Brasil ameaça ignorar gestão venezuelana do Mercosul

Fabio Murakawa e Daniel Rittner – Valor Econômico:

Diante de relatos na imprensa do Uruguai de que o presidente Tabaré Vázquez decidiu transmitir a presidência rotativa do Mercosul para a Venezuela, à revelia dos demais membros do bloco, o governo interino de Michel Temer garante que o Brasil não reconhecerá a medida se de fato ela acontecer.

Citando fontes do governo uruguaio, dois dos principais jornais do país “El Observador” e “El País” ­ afirmaram ontem que Montevidéu dará por encerrado seu período à frente do Mercosul no próximo sábado, durante reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), na capital uruguaia.

Brasil e Paraguai, que se são contra a entrega de bastão para os venezuelanos, não vão mandar representantes. O Itamaraty diz, inclusive, que a reunião foi cancelada. Segundo os jornais uruguaios, a transferência ocorrerá com ou sem a presença de representantes dos dois países.

Ainda de acordo com os diários, a decisão uruguaia se baseia no entendimento de que não há, no marco jurídico do Mercosul, nenhuma norma expressa sobre a forma com que se deve transferir a presidência rotativa do bloco.

O Brasil, porém, tem uma interpretação diferente e avalia que a transferência só pode ocorrer por consenso. Consultada pelo Valor, a chancelaria uruguaia afirma o país permanece disposto a entregar a presidência à Venezuela. Mas não confirma a decisão de fazer a passagem para os venezuelanos à revelia dos parceiros regionais.

O assunto, segundo o Ministério de Relações Exteriores uruguaio, pode ser tratado hoje, em Lima, durante a posse do presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski. Estarão presentes, além de Vázquez, os presidentes Nicolás Maduro (Venezuela), Mauricio Macri (Argentina) e Horacio Cartes (Paraguai). O Brasil será representado pelo chanceler José Serra.

A sucessão no Mercosul é foco de desavença entre Montevidéu, de um lado, e Assunção e Brasília, de outro. A Argentina não marcou uma posição clara sobre o tema.

Brasil e Paraguai alegam que os venezuelanos não incorporaram o acervo normativo do bloco ­ uma infinidade de acordos, protocolos e regras ­ perto do fim de um prazo de quatro anos estipulado pelas regras do Mercosul. Além disso, levantam questões sobre a situação dos direitos humanos no país. Citam políticos opositores presos e empecilhos à atuação da Assembleia Nacional. Preocupa ainda a percepção de que Maduro atua contra a realização de um referendo para revogar o seu mandato.

O Brasil quer que o assunto seja abordado durante cúpula da entidade, em 12 de agosto, e que o Uruguai permaneça à frente da entidade até lá. Os uruguaios, por sua vez, defendem que seja obedecido o rodízio de seis meses e por ordem alfabética. E dizem que há mecanismos no bloco para analisar esses questionamentos levantados por brasileiros e paraguaios.

Já os argentinos têm uma posição dúbia. Embora o presidente Macri não esteja alinhado aos países “bolivarianos”, a chanceler Susana Malcorra conta com os votos deles para se eleger secretária-­geral das Nações Unidas em outubro. Além de Bolívia e Equador, a Venezuela carrega os votos dos 14 membros da Petrocaribe ­ entidade por meio da qual os países caribenhos vêm recebendo petróleo venezuelano a preços subsidiados há uma década.

Uma fonte do governo brasileiro afirma que Brasília desconhecerá qualquer medida ou convocação feita por uma eventual presidência venezuelana do Mercosul.

Outra afirma que “a orientação do Brasil segue a de esperar até 12 de agosto e avaliar o comprometimento da Venezuela com os compromissos assumidos no protocolo de adesão”.

