abiquiflashes (30/06/2016 – 482)

  • Malásia (1): o código NCM 3001.90.10 alberga a heparina sódica, tanto de origem bovina como de origem suína, em seus três estágios de produção: o complexo heparínico, a heparina crua e a heparina purificada. Esta última fase, por ter maior valor agregado, alcança no mercado internacional preços interessantes. Desta heparina purificada a Malásia recebeu do Brasil em 2016, até maio, 300 kg por US$ 1.635.976,00, ao preço médio de US$ 5.453,25/kg.
  • Malásia (2): o Brasil é importante produtor mundial de medicamentos à base de insulina (NCM 3004.31.00). A Malásia importou em 2016, até maio, US$ 1.553.482,00 destes produtos.
  • Malásia (3): o ácido glutâmico é um importante suplemento nutricional. Nos primeiros cinco meses de 2016, este país asiático importou do Brasil US$ 3.260.148,00 em ácido glutâmico.

Biotecnologia produz novos medicamentos e milionários

Joseph Walker e Tom McGinty – Valor Econômico:

Paul A. Friedman, como muitos outros viajantes obrigados a passar pelas filas da segurança dos aeroportos, algumas vezes sonha em ter um avião privado.

Friedman é médico e um dos felizardos que poderiam ter um. Nos últimos anos, o ex-­professor associado da Faculdade de Medicina de Harvard vendeu US$ 146,1 milhões em ações da farmacêutica Incyte Corp. Ele foi o diretor­-presidente da firma americana desde os tempos das vacas magras até o bem-­sucedido lançamento de um remédio para um tipo raro de câncer.

Apesar do dinheiro que ganhou, ele continua dirigindo um Audi 2009. “Moramos na mesma casa, minha mulher e eu”, diz o médico de 73 anos, que se aposentou do cargo de diretor-­presidente em 2014, mas permanece como membro do conselho de administração.

Novos medicamentos que prolongam ou melhoram a qualidade de vida de milhões de pessoas e o potencial de outros ainda em desenvolvimento ­ elevaram o valor das ações das empresas de biotecnologia que os produzem e criaram uma nova classe de milionários, composta por muitos dos cientistas, médicos e investidores que estão por trás dessas firmas.

Líderes do setor de biotecnologia se uniram a executivos de fundos de hedge e de empresas de tecnologia no círculo de vencedores dos Estados Unidos, beneficiando­-se do sucesso de novos remédios caros e do entusiasmo dos investidores por negócios de alto risco. Alguns compraram casas luxuosas. Outros, como Friedman, dizem que pouco mudou desde o tempo em que viviam num laboratório.

O químico orgânico Norbert W. Bischofberger, há muito tempo diretor de pesquisa e desenvolvimento da farmacêutica Gilead Sciences Inc. ­ e um dos inventores do famoso remédio para gripe Tamiflu, comercializado no Brasil pela Roche ­, vendeu US$ 320,3 milhões em ações da empresa até 2015. Ainda assim, sua esposa teve que chamar um guincho para rebocar seu carro velho e substituí­-lo por um Toyota novo. “A conversa”, lembra ele, “foi algo assim, Esposa: ‘Nós deveríamos comprar um carro novo para você.’ Eu: Não tem nada errado com o meu.

Medicamentos criados em laboratórios de biotecnologia avançaram no tratamento de doenças como hepatite C, fibrose cística e alguns cânceres. Muitos surgiram de novos conhecimentos sobre as causas genéticas e os processos biológicos das doenças, auxiliados por anos de pesquisas feitas pelo governo americano e pela iniciativa privada.

Uma análise de documentos apresentados aos reguladores realizada pelo The Wall Street Journal revelou que executivos e conselheiros das 100 maiores empresas de biotecnologia dos EUA venderam ações no valor de US$ 8 bilhões durante a alta das bolsas no ano passado.

Essas cifras embolsadas marcam um salto dramático numa indústria que, até cinco anos atrás, estava em dificuldades, com investimentos de capital de risco e ofertas públicas iniciais de ações próximas a mínimas recorde. Conselheiros e executivos de empresas de tecnologia venderam, em média, US$ 1,2 bilhão em ações por ano entre 2004 e 2011, ajustados pela inflação, avançando para uma média anual de US$ 2,3 bilhões de 2012 a 2014.

