abiquiflashes (28/04/2016 – 465)

  • Vacinas: as vacinas para uso veterinário produzidas no Brasil têm ampla aceitação nos países da América do Sul, em particular a vacina contra a febre aftosa. No total, em 2016, até março, o País enviou ao exterior US$ 7.878.531,00 em vacinas para uso veterinário.
  • Cefalosporinas: esta é uma classe de antibióticos muito usada em todo o mundo. Nos três primeiros meses de 2016 o Brasil exportou US$ 2.862.699,00 em farmoquímicos desta classe terapêutica.
  • sulfato de condroitina: este farmoquímico é amplamente usado hoje no tratamento das artroses. US$ 2.300.552,00 foram enviados ao exterior em 2016, até o mês de março.

Sanofi reestrutura operação no país para acelerar expansão

Stella Fontes – Valor Econômico:

A farmacêutica francesa Sanofi está reorganizando suas operações no Brasil, em um esforço que envolve a integração das cinco empresas do grupo. O objetivo da simplificação da estrutura local é acelerar o crescimento das vendas e consolidar o laboratório, dono de marcas líderes como Dorflex e Dermacyd e tradicionais como Novalgina e Cepacol, no topo do ranking da indústria farmacêutica brasileira.

Nos últimos anos, a Sanofi perdeu a liderança do varejo total de medicamentos e de genéricos, mas segue melhor colocada ­ entre a segunda e a terceira posição ­ do que outras gigantes da indústria farmacêutica global, atropeladas no passado por laboratórios nacionais focados em genéricos. “Não queremos ser apenas o maior, mas o mais forte”, afirmou ao Valor o diretor­geral do grupo, Pius Hornstein.

Há 15 meses no comando da Sanofi no país, o executivo suíço afirma que a nova estrutura vai conferir agilidade à tomada de decisões estratégicas e gerar sinergias com a integração de estruturas comuns da Sanofi Farma, maior operação do grupo no país, da Medley (de genéricos), da Sanofi Pasteur (vacinas), da Genzyme (doenças raras) e da Merial (de saúde animal). “Nosso ponto hoje é: como fazer o grupo mais forte do que as empresas individualmente”, explicou.

Há pelo menos três anos o laboratório francês já lutava para encontrar um novo modelo de gestão no Brasil, em processo que levou à chegada de Hornstein à presidência local. Antes dele, entre o fim de 2013 e 2014, o então diretor­-geral, Patrice Zagamé, detectou a falta de agilidade da empresa em responder às mudanças do mercado e problemas na etapa de fornecimento de seus produtos. O executivo, porém, permaneceu pouco tempo na operação local.

De origem francesa, Zagamé havia substituído Heraldo Marchezini no cargo. Com anos de casa, Marchezini estava à frente do grupo em 2009, quando foi anunciada a compra da Medley por R$ 1,5 bilhão. Mas foi desligado da Sanofi em 2013, ano em que a concorrente EMS assumiu a liderança em genéricos, com 31,07%, contra os 19,35% da vice­líder Medley.

Segundo Hornstein, há dois anos, a estrutura de fornecimento de medicamentos da Sanofi “não estava bem”. O gargalo foi corrigido e o tempo para entrega acabou reduzido em mais de 50%, para menos de 10 dias em todo o país. “Cada empresa tinha a sua distribuição. O que fizemos foi unificar a logística”, disse. Uma das iniciativas nessa área foi a construção de um novo centro de distribuição, em Guarulhos (SP), com 36 mil metros quadrados, inaugurado em novembro de 2015. Até 2020, esse centro receberá investimentos de € 200 milhões.

Já no segmento de genéricos, a visão do grupo francês é de que a Medley, hoje a terceira no ranking, permanece como marca forte, entre as mais lembradas pelo consumidor brasileiro. “Não precisamos jogar somente com preço e volume”, disse Hornstein, referindo-­se à prática comum de concessão de descontos elevados para aumentar as vendas em unidades desse tipo de medicamento. “Não buscamos ‘market share'”, acrescentou.

Inovação radical, por outro lado, está no foco da operação brasileira como ferramenta de impulso às vendas. Desde a chegada da insulina Lantus, conforme o executivo, não houve “grandes lançamentos” do grupo no país.