Essa fonte diz ainda ter conhecimento de que o Paraguai irá protestar formalmente, caso o Uruguai passe a presidência. Ontem, o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, disse que “o Uruguai deveria continuar” à frente do bloco. Mas disse que estão sendo consideradas alternativas para a transferência da presidência do bloco. “É um momento difícil para o Mercosul, mas devemos tomar posição.”

abiquiflashes (28/07/2016 – 490)

  • Aminoácidos: o Brasil é um destacado produtor mundial de aminoácidos. Estas moléculas representam a expressão mais simples das proteínas. Os aminoácidos são importantes no crescimento e na manutenção do corpo humano. O Brasil exportou em 2016, até junho, US$ 65,2 milhões em aminoácidos.
  • lisina: a lisina é um aminoácido essencial e provavelmente o mais limitado na cadeia alimentar. As exportações brasileiras de lisina, seus sais e ésteres (NCM 2922.41.90) em 2016, até junho, alcançaram US$ 34,6 milhões.
  • Outros aminoácidos: além da lisina, o Brasil produz e exporta outros aminoácidos: arginina, isoleucina, leucina e valina. Destes, classificados no código NCM 2924.19.99, foram exportados US$ 18,0 milhões nos primeiros seis meses de 2016.

Após reajuste, Hypermarcas busca crescer em volume

Rodrigo Rocha – Valor Econômico:

O reajuste regulamentar de cerca de 12% aplicado aos medicamentos no mês de abril foi o principal responsável pelo aumento de 11,4% da receita da Hypermarcas no segundo trimestre, para R$ 807 milhões. Dessa forma, o reforço para a segunda metade do ano deverá ser o aumento das vendas em volume.

Com a segregação das atividades farmacêuticas da companhia em três unidades, produtos de prescrição, “consumer health” e similares e genéricos, a companhia delineou estratégias diferentes para cada segmento.

O grande destaque deve ser o investimento na área de medicamentos de prescrição, cujo espaço para crescimento é considerado maior pela companhia.

“O mercado de prescrição é o que tem menor cobertura pela Hypermarcas. Logo, tem a maior oportunidade de expansão com novos produtos e lançamentos”, afirmou Cláudio Bergamo, presidente da Hypermarcas, em teleconferência com analistas realizada nesta segunda-­feira. Segundo ele, a companhia tem produtos para apenas 37% das categorias de medicamentos com prescrição.

Além da ampliação da área de atuação, a empresa pretende fortalecer a força de visitação médica, com destaque para os produtos oftalmológicos.

Para a área de “consumer health”, que envolve principalmente os medicamentos vendidos sem prescrição, a proposta é investir mais em exibição e propaganda até o fim do ano. Com relação aos genéricos, Bergamo admitiu que os produtos comercializados pela companhia estão em uma geração anterior e que pretende fortalecer o lançamento de medicamentos de “última geração”.

Após o balanço divulgado na sexta-­feira (22), que informou também aumento de 59% no lucro de abril a junho, as ações da companhia fecharam o pregão da BM&F-Bovespa em alta de 1,36%, para R$ 26, indo na contramão do Ibovespa, que encerrou o dia em ligeira queda de 0,23%.

Além do aumento regulamentar dos medicamentos, outro destaque foi a redução das políticas de descontos, planejada desde 2015, como influência para o aumento da receita. “Diferentemente do setor de consumo, o farmacêutico é mais disciplinado para aplicação de ajuste de preço”, afirmou Bergamo.

O UBS indicou que o avanço de 10,9% das vendas indiretas da Hypermarcas no segundo trimestre demonstrou uma “reação negativa baixa” diante do aumento dos preços.

Desde o fim do ano passado, a companhia tem se desfeito por completo de suas operações de consumo, vendendo a área de cosméticos para a Coty e a divisão de preservativos para a Reckitt Benckiser.

Ainda resta a divisão de fraldas que, segundo relatório do BTG Pactual, é avaliada entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão, com a belga Ontex como principal candidata para a compra da divisão.

“A divisão de fraldas nunca obteve desempenho tão bom”, segundo o diretor financeiro Martim Mattos. “Além do ganho de 19% na receita, a margem bruta [da divisão de fraldas] está no melhor ponto da série histórica.”

As vendas das operações deixaram o caixa da companhia no azul, com posição de caixa de R$ 252,2 milhões e fluxo de caixa livre positivo em R$ 223 milhões no segundo trimestre.