A média anual do valor de mercado das empresas de biotecnologia que fazem parte do índice de ações S&P Composite 1500 mais do que triplicou: de US$ 180 bilhões em 2010 para US$ 594,2 bilhões neste ano, segundo dados da S&P Dow Jones Indices.

O setor de biotecnologia foi ajudado pelos juros baixos nos EUA, que atraíram investidores para negócios mais arriscados e de retornos mais altos.

O ano de 2015 registrou um recorde no valor das fusões e aquisições e os acionistas de empresas de biotecnologia adquiridas estão entre os que receberam as maiores quantias. Robert W. Duggan, ex­diretor­-presidente da Pharmacyclics Inc., ficou no topo da lista: ganhou US$ 3,46 bilhões em dinheiro e ações quando a firma foi comprada pela AbbVie Inc. por US$ 21 bilhões.

Em 2013, a Pharmacyclics recebeu aprovação da FDA, agência que regula alimentos e remédios nos EUA, para produzir seu primeiro medicamento, o Imbruvica, que desde então se tornou um tratamento popular para o tipo mais comum de leucemia em adultos. Estudos mostraram que a droga retarda o progresso da doença com menos efeitos colaterais que outras.

A um custo anual de cerca de US$ 100 mil por paciente, as vendas globais do Imbruvica atingiram US$ 548 milhões em 2014, o primeiro ano completo do medicamento no mercado, e subiram para mais de US$ 1 bilhão no ano passado.

“Mostra que, se você acertar e fizer um investimento modesto, pode se sair muito bem”, diz Duggan, que colocou cerca de US$ 50 milhões no negócio.

Na Receptos Inc., cujo remédio mais promissor ainda não passou dos estágios finais de pesquisa, 14 executivos e conselheiros receberam um total de US$ 540,5 milhões por suas ações quando a empresa foi comprada pela Celgene Corp., no ano passado, por US$ 7,2 bilhões.

Sheila Gujrathi, ex­diretora médica da Receptos, recebeu US$ 75 milhões por suas ações quando o negócio foi fechado. Gujrathi, que tem 45 anos, foi uma das poucas mulheres entre os que mais ganharam dinheiro no setor de biotecnologia em 2015.

Você não entra na medicina “achando que pode ficar multimilionário”, diz ela. “Ficar numa situação em que tenho uma riqueza substancial é, sim, surpreendente e transformador.”

A biotecnologia é diferente do software e de outras áreas da tecnologia porque geralmente são necessários centenas de milhões de dólares e dez anos ou mais para saber se um novo medicamento funciona. O custo de desenvolver, digamos, um aplicativo de smartphone é tão baixo que qualquer pessoa com conhecimento de programação pode fazer isso e vender um app.

Após anos de investimentos, mesmo um remédio promissor pode fracassar durante as fases avançadas de testes, e a maioria das empresas de biotecnologia prevê anos de prejuízos.

A Regeneron Pharmaceuticals Inc., sediada no Estado de Nova York, foi fundada em 1988 e acumulou prejuízos de US$ 1,27 bilhão antes de receber aprovação da FDA, em novembro de 2011, para fabricar o medicamento Eylea, para a perda de visão associada ao envelhecimento. O tratamento custa hoje
entre US$ 11 mil e US$ 16 mil por ano. As vendas do Eylea nos EUA alcançaram US$ 2,68 bilhões no ano passado.

País negocia acordo de compras governamentais no Mercosul

Juliano Basile – Valor Econômico:

O governo brasileiro iniciou as negociações para fechar um acordo de compras governamentais com os países do Mercosul. Uma vez aprovado, o acordo vai permitir que as empresas brasileiras possam participar de licitações públicas nos países do Mercosul em condições não discriminatórias. O acordo é recíproco e, assim, as empresas estrangeiras também poderão participar de licitações governamentais no Brasil.

O Brasil já negocia tratados do tipo com países andinos, como o Peru, e com isso pressiona indiretamente o Mercosul a aceitar um acordo sobre compras governamentais. “O acordo vai dar segurança jurídica e acesso aos mercados para as empresas brasileiras que vão poder participar de licitações nos países do Mercosul”, afirmou ao Valor o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Daniel Godinho.

O governo brasileiro acabou de concluir um acordo desse tipo com o Peru e negocia termos semelhantes com o México, o Chile e a Colômbia. Segundo Godinho, as companhias brasileiras tinham que depositar o equivalente a 5% de sua capacidade máxima de contratação apenas para participar de licitações no Peru. Essa medida era um entrave e fazia com que empresas brasileiras desistissem de disputar concorrências no Peru. Agora, a exigência foi abolida e as licitações daquele país foram abertas para as companhias brasileiras.

