Diário Oficial (março 2016)

  • Instituto de Tecnologia em Fármacos – Farmanguinhos/FIOCRUZ

    Chamada Pública para seleção de matéria-prima medicamentosa – IFA – Insumo Farmacêutico Ativo: CLAVULANATO DE POTÁSSIO e Excipientes: AROMA DE HORTELÃ, AROMA DE LIMÃO, AROMA DE MORANGO E AROMA DE TUTTI-FRUTTI.

Pfizer investe no mercado de vacinas para adultos no país

Stella Fontes – Valor Econômico:

Com o objetivo de consolidar sua presença no mercado brasileiro de vacinas, onde ocupa posição de destaque no segmento privado, a farmacêutica americana Pfizer voltou suas atenções às necessidades de prevenção da população adulta. No Brasil, avalia o diretor da unidade de vacinas da farmacêutica, Marco Ferrazoli, campanhas de vacinação infantil já estão estabelecidas, mas ainda falta conhecimento sobre o calendário para as demais faixas etárias.

“Vacinação no Brasil tem o binômio criança e posto de saúde. O mercado de adultos ainda é tímido, mas tem grande potencial de crescimento”, diz o executivo. Além da questão cultural, a população brasileira está envelhecendo, o que reforça a expectativa de vendas crescentes da indústria farmacêutica também na área de imunização, acrescenta.

No ano passado, segundo dados da consultoria IMS Health, o mercado privado de vacinas no Brasil movimentou R$ 240 milhões. Já o mercado público, que compreende as campanhas definidas pelo Ministério da Saúde e do qual a Pfizer ainda não participa, chegou a R$ 2,3 bilhões. “Sempre temos o objetivo de ir ao segmento público, se fizer sentido”, diz Ferrazoli.

Segundo o executivo, o governo conhece o “pipeline” na área de vacinas da farmacêutica e “pode haver interesse em trazer tecnologia ao país, por meio de PDP [Parceria para o Desenvolvimento Produtivo]”. Essas parcerias, firmadas entre empresas e instituições públicas, têm por finalidade o desenvolvimento e a transferência de tecnologia para produção de medicamentos estratégicos ao SUS.

Com participação de 27% no mercado privado, a farmacêutica americana aguarda o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicação da Prevenar 13, usada na prevenção de doenças pneumocócicas, no público de 18 a 49 anos, consolidando assim a estratégia da farmacêutica.

Hoje, a vacina é líder de mercado, segundo a Pfizer, com participação de 18% e suas vendas cresceram 20% ao ano, em média, nos últimos cinco anos. Por enquanto, é indicada para crianças a partir de dois meses a adolescentes de até 17 anos e adultos com 50 anos ou mais. Com o futuro aval da Anvisa, a Prevenar 13, que nas indicações para crianças e adultos representou sozinha 12,7% do faturamento global da farmacêutica em 2015, se tornará universal (com indicação para todas as idades).

Em outra frente para avançar na população adulta, a Pfizer se aproximou de planos de saúde e empresas com vistas a oferecer pacotes de vacinas. Uma equipe específica para projetos de vacinação em empresas (B2B) foi constituída no ano passado com essa finalidade. “Temos empresas de todos os portes [entre os clientes]”, afirma o executivo.

A Pfizer tem fortalecido sua área de vacinas, que no ano passado gerou receitas de US$ 6,4 bilhões (ante US$ 4,4 bilhões em 2015), por meio de pesquisas e desenvolvimentos próprios e aquisições. No ano passado, anunciou a aquisição de duas vacinas contra meningite pelos sorotipos ACWY da GSK, a Nimenrix e a Mencevax, e comprou o controle da Redvax, subsidiária da suíça Redbiotec, em transação que permitirá o acesso a testes pré-­clínicos de uma vacina candidata contra o citomegalovírus (CMV).

Em dezembro de 2014, já havia concretizado a compra do portfólio de vacinas da Baxter, que incluiu a Neisvac­C e a FSME­IMMUN/Tico­Vac, que evita infecção do sistema nervoso transmitida pelo carrapato, em um negócio de US$ 635 milhões.

Neste momento, as pesquisas da Pfizer na área de vacinas estão concentradas em um novo produto para proteger contra a meningite B, contra câncer de próstata e contra a infecção por Staphylococcus aureus e Clostridium difficile colitis. No início do segundo semestre, a companhia pretende submeter à Anvisa a vacina Trumenba, para prevenção da meningite do tipo B em pessoas a partir dos 10 anos.