Mas, mesmo com dinheiro no bolso, a Hypermarcas não pretende ganhar participação de mercado com aquisições, apenas com crescimento orgânico. “O objetivo é distribuir em dividendos o excesso de caixa que a companhia tem e vai continuar tendo”, afirmou Bergamo.

A companhia anunciou na sexta-­feira distribuição de R$ 158 milhões em dividendos adicionais, com base no lucro líquido apurado no segundo trimestre. No entendimento do banco Credit Suisse, a intenção da empresa é dar retorno rápido aos acionistas após a forte geração de caixa.

Outra adição às receitas da companhia no trimestre foram os R$ 26,7 milhões ressarcidos pelo ex­-executivo Nelson Mello, que teria admitido o pagamento de propina a lobistas. A Hypermarcas aprovou na sexta­feira a criação de um comitê de auditoria.

Importação cai menos com valorização do real

Tainara Machado – Valor Econômico:

Os sinais de alguma recuperação da atividade na indústria e a valorização de 20% do real em relação ao dólar no primeiro semestre estão contribuindo para que a queda das importações perca força. Em janeiro, as importações encolheram 38,8% em relação ao mesmo período do ano passado, para US$ 10,3 bilhões. Em junho, as compras do exterior somaram US$ 12,8 bilhões, ainda uma queda de 15,4% em relação a 2015, mas já com intensidade bem menor.

Para economistas, além da atividade e do câmbio, as importações também estão caindo menos por causa da baixa base de comparação, depois do tombo de 25,1% dos embarques no ano passado. Por enquanto, dizem, o movimento está dentro do esperado e não afeta as projeções de saldo da balança comercial, em torno de US$ 45 bilhões para 2016. Se o câmbio se mantiver no atual nível, porém, será difícil repetir esse número em 2017, dizem.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), observa que a média de importação por dia útil já subiu de US$ 530 milhões nos primeiros cinco meses do ano para US$ 580 milhões em junho e julho. “E tudo indica que deve se manter nesse nível, até porque o segundo semestre deve ser de alguma melhora da atividade”, diz.

Para ele, as importações também estão caindo menos por causa da valorização do câmbio, ainda que o movimento seja recente. “O dólar saiu de R$ 4 para R$ 3,30, então claro que isso é um incentivo para importar”.

Em sua avaliação, esse “empurrão” fica mais claro nas estatísticas do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) sobre empresas importadoras. Em janeiro, 3,5 mil empresas deixaram de importar. Esse número foi diminuindo gradualmente e em junho só 68 empresas pararam de comprar do exterior.

Adriana Dupita, economista do Santander, lembra que a expectativa já era de uma queda menor das importações neste ano, até por causa da base de comparação. Do segundo semestre para frente, diz, a taxa de câmbio média já deve ser mais parecida com a vista no mesmo período de 2015, e ainda há a expectativa de estabilização da atividade econômica, até aqui em forte queda.

“E tem esse novo fator, que é o real mais valorizado, o que contribui para decisões de importação das empresas. Mas o mais importante é mesmo a recuperação do PIB”, afirma Adriana. Particularmente, diz ela, a melhora da confiança dos empresários nos últimos meses indica que enfim o longo período de recuo dos investimentos pode estar próximo do fim.

Um sinal pôde ser observado em junho. Enquanto as importações totais caíram 15,4% em relação ao mesmo mês de 2015, a única categoria de uso que registrou alta das compras do exterior foi bens de capital, com um aumento de 30,3% em relação ao ano anterior. “Claro, a base de comparação é muito baixa, houve praticamente uma paralisia dos investimentos, mas sem algum sinal de retomada essa alta não aconteceria”, diz.

Luiz Fernando Castelli, economista da GO Associados, também avalia que a aparente “reação” das importações tem relação importante com a estabilização da atividade, especialmente no setor industrial, que tende a puxar as compras de insumos intermediários e de bens de capital. A valorização do real, diz, acelera essa reação.

Já Bruno Lavieri, economista da 4E Consultoria, dá mais peso à base de comparação para explicar as quedas menores das compras do exterior ao longo de 2016. Para ele, a valorização do câmbio ainda é muito recente para que seja possível observar efeitos sobre a importação. É natural que os embarques tenham quedas cada vez menores ao longo do ano, diz, depois do recuo de 25,1% das importações em 2015, para US$ 171,5 bilhões, o menor valor desde 2009. Esse ano, a queda ainda deve ser de 18,5%, para que só no ano que vem se estabilize, projeta ele.

