Volume de compras maior pode reduzir preço, defende Roche

Assis Moreira – Valor Econômico:

O presidente mundial do grupo farmacêutico suíço Roche, Severin Schwan, afirmou ontem que se o governo brasileiro ampliar o acesso a remédios inovadores na rede pública, contra câncer e outras doenças graves, a empresa aceitará reduzir o preço.

“A estratégia é trabalhar junto com o governo para tentar encontrar esquemas que tornem os remédios mais disponíveis também no setor público”, disse o executivo ao Valor. “Se o governo fornecer o remédio para mais pacientes, estamos dispostos a diferenciar o preço para conectar inovação e acesso a medicamentos e aumentar a penetração no mercado.”

Segundo Schwan, o Brasil, na verdade, já mostrou ser um caso de sucesso em acordos envolvendo volumes e preço. “Eu negociei pessoalmente com o governo brasileiro no passado, e agora estamos em constante discussão”, declarou.

Ele deu entrevista depois de anunciar que o grupo, número um mundial de remédios contra câncer, registrou vendas de 48,15 bilhões de francos suíços (US$ 46,39 bilhões) em 2015 globalmente, numa alta de 5% em cambio constante e o maior valor em seis anos. O lucro consolidado alcançou 9,05 bilhões de francos suíços, numa alta de 4% em taxa de cambio constante, mas em queda de 5% na moeda helvética em razão do impacto negativo do cambio.

No Brasil, a Roche faturou R$ 2,6 bilhões no ano passado, numa alta de 10%. Cerca de 34% das vendas no país são para o mercado público (governos federal, estaduais e municipais) e 66% para área privada (varejo, hospitais e clínicas). Para 2016, o mercado brasileiro será mais desafiador, com a pressão por cortes de gastos no setor público, aumento do desemprego e impacto em convênios de saúde.

Rolf Hoenger, presidente da Roche no Brasil, diz que a dificuldade de alguns Estados “não chegou no nível crítico como houve na Europa do sul em que os governos não pagavam”.

Em Basileia, sede mundial do grupo, Schwan mostrou­se bem diferente de outros executivos que recentemente se reuniram no Fórum Econômico Mundial e mostravam pessimismo sobre as perspectivas de seus negócios.

O executivo nota que, primeiro, a indústria farmacêutica é menos exposta à volatilidade econômica. “Se alguém sofre de câncer, vai continuar o tratamento, independente do ciclo econômico, enquanto em relação a outras indústrias, como bens de consumo, a compra pode ser adiada”, disse.

Além disso, estima que, particularmente nos mercados emergentes, há ainda enorme necessidade de fornecimento de cuidados médicos. “A demanda subjacente nos emergentes, incluindo o Brasil, vai continuar muito forte e esses países vão ter papel vital para nós.”

Poluição e envelhecimento da população devem provocar um número crescente de casos de câncer, segundo especialistas, especialmente nos emergentes, onde os pacientes têm cada vez mais os meios para se cuidar.

As despesas mundiais com tratamentos de câncer atingiram US$ 100 bilhões em 2014, alta de 10,3%, segundo a consultoria IMS Health. A expectativa é de que as despesas alcancem US$ 147 bilhões em 2018, alta anual de 8%.

Schwan coloca fé nos emergentes e minimiza as turbulências nessas economias. “Sejamos realistas, sempre há volatilidade nesses mercados. Eu esperaria mais volatilidade no Brasil, mas a tendencia para o setor de healthcare no país é bem positivo.”

Das vendas de US$ 37,3 bilhões da divisão farma, em 2015, 80% ocorreram nos EUA, Europa e Japão. Somente quatro medicamentos de ponta utilizados contra certos tipos de câncer geraram mais de US$ 21 bilhões, mais da metade do faturamento da divisão.

As vendas de MabThera/Rituxan (usado no tratamento contra certos linfomas e leucemias) aumentaram 5% e totalizaram 7 bilhões de francos suíços. As de Herceptin (câncer do seio e estômago) cresceram 10% e atingiram 6,5 bilhões de francos suíços. O remédio Avastin (câncer colorectal) rendeu 6,6 bilhões de francos suíços, alta de 9%, e Perjeta (câncer do seio em estado precoce) rendeu 1,144 bilhão de francos suíços, com alta de 61% em relação ao ano anterior.