Merial, da Sanofi, investe € 9 milhões no país

Luiz Henrique Mendes – Valor Econômico:

Mesmo em meio à crise política e econômica que assola o Brasil, a Merial, braço de saúde animal da farmacêutica
francesa Sanofi, reforçou neste ano a aposta de fazer do país uma de suas principais plataformas de exportação.
Nesse sentido, afirmou ao Valor Jorge Espanha, presidente da subsidiária brasileira da Merial, a empresa está
investindo apenas neste ano no país € 9 milhões (R$ 36,7 milhões ao câmbio de ontem) para duplicar sua
capacidade de produção de medicamentos injetáveis voltados ao mercado de bovinos.

Na avaliação do executivo, o novo investimento mostra que a decisão de exportar a partir do Brasil é um acerto.
“Essa foi uma aposta da Merial lá atrás, e o país está provando que seu custo [de produção] é competitivo para
exportação”. Espanha ressaltou que, nos últimos dez anos, a companhia já investiu cerca de € 115 milhões no
Brasil.

Mas foi apenas nos últimos três anos que Merial acelerou o passo, segundo Espanha. Dentre os principais
investimentos realizados nesse período, estão uma fábrica de vacinas contra o vírus da febre aftosa, orçada em €
55 milhões, e a construção de uma unidade de parasiticidas mastigáveis para cães, que custou cerca de € 35
milhões e foi inaugurada em 2014.

No caso da fábrica de vacinas contra febre aftosa, os aportes estão em curso e a previsão é que a unidade entre em
operação comercial em 2017. Segundo Espanha, o gasto final na fábrica de vacina poderá ser menor, em euros,
devido à depreciação do real.

Nos três investimentos, incluindo o mais recente, Espanha enfatiza a relevância das exportações. Localizada no
parque fabril da empresa em Paulínia (SP), a unidade de parasiticidas mastigáveis exporta a maior parte de suaprodução para os EUA. Mesmo em relação à febre aftosa, responsável pela maior parte da receita no mercado doméstico, ele enxerga potencial para exportar para países do continente africano.

Mais recente investimento, a nova linha de produção de medicamentos injetáveis tais como ivermectina, antibióticos e parasiticidas será voltada para o mercado externo, especialmente no caso de um parasicitida para bovinos que foi lançado recentemente nos EUA. “O produto foi um sucesso e tenho limitação de produção”, argumentou Espanha. A previsão é que a nova linha de produção fique pronta no meio do ano.

Segundo o executivo, a Merial já exporta 45% do que é produzido no Brasil. Ao todo, a subsidiária da empresa no país faturou cerca de R$ 750 milhões em 2015, conforme fontes de mercado a empresa não divulga resultados por país. O faturamento global da companhia supera € 2,5 bilhões, e o Brasil é seu terceiro principal mercado, atrás dos EUA e da França.

 

abiquiflashes (31/03/2016 – 458)

  • Mercosul-5: este bloco econômico é um forte receptor das produções brasileiras de medicamentos, o que mostra a excelente qualidade das mesmas. Em 2016, até fevereiro, este bloco recebeu do Brasil US$ 26,4 milhões.
  • União Europeia (1): a União Europeia é, também, um importante destino das nossas exportações de medicamentos. Nos primeiros dois meses de 2016, o Brasil enviou para aquele bloco econômico US$ 26,5 milhões, praticamente o mesmo valor enviado ao Mercosul no referido período.
  • União Europeia (2): um dos principais destinos da produção brasileira de heparina, importante anticoagulante, é o Mercado Comum Europeu. Em 2016, até fevereiro, foram exportados US$ 2.043.537,00 de heparina para aquele destino.

Dólar eleva competitividade de comercializáveis

Arícia Martins e Tainara Machado – Valor Econômico:

A depreciação de quase 33% da taxa de câmbio em 2015 parece, finalmente, estar surtindo efeito sobre os preços de produtos que podem ser trocados com o exterior, como bens industrializados, tornando-­os um pouco mais competitivos em relação àqueles que não podem ser trocados ­ em especial os serviços. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, a inflação de bens comercializáveis, que respondem mais à variação do dólar, ficou em 9,45%, acima da alta de 8,54% verificada nos bens não comercializáveis.

Essa “vantagem” já tinha acontecido em janeiro e foi ampliada, mas desde 2004 não era vista por dois meses seguidos no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em igual período do ano passado, os bens comercializáveis subiram 5,92%, ante aumento de 8,17% dos não comercializáveis.

