Firmas de genéricos da Índia investem pesado nos EUA

Suryatapa Bhattacharya – Valor Econômico:

As farmacêuticas da Índia saíram às compras no ano passado para conquistar uma fatia maior do mercado de medicamentos genéricos dos Estados Unidos.

A tendência é motivada pela fiscalização mais rígida que os EUA estão fazendo nas fábricas dessas empresas na Índia, muitas das quais receberam avaliações negativas no quesito segurança, e pelo desejo das empresas de desenvolver e vender produtos mais sofisticados, como analgésicos potentes, que os reguladores americanos dizem que precisam ser fabricados nos EUA.

Em 2015, farmacêuticas da Índia investiram um total de US$ 1,5 bilhão em aquisições de empresas americanas, segundo a firma de dados Dealogic. Desde 2010, firmas indianas compraram ou concordaram em comprar 31 farmacêuticas americanas, segundo a Dealogic. Outras companhias da Índia estão construindo novas fábricas nos EUA.

“Essas são iniciativas muito ambiciosas para ir onde o mercado está”, diz Dilip Shah, líder da Aliança Farmacêutica Indiana, um grupo do setor.

Em julho de 2015, a Lupin Pharmaceuticals Ltd., de Mumbai, fechou a compra de duas empresas de genéricos do Estado americano de Nova Jersey por um total de quase US$ 900 milhões. Os negócios vão possibilitar à Lupin produzir drogas mais rigidamente reguladas nos EUA, incluindo calmantes e narcóticos, além de produtos para tratamentos dermatológicos.

Entre os medicamentos produzidos agora pelas duas empresas de Nova Jersey, a Gavis Pharmaceuticals LLC e a Novel Laboratories Inc., estão versões genéricas do remédio para dor crônica OxyContin e da Ritalina, um estimulante usado para o tratamento do déficit de atenção com hiperatividade.

O diretor­gerente da Lupin, Nilesh Gupta, diz que a empresa começou a buscar aquisições nos EUA porque sua fabricação estava muito concentrada na Índia. “Queríamos fazer substâncias controladas, manufatura local, essas são áreas amplas nas quais queríamos entrar.”

O mercado de medicamentos genéricos dos EUA deve crescer a uma média anual de 10% e chegar a US$ 71,9 bilhões em 2018, segundo a consultoria RNCOS, à medida que uma participação mais ampla dos americanos em planos de saúde incentiva o uso de remédios genéricos. As empresas indianas tinham uma fatia de 19% desse mercado em 2014, comparado com 13% em 2010, segundo a Organização dos Produtores Farmacêuticos da Índia, um grupo setorial.

Os EUA, onde as margens de lucros com a venda de remédios são maiores, estão se tornando cada vez mais atraentes, afirmam as farmacêuticas indianas, ao mesmo tempo em que o mercado indiano fica mais competitivo.

A Lupin e outras farmacêuticas da Índia afirmam que fabricar nos EUA lhes dá um acesso maior aos engenheiros, equipamentos e instalações de que precisam para produzir remédios de manufatura mais complexa.

Os custos da mão de obra são menores na Índia, o que, durante anos, era uma vantagem para as fabricantes de genéricos do país no mercado mundial de medicamentos básicos. Mas executivos indianos dizem que os trabalhadores e fábricas do país não estão preparados para produzir medicamentos injetáveis ou administrados via inalação nem remédios sofisticados contra o câncer.

Em fevereiro, a indiana Cipla Ltd. comprou duas farmacêuticas americanas por US$ 550 milhões. Em novembro do ano passado, a maior fabricante de remédios da Índia por vendas, a Sun Pharmaceutical Industries Ltd., completou a aquisição, por US$ 57 milhões, da Insite Vision Inc., que é sediada na Califórnia e produz medicamentos usados após cirurgias oftalmológicas, de acordo com a Dealogic.

