abiquiflashes (28/09/2015 – 416)

  • EUA (1): os medicamentos à base de antibióticos cefalosporinicos produzidos no Brasil têm bom mercado nos EUA. Nos primeiros sete meses de 2015, foram exportados a este país US$ 30.892.971,00 destes medicamentos, o que mostra a excelência das produções brasileiras das nossas produções.
  • EUA (2): o número acima é muito importante, pois ele representa 50,1% do total de medicamentos exportados para o Tio Sam no mesmo período.
  • EUA (3): o ácido salicílico, além da sua ação queratolítica, é usado como intermediário na produção de aspirina (ácido acetilsalicílico) obtido pelo processo de acetilação. Em 2015, até julho, foram exportados a este país do norte US$ US$ 3.003.894,00 em ácido salicílico.

A diferença que o câmbio faz

Denise Neumann – Valor Econômico:

Em mesas um pouco distantes daquelas em que quase não se respirou na semana em que o dólar ultrapassou R$ 4, cálculos diferentes estão sendo feitos e e­mails estão sendo escritos, detonados pela nova cotação da moeda nacional. Produção e consumo no Brasil são hoje muito diferentes de quando o real esteve em patamar semelhante, e por isso o impacto tende a ser distinto. Entre as mudanças, um em cada cinco produtos comercializados no Brasil é importado. Se antes o câmbio era ganho para o exportador, hoje ele é custo e traz uma sensação de perda de bem-­estar para famílias que se acostumaram a consumir produtos “made in”, enquanto eleva a dívida de centenas de empresas. Muitos festejam, alguns se preocupam, outros lamentam.

Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente da Foton Caminhões, escreveu uma longa e detalhada mensagem para a matriz, na China. Ele informava que o “novo” câmbio permitiria à fábrica brasileira vender na América Latina um caminhão de 10 toneladas por quase o mesmo preço com que o veículo sai da Foton chinesa. Ele conta que, no fim de 2010, o caminhão sairia da fábrica custando US$ 48,1 mil. Cinquenta meses depois e quase 50% de câmbio real a mais, o custo brasileiro é de US$ 20,3 mil, um pouco menor que o valor pelo qual a China vende o mesmo bem. “O ganho de competitividade para a indústria é imenso”, resume, em referência ao real desvalorizado.

Se na última linha da planilha as contas da Foton são animadoras para a fábrica que começa a produzir em janeiro, a escalada do câmbio atrapalhou os planos de outra filial chinesa. A equipe de Marcelo Antonelli, CEO da Zoomlion no Brasil, tem quebrado a cabeça para manter o índice de nacionalização nas betoneiras que produz e que são vendidas no âmbito do Finame. A empresa começou a produzir em fevereiro com 83% de valor local, mas as notas fiscais que precisam ser apresentadas para comprovar que a importação não supera 40% do valor final do veículo, quando convertidas para reais, tornam a equação complicada e indicam uma participação doméstica já próxima do limite. “É um desafio”, resume o CEO. Para reponderar a equação, diz ele, falta parceiro local. “Desenvolver o fornecedor nacional demora”, acrescenta, convicto de que para a empresa o saldo final do “novo” câmbio é uma alta brutal de custos.

A falta de parceria local identificada pelo CEO da Zoomlion aparece de outra forma em um amplo estudo conhecido como Atlas da Complexidade Econômica, desenvolvido pelos professores Ricardo Hausmann, de Harvard, e Cesar Hidalgo, do MIT Media Lab. Entusiasta desse trabalho, Paulo Gala, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo, explica que ele analisa (por algoritmos) a produção de 120 países, identificando quanto cada um produz de uma lista de 750 produtos.

Quanto mais diversificada e de valor agregado é a produção de uma nação, maior seu índice de complexidade. Em 2003, Brasil e China estavam com um nível semelhante, próximo a 0,4, dentro de um máximo de 2,5 a 3 e um mínimo de igual proporção, dependendo do ano. Desde então, o Brasil regrediu (para quase zero), enquanto a China avançou e chegou a 1,1. “A estrutura produtiva brasileira foi destruída, houve uma regressão tecnológica a indústria é imenso”, diz Mendonça de Barros vê um lado positivo do real valorizado: “O ganho para enorme”, diz Gala, apontando a correção desse rumo como fundamental para o crescimento futuro do país.