A Roche diz possuir um pipeline robusto e conduz atualmente 114 pesquisas globais para novas drogas. Conta com novos tratamento de imunoterapia contra câncer e medicamentos contra esclerose em placa para enfrentar o risco que podem trazer os biossimilares, quando as patentes de certos produtos chegarem à expiração.

Para os próximos três anos, Schwan prevê o lançamento de até oito medicamentos, com potencial enorme de faturamento. “Temos uma grande pressão, que é na verdade positiva, com um portfólio muito rico no momento”, disse. “A questão é como financiar, fazer prioridades, aumentar a produtividade e a eficiência.”

No Brasil, está previsto o lançamento de três moléculas este ano: duas para o câncer de pele e uma na área pulmonar ­ Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), doença que afeta adultos com a perda da capacidade respiratória.

Segundo a empresa, mais de 186 mil pacientes foram tratados no país em 2015 com medicamentos especializados de seu portfólio de inovação. Conforme Hoenger, a empresa investiu mais de R$ 360 milhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos três anos no país. São 240 centros de pesquisa envolvidos em 79 estudos clínicos conduzidos no Brasil com participação de mais de 1700 pacientes.

O investimento em três anos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil foi maior do que o custo de R$ 300 milhões da unidade que está sendo construída no Rio de Janeiro. Essa fábrica exporta atualmente 16 milhões de unidades de medicamentos (30% do volume total de produção) para 23 países, principalmente na América Latina. A expectativa é de aumentar este número em 20%, a partir de 2017. Isso pode tornar o Brasil um “hub” de exportação de alguns produtos também para fora da América Latina e potencialmente para demais regiões ­atualmente um dos medicamentos já é exportado para Itália.

Diário Oficial (janeiro 2016)

Serviço de agências ganha sofisticação

Suzana Liskauskas – Valor Econômico:

Há cerca de duas décadas, agências de fomento a exportações, associações e federações empresariais brasileiras investem na oferta de serviços para tornar as empresas brasileiras mais competitivas no cenário internacional. São treinamentos, participação em missões internacionais, assessoria em questões burocráticas, fiscais e tributárias. Hoje é possível até encomendar relatórios e pesquisas customizados por segmento de produto e mercados.

Mestre em estudos contemporâneos da China pela Renmin University of China, Larissa Wachholz, sócia diretora da Vallya Negócios e Investimentos, chama a atenção para a importância de os empresários brasileiros compreenderem a situação político­econômica do país onde pretendem fazer negócios.

“A Ásia, em especial, tem sistemas políticos mais complexos. Se o plano quinquenal em vigor na China diz que a garantia da segurança alimentar é prioridade do governo chinês para os próximos cinco anos, sabemos que isso representa uma grande oportunidade para empresas brasileiras exportadoras de alimentos”, alerta Larissa.

Com projeção de crescimento de PIB em torno de 3% em 2016, a Espanha voltou a apresentar um cenário fértil para exportações brasileiras. As possibilidades de investimentos fazem parte do radar da Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil. Aos associados, a Câmara oferece atividades desde a busca de potenciais sócios ou clientes, por meio de bases de dados especializadas, ao detalhamento de mecanismos de financiamento, de garantia ou seguros de crédito à exportação.

Carolina Carvalho, diretora executiva da Câmara Espanhola, explica que os associados contam com uma rede de prestadores de serviços especializados nos mercados espanhol e europeu.

Em 2015, a área internacional do sistema da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) completou duas décadas de apoio à inserção qualificada do setor empresarial fluminense no ambiente internacional. Em 20 anos, as exportações do Estado do Rio de Janeiro passaram US$ 2 bilhões (1995) para US$ 17 bilhões (2015). Claudia Teixeira dos Santos, especialista em comércio exterior da Firjan Internacional, destaca que houve um aumento de mais de 700% desde o início das atividades da área.

Além de promover missões no exterior, a equipe da Firjan Internacional defende interesses dos empresários para tornar o ambiente de comércio internacional mais amigável. Há um trabalho contínuo para elencar soluções para os principais gargalos burocráticos e questões regulatórias.