No ano passado, a FDA, agência que regula alimentos e remédios nos EUA, proibiu as importações de produtos de oito farmacêuticas indianas e fez advertências severas a outras por causa de supostos problemas em suas fábricas e procedimentos de testes. A intervenção da FDA provocou perdas de até US$ 800 milhões nas vendas anuais das farmacêuticas indianas nos últimos três anos, dizem analistas.

Em dezembro de 2015, a Sun Pharmaceutical Industries recebeu uma carta de advertência da FDA dizendo que a agência não estava satisfeita com os planos da farmacêutica para resolver problemas de qualidade. Se esses problemas não forem resolvidos, os remédios feitos em algumas fábricas da Sun Pharma podem ter sua venda proibida nos EUA, dizem analistas.

O diretor-­gerente da Sun Pharma, Dilip Shanghvi, disse na época que a empresa “continuará cooperando” com os reguladores dos EUA e “tomando as medidas adicionais necessárias” para atender às preocupações da FDA.

Em 2010, A Lupin contratou consultores e modernizou suas fábricas após a FDA apontar problemas em uma de suas instalações na Índia, afirmou a empresa.

A Glenmark Pharmaceuticals decidiu que uma das melhores maneiras para garantir que seus remédios não sejam banidos nos EUA seria se estabelecer na Carolina do Norte. A empresa está gastando aproximadamente US$ 200 milhões para construir fábricas no Estado americano, diz um executivo da Glenmark a par dos planos. Uma das fábricas vai produzir seringas com remédios usados no tratamento do câncer, doenças autoimunes e outras doenças. “A fabricação nos EUA será mais cara que na Índia”, diz Glenn Saldanha, diretor-­gerente da Glenmark. Mas ele diz acreditar que estar nos EUA permitirá à empresa fazer produtos mais sofisticados de uma forma mais consistente. “Essa é a troca”, diz.

Algumas dessas empresas também estão presentes no mercado brasileiro de genéricos. A Lupin, por exemplo, estreou no país em maio do ano passado, ao fechar a compra da Medquímica Indústria Farmacêutica S.A. O valor pago não foi divulgado. A Sun passou a ter uma subsidiária no Brasil após comprar a TKS Farmacêutica Ltda., alguns anos atrás.

Segundo a PróGenéricos, entidade que representa o setor, a fatia dos genéricos no mercado total brasileiro de medicamentos subiu de 27,64% em 2014 para 28,88% no ano passado. As vendas somaram R$ 5,9 bilhões, 11,75% mais altas que em 2014. (Colaborou Silvana Mautone)

Novatas encontram muitos recursos

Daniela Rocha – Valor Econômico:

Mesmo diante da deterioração da economia brasileira, os investidores estrangeiros continuam interessados em startups no país. “Hoje, todos os investidores estão mais criteriosos na seleção dos projetos, porém, não há sinais de retração no setor”, afirma Clovis Meurer, vice-­presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap).

Atualmente, segundo a Abvcap, há mais de R$ 1 bilhão em recursos disponíveis no universo de capital semente e venture capital para financiamentos de startups. Essa é a soma dos valores de fundos, investimentos-­anjo, family offices e aceleradoras. Os investidores, tanto nacionais quanto estrangeiros, seguem firmes na busca de novos negócios promissores para aportar de R$ 100 mil a R$ 5 milhões, sob a forma de participação societária.

Segundo a associação, entre 2012 e 2015 os aportes domésticos e internacionais mantiveram-­se em volumes similares ­ meio a meio. A partir deste ano e em 2017, a participação dos estrangeiros tende a ser maior pelo benefício do câmbio. Os investimentos em dólar são favorecidos.

“Para quem olha de fora, os ativos estão mais baratos e há muitos setores promissores”, destaca o vice-­presidente da Abvcap. A despeito da turbulência econômica, segundo a Abvcap, o Brasil continua sendo um grande mercado consumidor e tem alternativas a serem exploradas nas áreas de educação, saúde, TI, agronegócios, energia, assim como soluções financeiras. Há ainda possibilidades relacionadas à economia criativa, como games e animações.