Segundo Lavieri, a queda menor das importações não ameaça a melhora recente da balança comercial porque as exportações devem subir no ano que vem, puxadas por um câmbio mais desvalorizado que o atual. Para esse ano, a projeção de saldo é de US$ 43 bilhões. Para 2017, de US$ 48 bilhões.

O economista não acredita que o real vai se manter no nível atual e deve voltar para perto de R$ 3,50 até o fim do ano. A alta de juros nos Estados Unidos foi adiada, mas não postergada indefinidamente, lembra ele. Além disso, o cenário doméstico ainda é complicado, com necessidade de aprovação de reformas fiscais difíceis.

“Temos hoje um cenário bastante favorável, com juros internacionais muito baixos, commodities em recuperação e expectativa positiva em relação a reformas”, observa Adriana, do Santander. O risco de que alguma dessas variáveis mude para pior, afirma, é elevado, e por isso o Santander estima que o dólar vai encerrar o ano em R$ 3,65 e aumente para R$ 3,95 no ano seguinte.

Neste cenário, diz, as suas projeções para balança não mudaram e continuam a contar com um superávit em torno de US$ 50 bilhões neste e no próximo ano. “Mas se o câmbio permanecer no nível atual, aí teríamos que revisar esse cenário”.

Já Castro, da AEB, acredita que, caso se confirme o impeachment em agosto a tendência é de continuidade da valorização do real. Se esse cenário se confirmar, diz, dificilmente o saldo positivo na balança comercial vai repetir 2016, para quando ele projeta uma diferença entre exportações e importações de US$ 46,9 bilhões.

abiquiflashes (25/07/2016 – 489)

  • Junho (1): as exportações brasileiras de medicamentos alcançaram nos primeiros seis meses de 2016, a expressiva soma de US$ 446,4 milhões, demonstrando, assim, a excelência das produções brasileiras do setor.
  • Junho (2): por outro lado, as exportações brasileiras de farmoquímicos e adjuvantes farmacotécnicos (excipientes), no mesmo período de seis meses, atingiram US$ 305,7 milhões, sendo US$ 247,8 milhões de farmoquímicos e US$ 57,9 milhões de excipientes.
  • Junho (3): com isso, a cadeia produtiva farmacêutica contribuiu com US$ 752,1 milhões para as exportações de manufaturados, o que é uma importante ajuda para o comércio exterior brasileiro.

Serra quer negociação com Reino Unido via Mercosul

Joe Leahy – Valor Econômico:

O Brasil vai pressionar por negociações comerciais imediatas com o Reino Unido sob os auspícios do Mercosul, o bloco comercial da América do Sul, assim que o secretário de Relações Exteriores, Boris Johnson, assumir o cargo, disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra.

Embora o Brasil não tenha assumido nenhuma posição sobre o plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da UE, no mês passado ­ Serra afirmou que a maior economia da América Latina está ansiosa por complementar as negociações de livre comércio existentes entre o Mercosul e a UE com negociações similares com o Reino Unido.

As regras do Mercosul exigem que o Brasil e outros membros do bloco ­Argentina, Uruguai, Venezuela e Paraguai ­ negociem coletivamente quaisquer acordos comerciais com entidades externas.

“Nossa ideia é abrir imediatamente uma negociação entre o Mercosul e o Reino Unido, que tem uma economia mais aberta e uma posição muito importante em relação ao investimento no Brasil, mas importa relativamente pouco do Brasil”, disse Serra, em entrevista. “Assim que o novo ministro das Relações Exteriores [Johnson] tomar posse, farei contato com ele para reforçar as iniciativas existentes e explorar como fazê­-las progredir sob os auspícios do Mercosul”.

A iniciativa ganha corpo em um momento em que o novo governo centrista brasileiro, comandado pelo presidente interino Michel Temer, pretende deflagrar uma nova fase agressiva de negociações comerciais.