Parceira da Firjan em muitas ações de estímulo às exportações no Rio de Janeiro, a Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham Rio) tem um trabalho árduo junto aos governos do Brasil e dos EUA para eliminar barreiras tarifárias, tributárias e regulatórias. Steven Bipes, diretor­executivo da AmCham Rio, diz que a intenção é acabar com a bitributação, um dos maiores entraves ao aumento da competitividade das empresas brasileiras no mercado norte­americano.

“Brasil e EUA têm a maior relação bilateral do planeta que não goza de um benefício para evitar a bitributação. Conseguimos, em 2015, que fosse estabelecida uma espécie de troca de informações entre a Receita Federal do Brasil e o órgão semelhante nos EUA. Mas temos muito trabalho pela frente”, conta.

Entre 2 e 4 de fevereiro, em Dubai, 14 empresas ligadas à Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) participarão da AEEDC (International Dental Conference & Arab Dental Exhibition). Trata­se da décima participação da comitiva brasileira na maior feira odontológica do Oriente Médio e Norte da África e faz parte do Projeto Brazilian Health Devices, realizado pela Abimo em parceria com a Apex­Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

Clara Porto, gerente de marketing da Abimo, explica que, antes de participar de uma feira internacional, os associados recebem treinamentos e orientações sobre tudo o que é necessário para realizar negócios naquele país. “O empresário precisa saber particularidades como a forma mais adequada de entregar um cartão de visitas ou fazer uma saudação”, diz Clara.

Parceria da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) e da Apex, o Programa Abrava Exporta levou entre 25 e 27 de janeiro doze empresas brasileiras à AHR Expo Orlando 2016, da American Society of Heating, Refrigerating, and Air Conditioning Engineers. Leila Vasconcellos, gestora do programa, afirma que a participação das empresas brasileiras em feiras internacionais tem tornado a tecnologia verde­amarela mais conhecida.

Manufaturados concentram esforços

Suzana Liskauskas – Valor Econômico:

As empresas brasileiras precisam se conscientizar de que a decisão de exportar é definitiva, não pode ser vista com um braço esporádico internacional, passível de interrupção quando a demanda do mercado interno for mais expressiva. A afirmação é de David Barioni Neto, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex­Brasil), criada para promover produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia brasileira.

O Brasil, informa, tem 16 milhões de empresas, mas apenas 16 mil são exportadoras. Entre essas, 20% respondem por 80% de tudo o que é comercializado pelo Brasil nos mercados externos. “Nosso desafio é tornar os serviços prestados pela Apex­Brasil 100% conhecidos pelas empresas brasileiras, para que o país avance nas exportações de manufaturados e semimanufaturados, subindo posições na cadeia de valor agregado”, afirma Barioni.

Em 2016, a Apex vai integrar a seus projetos os setores de engenharia, biotecnologia e implementos rodoviários. A agência também planeja estimular das estímulos adicionais às exportações no âmbito das artes contemporâneas e da economia criativa. Segundo o presidente da agência, o país deve mostrar ao mundo que não é apenas um produtor de commodities.

Mantida por verbas do Sistema S, a Apex é uma agência federal que presta serviços gratuitos a qualquer empresa que emita folha de pagamento. Em 2015, a realizou 886 eventos internacionais, somando 84 setores com projetos já realizados no âmbito de 32 países, que integram o Plano Nacional de Exportações (PNE).

“O total de oportunidades no mundo para as empresas brasileiras corresponde a US$ 600 bilhões. Mesmo com um mercado interno muito grande, as empresas brasileiras precisam se espelhar em vizinhos, como Uruguai, Chile e Colômbia, onde as empresas já nascem pensando em exportar”, afirma o presidente da Apex.

Com um leque de serviços desde a capacitação aos trâmites para internacionalização, a Apex­Brasil fechou 2015 com 12.212 empresas apoiadas, o que representa aumento de 14,8% em relação a 2014. Para quem nunca exportou, a Apex oferece o Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex).

Ao integrar o programa, as empresas contam com um diagnóstico gratuito para encontrar soluções que aumentem seu desempenho competitivo. O projeto indica o esforço de médio e longo prazos para operar mudanças no padrão de competitividade da região atendida, baseado em um trabalho de gestão.

“Temos acordos com universidades federais para essa capacitação, em um programa que dura de seis a oito meses. O empresário conhece todas as vertentes do universo de exportação, como qualidade de produtos, questões burocráticas e, controle de pós­venda. Um dos resultados imediatos é que a empresa aumenta a qualidade de seus produtos, expandindo sua ação no mercado interno”, diz Barioni Neto.