Esse cenário mudará em breve, com o início da comercialização da Dengvaxia, vacina contra a dengue que já recebeu o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e aguarda a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). “Com inovação, é possível acelerar o crescimento”, ressaltou Hornstein.

A Sanofi aposta ainda no sucessor do Lantus, o Toujeo, uma insulina basal de ação prolongada que pode ser aplicada apenas uma vez ao dia. A venda do medicamento foi liberada em dezembro pela Anvisa e o lançamento está previsto para este mês. Em três ou quatro anos, acrescentou o executivo, o grupo espera trazer ao menos quatro medicamentos biológicos novos para o mercado brasileiro.

No ano passado, em todo o mundo, a Sanofi registrou vendas de € 37,1 bilhões, e o Brasil manteve­-se entre as dez maiores operações do grupo. Segundo Hornstein, as vendas no país, que não são divulgadas, cresceram em 2015 ­ no varejo, produtos maduros mostraram expansão superior à média. Para 2016, a expectativa é a de crescimento menor das vendas de medicamentos, influenciado pela crise econômica. “O mercado privado segue vigoroso e, para acelerar o crescimento é preciso incorporar medicamentos ao SUS”, observou. “No longo prazo, vamos crescer acima do mercado com a inclusão [no SUS]”.

No Brasil, o grupo francês pode produzir 400 milhões de unidades (caixas ou frascos) por ano e emprega mais de 5 mil pessoas. “Não nos vemos como franceses, mas como uma empresa brasileira”, disse Hornstein, sob o argumento de que 95% dos medicamentos vendidos pelo grupo no Brasil terem produção local.

abiquiflashes (25/04/2016 – 464)

  • Medicamentos (1): as exportações brasileiras de medicamentos apresentam em 2016, até março, a cifra de US$ 210,3 milhões, alcançando vários países, especialmente a Dinamarca.
  • Medicamentos (2): entre os principais medicamentos exportados destaca-se a exportação de medicamentos à base de insulina (NCM 3004.31.00) cujo valor de exportação até março de 2016 alcançou US$ 10.511.103,00.
  • celulose microcristalina: este excipiente é muito importante na indústria farmacêutica, na produção de comprimidos. O Brasil, importante produtor deste adjuvante farmacotécnico, exportou em 2016, até março, a importante cifra de US$ 4.833.380,00.

Laboratórios melhoram sua gestão operacional

Stella Fontes – Valor Econômico:

Um grupo formado por treze farmacêuticas instaladas no país elevou em 15%, em média, a produtividade em processos operacionais em 2015, a partir da adoção de um sistema inédito que permite a comparação de indicadores operacionais. Batizado BCO Farma e lançado por entidades setoriais, o novo sistema permite que as empresas farmacêuticas comparem seu desempenho em diferentes processos com o de suas pares, sem que dados estratégicos sejam revelados entre os concorrentes.

Para os executivos da indústria, a rentabilidade será determinada cada vez mais pela eficiência operacional, e não por expansão comercial, o que impõe desafio relevante para um setor cujos preços são controlados. Nesse ambiente, o sistema de indicadores deve atrair cada vez mais participantes.

“O setor está mudando e a crise no país torna isso latente: é cada vez mais desafiador manter margens”, afirma o superintendente de Estratégia Corporativa da Biolab, Jayme Lima. No laboratório, o uso do sistema, lançado no início do ano passado pelo Sindusfarma e pela Abiquifi, do setor farmoquímico, já trouxe melhorias operacionais.

O BCO foi desenvolvido por Fabio Bussinger, do Instituto Farma de Governança Operacional (IFGO), e trabalha com 23 indicadores de produtividade. “O BCO quer dar parâmetros independentes para que as empresas determinem de forma objetiva sua estratégia e melhorem a competitividade”, afirma.

A cada dois meses, explica Bussinger, o BCO emite um relatório com gráficos traçados a partir de informações transferidas por cada laboratório, que não é identificado nominalmente. Na curva, as empresas são capazes de identificar como estão em relação às demais. “A grande maioria das empresas não tem uma visão clara de suas ineficiências e do impacto financeiro disso”, afirma o especialista.