A destruição ocorreu especialmente a partir de meados da década passada como decorrência do boom das commodities e da consequente sobrevalorização do real. O Brasil passou a produzir cada vez mais bens industriais de prateleira, que todo mundo produz e vende. “Perdemos complexidade, aumentamos a produção de soja, minério e petróleo”, observa Gala.

Com a compreensão de quem já transitou em diferentes áreas da economia brasileira ­ ele já foi ministro das Comunicações, presidente do BNDES e diretor da Quest Investimentos ­, Mendonça de Barros diz que a taxa de câmbio é um dos preços mais complexos em países como o Brasil, onde suas dimensões financeira (com grande liquidez no mercado futuro) e econômica são igualmente fortes. A combinação dos dois é que determina a taxa média, e durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o ano de 2014, a dimensão internacional prevaleceu em decorrência das commodities, da grande confiança no país e dos juros altos.

“Quem sofreu ao longo desse período foi a indústria”, diz ele, chamando atenção para a forte perda de competitividade das exportações e o consequente aumento das importações. O peso da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) recuou de quase 20% para 10%, e parte importante do mercado doméstico passou a ser atendido por bens importados, com a China ocupando o primeiro lugar na cadeia de novos fornecedores.

O hoje industrial Mendonça de Barros acredita que não há mais espaço para uma revalorização expressiva do real. Talvez o câmbio não fique perto de R$ 4, mas ele aposta em uma taxa competitiva que permita que exportadores reocupem espaços na exportação e no atendimento da demanda doméstica, quando ela voltar. “A indústria não vai mais comprar tudo que compra hoje na China”, argumenta.

A balança comercial brasileira já traz uma melhora expressiva em relação ao ano passado. No acumulado do ano, até agosto, o país saiu de um déficit de quase US$ 1 bilhão em 2014 para US$ 6,3 bilhões de superávit em 2015. As exportações ainda caem, mas o recuo é muito maior nas importações.

No ano passado, a coreana Samsung foi a segunda maior importadora do país, trazendo quase US$ 4 bilhões em componentes de bens que seriam montados no Brasil, produtos finais e peças de reposição (a fabricante de eletroeletrônicos, celulares e computadores importou mais que a Embraer). Neste ano, seu peso será muito menor, pois suas compras foram 34% menores de abril a agosto em relação aos mesmos meses do ano passado. Movimento semelhante aconteceu com LG Eletronics e Flextronics, outras duas gigantes importadoras de peças para montagem local e de bens finais no mesmo segmento de bens de consumo em que a Samsung opera. No segundo quadrimestre, a LG já cortou as importações em quase 50%, e a Flextronics, em 35%.

Determinada pela queda da demanda, essa retração da importação pode abrir espaço para um aumento da produção doméstica, pois a tendência é o preço externo ficar mais caro, se a desvalorização nominal do câmbio não virar toda real. O professor da Universidade de São Paulo (USP) Fábio Kanczuk é cético a esse respeito. No seu modelo (que é diferente do adotado pelo Banco Central), cada 10% de desvalorização do real se transforma em 0,7 ponto percentual de inflação ao consumidor, uma variável condicionada à atividade e à política monetária. Uma recessão reduz esse percentual, enquanto um Banco Central mais frouxo o aumenta. Sem um forte ajuste fiscal, só mais juros conseguirão conter o repasse da desvalorização do real aos preços, avalia o professor da USP, um cenário que ele considera possível.

Sandra Papaiz, presidente do Conselho da Papaiz: com o novo patamar do câmbio, nada mais é importado ou produzido fora da empresa: “Voltamos a fazer aqui”, afirma Kanczuk é mais incisivo sobre o impacto do câmbio na atividade. Para ele, a nova taxa ajuda a derrubar o PIB. “Mais câmbio significa ou mais inflação ou mais aperto monetário”, diz ele, ponderando a demanda doméstica e o investimento pesam mais que as exportações no PIB e serão negativamente afetados porque ficarão mais caros de um jeito ou de outro. Como quem “ganha” é um pedaço menor do PIB, o efeito será contracionista. Essa situação, explica, é potencializada porque a atual desvalorização do real provém de um choque de risco.

Nos anos de 2005 e 2006, a Democrata, tradicional fabricante de calçados, exportava o equivalente a 50% da sua produção. Nos anos seguintes, lentamente, mas de uma forma quase constante, ano a ano, a empresa foi se afastando dos grandes compradores mundiais. “Estamos em um processo de retomada, mas nem sempre ela é exitosa”, conta o diretor comercial da companhia, Marcelo Paludetto. “Estivemos vários anos ausentes de muitos mercados, vai demorar para voltarmos, e em alguns mercados isso significa começar do zero.”