Uma das atividades mais expressivas da Apex­Brasil é o serviço de inteligência de mercado. A agência oferece estudos e análises para orientar as empresas e os parceiros em relação às melhores oportunidades para os seus negócios internacionais.

As atividades desse setor indicam, por exemplo, que o mercado da China é um potencial consumidor para calçados brasileiros de altíssima qualidade; que a Coreia do Sul é receptiva a cafés especiais do Brasil e que o mercado dos EUA está aberto aos produtos brasileiros para o segmento de construção, como pisos, cerâmicas e azulejos.

O terceiro pilar de atuação da agência é ajudar empresas brasileiras em seus respectivos processos de internacionalização. A Apex­Brasil mantém nove escritórios em todo o mundo, capacitados a abrigar, inclusive fisicamente, empresas brasileiras na forma de incubadas. O conjunto de serviços inclui questões fiscais, tributárias, certificações e definições de estratégias para o avanço no processo de internacionalização.

abiquiflashes (28/01/2016 – 441)

  • heparina: as exportações brasileiras deste importante anticoagulante, em 2015, atingiram a soma de US$ 24 milhões. Estas exportações poderiam ser maiores não fossem as dificuldades regulatórias encontradas por esta produção brasileira.
  • celulose microcristalina: o Brasil é um destacado produtor mundial de excipientes para a indústria farmacêutica. A celulose microcristalina é usada amplamente na produção de comprimidos. Foram exportados em 2015, US$ 20,8 milhões deste excipiente.
  • sulfato de condroitina: extraído da cartilagem de aves, bovinos e suínos, este farmoquímico é usado no tratamento da artrose. O valor exportado pelo Brasil deste produto, em 2015, foi de US$ 7,0 milhões.

abiquifi Alerta (27/01/2016)

No link abaixo, notícia sobre uma nova etapa de atuação do CFDA – Agência de Vigilância Sanitária da China, que está enrijecendo seus controles sobre as produções locais de IFA’s e medicamentos:

http://www.reuters.com

abiquiflashes (25/01/2016 – 440)

  • 2015 (1): Encerrado este exercício fiscal, a cadeia produtiva farmacêutica mostrou um total de exportação de US$ 1,699 bilhão, 14,3% de redução em relação ao ano de 2014.
  • 2015 (2): a exportação de medicamentos alcançou a cifra de US$ 1,08 bilhão no ano passado.
  • 2015 (3): as exportações de insumos alcançou a marca de US$ 621,0 milhões, sendo US$ 515,6 milhões de farmoquímicos e US$ 105,4 milhões de excipientes.

Impressão 3D cria protótipos de órgãos humanos

Beth Koike – Valor Econômico:

Desde Hipócrates, a medicina evolui por meio de novos tratamentos, drogas, exames e, mais recentemente, com o uso da tecnologia. Agora, a novidade que está atraindo atenção da comunidade médica é a impressão 3D. A técnica é capaz de reproduzir protótipos de órgãos humanos em tamanho real e com uma textura muito semelhante à verdadeira. As réplicas são elaboradas a partir de exames de imagem do próprio paciente e trazem detalhes que um ultrassom, por exemplo, não consegue mostrar.

No Brasil, a pioneira em impressão 3D de protótipos de órgãos humanos é a Bioarchitects, uma startup criada em meados de 2013. A empresa já fez 200 réplicas desse tipo, cujo nome técnico é biomodelo, para médicos de hospitais como Samaritano, Sírio-­Libanês, Albert Einstein e Santa Marcelina.

O presidente da Bioarchitects, Felipe Marques, ressalta que a tecnologia de impressão 3D proporciona uma redução de custos, em um momento no qual outras tecnologias são apontadas como vilãs do elevado custo da saúde. Com a réplica do órgão humano em mãos, argumenta Marques, o médico mensura melhor a quantidade de materiais e medicamentos necessários e faz a cirurgia em menos tempo. Com isso, otimiza o uso de sala cirúrgica e reduz os honorários médicos, baseados em tempo.

“Com o uso do biomodelo, tivemos uma economia de R$ 25 mil em materiais numa cirurgia para recuperação de cinco costelas fraturadas. O médico cortou as placas de titânio para unir as costelas com base no protótipo e evitou o desperdício”, explica o executivo. Cada peça de titânio, um filete de espessura semelhante à costela, custa cerca de R$ 12 mil.