Além da Biolab, participam do projeto a farmacêuticas Abbott, Aché, Allergan, Biosintética, Cristália, Eurofarma, FQM, Guerbet, Hypermarcas, Kley Hertz, Momenta e Sandoz. Outras “quatro ou cinco” farmacêuticas devem aderir ao grupo em breve. “Ter mais empresas é questão de tempo”, diz o presidente-­executivo do Sindusfarma, Nelson Mussolini. “Para sermos competitivos, precisamos de parâmetros de comparação.”

ANVISA cria assuntos para aditamento de informações sigilosas

A ANVISA, em sua busca continua da melhoria de seus processos de trabalho, criou em 12/04/2016, códigos de assunto específicos para que informações sigilosas de petições de registro e pós-registro de medicamentos e DDCM possam ser submetidas diretamente por terceiros.

Atualmente, essas informações são protocoladas na Anvisa como carta, o que impede a rastreabilidade da documentação apresentada. Visando aprimorar esse procedimento, foram criados os seguintes códigos de assunto:

10901 – DINAMIZADO – Aditamento – Documento submetido por terceiro

10902 – ESPECÍFICO – Aditamento – Documento submetido por terceiro

10903 – GENÉRICO – Aditamento – Documento submetido por terceiro

10904 – MEDICAMENTO FITOTERÁPICO – Aditamento – Documento submetido por terceiro

10905 – MEDICAMENTO NOVO – Aditamento – Documento submetido por terceiro

10906 – PRODUTO BIOLÓGICO – Aditamento – Documento submetido por terceiro

10907 – PRODUTO TRADICIONAL FITOTERÁPICO – Aditamento – Documento submetido por terceiro

10908 – RADIOFÁRMACO – Aditamento – Documento submetido por terceiro

10909 – SIMILAR – Aditamento – Documento submetido por terceiro

10910 – ENSAIOS CLÍNICOS – Aditamento – Documento submetido por terceiro

Tais códigos de assunto contemplam, exclusivamente, situações em que a Anvisa necessita receber informações sigilosas diretamente de empresas terceiras para avaliação dos pedidos de registro, pós-registro de medicamentos e DDCM, como por exemplo, informações do fabricante do Insumo Farmacêutico Ativo. Informações não sigilosas de empresas terceiras devem ser enviadas pela empresa peticionária, através dos aditamentos já utilizados.

Orientações para o protocolo

Para que a documentação seja cadastrada com os corretos códigos de assunto, a empresa terceira deve enviar para a Anvisa, juntamente com a documentação sigilosa, a seguinte folha de rosto preenchida:

Formulário de Peticionamento

Em Código e Assunto de Petição deve ser informado um dos códigos listados acima. Para os casos de encaminhamento da documentação por empresa estrangeira, não há a necessidade do preenchimento dos campos do formulário referentes ao responsável legal.

O envio da documentação deve ser realizado depois que o processo for protocolado, uma vez que é necessário preencher o número do processo na folha de rosto e esta informação é essencial para o correto direcionamento da documentação.

A utilização dos códigos de assunto específicos deverá observar tanto a previsão de envio de documentação diretamente à Anvisa quanto os prazos estabelecidos nas normas vigentes:

  • No caso de registro de medicamentos sintéticos, a RDC nº 60/2014 possui a previsão de envio diretamente à Anvisa apenas de informações relativas ao insumo farmacêutico ativo.
  • No caso de cumprimento da exigência, o prazo para envio da documentação é o prazo para o cumprimento da exigência. Destacamos que a submissão de documentação fora do prazo supramencionado acarretará o indeferimento do processo/petição, em linha com o parágrafo único do art. 2º e art. 11 da RDC 204/2005.

A documentação deve vir paginada e deve conter, em cada página, a sinalização de que a informação é sigilosa.

abiquiflashes (18/04/2016 – 463)

  • Contraceptivos: as preparações químicas contraceptivas produzidas no Brasil têm excelente mercado no exterior, particularmente em mercados da América Latina. Em 2016, até março, foram exportados US$ 6.086.989,00 desta classe de produtos (NCM 3006.60.00).
  • pilocarpina: extraída da planta jaborandi, cultivada no nordeste brasileiro (Maranhão e Piauí), este farmoquímico é usado no tratamento do glaucoma. Nos três primeiros meses de 2016, foram enviados ao exterior US$ 3.087.941,00 deste produto.
  • virginiamicina: US$ 8.232.629,00 foi o montante exportado pelo País, a várias partes do mundo, deste importante antibiótico usado em veterinária como antibacteriano e promotor do crescimento, em 2016, até março, principalmente para o Canadá.