Ao longo desse período, pondera, os concorrentes não estiveram parados. Portugal e Espanha aumentaram sua produção no pós­-crise e outros fornecedores da Ásia melhoraram a qualidade do produto. A China, lembra, não faz mais só calçado de menor valor agregado. Por enquanto, diz Paludetto, ele não fechou nenhum contrato com cliente novo ou reconquistado depois que o câmbio se firmou acima de R$ 3. “Mas esperamos que isso aconteça e ajude a produção em 2016”.

Convicta de que a “volta” não poderá ser feita só com preço, mas exigirá também um produto inovador e muito design, além da qualidade que sempre marcou sua produção, a Democrata avalia que é um momento em que vai precisar de uma equipe já qualificada. Por isso, mesmo sem aumento de vendas em relação ao ano passado, sua intenção é manter o quadro de funcionários.

Toda a indústria de calçados parece ter uma preocupação semelhante. Embora a produção ainda caia em relação a 2014 e as exportações ainda não mostrem reação significativa, o setor é praticamente o único cujo saldo entre admissões e demissões é positivo neste ano. De janeiro a julho, o setor abriu 6 mil novas vagas, um volume menor do que em igual período de 2014, mas ainda positivo, situação que destoa do resto da indústria de transformação, que fechou 232 mil vagas neste ano.

O lado economista de Mendonça de Barros tem identificado sinais positivos, embora ainda tímidos, da desvalorização da taxa de câmbio brasileira, um movimento que ele considera “estrutural” e cujos efeitos sobre a balança comercial brasileira serão mais intensos em 2016. Ele cita reportagem recente do Valor que mostrou que a balança comercial do setor automotivo entre Brasil e México, sempre muito favorável aos mexicanos, começou a virar a favor do Brasil. No acumulado de janeiro a agosto, o déficit caiu pela metade, e o Brasil mandou 35 mil carros para o parceiro latino-americano, um volume 65% maior. A mudança na política cambial da China, ressalta ele, também provocou uma desvalorização do real em relação ao yuan superior a 40% em 2015, muito próxima a do dólar.

Para Mendonça de Barros, muitos analistas erram ao creditar apenas à recessão o que está acontecendo no comércio exterior. No grupo Papaiz, por exemplo, já há substituição de importação. A empresária Sandra Papaiz, presidente do conselho de administração, diz que desde o começo do ano já zerou o pouco de importação e “outsourcing” (produção terceirizada em outro país sob supervisão local) que fazia e trocou por fabricação doméstica e também já aumentou um pouco as exportações. O grupo, que faturou R$ 252 milhões no ano passado, já exportou 30% no passado e hoje exporta cerca de 15% da produção. “Nunca acreditei na importação amalucada, eu sabia que chegaria o dia da maxidesvalorização”, diz ela, lembrando que a empresa tem 63 anos e não é a primeira vez que a executiva vê taxa de câmbio perto de R$ 4 e “nem será a última”.

Paludetto, da Democrata: “Estivemos vários anos ausente de muitos mercados, vai demorar para voltarmos, e em alguns mercados isso significa começar do zero”.

“Ninguém está chamando o que estamos vivendo de maxidesvalorização, e ela não é mesmo como a de 1999, quando o real depreciou 40% em um só dia, mas desde o começo do ano já foi quase 50%”, argumenta. Sandra olha com tranquilidade para o atual momento. Sua receita, diz, é nunca se jogar totalmente para um único lado, nem na exportação nem na importação. “Tem indústrias que pararam de produzir aqui e que hoje importam 70%, 80% do que vendem. Para essas, voltar a produzir vai ser muito difícil”.

Da mesma forma, diz, quem tomou empréstimo em dólar pode ficar em situação complicada, como estavam, aqueles que antes só exportavam. “Empresário não pode cair no canto da sereia”, vaticina, ponderando que a crise atual é cíclica. Ela espera que a saída para sua área de atuação venha da costrução “formiga” e das pequenas e médias empresas do setor de construção.

No caso da Papaiz, o peso do “outsourcing” e da importação para complementar o mix variou entre 5% e 8% nos últimos anos. “Foi uma opção de custo. Quando alguns itens ficaram realmente mais baratos no exterior, passamos a importar, mas nunca perdemos a capacidade de fazer a produção local. Era só porque ficava mais barato importar e daí dava preguiça de produzir aqui”, diz Sandra. Com o novo patamar do câmbio, nada mais é importado ou produzido fora. “Voltamos a fazer tudo aqui”, explica a empresária.