As negociações com o Peru tiveram início em julho de 2015. Houve três rodadas de discussões entre os técnicos dos dois países até atingir o acordo, há pouco mais de duas semanas. Com isso, as empresas brasileiras vão poder disputar um mercado de mais de US$ 13 bilhões estimativa
das compras governamentais peruanas em 2014. No México, o mercado é ainda maior US$ 40 bilhões, em 2015. No Chile, as compras governamentais foram de US$ 10 bilhões, em 2014. Na Colômbia, chegaram a US$ 45 bilhões, em 2013.

O fato de o Brasil ter iniciado negociações com os países da Aliança do Pacífico e já ter concluído um primeiro acordo com o Peru poderá influenciar os países do Mercosul a aderirem à medida. O Mercosul está atrasado na adoção de medidas para compras governamentais, pois o assunto é discutido formalmente, desde 2004, no âmbito do Protocolo de Contratações Públicos do bloco.

Os termos do protocolo estão em processo de revisão e ele não entrou em vigor desde então. As negociações do Brasil com os países andinos da Aliança do Pacífico poderão impulsionar o bloco a avançar nessas medidas. Ao todo, as compras governamentais representam entre 15% e 20% do PIB dos países. Cálculos feitos em 2013 indicam que esse mercado movimenta entre US$ 11 trilhões e US$ 15 trilhões por ano.

O principal acordo global sobre o assunto está no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). É o Acordo sobre Compras Governamentais (GPA, na sigla em inglês). Mas o Brasil não faz parte da iniciativa plurilateral. Na prática, esses acordos possuem cláusulas de acesso a mercados, igualando as empresas estrangeiras às participantes nacionais. Também são fixadas condições para os bens e serviços que poderão ser sujeitos às compras governamentais, definindo patamares e a cobertura do acordo.

Segundo o ministério, os acordos para compras governamentais podem aumentar em até 174% as chances de sucesso do parceiro nas licitações cobertas pelos termos definidos pelos países. Há uma estimativa de elevação dos ganhos totais em 251%. Os parceiros podem ganhar 315% mais contratos e obter remuneração 98% maior quando comparadas a outros países estrangeiros.

Diário Oficial (junho 2016)

Países emergentes crescem em patentes

Roberto Nicolsky – Valor Econômico:

Há dias foi divulgada a lista de patenteadores no USPTO (sigla em inglês do escritório americano de marcas e patentes) referente ao ano de 2015. É uma oportunidade para se avaliar o ocorrido nos primeiros 15 anos deste século. Inicialmente, cabe explicar que a patente tem valor apenas no país que a concede. Portanto, não existe uma patente mundial. A saída, embora não seja o ideal, é avaliar e comparar a concessão de patentes no seu maior mercado, ou seja, nos Estados Unidos.

A patente como medida do desenvolvimento de inovações tecnológicas não é um indicador ideal, mas é o único quantitativo com correlação direta. Ou seja, o desenvolvimento tecnológico acarreta mais patentes, mais competitividade e o crescimento da economia. Exemplos desse processo serão vistos nesse artigo e esse é o principal interesse dessa análise.

Se tivéssemos usado a subvenção econômica da Lei de Inovação certamente estaríamos entre os que crescem

Vemos que o número de patentes dobrou nesse período, mas os crescimentos não foram iguais. Os EUA tiveram outorgadas 141 mil patentes no ano de 2015, crescendo 66% no século. Os demais países passaram a 157 mil nesse ano, crescendo 118% no período, ou seja, há uma progressiva dispersão da geração e controle da tecnologia. Entre os países desenvolvidos que tiveram concedidas mais de 2.000 patentes em 2015, os destaques são o Canadá, Holanda e Suíça, todos com crescimento acima de 90% no período. Japão, Alemanha, França, Inglaterra e Suécia ficaram em torno dos 70%, enquanto a Itália teve o pior desempenho, apenas 56%, reflexo de sua persistente crise econômica.