Nos últimos anos, houve movimento progressivo de fundos estrangeiros de olho no país, sendo que alguns instalaram escritórios locais. Os casos de startups investidas que foram crescendo e se solidificando apontaram mais holofotes ao setor, segundo Dalton Schmitt, sócio e diretor-­executivo da CPR ­ Companhia de Participações. “Essa trajetória se mantém. Diversos gestores fizeram muitas experiências no Brasil e viram que funciona. Também houve um avanço das captações de fundos lá fora e eles procuram negócios que podem ser escaláveis e conectados globalmente”, afirma Schmitt.

Desde 2012 no país, a Redpoint e.ventures ­ gestora de fundo de capital de risco com foco em startups de internet e patrocinado por empresas do Vale do Silício ­ investiu em 28 empresas e continua otimista. “As condições interessantes para investir em startups não mudaram. Não vemos motivos para tirar o pé do acelerador”, diz Manoel Lemos, sócio da Redpoint e.ventures. Ele avalia que há oportunidades de grande valor agregado na área de tecnologia destinadas a resolver grandes problemas.

De acordo com Lemos, a eficiência é ainda mais importante na crise. Os consumidores mudam o comportamento, precisam controlar e diminuir suas despesas. Por sua vez, as empresas buscam aprimorar seus processos.

De acordo com Lemos, a vantagem, hoje, é que o ecossistema de empreendedorismo e inovação está mais maduro. Além disso, o mercado é vasto. São mais de 100 milhões de brasileiros conectados à internet e cerca de 72 milhões de usuários de smartphones. O setor de TI apresenta desempenho positivo e o e­commerce cresceu 15% em 2015 sobre o ano anterior.

O ano de 2015 foi o mais ativo da Redpoint e.ventures até o momento no país. No total, foram realizadas 25 rodadas, sendo 10 novos investimentos. Os valores não são informados.

Dentre as startups que receberam recursos no ano passado estão a consultoria Magnetis, uma fintech (startup de serviços financeiros) que permite personalizar planos de investimentos e acompanhar os rendimentos no ambiente on­line, e a Xerpa, que oferece soluções tecnológicas para simplificar e modernizar os departamentos de recursos humanos das companhias.

A Qualcomm Ventures também atua no Brasil desde 2012. Ao todo, foram nove investimentos em startups brasileiras. Outros dois aportes estão na iminência de sair, informa Carlos Kokron, diretor para América Latina da gestora. “Os cheques da Qualcomm para as startups têm variado de US$ 500 mil a R$ 5 milhões”, diz.

Em 2015, recursos foram destinados a quatro empresas.

A Qualcomm participou de segundas rodadas de investimentos no caso da 99Taxis, que desenvolveu aplicativo para chamar táxis pelo celular, e da Loggi, plataforma on­line de entrega expressa que conecta clientes aos motoboys.

A gestora apostou ainda na Meus Pedidos, startup que desenvolveu um sistema de gestão de pedidos ligando os representantes comerciais às indústrias e distribuidoras. Outro aporte realizado no ano passado foi na WebRadar, empresa que atua nos segmentos de big data e internet das coisas. Neste caso, o anúncio foi feito pela própria WebRadar em janeiro deste ano.

A Qualcomm e o DGF Investimentos respondem, juntos, pelo aporte de cerca de R$ 40 milhões na companhia.