Esse movimento, segundo economistas, aponta que o processo de ajuste dos preços relativos, que vinha ocorrendo de forma mais lenta até meados do ano passado, está, enfim, ganhando fôlego. “Isso é um sinal de que a desvalorização cambial está fazendo seus efeitos esperados. O estranho era ter depreciação sem alteração nos preços relativos. Ela estava sendo inútil”, diz Salomão Quadros, superintendente-­adjunto de inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre­FGV).

Em sua avaliação, o repasse cambial ganhou força no começo deste ano, apesar da atividade econômica em queda livre, impulsionado pela inflação mais elevada de 2015 e, também, pela deterioração das expectativas inflacionárias. “Talvez esses fatores tenham possibilitado a percepção de que a hora é essa para repasses”, afirmou, embora a forte recessão coloque um limite para a intensidade destes reajustes.

Como exemplo, ele cita a evolução de alguns preços industriais, como o de bens de capital, que avançaram 1,64% em janeiro no Índice Geral de Preços ­ Disponibilidade Interna (IGP­DI), alta que cedeu para 0,34% em fevereiro. Nos bens de consumo, por outro lado, houve praticamente uma segunda rodada de reajustes, já que a inflação desses produtos passou de 1,99% para 1,66%. Nos últimos 12 meses, Quadros observa que os bens finais no atacado subiram 13,28%, sendo que, dessa taxa, quase 3,5 pontos referem­-se somente ao primeiro bimestre de 2016. “Interpreto isso como um movimento generalizado de repasse do câmbio.”

No varejo, o repasse cambial da depreciação observada em 2015 parece já ter atingido plenamente os preços, e a inflação de bens comercializáveis tende a perder força nos próximos meses, diz Cristiano Oliveira, economista­ chefe do banco Fibra, mas o outro lado do ajuste de preços relativos deve continuar em curso: a moderação dos serviços. Nos 12 meses até fevereiro, destaca Oliveira, a alta do conjunto que reúne preços como aluguel, cabeleireiro e empregada doméstica está abaixo de 8%, e a tendência é que esse número chegue a 7% até o fim deste ano.

“Os serviços já refletem a atividade econômica mais fraca e devem intensificar essa desaceleração por conta do mercado de trabalho bastante debilitado”, afirma Oliveira, para quem a defasagem de resposta do emprego à recessão é a principal explicação para o ritmo mais vagaroso de descompressão dos serviços. Em 2017, por exemplo, menciona ele, seus modelos apontam que a alta de preços no setor será de apenas 5%.

Marcel Balassiano, pesquisador do Ibre, concorda que a inflação de serviços deve dar algum alívio nos próximos meses e encerrar o ano em 7,5%, mas a um alto custo. Segundo ele, a taxa de desemprego, medida pela Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad), deve praticamente dobrar até 2017, ao passar de 8,6% em 2015 para 13,1% no ano que vem.

Mesmo assim, diz, como a inflação de serviços é muito indexada, o ajuste será lento. Para ele, como os preços de itens não-­comercializáveis não devem cair muito e o câmbio dificilmente vai repetir a desvalorização observada em 2015, o ajuste de preços relativos não será tão expressivo como em outros momentos de perda de valor do real, como 2002.

Até agora, observa, o índice de preços relativos calculado pela FGV, dado pela relação entre inflação de comercializáveis e não-­comercializáveis, subiu pouco, de 82,1 pontos no vale recente, em abril do ano passado, para 83,1 pontos até fevereiro deste ano. “O realinhamento será modesto”, diz o pesquisador. Para ele, a inflação de serviços só cederia mais rápido com melhora das expectativas, que hoje dependem de um ajuste fiscal mais agressivo, descartado na conjuntura de crise política atual.

Ainda assim, diz Balassiano, o ajuste em curso será suficiente para continuar a impulsionar o setor exportador da economia, que no ano passado já mostrou reação, com contribuição de 2,7 pontos percentuais ao PIB, que caiu 3,8%. “O resultado seria bem pior se não houvesse esse fator, ditado basicamente pela perda de valor do real”, comenta.

“Não é à toa que estamos vendo esse rápido ajuste das contas externas”, comenta Oliveira, do Fibra, para quem, ao contrário do que ocorreu em 2015, já há desvalorização do câmbio real neste ano. Em seus cálculos, o déficit em transações correntes vai se reduzir a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, entrando no campo positivo em 2017, com superávit de 0,3% do PIB. “Lembrando que o déficit foi de 4,3% do PIB em 2014, esse ajuste está sendo extremamente rápido”.