O grande destaque, porém, foram os países orientais emergentes. Mesmo os emergentes há mais tempo engajados em uma política de geração de tecnologia própria, e que por isso crescem há mais tempo, ainda assim mostram um desempenho extraordinário, quando comparados aos países tradicionais já desenvolvidos: a Coreia do Sul, do tamanho de Pernambuco e com pouco mais de 40 milhões de habitantes, multiplicou por 5,4 vezes as patentes no período, alcançando 17,9 mil, superando a Alemanha e consolidando­se como o terceiro patenteador, abaixo apenas do Japão (52,4 mil) e EUA. E mesmo Taiwan, uma ilha com cerca de 22 milhões de habitantes, multiplicou as patentes por 2,5 vezes chegando a 11,7 mil, o quinto patenteador.

Seria de se esperar que a China (incluindo Hong Kong) mostrasse a sua inexorável marcha para o domínio tecnológico, porém o seu avanço é surpreendente. Chegou a 8,7 mil patentes em 2015, que cresceram 29 vezes no período e a levaram à sexta posição, bem à frente do seguinte, o Canadá. A Índia, porém, ficou no mesmo patamar, pois cresceu suas patentes 26 vezes.

E o que há em comum entre esses países para esse notável aumento das patentes? Ambos estabeleceram políticas públicas de fomento ao desenvolvimento tecnológico de inovações para alcançar competitividade e crescer. A China, começando em 1980, optou pela indústria de manufaturas. A Índia, começando em 1996 bem após a China, deu ênfase a alguns setores industriais, mas principalmente a diversos tipos de serviços de elevados conteúdos tecnológicos como os desenvolvimentos de programas computacionais (software), química de medicamentos e ensaios clínicos, cirurgias programadas e até o próprio desenvolvimento de inovações tecnológicas para empresas de outros países.

Como seriam esses processos de crescimento tão bem sucedidos? Infelizmente é difícil a consulta às leis chinesas, além da enorme diferença de ambiente político e cultural. Com a Índia, porém, é bem mais fácil, pois devido à sua diversidade linguística as leis indianas são divulgadas em inglês. E o que nos diz a sua lei de fomento, nº 44, de 16 de dezembro de 1995? O artigo 6º que define seus objetivos é muito claro e simples, mostrando que se criou o Conselho de Desenvolvimento Tecnológico para prover capital de risco (equity capital, em inglês), bem como qualquer outro apoio financeiro, aos empreendimentos industriais que desenvolvam tecnologias próprias ou “adaptações” de tecnologias estrangeiras para quaisquer aplicações no país. O termo utilizado (adapted, em inglês) é claramente um eufemismo para a cópia, que assim ficou consagrada e incentivada. Hoje a Índia é o país que mais cresce. Cresceu 283% entre 1995 e 2014, enquanto que o Brasil só cresceu 80% no período.

Esses dois últimos países estavam atrás do Brasil, quando iniciaram a sua trajetória ascendente. O
que aconteceu conosco? Alcançamos a aprovação de 323 patentes em 2015, um crescimento de 3,3 vezes
nesses 15 anos. Mas isso não conta a verdade, pois ficamos parados por 10 anos e crescemos apenas nos últimos cinco anos porque tivemos os incentivos fiscais da Lei do Bem, ou seja, praticamos
somente um pouco e por pouco tempo o que China e Índia fazem em larga escala, assim como ainda
fazem Coreia e Japão.

Quando vamos nos desprover dos preconceitos e aprender que é a indústria permanentemente inovada (ou o serviço de alto conteúdo tecnológico) que fazem o crescimento aceleradamente, o verdadeiro PAC?

Mas há algo muito importante a lembrar: somente o compartilhamento do risco tecnológico entre Estado (através das suas agências ou órgãos) e a indústria vai viabilizar a necessária universalização do fomento à inovação. Após mais de 15 anos de insistência em financiamentos subsidiados, vemos que isso resultou em muito, muito pouco. O que valeu mesmo foi o incentivo do pequeno compartilhamento da Lei do Bem, e ainda assim restrito a grandes empresas.

Se tivéssemos usado amplamente o mecanismo da subvenção econômica criado pelo artigo 19 da Lei de Inovação (à semelhança da lei indiana) certamente estaríamos entre os que crescem. Temos a nossa chance agora com a mudança dos ventos. Vamos desperdiçá­la mais uma vez?

Roberto Nicolsky é físico e diretor-­presidente da Sociedade Brasileira Pró­Inovação Tecnológica (Protec).