Carlos Kokron enfatiza que um dos riscos é o real continuar se desvalorizando fortemente nos próximos anos porque os investimentos em dólar feitos na fase atual perdem valor. “Mas o momento, em geral, continua sendo positivo. Estamos animados com potencial do empreendedorismo digital no Brasil”, ressalta. Ele avalia que os empreendedores estão cada vez mais qualificados. “No Brasil, existem muitos fóruns de discussões que ganham força, além de conexões que são feitas com redes de apoio no exterior, como o Vale do Silício”, conclui.

abiquiflashes (29/02/2016 – 449)

  • Itália: o país romano é o principal destino das exportações brasileiras de ácido biliar, seus sais e ésteres (NCM 2918.19.29), importante contribuição à pauta brasileira de exportações. Em 2015, foram embarcados para a Itália US$ 26,4 milhões destes farmoquímicos.
  • Malásia (1): este país asiático é um importante consumidor do anticoagulante heparina e seus sais (NCM 3001.90.10) produzido no Brasil e, em 2015, recebeu daqui 634 kg deste produto por US$ 3.134.912,00, ao preço médio de US$ 4.944,65/kg.
  • Malásia (2): US$ 1.856.017,00 em medicamentos contendo insulina foram enviados a Kuala Lumpur (Malásia) em 2015, o que atesta a excelência da produção brasileira de medicamentos.

Biomm muda plano e fábrica entrará em operação em 2018

Stella Fontes – Valor Econômico:

A Biomm, companhia fundada em 2001 pelos irmãos Marcos e Walfrido dos Mares Guia e pelo empresário Guilherme Emrich para produzir insulina, reviu os planos para sua operação fabril, mas manteve em 2017 a data de estreia no mercado brasileiro. O portfólio de negócios também foi revisto e outros medicamentos biológicos, que são hoje a principal aposta da indústria farmacêutica global, entraram na radar da empresa.

A fábrica que está em construção em Nova Lima (MG) começará a produzir insulina em 2018, um ano mais tarde do que o originalmente planejado, diante da decisão dos acionistas de tocar o projeto em fases. Porém, por meio de acordos comerciais firmados com dois laboratórios estrangeiros, da Polônia e da China, a Biomm importará o medicamento para vendê-­lo localmente a partir da primeira metade do ano que vem.

“Nós otimizamos o projeto e vamos chegar ao mercado em 2017, dentro do prazo previsto. A diferença é que vamos iniciar a comercialização antes de finalizar a fábrica”, afirma Heraldo Marchezini, presidente da companhia farmacêutica.

Segundo Marchezini, a execução do investimento em fases reflete a maior complexidade de uma unidade produtiva de biológicos e do processo de pesquisa e desenvolvimento, além da mudança do ambiente macroeconômico. “O risco, a tecnologia, os investimentos são muito diferentes da farmacêutica padrão”, afirma, acrescentando que há fila nos fornecedores para encomenda de equipamentos usados na produção desses medicamentos considerados de ponta.

A fábrica da Biomm, produzida pela Bosch, já está pronta na Alemanha e será transferida para o prédio em Nova Lima ao longo deste ano. A expectativa é a de que as etapas regulatórias para início de produção sejam cumpridas em 2017, com partida oficial da unidade no ano seguinte.

A companhia vai produzir insulina humana recombinante, que é um medicamento biológico, e a insulina análoga (glargina).

O projeto da farmacêutica vai exigir investimento da ordem de R$ 500 milhões, incluindo capital de giro

Antes do início de operação, a polonesa Bioton vai fornecer à Biomm o primeiro medicamento e a chinesa Gang&Lee Pharmaceutical entregará o segundo tipo de insulina, que no Brasil conta com um único fornecedor, a francesa Sanofi. O pedido de registro foi encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado.

Essas empresas parceiras serão, num segundo momento, fornecedoras também do princípio ativo. A meta da companhia brasileira, porém, é ser uma indústria vertical e produzir no futuro sua própria matéria-­prima.

O projeto da farmacêutica, que herdou patentes do processo de produção de insulina da antiga Biobrás, vai exigir investimento total da ordem de R$ 500 milhões, incluindo capital de giro. Até agora, a Biomm já levantou R$ 330 milhões, entre dívida ­ cerca de R$ 200 milhões, sobretudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ­ e uma recapitalização de R$ 130 milhões, em 2013, que culminou na entrada de um fundo da TMG Capital e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) no quadro de acionistas da empresa. Em janeiro do ano seguinte, as ações da companhia passaram a ser negociadas no Bovespa Mais, mercado de acesso da BM&FBovespa, e hoje 22,9% dos papéis estão no mercado.