O Brasil tem poucos acordos bilaterais de livre comércio depois que o governo da presidente Dilma Rousseff ­ que foi afastada do cargo e aguarda a votação de seu impeachment ­ e do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, deram prioridade às negociações multilaterais.

Alguns analistas temem que o país possa ser deixado em desvantagem pela Parceria Transpacífico (PTT), de 12 membros, que está sendo negociada pelos EUA, Japão e uma série de outros países asiáticos, assim como por países na costa ocidental da América Latina, como México, Chile e Peru.

Os comentários de Serra sobre o Brexit vêm num momento em que o governo do Reino Unido está se apressando para preparar acordos comerciais com diversos países, por exemplo a Austrália, para que eles possam ser firmados imediatamente após o país sair oficialmente da UE.

Serra, ex­-prefeito de São Paulo, a maior cidade da América do Sul, e governador do Estado de mesmo nome, é um dos políticos mais influentes no país e líder do PSDB. Exilado durante a ditadura militar, concluiu um doutorado em economia na Universidade de Cornell, nos EUA, e disputou a eleição presidencial de 2002 no Brasil.

Ele disse que embora espere que o Brexit não produza nenhum impacto de longo prazo sobre as relações UE­-Mercosul, a secessão do Reino Unido do bloco poderá fomentar forças mais protecionistas na Europa.

“O Brexit poderá estimular movimentos nacionalistas em países do Continente, o que sempre ou quase sempre envolve algum componente de protecionismo”, disse ele. “Como um dos membros mais liberais
está saindo, em média, o nível de protecionismo deverá subir”.

Ele disse que o Brasil e seus parceiros no Mercosul estão considerando o que fazer a respeito da Venezuela, o quinto mais novo membro do bloco comercial existente há 25 anos, que deverá assumir sua vez na presidência rotativa neste ano. A situação econômica e política nesse país sul­americano está se aproximando de uma catástrofe, em meio à escassez crônica de alimentos e um impasse entre o governo do presidente Nicolás Maduro e da oposição no Congresso venezuelano.

Serra disse que o Brasil está propondo que seja dado à Venezuela um prazo até 12 de agosto para [o país] cumprir suas obrigações no âmbito do Mercosul. Ele disse que além da UE e do Reino Unido, o Brasil vai pressionar por mais vínculos comerciais com países como Irã, China e Coreia do Sul.

As exportações brasileiras de produtos agrícolas para esses três países aumentaram entre 21% e 30% no primeiro semestre de 2016, em relação ao mesmo período do ano anterior. O Brasil também está em negociações com a Índia, Canadá, Japão e outros países sobre vários acordo relacionados com o comércio.

Cristália conquista o Prêmio Inovação Brasil no Setor Farmacêuticas e Ciências da Vida

O Laboratório Cristália conquistou o Prêmio Inovação Brasil 2016 no setor Farmacêuticas e Ciências da Vida. A premiação, que está na 2ª edição, reconhece as empresas que têm a inovação no DNA. Promovida pelo jornal Valor Econômico em parceria com a consultoria Strategy&, a pesquisa avaliou os investimentos em inovação, melhores práticas, novos produtos e estratégias adotadas pelas companhias.

“Inovação é um dos princípios ativos do Cristália. Os nossos colaboradores respiram inovação e, dessa maneira, o Laboratório produz 53% dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), enquanto as empresas brasileiras importam 90% destes insumos. Mais do que isso, para o Cristália, inovar é desenvolver soluções com ganho terapêutico”, ressalta o Dr. Ogari Pacheco, Fundador e Presidente do Conselho Diretor do Laboratório Cristália.

O Laboratório Cristália é referência em inovação, qualidade e tecnologia. Com 89 patentes em vários países do mundo, o Cristália possui as únicas plantas de biotecnologia privadas operantes no Brasil e se destaca por ser pioneiro em realizar a cadeia completa de um medicamento: desde a concepção da molécula até o produto final.

Cristália – Sempre um passo à frente

O Cristália é um Complexo Industrial Farmoquímico, Farmacêutico e Biotecnológico 100% brasileiro. Referência em inovação e tecnologia, o Laboratório conquistou 89 patentes e é pioneiro em realizar a cadeia completa de um medicamento, desde a concepção da molécula até o produto final.