Suíça Roche traça estratégia para enfrentar remédios biossimilares

Assis Moreira – Valor Econômico:

O futuro da indústria farmacêutica global será muito mais criativo do que tem sido até agora, graças aos avanços tecnológicos, e o grupo suíço Roche aposta em produtos melhores para enfrentar a primeira onda de biosimilares que entra no mercado. É o que diz André Hoffman, bisneto do fundador da Roche e chefe do “pool” de sete acionistas da família que continua a controlar o grupo, em entrevista ao Valor, algo raro, já que prefere manter-­se discreto. Ele é vice­-presidente não executivo do conselho de administração, e sabe para onde a empresa está se direcionando.

O grupo suíço está confrontado à expiração de patentes de remédios contra o câncer Mabthera, Herceptin e Avastin, que juntos geraram vendas de US$ 20,4 bilhões em 2015. No caso de Mabthera, o valor alcançou US$ 7,1 bilhões, quase 15% do faturamento total da companhia no ano passado.

A concorrência de biosimilares na Europa começará no segundo semestre de 2017 e nos EUA a patente expira em 2018. Pfizer, Teva Pharmaceutical e Merck estão na disputa. A primeira versão biossimilar do Herceptin também poderá entrar no mercado no segundo semestre de 2017. Os biosimilares podem custar até 75% menos que o remédio copiado, segundo fontes do setor.

“O principio é de que o remédio é caro quando está com a patente. Atualmente, estamos vendo a primeira onda de biosimilares, e na Roche precisamos encontrar um produto melhor para ter nova patente. O que queremos é novos produtos na Roche”, afirma André Hoffmann.

Segundo analistas, o grupo suíço continuará tendo lucro mesmo com uma perda de 40% a 50% do mercado para biosimilares nos três anos seguintes à sua entrada no mercado. É que a Roche tem uma reserva importante de produtos em estado avançado de desenvolvimento. Inclui o potencial de um novo remédio contra esclerose em placa e novas oportunidades na imunoterapia anticancerígena.

Mark Belsey, do UBS, exemplifica em nota a clientes que Roche é um dos grupos suscetíveis de se impor no mercado de mais de US$ 20 bilhões do câncer do pulmão.

A decisão de Roche, conforme Hoffmann, é de manter-­se na ponta de medicamentos para doenças que colocam a vida em risco, que no jargão do setor são chamados de “medicamentos éticos”. A oncologia é a atividade mais lucrativa do grupo, contribuindo com 47% do faturamento. O setor de diagnósticos pesa 22%.

Grupo está confrontado à perda de patentes de remédios contra câncer que geram vendas de US$ 20,4 bilhões ao ano

Para ele, o uso enorme de dados, sequência genética e outros instrumentos tecnológicos está dando novos meios para aprofundar o exame das causas da doença, como nunca antes. “A tecnologia permite alvos específicos para atacar e que o futuro da industria seja mais criativo para fazer avançar a saúde, com novos remédios”, afirmou.

Hoffmann lamenta, porém, certas limitações legais. “O que eu gostaria era de poder utilizar a identificação de risco de cada paciente para prevenir a doença”, afirmou. “E aí o importante é conseguir ter condições legais para colocar em ação um verdadeiro sistema de prevenção. Mas, no momento, não temos o direito de usar esses dados, que pertencem ao paciente”. A situação é mais confortável para farmacêuticas nos EUA, onde o Congresso fixou regras mais abrangentes de como “desidentificar” os dados, para permitir a pesquisa e desenvolvimento. “Mas na Europa a situação é diferente. E no Brasil também é complicado”, diz.

Hoffmann deixa claro que a família controladora mantem integral apoio para a estratégia de longo prazo da companhia. “Se você compra ações da Roche, tem que entender que estamos e estaremos lá no longo prazo”. Em direção de acionistas ativistas, interessados em ganhos maiores no curto prazo, a mensagem é clara: “Os que vem e querem mudar logo as coisas, não funcionará. O direito dos portadores de bonds (obrigações) não é o mesmo dos acionistas”.

Roche tem dois tipos de títulos: os portadores de obrigações e as ações. A empresa tem 160 milhões de ações com valor nominal de 1 franco suíço. E 702 milhões de obrigações, sem direito de voto, com valor atual no mercado de 239,70 francos suíços. Os membros das famílias Hoffmann e Oeri possuem juntos 50,1% das ações, representando 9,3% de todos os títulos (incluindo obrigações).

