificuldades operacionais no desenvolvimento da agenda de consolidação da união aduaneira, não obstante as duas frustradas tentativas de “relançamento do Mercosul” causadas pela incapacidade política dos países membros de procederem a uma revisão no processo e abdicarem de conduzir suas interesses nacionais de forma totalmente autárquica.

Os episódios subsequentes mostraram o desalinhamento progressivo dos objetivos básicos do processo, contaminados por conduções políticas orientadas pelo “bolivarianismo” adotado pela quase totalidade dos países membros da época, além da desnecessária adesão da Venezuela ao Mercosul, cujo vínculo comercial com os demais membros já estava amparado pelo Acordo de Complementação Econômica 59 da Associação Latino-Americana de Integração. Em 2010, a Argentina inicia a adoção de uma série de medidas restritivas às importações em geral premida pela ausência de créditos internacionais. Em julho de 2012, ocorre a suspensão temporária do Paraguai pela destituição do presidente Lugo. Em julho de 2014, voltou a ser membro pleno e invalidou todas as medidas adotadas pelo bloco durante sua suspensão porque aprovadas sem consenso dos países membros.

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Os últimos acontecimentos políticos só encontram paralelo nas óperas bufas. O Mercosul está totalmente acéfalo de direção, seus objetivos básicos estão esfacelados, e a situação política tende a se agravar com a crítica situação da Venezuela e a eventual adesão da Bolívia ao bloco.

Num ambiente imprevisível como esse, caberia indagar aos senhores mandatários que contribuições podem esperar dos empresários regionais. Imagino que apenas velas e uma bela coroa de flores.

Mauro Laviola – Vice-Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil

abiquiflashes (27/09/2016 – 504)

  • sulfato de condroitina: Este farmoquímico é usado no tratamento das artroses e é extraído da cartilagem de aves, bovinos e suínos. Em 2016, até agosto, o Brasil exportou US$ 5 milhões deste produto.
  • Extratos: O código NCM 3001.20.90 engloba os extratos de glândulas ou de outros órgãos, exceto os extratos de fígado, para usos opoterápicos. Por este código NCM foram exportados em 2016, até agosto, US$ 2.618.274,00.
  • Outras substâncias: Já o código NCM 3001.90.90 se refere a outras substâncias humanas ou animais para fins terapêuticos ou profiláticos. Por ele, em 2016, até agosto, foram enviados ao exterior US$ 4.481.062,00 destas substâncias.

Profarma está prestes a comprar Rosário

Beth Koike e Cynthia Malta – Valor Econômico:

A BR Pharma, varejista do setor de farmácias controlada pelo banco BTG Pactual, está prestes a fechar a venda da Drogaria Rosário, rede de farmácia do Centro-­Oeste, por cerca de R$ 200 milhões para a Profarma, informou ontem o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor.

A Profarma, uma atacadista e varejista de produtos farmacêuticos, deve usar recursos próprios e contratar financiamento para comprar a Rosário, segundo uma fonte. Em março deste ano, a Profarma aprovou um aumento de capital de até R$ 140 milhões.

A Rosário, fundada em 1975, em Brasília, por Álvaro Silveira, um representante de empresa farmacêutica, passou a integrar a BR Pharma em julho de 2010. O site da Rosário informa que ela tem mais de 150 lojas distribuídas no Distrito Federal e nos Estados de Mato Grosso, Goiás e Tocantins.

A Profarma, uma das maiores distribuidoras de medicamentos do país, estreou no mercado de drogarias há três anos, com a compra das redes Drogasmil e Farmalife, com unidades no Rio de Janeiro. Também em 2013, no Rio, concluiu a compra da rede Drogarias Tamoio.

BR Pharma e Profarma chegaram a avaliar a possibilidade de unir operações, criando a maior distribuidora e varejista de medicamentos do país. Mas conversas, realizadas há cerca de três anos, não prosperaram.

A venda da Rosário, se confirmada, será a segunda feita pela BR Pharma. Em novembro do ano passado, a companhia vendeu a Mais Econômica, rede de farmácias no sul do país, para a gestora de private equity Verti Capital, por R$ 44 milhões.

A Big Ben, a maior rede do Norte do país e considerada o filé mignon da BR Pharma, tem atraído interesse. Ela tem receita bruta de R$ 1,5 bilhão e responde por cerca de 40% das vendas da BR Pharma. Está sendo avaliada pela Extrafarma, do Grupo Ultra. A Big Ben tem 257 lojas e foi comprada pela Br Pharma em 2011, por R$ 453 milhões.

Outra rede que está sendo negociada pela BR Pharma é a Sant’Ana. Fundada em 1945, ela conta com 120 lojas na Bahia, sendo 92 em Salvador e 28 no interior. É líder do varejo de farmácias local, mas a rede está algo envelhecida. A Sant’Ana entrou para a BR Pharma em 2012.

Procurada pelo Valor, a BR Pharma preferiu não se pronunciar. A Profarma não respondeu ao pedido de entrevista, até o fechamento desta edição.