A Zoomlion, além da produção de betoneiras, atende o mercado por uma linha de produtos importados com máquinas que vêm da Alemanha, Itália e China. “E alguns produtos não tem similar nacional, esse é o maior desafio, não tem como fazer aqui”, diz ele. Além disso, empresa também mantém uma forte operação de reposição de peças, cujo preço foi reajustado nessa semana. “Não tenho como arcar com o custo desse novo câmbio, até porque não vemos espaço para que ele caia”, diz Antonelli, preocupado com a cotação do dólar quando chegarem máquinas já encomendadas. Depois do pedido, elas demoram de 60 a 90 dias para chegar. “Importei por um preço, vou pagar outro bem mais caro”, pondera.

Para o professor Nelson Marconi, coordenador-­executivo do Forum de Economia da FGV, trazer a produção que foi transferida ou perdida por conta da importação pode ser mais complicado para empresas que não se mantiveram atualizadas tecnologicamente, e em alguns casos vai demandar aumento do investimento para que a indústria possa ganhar produtividade, um elemento­-chave para a recuperação mais consistente da produção doméstica, seja para atender o mercado externo, seja para recuperar a parcela doméstica “perdida” para os bens importados.

No Fórum de Economia da FGV São Paulo, na semana passada, vários participantes apresentaram um mesmo gráfico, originalmente elaborado pelo professor Carlos Antonio Rocca, do Centro de Estudos do Mercado de Capitais (Cemec). O gráfico cruza o custo médio de capital no Brasil com o retorno sobre o capital investido e ele mostra que entre 2005 e 2007, o retorno do investimento superava seu custo, mas a rentabilidade foi caindo e no ano passado estava em apenas 6,7%, menos da metade do que era preciso pagar de juros no mercado financeiro para sustentar um projeto.

A desvalorização do real vai elevar ainda mais a conta do custo do investimento. Máquinas importadas ficarão mais caras, o que pode provocar uma queda ainda maior nesse componente do PIB e aumentar a recessão, pondera Fabio Kanczuk, da USP. Paulo Gala, da FGV, concorda que o custo do investimento vai subir justamente no momento em que a recuperação da produtividade exige modernização da indústria que perdeu “densidade”, mas pondera que a lucratividade mais elevada vai compensar esse custo. “Quando o real estava valorizado, comprar uma máquina estava mais barato, mas o custo de produção não compensava, e o investimento não era feito”, diz.

Gala diz que o custo do investimento vai subir no momento em que a recuperação da produtividade exige modernização da indústria, que perdeu “densidade”, mas pondera: a lucratividade mais elevada vai compensar esse custoA melhora na rentabilidade já fez diferença para empresas exportadoras no segundo trimestre deste ano. Levantamento feito pelo Valor Data com 248 empresas não financeiras mostra que a receita líquida nos meses de abril, maio e junho subiu 9%, apenas acompanhando a inflação, segundo relatou a repórter do Valor Daniela Meibak. A partir dessa amostra, foram compilados dados de 41 empresas exportadoras e com atividades fora do país, que detalham os dados de receita, e 80% mostraram avanço na participação de ganhos no exterior em relação à receita total. Na busca pelo mercado externo, por exemplo, a receita total da WEG subiu 29% nos meses de abril, maio e junho de 2015, mas o faturamento no exterior cresceu 41% no mesmo período. A participação do mercado externo na receita total saiu de 51% para 55%. A fabricante de porcelanatos e revestimentos cerâmicos Portobello teve melhora de 50% nas vendas ao mercado externo, o que puxou o crescimento dos resultados no trimestre. A Alpargatas, fabricante de calçados, também foi beneficiada por essa estratégia e mostrou avanço de 14% na receita total do período, explicada pelas vendas ao mercado internacional, e a participação do mercado internacional na receita total saiu de 37% para 45,4%.