A família decidiu não ter nunca posição executiva no grupo. Indagado, em evento da consultoria EY
em Mônaco, sobre o que afinal ele faz relacionado no grupo, André retrucou: “Meu principal cargo é
administrar a família”.

A situação econômica do Brasil “inquieta um pouco” o grupo suíço, diz Hoffmann. “No setor de saúde é complicado”, diz. Ele destaca a importância do mercado brasileiro, e a estratégia da Rocha de política de preços diferenciados para mais acesso a remédios nos países em desenvolvimento.

“Estamos abertos a toda discussão (sobre redução de preços). O importante é que o medicamento chegue ao paciente. Mas se for preciso bater para obter o reembolso de um medicamento fica difícil, o paciente precisa do remédio”. A Roche está investindo no aumento da capacidade fabril no Estado do Rio por confiar no longo prazo.

Aposta na Monsanto é jogada arriscada para líder da Bayer

Christopher Alessi – Valor Econômico:

A oferta de US$ 62 bilhões que a Bayer AG fez para comprar a Monsanto Co., o que seria a maior aquisição já feita por uma empresa alemã, é também uma manobra arriscada do seu diretor-­presidente, Werner Baumann.

Menos de duas semanas depois de assumir o comando da fabricante de químicos e remédios, em 1o de maio, Baumann surpreendeu os investidores com a proposta para comprar a gigante americana do agronegócio, numa transação que criaria a maior fornecedora de sementes e pesticidas do mundo. Baumann, que tem 53 anos e está há 28 na Bayer, iniciou a carreira no departamento financeiro da fabricante de químicos e remédios, chegou a diretor financeiro e, mais recentemente, foi diretor de estratégia. Colegas o descrevem como metódico e focado depois que toma uma decisão.

O seu período na presidência executiva tem sido ­ e pode continuar sendo ­ definido por essa aquisição.

“As últimas seis ou sete semanas foram realmente dominadas pela Monsanto”, disse Baumann em entrevista ao The Wall Street Journal. Ele vem pulando de uma cidade para outra e promovendo o negócio para investidores apreensivos e um público cético.

A oferta da Bayer vai transformar a empresa de 150 anos, que inventou a Aspirina na década de 1890 e recentemente vem se concentrando na expansão de sua divisão de cuidados com a saúde.

A tentativa de comprar a Monsanto é uma aposta alta para Baumann, que está tendo dificuldade para convencer os investidores dos benefícios do negócio, depois que a Monsanto recusou publicamente a oferta da Bayer, em maio. Desde então, ele reiterou a proposta de US$ 122 por ação e disse que pretende continuar negociando com a Monsanto.

“Há vários investidores que gostariam que nós fortalecêssemos ainda mais nosso negócio de saúde ­ principalmente o farmacêutico”, disse Baumann. Mas melhorar a divisão de agroquímicos com a Monsanto agora “é a proposta mais atraente para a companhia e os acionistas”. Segundo ele, o setor farmacêutico não tem alvos de aquisição igualmente atraentes.

Investidores e analistas dizem que as áreas agrícolas das duas empresas são complementares porque a Bayer é líder em químicos para a lavoura e a Monsanto em sementes. Mas alguns continuam duvidando que uma união poderia gerar valor para os acionistas da Bayer e receiam um aumento do endividamento já alto da empresa. A companhia alemã encerrou 2015 A com uma dívida líquida de 17,45 bilhões de euros (US$ 19,71 bilhões), mais do dobro do nível de 2011.

“Receamos que a empresa combinada fique altamente alavancada” e sempre há o risco de que a direção da Bayer perca o foco no setor farmacêutico devido ao tempo gasto com o processo de integração da Monsanto, diz Greg Herbert, gerente de fundos da administradora londrina de ativos Jupiter Asset Management Ltd., que detém ações da Bayer.

O preço das ações da Bayer recuou cerca de 15% após as primeiras notícias sobre o acordo. Desde então, houve uma pequena recuperação.

Baumann começou a cogitar a aquisição da Monsanto no ano passado, depois que a Bayer fez uma fracassada oferta pela suíça Syngenta AG, quando ele ainda era diretor de estratégia, dizem duas pessoas a par das discussões internas. O então diretor­presidente da Bayer, Marijn Dekkers, foi totalmente contra a ideia, diz uma das pessoas.