“É uma evolução na medicina porque o biomodelo é uma reprodução fidedigna. Com o protótipo, é possível tomar uma decisão mais acertada sobre o procedimento médico a ser adotado e com outros profissionais”, diz Giselle Coelho, neurocirurgiã do Hospital Santa Marcelina. A médica já fez três cirurgias de crânio e uma de coluna a partir de biomodelos. Essa tecnologia começou a ser usada em maior escala em 2014 tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No Boston Children’s Hospital, que pertence à Universidade de Harvard, foram realizados cerca de 300 procedimentos com biomodelos nos últimos dois anos.

Um dos diferenciais da Bioarchitects é que a empresa consegue reproduzir peças maleáveis capazes de se assemelhar a texturas de partes do corpo humano como a aorta, principal artéria do sistema circulatório. Essa reprodução é relevante porque hoje os estudos de anatomia são feitos com cadáveres, o que não possibilita estudos mais precisos de órgãos que precisam ser bombeados com sangue.

A Bioarchitects é a única empresa brasileira dessa área a ter certificado do FDA ­ o órgão americano responsável pela aprovação de medicamentos para impressão de placas de titânio usados na reconstrução de áreas danificadas do corpo humano. A empresa recebeu aporte inicial de US$ 1,2 milhão do engenheiro Aurélio Lebovitz, que vendeu seu negócio de telecomunicações e passou a investir em tecnologia aplicada à saúde.

BTG Pactual capitaliza BR Pharma

Ana Paula Ragazzi e Adriana Mattos – Valor Econômico:

BTG Pactual vai injetar R$ 400 milhões na Brasil Pharma, rede de farmácias que controla. O aporte se dará no âmbito de uma oferta pública de ações da varejista.

De acordo com analistas, a capitalização da empresa é necessária até mesmo para que o banco consiga levar adiante planos de venda de sua participação. Conforme dados do terceiro trimestre de 2015, a empresa tinha R$ 9,2 milhões em caixa e dívida líquida de R$ 903,9 milhões. A BR Pharma, comandada por Paulo Gualtieri, vale hoje na bolsa cerca de R$ 27 milhões. Com essa estrutura de capital, em que o valor das ações está muito baixo comparado com o tamanho da dívida, havia dificuldades para receber uma proposta pela empresa. Os recursos captados na oferta serão usados para pagar dívidas e reforçar capital de giro.

No mesmo comunicado em que divulgou a oferta, a BR Pharma informa que ela e seu controlador avaliam oportunidades de negócios e que o BTG foi “recentemente procurado por terceiros” ­ BTG poderia vender sua fatia na empresa ou alguma bandeira da rede poderia ser vendida. Mas nesse momento não há documento assinado ou definição sobre a venda.

O Valor apurou que as negociações envolvem todos os negócios da BR Pharma, menos Big Ben. Fundos de private equity analisaram duas redes da varejista em 2015: Rosário e Sant’ana. O BTG prefere vender sua fatia na empresa, a se desfazer de bandeiras, segundo fonte. Há pouco mais de um ano, o Valor informou que o BTG havia colocado algumas redes à venda, mas não avançaram as negociações. A empresa é formada pelas redes Farmais, Sant’ana, Rosário e Big Ben.

Há informações no mercado de que o BTG teria conseguido fechar nos últimos dias acordos para alongar dívidas da BR Pharma com bancos privados, o que pode dar alguma folga à empresa.

A oferta de ações também pode trazer um novo investidor à varejista. Conforme os dados da operação, ela será de no mínimo R$ 400 milhões, garantidos pelo BTG, que permanecerá no controle. Mas a oferta poderá alcançar até R$ 800 milhões, se houver apetite pelos papéis do mercado ou dos atuais acionistas. Esse valor pode ser estimado porque a empresa informa que pretende vender 211,6 milhões de ações e há um preço de referência, de R$ 3,78, cotação de fechamento da ação na véspera do anúncio da oferta.