INPI altera forma de registros

Joice Bacelo – Valor Econômico:

Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) alterou o modelo dos certificados de registro de marcas. A partir de maio, os documentos serão emitidos com um texto padrão, no rodapé da página, sobre expressões sem direito à exclusividade de uso. Hoje, há ressalva somente nos certificados em que existe, de fato, a limitação ­ o que, no meio jurídico, é conhecido como “apostilamento”.

Há expectativa de que, com o novo modelo ­ instituído pela resolução nº 161 ­ a concessão do pedido de registro da marcas seja mais rápida. Por outro lado, especialistas alertam que a “ressalva geral”, presente em todos os certificados, permitirá às partes interessadas em uma mesma marca ter interpretações diferentes sobre o direito ao uso exclusivo daquele nome. E isso, afirmam, deve levar a um aumento de demandas judiciais.

“Caberá ao titular identificar e interpretar. E isso pode fazer com que uma empresa entenda que a outra está usando a sua marca”, diz o especialista Fernando Paulo da Costa Morais Ramalho, Opice Blum Advogados Associados.

Nos certificados há todas as características da marca registrada. Da forma como funciona hoje, a expressão sem direito à exclusividade aparece expressa no documento.

A limitação ­ ou apostilamento ­ é feita durante a análise pelo examinador do INPI do pedido de registro. Ele percebe que naquela marca existe algum elemento que não poderia ser registrado, mas em vez de negar o pedido por completo, faz a ressalva ­ que será inscrita no certificado. Ou seja, o tal termo só terá exclusividade quando usado naquele conjunto que foi registrado, não isoladamente.

Já no modelo novo, os certificados serão emitidos com um texto padrão, informando que a proteção conferida não impedirá a terceiros o uso de termos comum, como previsto na Lei da Propriedade Industrial (nº 9.279, de 1996). Nessa lista constam, por exemplo, cores e datas, mas também termos técnicos ou sinais para designar a característica do produto ­ de forma genérica, sem especificar quais, de fato, são esses termos.

“Ninguém tem dúvida sobre as expressões mais simples, mas têm muitas que são controvertidas”, observa o advogado Ricardo Vieira de Mello, do Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Mello. Para ele, está ocorrendo uma transferência de atribuições do INPI, que é o órgão registrador, para a esfera judicial.

“Antes, se a parte não concordasse com o apostilamento, ela apresentava recurso no próprio INPI. Agora, com um limbo sobre o que é ou não de uso comum, ela terá de ir à Justiça quando houver problema. Isso quer dizer que vai ficar mais caro e mais demorado esse processo”, completa.

O novo modelo implantando pelo INPI deveria ter entrado em vigor no dia 18 de fevereiro. O prazo foi prorrogado para o dia 2 de maio em atendimento a um pedido conjunto da Associação Brasileira dos Agentes da Propriedade Intelectual (Abapi), Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI) e Comissão de Propriedade Industrial da seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB­RJ).

O diretor da ABPI, Benny Spiewak afirma que o pedido foi feito para que as entidades possam estudar tecnicamente os impactos da mudança. Para ele, do ponto de vista prático, não parece ruim. Poderá garantir eficiência aos processos, afirma. Por outro lado, considera que nem toda padronização é boa.

“Hoje existe uma expectativa de que o estudo dos registros de marca sejam feitos caso a caso. Quando a resolução entrar em vigor, ela vai trazer a padronização que pode trocar o estudo individual por uma avaliação mais coletiva. Por isso existe a chance de haver problemas”, diz Spiewak.

Por meio de nota, o INPI informou ao Valor que a Lei da Propriedade Industrial, no artigo 24, estabelece o que não pode ser registrado como marca. Por isso, segundo o órgão, “como a lei já prevê quais são as restrições ao direito marcário, considerou­-se que a apostila poderia ser substituída, no certificado de registro da marca, por um texto que reproduz claramente as proibições legais”.