Dekkers, que não quis ser entrevistado para este artigo, foi o primeiro líder executivo que veio de fora da Bayer. Em seus seis anos no comando, ele reformulou a empresa com ênfase em sua área de ciências da vida, liderando o lançamento de novos remédios campeões de venda, a compra da divisão de remédios que não precisam de receita médica da farmacêutica americana Merck & Co., por US$ 14,2 bilhões, e o desmembramento da divisão de plásticos especiais, a Covestro AG, um negócio de US$ 10 bilhões.

Baumann rechaça os frequentes comentários de que sua estratégia diverge da adotada por Dekkers, com quem ele conviveu seis anos no conselho de administração da empresa.

“A empresa há várias décadas é administrada numa tradição de sustentabilidade e liderança”, disse Baumann. “Nesse sentido, estou seguindo o que Marijn fez quando dirigia a empresa.”

Baumann disse que a Bayer teve que agir rápido em meio a uma onda de consolidação no setor agroquímico para não ser superada. Desenvolvedores de sementes rivais, como Syngenta, Dow Chemical Co. e DuPont Co., fecharam acordos recentemente. “Como uma das maiores participantes da indústria, sempre foi claro que precisávamos tomar uma posição”, disse ele.

Colegas dizem que Baumann é cuidadoso, mas resoluto. “Se ele diz ‘sim’, é sim. Se ele diz ‘não’, é não”, diz Christine Bortenlänger, membro do conselho da Deutsches Aktieninstitut, organização que representa empresas de capital aberto da Alemanha, da qual Baumann é presidente. Um ex­funcionário da Bayer que trabalhou próximo ao executivo diz que ele é exigente consigo mesmo e com os outros, acrescentando que a abordagem de Baumann funcionou bem quando ele liderou a separação da Covestro.

Baumann diz ser “bastante paciente” e “relativamente um bom ouvinte”.

“Sou uma pessoa modesta e humilde”, acrescenta.

abiquiflashes (27/06/2016 – 481)

  • sulfato de condroitina: este farmoquímico de origem biológica é extraído de cartilagem de aves, bovinos e suínos. É usado no tratamento de artroses. Em 2016, até maio, foram exportados US$ 3.548.035,00 deste produto.
  • Farmoquímicos: US$ 204,3 milhões foi o montante exportado pelo Brasil em farmoquimicos nos primeiros cinco meses de 2016. A qualidade das nossas produções de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) abastece vários mercados no exterior.
  • Excipientes: também estes produtos contribuem para a nossa pauta de exportação de produtos manufaturados. Em 2016, até maio, foram enviados a vários países US$ 48,6 milhões de adjuvantes farmacotécnicos.

abiquiflashes (23/06/2016 – 480)

  • Ácidos biliares: estes ácidos, classificados no código NCM 2918.19.29 representam uma fonte importante para as nossas exportações. Em 2016, até maio, elas atingiram US$ 20.647.227,00. Essa capacidade única de exportação, reflete a grandeza do nosso rebanho.
  • ácido salicílico: por um processo de acetilação, este ácido é a base para a produção da aspirina, ácido acetilsalicílico, amplamente, usado em todo o mundo. O Brasil exportou nos primeiros cinco meses de 2016, US$ 3.236.629,00 deste produto.
  • pilocarpina: extraído de plantas cultivadas no nordeste brasileiro (Maranhão e Piauí), este farmoquímico é usado no tratamento do glaucoma. Ao exterior foram remetidos, em 2016, até maio, 1.048 kg por US$ 4.486.426,00, ao preço médio de US$ 4.280,94/kg, deste alcaloide.

abiquiflashes (20/06/2016 – 479)

  • Medicamentos: a exportação brasileira de medicamentos (NCM 3003 e 3004) atingiu em 2016, até maio, US$ 351,4 milhões. Esta exportação dirigida a vários países atesta a excelente aceitação das nossas produções de medicamentos.
  • Vacinas veterinárias: como é sabido o Brasil não é um grande exportador de vacinas veterinárias. Contudo, nos primeiros cinco meses de 2016, foram enviados ao exterior US$ 13.778.909,00, com destaque para a vacina contra a febre aftosa com US$ 6.718.965,00.
  • celulose microcristalina: este é um excipiente produzido no Brasil amplamente aceito no mercado exterior. Em 2016, até maio, foram exportados US$ 8.675.045,00 deste adjuvante farmacotécnico, para vários destinos.