Focado em pesquisa e inovação, o Laboratório Cristália produz 53% dos insumos utilizados em seus medicamentos. Exporta regularmente princípios ativos e produtos acabados para mais de 30 países. Em anestesia, é líder de mercado na América Latina.

abiquiflashes (21/07/2016 – 488)

  • pilocarpina: este alcaloide é extraído da planta jaborandi, cultivada no nordeste brasileiro (Maranhão e Piauí) e é usado no tratamento do glaucoma. US$ 4.612.963,00 foram enviados ao exterior deste produto, nos primeiros seis meses de 2016.
  • rutina: também um alcaloide a rutina tem atividade no tratamento da fragilidade capilar venosa. É extraída de plantas cultivadas no nordeste. Em 2016, até junho, foram exportados US$ 1.336.954,00 deste tipo de alcaloide.
  • ácidos biliares: estes ácidos (NCM 2918.19.29) são uma fonte importante de exportação de produtos da cadeia produtiva farmacêutica brasileira. Em 2016, até junho, estes ácidos contribuíram com US$ 26,3 milhões para a nossa pauta de exportação.

Laboratório Libbs eleva aposta em remédio inovador

Stella Fontes – Valor Econômico:

Perto de inaugurar a maior fábrica de medicamentos biossimilares de uso único da América Latina, a Libbs Farmacêutica ampliou a aposta em inovação, atenta às necessidades médicas não atendidas, de acordo com o presidente do laboratório, Alcebíades Athayde Júnior. Nesse sentido, ingressou no início do ano em consórcio internacional para desenvolver um medicamento biológico que poderá salvar a vida de recém-­nascidos, participa do co-desenvolvimento de um novo produto usado no tratamento de diabetes e, junto com pesquisadores americanos, está desenvolvendo uma terapia inovadora para tratamento da pré­eclampsia. Esse último estudo está perto de entrar na fase 2.

“Não existe um medicamento para retardar o parto. Se tivermos, isso vai mudar o patamar da Libbs no país”, afirmou Athayde Júnior. O projeto, também na área de biotecnologia, ainda não tem estrutura de financiamento equacionada. Mas a percepção é a de que deverá atrair o interesse de farmacêuticas multinacionais. “Uma empresa nacional, sozinha, não consegue financiar. Mas queremos manter os direitos e a independência da Libbs”, contou.

Em 2015, o faturamento líquido do laboratório atingiu R$ 1,33 bilhão, frente a R$ 1,22 bilhão um ano antes, e deve crescer mais R$ 100 milhões em 2016. Mas o grande salto nos negócios virá com o início de produção e comercialização do primeiro biossimilar da Libbs, que poderá adicionar R$ 1,4 bilhão ao faturamento em um prazo de cinco anos após o início de comercialização.

O primeiro lote de rituximabe, um anticorpo monoclonal usado no tratamento de linfoma não Hodgkin, artrite reumatoide e outros tipos de doenças autoimunes, foi produzido em março. A inauguração da fábrica estava prevista para setembro, mas foi postegarda para novembro “em linha com a estratégia da companhia e a da área de eventos”. “Essa é uma tecnologia disruptiva. Há grande expectativa que dê certo”, disse.

A unidade Biotec foi construída dentro do complexo industrial da Libbs em Embu das Artes (SP), com investimento de R$ 250 milhões para construção e compra de equipamentos, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Outros R$ 250 milhões foram levantados junto à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e aplicados na realização de estudos clínicos.

O projeto foi viabilizado por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), com transferência de tecnologia da argentina Mabxience. “A partir disso, passamos a ter um compromisso com o país”, afirmou Athayde Júnior. Iniciativas dessa natureza, conforme o empresário, mostram que o Brasil é capaz de fazer estudos envolvendo um medicamento biossimilar e pode produzi­lo, sob o olhar de uma agência reguladora bastante rigorosa. “Ao contrário de outros momentos, dessa vez o Brasil está junto com o mundo”, comentou.