O Instituto ainda afirma que a mudança “irá assegurar uniformidade na aplicação da apostila”, evitando que seja motivo de controvérsia tanto na instância administrativa como na judicial. “Além disso, a medida faz parte do esforço para otimizar os procedimentos do INPI e buscar a agilidade que os usuários demandam”, afirma.

abiquiflashes (28/03/2016 – 457)

  • Dinamarca: a exportação brasileira de medicamentos para este país nórdico é bem significativa. Esta centrada nos códigos NCM 3004.31.00 e 3004.39.29, totalizando US$ 20,9 milhões em 2016, até fevereiro.
  • Espanha: este país ibérico é um dos principais importadores de heparina produzida no Brasil e exportada pelo código NCM 3001.90.10, que inclui tanto a heparina purificada, como a heparina crua e a sua fase anterior. Nos dois primeiros meses de 2016, o Brasil enviou para a Espanha US$ 2.043.537,00 de heparina em suas diversas formas.
  • Venezuela: US$ 10,0 milhões em medicamentos de vários tipos produzidos no Brasil foram exportados para este país bolivariano em 2016, até fevereiro. Este é um mercado muito favorável às exportações brasileiras de medicamentos.

Caso de “vaca louca” é confirmado na França

Valor Econômico:

O Ministério da Agricultura da França confirmou hoje, conforme as agências internacionais, a descoberta de um caso de encefalopatia espongiforme bovina (BSE), mais conhecida como “vaca louca”, na região nordeste de Ardennes. O animal infectado tinha cinco anos.

O país, maior exportador de carnes da Europa, não registrava casos da doença desde 2004. Com a confirmação, a França poderá perder seu status de país livre do mal e enfrentar barreiras aos embarques em seus mercados no exterior. Em 2015, as exportações francesas de carnes alcançaram 915 milhões de euros.

Bayer fatura mais de R$ 10 bi no Brasil

Stella Fontes – Valor Econômico:

No ano passado, às vésperas de completar 120 anos de presença no Brasil, a gigante alemã Bayer tornou-­se uma empresa com vendas de mais de R$ 10 bilhões no país. A desvalorização do real, porém, impediu que a subsidiária brasileira ultrapassasse a China em importância dentro do grupo e cumprisse a meta de crescimento estabelecida pela matriz, de 8% em euros, a despeito da expressiva expansão de 26% das receitas em moeda brasileira.

Em 2016, a depender do câmbio e do reajuste determinado pelo governo para o preço de medicamentos, disse ao Valor o presidente do grupo no país, Theo van der Loo, é possível que a Bayer Brasil registre desempenho melhor em euros, o que a colocaria na rota para alcançar a meta de crescimento.

Mais uma variável pode interferir nos objetivos da subsidiária brasileira: a eventual venda da divisão global de agronegócios, a Crop Science, que no ano passado representou quase três quartos das vendas da Bayer no país. Já há algum tempo, na esteira do intenso movimento de consolidação da indústria mundial agroquímica e de sementes, a empresa alemã tem sido citada em rumores. A mais recente especulação veio a público nesta semana e dá conta de uma possível oferta da Monsanto pela área agrícola do grupo. Questionada, a Bayer informou que não comenta rumores de mercado.

O teto do reajuste para medicamentos autorizado pelo governo, que tem o controle dos preços desses produtos no país, não foi oficializado e ainda depende da assinatura do ministro­-chefe da Casa Civil. Mas um cálculo da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) indica que, pela primeira vez em mais de dez anos, o índice máximo poderá ficar acima da inflação e chegar a 12,5%. Pela regra, o reajuste pode ser aplicado a partir de 31 de março.

“Estamos em dois segmentos mais favorecidos [nesse momento de crise econômica]. O Brasil é um dos maiores produtores de proteína animal e a população está envelhecendo”, observou o executivo. No ano passado, a divisão de cuidados com a saúde da companhia, dona da marca Aspirina, respondeu por 22% dos resultados no país, e a Crop Science, de agronegócios, foi responsável por 73%.

O restante foi gerado pelo negócio de polímeros de alta tecnologia, recém­-cindido da Bayer em uma nova empresa, batizada Covestro. Conforme Loo, não fosse por esse último segmento, as receitas da Bayer Brasil teriam crescido ainda mais ­ cerca de 31% ­ em 2015. Globalmente, o grupo registrou recorde de vendas, com € 46,32 bilhões no ano e expansão de 12,1%.

Em 2016, quando a Bayer completa 120 anos no país, os investimentos da operação brasileira devem alcançar R$ 180 milhões, em linha com o valor desembolsado nos últimos anos, e não há previsão de compra de ativos locais. “Se a Bayer fizer uma aquisição, será global. No Brasil, só se for algo oportunista”, disse.