Uma saída persa para a indústria brasileira

Eliane Oliveira e Danilo Fariello – O Globo:

Com fim de embargo, governo prevê triplicar exportações ao Irã. Bancos, porém, não fazem intermediação

Com estoques altos por causa do desaquecimento da demanda interna, boa parte da indústria pode encontrar alívio num distante país do Oriente Médio: o Irã. Com o fim das sanções comerciais lideradas pelos Estados Unidos, anunciado no início do ano, o mercado persa passou a ser destino de missões de empresários do mundo todo, inclusive do Brasil, que sempre teve boas relações com o Irã.

– Podemos triplicar, a curtíssimo prazo, as exportações para o Irã – disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro.

Isso significa que, se antes das sanções os iranianos importavam US$ 2 bilhões por ano do Brasil, o montante deverá saltar a US$ 6 bilhões. Segundo Monteiro, após visita a Teerã de representantes do governo e segmentos da economia no fim de 2015, as autoridades do país apresentaram uma lista de itens prioritários na pauta de importações.

Adaptação de veículos

Encabeçam a lista os veículos automotivos. Luiz Moan, presidente da Anfavea, espera que nos próximos dias cerca de dez montadoras fechem uma venda de US$ 5 bilhões, incluindo 140 mil automóveis, 40 mil caminhões e 17 mil ônibus. A venda não vai desocupar os pátios nacionais, mas ajuda a retomar a produção. O pedido do Irã tem especificações como funcionamento dos veículos com gás natural, o combustível mais abundante por lá.

– Se conseguirmos vender tudo isso em um período de um ano, o Irã estará entre os nossos quatro maiores mercados no exterior – disse Moan.

O país tem interesse em geradores de energia, bombas para irrigação, defesa, bens de capital e equipamentos hospitalares. Segundo Clara Porto, gerente de exportação da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abi-mo), o setor já vende ao Irã, mas quase todas as exportações de US$ 1,9 milhão em 2015 foram feitas por meio dos Emirados Árabes Unidos, com os custos maiores da intermediação:

– A tendência é que bancos do mundo todo passem a fazer operação de fechamento de câmbio com o Irã.

Embora o embargo tenha caído, ainda perduram as barreiras financeiras para receber diretamente do Irã. Por enquanto, as companhias precisam passar por entrepostos, como Dubai, ou lançar mão de Trading Companies, que são intermediárias, com os seus custos embutidos.

Para Tatiana Palermo, secretária de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, a venda de carnes para o Irã já é um dos grandes destaques, mas pode ser incrementada com o fim das sanções, assim como a venda de milho:

– Sem sanções, os pagamentos ficarão mais fáceis, assim como comércio. O Irã é parceiro tradicional do Brasil.

O governo brasileiro foi informado por Teerã que as operações via sistema financeiro internacional estarão prontas para funcionar normalmente neste semestre. Segundo Monteiro, há interesse do Banco do Brasil em atuar. O ministro disse que, a favor do Brasil, está a gratidão do Irã. Há seis anos, no auge da crise com os EUA, o Brasil se solidarizou com os iranianos, ao defender o direito de explorar energia nuclear para fins pacíficos.

De silicone a avião

A Abimo identificou potencial de US$ 5 milhões em novos negócios com o país persa, em produtos como cadeiras de dentista, próteses de silicone e suturas.

Há grande interesse na área de defesa, com a renovação da frota – uma encomenda de 50 aeronaves da Embraer foi anunciada em fevereiro -, na construção de pontes, aeroportos, ferrovias e estradas, além de investimentos vultosos em petróleo e gás.

Com taxa de fertilidade maior do que a de países europeus, o Irã era, há dez anos, um mercado atrativo para a indústria de equipamentos neonatais Fanem, que exporta US$ 10 milhões por ano. A partir de 2007, com o embargo econômico, ela passou a ter dificuldade para enviar produtos e receber pelas vendas. José Flosi, gerente de Exportações, diz que a saída foi buscar intermediários:

– O produto ficou mais caro, além de atrasar a entrega e, em determinado ponto, até Dubai passou a ter problemas em fazer negócios com o Irã.