A Biomm tem ainda entre seus acionistas o próprio BNDES, além do ex-­ministro do governo Lula Walfrido dos Mares Guia; a viúva de Marcos dos Mares Guia, Henriqueta; e Guilherme Emrich, que no início dos anos 2000 venderam a antiga Biobrás para o Novo Nordisk, maior fabricante mundial de insulina. Considerada a primeira biofarmacêutica do país, a Biobrás chegou a ser envolvida em investigações da Polícia Federal da chamada Máfia dos Vampiros.

De acordo com Marchezini, que antes de assumir o comando da Biomm teve passagens pela Sanofi, Rhodia Farma e Aventis, a capacidade instalada da fábrica será similar ao tamanho mercado brasileiro ­ estimado em mais de 20 milhões de frascos por ano ­ e a unidade vai produzir também carpules, uma espécie de tubete com insulina que é encaixado na agulha.

Hoje, a liderança do mercado brasileiro de insulinas, estimado em cerca de R$ 800 milhões por ano, é disputada de perto entre o Novo Nordisk, a Eli Lilly e a Sanofi. A taxa de crescimento da demanda, por sua vez, gira em torno de 10% ao ano.

“Temos um produto de altíssima qualidade e competitivo”, diz o executivo. “E, embora a Biomm tenha um portfólio corrente em insulina, queremos estar em outros biológicos”, acrescenta, revelando apenas que já há conversas nesse sentido na área de anticorpos monoclonais, que têm sido usados no tratamento de diversos tipos de câncer.

Diário Oficial (fevereiro 2016)

  • Cadastro no sistema NDSWeb


    A Gerência Geral de Fiscalização e a Coordenação de Produtos Controlados da ANVISA convoca todos os estabelecimentos que realizam atividades de importação e exportação de substâncias, medicamentos e plantas sujeitos a controle especial, a realizarem seu cadastro no sistema NDSWeb, pois em breve será publicada a Resolução que tornará o sistema oficial.

    Manual do usuário do Sistema NDS – Módulo NDSWEB (.pdf).

abiquiflashes (25/02/2016 – 448)

  • EUA (1): o mercado norte-americano é um dos principais destinos dos medicamentos contendo cefalosporinicos produzidos em nosso País. US$ 51,8 milhões deste tipo de antibiótico foram exportados, em 2015, para aquele mercado do NAFTA.
  • EUA (2): o ácido salicílico, além de sua ação queratolítica, é o principal intermediário na produção do ácido acetilsalicílico (AAS), obtido por processo de acetilação. Em 2015 o Brasil exportou para o mercado norte-americano US$ 4.234.232,00 deste intermediário.
  • EUA (3): os aminoácidos são a expressão mais simples das proteínas, que exercem um papel preponderante no crescimento e manutenção do corpo humano. Os EUA importaram do Brasil, que é um importante produtor mundial, US$ 21,7 milhões destes farmoquímicos, em 2015.

abiquiflashes (22/02/2016 – 447)

  • Colômbia (1): o aminoácido essencial lisina (seus ésteres e sais) é muito importante no desenvolvimento e manutenção do corpo humano. Em 2015, este país bolivariano importou do Brasil US$ 9.314.509,00 deste produto.
  • Colômbia (2): a Colômbia é um destacado importador dos medicamentos produzidos no Brasil. US$ 59,8 milhões foram enviados àquele país, em 2015, reforçando a posição brasileira naquele mercado.
  • Espanha: a Espanha é o principal destino dos produtos classificados no código NCM 3001.90.10 (heparina e seus sais). No ano passado (2015) foram enviados àquele país hispânico US$ 14,2 milhões em heparina e seus sais, a um preço médio de US$ 196,95/kg.