A empresa esclarece aos atuais acionistas que pretendam aderir à operação, que para não terem suas fatias na empresa fortemente diluídas, a oferta poderá não alcançar o total de ações pretendido. Se não houver demanda de

mercado para a formação de preço, os papéis sairão a R$ 3,78 ainda que esse valor seja acima da cotação de mercado no dia 29 de janeiro, quando será definido o preço. Ontem o papel fechou a R$ 3,64. O acionista que não concordar em pagar um preço maior do que o de mercado deverá sinalizar um valor máximo quando fizer sua reserva de papéis.

Nesta oferta de ações restrita, os bancos coordenadores, BTG e Santander, podem procurar no máximo 75 investidores profissionais para oferecer os papéis e no máximo 50 podem comprá-­los. A oferta também terá esforços de colocação no exterior e nesse caso o limite de colocação deverá obedecer às regras de cada país.

É possível avaliar, de acordo com analistas, que o BTG está sinalizando para a BR Pharma um preço justo de R$ 3,78 por ação, o que pode ser relevante para suas negociações de venda da empresa.

A capitalização da BR Pharma já era necessária e aguardada desde novembro, quando o conselho aprovou uma oferta com esforços restritos, que poderia variar entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões. Mas dias depois houve a prisão do principal sócio do BTG, André Esteves, o que atrapalhou os planos iniciais. À época, o preço foi condicionado a R$ 20 por ação, valor quase cinco vezes superior ao fixado agora. A ação da BR Pharma sofreu muito com as preocupações do mercado sobre o futuro da empresa, uma vez que foi questionada a capacidade do BTG de colocar recursos na companhia.

O anúncio da oferta pública de ações veio um dia depois de o banco divulgar um balanço não auditado para “tranquilizar” o mercado sobre sua situação de liquidez.

Vendas de manufaturados subiram 2,3% em 2015

Tainara Machado – Valor Econômico:

Depois de uma queda de 12,9% das exportações de manufaturados, os embarques desses produtos voltaram a subir no ano passado, levando em consideração as quantidades vendidas ao exterior, segundo dados preliminares da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) obtidos pelo Valor.

Com ajuda da desvalorização de quase 50% do real no ano passado, as vendas e manufaturas para o exterior subiram 2,3% no ano passado. Ainda assim, a alta não foi suficiente para compensar uma queda de 11,3% dos preços de exportação de itens manufaturados, o que levou o valor dos embarques desses produtos a encerrar 2015 com uma queda de 9,3%. No total, foram exportados US$ 72,8 bilhões em manufaturados no período, contra US$ 80,2 bilhões em 2014.

Nos produtos semimanufaturados, no qual estão incluídos itens como açúcar em bruto, óleo de soja e cacau em pó, a alta das exportações em volume foi um pouco maior, de 8,5% em 2015. O movimento de recuperação das quantidades vendidas ao exterior, porém, também foi insuficiente para compensar a queda de 16,1% dos preços desses produtos, influenciados pela queda das cotações de commodities. Assim, no ano, os valores exportados de bens semimanufaturados diminuíram 9%.

Para Daiane Santos, economista da Funcex, a expectativa é que a manutenção do dólar em torno de R$ 4 continue a impulsionar as vendas de produtos industriais para o exterior ao longo deste e do próximo ano. No fim de 2015, por exemplo, já foi possível notar altas mais relevantes das vendas desses bens.

Em novembro, na comparação com igual mês de 2014, o aumento dos embarques de manufaturados foi de 9,6%. Em dezembro, as exportações desses produtos saltaram 26,9%, também em relação ao mesmo mês do ano anterior. Aqui, a economista faz a ressalva de que houve exportação de uma plataforma de petróleo, o que inflou o número. “Ainda assim, nos últimos meses há indícios de que o câmbio está ajudando mais. O efeito sempre demora um pouco para se refletir nas quantidades exportadas”, observa ela.

Para Daiane, como é difícil prever o comportamento dos preços de manufaturados, não é possível afirmar que a alta do quantum nas vendas de itens industriais vai levar a um aumento também dos valores embarcados para o exterior.

Ainda assim, em alguns setores essa tendência já começa a aparecer, observa Daiane. É o caso dos bens de consumo duráveis, em que o volume exportado aumentou 11,4% em 2015, o que compensou a queda de 8,1% dos preços. No ano, as vendas em valor subiram 2,4%, para US$ 5,5 bilhões, única categoria de uso que encerrou o ano com alta na comparação.