Em 2015, Flosi viajou ao Irã em missão comercial e conseguiu indicativos de um acordo para exportar 400 incubadoras de alta tecnologia. O negócio pode representar 20% do valor total das exportações da Fanem este ano.

Ele, porém, não encontrou um banco brasileiro que ofereça contrato de câmbio com o Irã, para efetivar a venda.

Inmetro criará selo Halal

A derrubada das barreiras aos negócios com o Irã animou o governo brasileiro a explorar os mercados de 57 países muçulmanos. Para isso, o Inmetro vai criar um selo Halal, que garante que os produtos embarcados foram preparados de acordo com as regras impostas pela religião. É a versão muçulmana do kosher judeu.

Atualmente, o comércio de produtos certificados-de carne bovina a itens como cosméticos e rações (que usam insumos animais) – movimenta US$ 1 trilhão por ano, segundo o presidente do Inmetro, Luís Fernando Panei li Cesar.

0 Brasil é o maior vendedor de proteína animal para os países muçulmanos (o que inclui frango e porco). Mas cabe à Austrália o título de maior exportador de mercadorias halal. A Suíça também tem um amplo programa de certificação.

– 0 Brasil tem que ser forte nesta indústria nos países árabes muçulmanos. Vamos analisar os padrões para cada item e estabelecer procedimentos de certificação, é uma oportunidade de ouro-diz Panelli.

Este mês, haverá reuniões entre o Inmetro e entidades certificadoras para elaborar da regulamentação.

O processo é complexo: as regras de abate de bovinos são diferentes para sunitas e xiitas. Haverá um selo halal para cada grupo.

abiquiflashes (14/04/2016 – 462)

  • heparina: este importante anticoagulante tem presença relevante na pauta brasileira de exportações de produtos manufaturados. Em 2016, até março, foram enviados ao exterior US$ 5.693.433,00 deste farmoquímico biológico.
  • Medicamentos (1): US$ 199,4 milhões em medicamentos foram exportados pelo Brasil nos primeiros três meses de 2016, o que comprova a excelente aceitação destes produtos no exterior.
  • Medicamentos (2): destes medicamentos exportados até março de 2016, destaca-se o medicamento produzido à base de insulina, cujo destino principal é a Dinamarca. Esta exportação atingiu neste período US$ 10,5 milhões (NCM 3004.31.00).

Como semear a inovação

Mário Von Zuben – Valor Econômico:

Nos últimos meses de 2015, quando ainda estava em busca de votos, o presidente eleito de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, escolheu como símbolo de sua campanha a também lusitana Maria Pereira, de 30 anos de idade, considerada pelo Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, um dos 35 pesquisadores com menos de 35 anos mais inovadores em 2014. A pesquisadora desenvolveu uma supercola biológica que pode revolucionar cirurgias cardíacas em recém­-nascidos, ao substituir os pontos e adaptar­se ao organismo conforme a criança cresce.

Ao vincular a imagem da pesquisadora à sua, Rebelo de Sousa quis mostrar a seus compatriotas a importância para o desenvolvimento quando o país investe de forma decisiva em educação e ciência. Decerto, o novo presidente português não venceu o pleito apenas pelo exemplo de Maria Pereira. No entanto, sua escolha aquilata o papel da inovação não somente para os europeus, e sim para qualquer nação interessada em proporcionar um futuro melhor a seus conterrâneos.

No Brasil, o entusiasmo com a inovação parece estar em caminho oposto. Em que pesem os esforços de empresas e instituições dedicadas a promover as áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), os indicadores internacionais que medem a evolução dos países nessa área têm classificado o Brasil em posições ano a ano piores.

Ao perder o ímpeto para a inovação, o Brasil reduz suas chances de superar as dificuldades econômicas

Um dos mais respeitados é o Índice Global de Inovação, organizado pela Universidade Cornell, de Nova York, nos Estados Unidos, pela Insead, escola francesa de pós-­graduação em negócios, e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Wipo, na sigla em inglês). Esse estudo mostra os mercados que mais se destacaram na promoção de um ambiente favorável à inovação.