OMC projeta que acordo reduza em 13% o custo das exportações brasileiras

Assis Moreira – Valor Econômico:

O diretor-­geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, estima que exportadores e importadores brasileiros têm a ganhar pelo menos duas vezes com o Acordo de Facilitação de Comércio (AFC) que está na reta final de aprovação pelo Congresso Nacional. O AFC visa reduzir uma série de barreiras burocráticas e acelerar o fluxo de mercadorias nas alfândegas. A OMC estima que o AFC, ao superar regras obsoletas e padronizar, harmonizar e acelerar prodecimentos nas aduanas, pode gerar até US$ 1 trilhão ao ano a mais no comércio internacional, se totalmente implementado.

“O Brasil só tem a ganhar [com o AFC], porque o produto ficará mais competitivo e aumentará o número de empresas capazes de participar do comércio exterior”, disse ele ao Valor. No Brasil, o tempo médio de espera nos portos para embarque é de 13 dias. Estudo da OMC estima que esse prazo poderá ser reduzido para dois dias. O programa “janela única”, do Brasil, é considerado um bom exemplo a ser implementado.

Exportadores e importadores brasileiros poderão reduzir em 13%, na média, os custos na fronteira, segundo o relatório da entidade global. Para se ter uma ideia, o valor das exportações brasileiras foi de US$ 191 bilhões em 2015. Tudo depende de como o AFC será realmente implementado.

Até agora, 79 países ratificaram o texto, faltando outros 39 (totalizando dois terços dos membros da OMC) para entrar em vigor globalmente. No caso do Brasil, o texto de ratificação foi aprovado na Câmara dos Deputados na semana passada, e será submetido agora ao Senado.

O AFC foi o primeiro acordo comercial aprovado em quase 20 anos na OMC, alcançado também graças à mediação de Azevêdo, concordam negociadores em Genebra. O diretor da OMC estima que, para o comércio internacional, o acordo equivale à passagem do acesso à Internet da linha fixa para o acesso sem fio de alta velocidade. Ele descarta críticas de que o AFC facilitaria sobretudo as importações, e estima que o Brasil ganhará de forma significativa.

Primeiro, a importação tambem demora muito hoje e ela é essencial para empresas se tornarem mais eficientes e aumentarem suas próprias exportações. “Se a importação demora e vem com custo alto, a exportação depois fica também mais cara e golpeia a competitividade”, diz ele.

Segundo, as pequenas e médias empresas se beneficiarão muito porque o custo da burocracia hoje nas fronteiras chega a ser proibitivo. Com o AFC, elas podem mais facilmente exportar, por exemplo, na área de confecções.

Alem disso, o diretor da OMC destaca que, com a redução do custo da mercadoria, o brasileiro tambem conseguirá que seu produto seja mais atrativo no mercado de destino, no que ele chama um círculo vicioso nas transações.

O Brasil é responsável por um capítulo do AFC, sobre produtos perecíveis. A proposta foi feita ainda na época em que Azevêdo era o embaixador do Brasil na OMC. Como grande exportador agrícola e na expectativa de ser grande exportador de frutas, o país propôs dispositivos para a liberação acelerada para perecíveis não apodrecerem nos portos por causa de questões burocráticas. A proposta recebeu apoio imediato de outros paises para produtos completamente diferentes, como no caso da Noruega, grande exportador de pescado.

Agora o conceito de perecíveis evoluiu e inclui confecções, por exemplo. “Se o produto da moda demora, perde o contrato, que é cancelado”, exemplifica Azevêdo. “Não adianta exportar o biquíni quando o verão já acabou”.

abiquiflashes (18/02/2016 – 446)

  • China (1): o código NCM 3001.20.90 incorpora os “extratos de glândulas ou de outros órgãos ou das suas secreções (exceto de fígado)”. Neste código a China importou do Brasil em 2015, 3.631 kg por US$ 3.171.584,00, ao preço médio de US$ 873,47/kg.
  • China (2): US$ 3.704.693,00 foi o total importado por este país asiático do medicamento à base de insulina (NCM 2904.31.00), o que atesta a excelente qualidade da produção brasileira de medicamentos.
  • China (3): o alcaloide rutina, produzido no Brasil, é utilizado na China, que é um dos principais destinos desta produção. Em 2015, a China recebeu do Brasil US$ 3.440.351,00 deste farmoquímico usado no tratamento da fragilidade capilar venosa.