No país, há outros projetos de biossimilares em curso, que também envolvem PDPs. Em Valinhos (SP), a Bionovis se prepara para produzir até nove biofármacos, com transferência de tecnologia da Janssen e da Merck, além de ter anunciado o desenvolvimento de produtos próprios. A Orygen, que no passado contava com a participação da Libbs ­ a farmacêutica deixou a sociedade para investir na Biotec ­, terá uma fábrica para produção de anticorpos monoclonais em São Carlos (SP).

No ano passado, a Eurofarma obteve a aprovação do Fiprima, primeiro medicamento biossimilar da América Latina para tratamento de pacientes submetidos a quimioterapia. E o Cristália já conta com dias unidades de biotecnologia certificadas e em operação.

A Libbs também quer fomentar a integração entre indústria farmacêutica, setor público e academia no país e deu a largada na ocupação do Parque Tecnológico do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo. Ali, o laboratório quer construir uma nova unidade, que reunirá seu Centro de Desenvolvimento Integrado (CDI) e o pessoal da área administrativa, inspirada no moderno prédio do Sanford Consortium, localizado em San Diego, nos Estados Unidos.

Biológico aumenta déficit comercial

Stella Fontes – Valor Econômico:

Estudo produzido pelo Grupo FarmaBrasil (GFB), que reúne grandes farmacêuticas brasileiras com investimento em inovação, mostra que a importação de medicamentos biológicos cresceu mais de cinco vezes na última década, para quase US$ 2 bilhões. Em 2015, esses produtos responderam por pouco menos de um terço do déficit comercial do setor, de US$ 6,6 bilhões.

Até 2005, os biológicos respondiam por 12% do saldo negativo. No ano passado, tiveram participação de 28,6%, refletindo a expansão da compra de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Como os biológicos são caros e importados, houve um aumento muito grande do déficit. E esse aumento é tendencial, não pontual”, afirma o presidente do GFB, Reginaldo Arcuri.

A tendência é desenhada pelo rápido envelhecimento da população brasileira, com crescente participação de idosos sobre o total e maior proporção de doenças relacionadas à idade. Assim, gastos com vacinação e tratamento pediátrico devem ser relativamente menores, com aumento proporcional dos dispêndios com tratamento da população madura. “É justamente nessa faixa que atuam os biológicos”, ressalta Arcuri.

Conforme o estudo, entre 2000 e 2005, o déficit comercial com biológicos foi de US$ 200 milhões por ano em média. De 2006 a 2010, saltou a US$ 800 milhões e, a partir de 2011, cresceu significativamente até atingir o pico de US$ 2,1 bilhão em 2014. No ano passado, caiu a US$ 1,9 bilhão, na esteira da desvalorização do real e da desaceleração da economia brasileira.

Para mitigar o aumento dos custos com saúde e, ao mesmo tempo ampliar o acesso a tratamentos médicos, o governo desenvolveu a política de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), para desenvolvimento e produção de medicamentos estratégicos ao SUS. Conforme o GFB, o Ministério da Saúde estima que projetos conduzidos por meio de PDPs devem gerar economia da ordem de R$ 5 bilhões ainda em 2016.

Por meio dessas parcerias, a indústria farmacêutica nacional vai começar a produzir biossimilares em maior escala no país. Como consequência, o déficit comercial deveria parar de crescer ­ com compras externas menores de medicamentos de alta complexidade ­ e as exportações de medicamentos aumentariam. Mas a crise política e trocas na equipe da Saúde estão atrasando, ou até mesmo paralisaram, alguns projetos.

Para a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), que reúne os laboratórios multinacionais, o avanço do déficit da indústria é sinal de que o país está perdendo a corrida pela competitividade internacional no setor. “Sem inovação, estaremos condenados à dependência tecnológica e econômica”, afirma em nota o presidente-­executivo da entidade, Antônio Britto.

Os investimentos em biossimilares podem proporcionar redução temporária do saldo negativo, mas há risco de o lançamento de novos medicamentos tornar obsoletos esses produtos em uso. “Precisamos dizer que o Brasil se tornou inovador, responsável pela criação de tecnologias no setor farmacêutico que sejam atraentes mundo afora”, diz o dirigente.