Na edição de 2015, o Brasil ficou na 70ª colocação, numa amostra de 141 países. Isso representou uma queda de nove posições em relação ao ranking de 2014. A pesquisa analisou indicadores relacionados à inovação, política, economia e a outros fatores importantes para o desenvolvimento de novas tecnologias e serviços.

Nas primeiras colocações do ranking, ocupadas por países desenvolvidos, praticamente não houve mudança. No primeiro lugar, ficou a Suíça (também primeira em 2014). Em segundo aparece o Reino Unido (mesma posição de 2014). Em terceiro, a Suécia (tal qual em 2014). No quarto lugar, a Holanda (quinta em 2014). E na quinta posição figuram os Estados Unidos (sexto colocado em 2014).

O estudo também perscrutou os países pelo índice de eficiência, destacando os que promoveram um ambiente em prol da inovação com menos recursos, bem como os que apresentam potencial inovativo e não conseguiram desenvolvê-­lo com sucesso. Nesse índice de eficiência, o Brasil ficou na 99ª colocação.

Moçambique, bem mais pobre que o Brasil, subiu doze posições ­ foi da 107ª posição em 2014 para a
95ª no ranking geral ­, registrou melhorias nas áreas de capital humano, sofisticação econômica e produção de tecnologia do conhecimento.

O Brasil também continua perdendo terreno em inovação em relação a outros países em outro índice recém­ divulgado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, como registrou o Valor em sua edição de 17 de março último. O número de demandas brasileiras de patentes internacionais caiu 5,7% no ano passado, para 547. O declínio acumulado nessas demandas em dois anos chega a 16,74%, com menos empresas investindo em inovação.

Em comparação, o México aumentou em 12,7% os pedidos de patentes em 2015, depois de alta de 21,9% no ano anterior. “As cifras sobre demandas de patentes são um bom indicador da atividade e da geografia da inovação”‘, declarou Francis Garry, diretor­geral da Wipo. A situação brasileira vai na contramão da tendência mundial. A Wipo nota que 2015 foi marcado por um forte aumento do número de demandas de patentes em escala global, com alta de 1,7%. No caso brasileiro, o setor que mais pediu registro de patentes foi o de tecnologias médicas, com 7,3% do total, segundo a entidade. Os Estados Unidos mantêm a liderança, com 44.235 pedidos de registro de patentes. Mas o aumento global no período ocorreu principalmente por causa da China, que atingiu 29.846 novos pedidos.

Outro levantamento feito pela consultoria Strategy& (antiga Booz & Company) leva em consideração os gastos com P&D das mil maiores empresas de capital aberto do mundo. A edição de 2015, organizada com informações de balanços de 2014, constata que o Brasil perdeu duas empresas na lista das companhias que mais inovam no mundo, voltando a ter apenas seis representantes. Essas aplicaram, em conjunto, US$ 2,3 bilhões em P&D em 2014, uma queda de 13,5% em relação a 2013.

As perspectivas apontam tempos de desafio. Premido pela necessidade de recursos, o governo federal suspendeu uma série de incentivos tributários na medida provisória que instituiu o ajuste fiscal no fim do ano passado e entrou em vigor no começo deste. Entre eles, os incluídos na chamada Lei do Bem, que permitia que investimentos aplicados em P&D e inovação fossem deduzidos de uma série de impostos.

Mais do que perder posições em rankings de inovação, com tais recuos o país reduz suas chances de superar as dificuldades econômicas. Como escreveu recentemente o economista Cláudio de Moura Castro: “A ciência é uma planta frágil. Não pega de galho nem de sementes lançadas a esmo. Requer muito desvelo para prosperar e voltas frequentes às grandes matrizes produtivas, de onde brotam as ideias mais férteis”.

Mário Von Zuben é engenheiro agrônomo pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, pós-­graduado em Gestão Estratégica de Negócios, pela Universidade de Calgary, Canadá e diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal.

abiquifi Alerta (14/04/2016)

No link abaixo, a percepção de especialistas sobre os desdobramentos a respeito do aumento do rigor regulatório em relação a produção de IFA’s na China e índia, região apelidada – pelo articulista – de “CHÍNDIA”:

http://inboul.com.br

O artigo foi cedido pela equipe da NCB – Consultoria Farmacêutica Ltda.