Mercosul espera ‘sinal’ da UE para negociar, diz Vieira

Francisco Góes – Valor Econômico:

O Mercosul está na expectativa de começar no fim de março as negociações para um acordo de livre comércio com a União Europeia (UE). “Estamos apenas esperando o sinal da União Europeia”, disse ontem ao Valor o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. E completou: “Temos recebido vários sinais de países [da UE] que desejam que a troca de ofertas [com o Mercosul] se realize no fim deste trimestre”, disse o ministro, no Rio. Hoje ele participa, no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, do lançamento de uma série de grupos de trabalho ligados ao Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) que vão fazer sugestões ao governo em diferentes áreas da política externa.

Vieira disse esperar que Mercosul e União Europeia cheguem a um acordo “bem-­sucedido, abrangente e ambicioso”. Ressaltou, no entanto, que será preciso aproximar posições: “Não podemos receber uma oferta modesta em agricultura e darmos uma oferta generosa em produtos industriais, tem que haver um equilíbrio dos dois lados”, afirmou. Ele falou horas depois de chegar de uma conferência sobre segurança em Munique, na Alemanha, onde reforçou com alguns de seus pares europeus que a proposta do Mercosul está “pronta”. Vieira afirmou que hoje há consciência que o acordo é interessante para ambas as partes.

“Vamos negociar em todos os setores, de forma ampla, mas para o Mercosul se não for um acordo ambicioso em agricultura não tem interesse”, disse o ministro. Na visão dele, o acordo Mercosul­-UE tem potencial de representar, para o bloco sul­americano, algo equivalente à Parceria Transpacífico (TPP), o acordo de comércio e investimentos reunindo 12 países. Embora a data anterior para a troca de ofertas entre Mercosul­UE, que era dezembro de 2015, não tenha sido cumprida, o ministro mostrou-­se otimista.

Hoje, ele vai se reunir com representantes do Cebri e, após o encontro, fará uma palestra sobre política externa. No evento, também serão instituídos quatro grupos de trabalho criados pelo Cebri, centro independente de discussões e estudos sobre política externa que foi fundado pelo embaixador Luiz Felipe Lampreia, morto este mês. “Estamos com a missão de tornar o Cebri mais ativo”, disse Rafael Benke, presidente do Cebri. A ideia é que, neste momento de crise no Brasil, a política externa ganha ainda mais relevância.

O Cebri convidou parceiros seniores para participar das discussões. Os primeiros grupos de trabalho vão tratar dos seguintes temas: inserção econômica internacional, coordenado por Mario Marconini; Brasil no novo contexto sul­Americano, a cargo de Maitê Bustamante; política externa brasileira, sob o comando do embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa; e Ásia, a cargo do também embaixador Valdemar Carneiro Leão. Haverá ainda um quinto grupo a ser instituído nos próximos meses que vai tratar da relação entre Brasil e Estados Unidos. Além dos coordenadores, há outros parceiros seniores envolvidos no projeto.

Segundo Carneiro Leão, ignorar a Ásia seria um ato de “cegueira”. Afirmou que, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Ásia representa 32% da economia mundial, enquanto a União Europeia responde por 20%. Esses percentuais eram exatamente inversos em 1980.

“Temos que ver se podemos formular sugestões para um papel mais pró­-ativo do Brasil na região”, disse Carneiro Leão, que foi embaixador do Brasil na China até setembro de 2015. O papel do grupo será o de ajudar a estabelecer uma agenda, com a participação de especialistas, e formular sugestões. O grupo deve pensar a Ásia com visão de longo prazo.