Conforme o executivo, que é o primeiro brasileiro a comandar a empresa no país, a maior parte dos recursos será aplica em infraestrutura e em pesquisas com sementes, com vistas a adaptá­-las às diferentes regiões, consolidando as aquisições fechadas pelo grupo, e “concorrer com a Monsanto”.

Na área farmacêutica, a expectativa é poder ampliar o número de pesquisas clínicas realizadas no país, na esteira do abrandamento das regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em todas as frentes, a palavra de ordem no grupo é inovação radical e, em saúde humana, estão no foco cardiologia, oncologia, saúde feminina e doenças respiratórias. “O maior desafio é alcançar uma inovação que seja, de fato, de ponta”, disse Loo.

No ano passado, a divisão de cuidados com a saúde registrou receitas de R$ 2,16 bilhões no país, com expansão de 16%. A área farmacêutica cresceu 12%, impulsionada por novas indicações para o anticoagulante Xarelto, um dos cinco campeões de vendas da Bayer. Já a área de OTCs (medicamentos isentos de prescrição), que conta com marcas como Bepantol, Redoxon e Coppertone, cresceu 34%, enquanto saúde animal avançou 17%.

A fábrica de medicamentos que funciona em São Paulo produziu, no ano passado, dois bilhões de comprimidos, destinados tanto ao mercado brasileiro quanto às exportações ­ a companhia alemã é responsável por cerca de 10% dos embarques de toda a indústria farmacêutica instalada no país.

Para os próximos meses, a expectativa é trazer ao país outros três “blockbusters” do grupo: o Xofigo, para tratamento de câncer de próstata com metástase óssea; o Stivarga, indicado para câncer gastrointestinal; e o Eylia, para edema macular diabético.

No agronegócio, o crescimento da operação brasileira no ano passado alcançou 37%, para R$ 7,46 bilhões em receitas. Conforme Loo, o segmento agroquímico ainda recebe o maior volume de investimentos no país. Ao longo de 2015, a Bayer aportou R$ 31 milhões em novos laboratórios de monitoramento de resistência a fungicidas, herbicidas e inseticidas (FHI) e no Centro de Tecnologia de Aplicação, em Paulínia (SP).

Além disso, foram aplicados R$ 100 milhões para o lançamento da Rede AgroServices, que reúne agricultores, distribuidores e cooperativas e foi firmada a compra do negócio de sementes da Cooperativa Central Gaúcha (CCGL), do Rio Grande do Sul, por valor não revelado.

Conforme o presidente da Bayer no Brasil, até o fim do ano será concluída a reorganização administrativa decorrente da nova estrutura global do grupo. Desde 1º de janeiro, os negócios estão divididos em três: Pharmaceuticals (de saúde humana e a maior em termos globais), Consumer Health (que reúne os OTCs e vitaminas, entre outros) e Crop Science (de saúde animal e agronegócio).

A Covestro funciona como empresa independente no Brasil desde julho, embora compartilhe com a Bayer o complexo instalado na Zona Sul de São Paulo. “Não há hoje, no mundo, outro grupo com foco em ciências da vida além da Bayer”, ressaltou Loo, ao ser questionado sobre a fusão entre Dow e DuPont, que cria um gigante global de químicos. “A Bayer vai focar nas áreas em que já está”, disse.

Apesar do forte desempenho em 2015, a Bayer Brasil permanece como quarta maior operação do grupo, atrás da subsidiária chinesa do grupo, que também se beneficiou da compra de uma empresa local especializada em medicamentos dermatológicos isentos de prescrição, a Dihon Pharmaceutical, concluída no fim de 2014. Hoje, disse Loo, além do desafio de superar os chineses, o comando da operação brasileira está atento à aproximação do Japão no ranking interno do grupo.

abiquiflashes (24/03/2016 – 456)

  • Argentina (1): o mercado argentino continua sendo um dos nossos principais mercados de exportação dos medicamentos. Em 2016, até fevereiro, foram remetidos US$ 13,4 milhões em medicamentos, dos mais variados tipos, para aquele país austral.
  • Argentina (2): US$ 1.148.586,00 em preparações químicas contraceptivas foi o montante enviado àquele país nos dois primeiros meses de 2016.
  • Colômbia: este país andino também, é um destacado importador dos medicamentos produzidos no Brasil, sendo um mercado bastante promissor. Em 2016, até fevereiro, foram exportados para a Colômbia US$ 7.862.044,00 em medicamentos.