Na outra ponta, muitas empresas brasileiras ­ a Petrobras entre elas ­ possuem dívidas em dólar, que crescem em um momento em que a recessão impedirá que as receitas subam e compensem esse custo adicional. No segundo trimestre, o câmbio havia recuado na comparação com o fim de março, mas no dia em que o dólar passou de R$ 4, na quarta-­feira, a alta acumulada de 30% no terceiro trimestre trazia potencial para um estrago bilionário no resultado das companhias abertas, relataram os repórteres do Valor Renato Rostás, Camila Maia, Stella Fontes e Fernando Torres. Na Petrobras, o efeito podia ser de um aumento de R$ 70 bilhões, enquanto o potencial de alta

nas dívidas de Vale, CSN, Gerdau, Usiminas, Suzano, Klabin e Fibria era de R$ 40 bilhões. Em um primeiro momento, esse efeito é contábil, mas se a desvalorização se mantiver nesse patamar, em algum momento a dívida deverá ser paga e afetará o caixa das companhias.

Marconi lembra que, em uma economia aberta, a competitividade das empresas nacionais depende da sua taxa de lucro ser compatível com a de seus competidores no mercado internacional. E para que isso ocorra, os custos também precisam ser semelhantes, quando convertidos para a mesma moeda. O problema é que no Brasil, nos últimos anos, o custo unitário do trabalho cresceu muito, e acima da produtividade. O câmbio, diz ele, pode compensar esse diferencial dos salários acumulado nos últimos anos. Outra possibilidade era fazer essa correção pelo salário, como fizeram Grécia e Espanha, pondera Marconi.

Em um segundo momento, acrescenta o coordenador do Forum da FGV, os ganhos precisam vir da produtividade e da manutenção de uma taxa de câmbio competitiva, o que demandará uma política salarial mais moderada, cujo exemplo deve vir, diz ele, da política de correção do salário mínimo. O modelo de correção pela inflação mais o PIB de dois anos antes precisa ser revisto, defende ele. “Sem outra política salarial, todo ano será preciso desvalorizar a taxa de câmbio”, argumenta. Nas contas do Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo, a taxa de câmbio que hoje devolve competitividade à indústria está próxima a R$ 3,70.

O primeiro passo para a taxa se manter competitiva é o Banco Central absorver o choque da desvalorização, diz Mendonça de Barros, que não quer palpitar se isso vai demandar mais aumento de juros. Kanczuk vê espaço para isso, e ele e Gala lembram que é fundamental que a política fiscal seja realmente contracionista e ajude a monetária nesse momento. “No fundo estamos discutindo qual o tamanho da recessão necessária para que o ajuste de preços relativos ocorra”, pondera Gala. Ele vê o “melhor” momento dos últimos anos para que isso aconteça na economia brasileira.

E o ajuste também afeta a população, pelos salários e pelo consumo. Pela primeira vez desde 2003, os turistas brasileiros reduziram seus gastos no exterior em relação ao ano anterior. Entre janeiro e agosto deste ano, as despesas com turismo internacional foram 26% menores do que em igual período do ano passado. Em dólares, o salário mínimo valia US$ 207, considerando o dólar médio do mês de setembro. Com a taxa em R$ 4, ele cairia para menos de US$ 200, o que só aconteceu em 2009, quando o stress da crise internacional também impactou fortemente o câmbio no Brasil.

A contração do mercado interno já leva a indústria a planejar que uma parte da capacidade instalada será usada nas exportações. A fábrica da Foton foi montada para produzir inicialmente 2,5 mil caminhões por ano (com 73% de nacionalização, no primeiro modelo), um volume que pode crescer até 7 mil em um segundo momento, mas foi planejado apenas para o mercado interno, diz Mendonça de Barros. “A Foton da China já exporta 5 mil caminhões por ano para a América Latina”, informa ele, enquanto pondera que além do custo no Brasil estar quase igual, a distância é uma desvantagem chinesa. “Leva quase dois meses para o caminhão chegar aqui, e o cliente precisa de agilidade. Eu entrego em 3 a 5 dias”, pondera, lembrando que seu contrato com a Foton chinesa prevê que ele pode abastecer a vizinhança.

Nas estimativas da Democrata, a exportação pode crescer para 25% da produção em 2016, mas esse aumento não deve compensar o mercado interno mais fraco em função da crise doméstica, que cresceu ao longo do ano. Na Papaiz, a perspectiva é semelhante. O mercado doméstico vai se manter contido por mais algum tempo, e o aumento esperado para a exportação no curto prazo não vai segurar toda a produção que não está sendo absorvida pelos consumidores domésticos. Mas, como diz a empresária Sandra Papaiz, os negócios são cíclicos. “Não estamos passando por nada disso pela primeira vez.”

Diário Oficial (setembro 2015)

Mercosul proporá à UE fim de tarifas em 85% do comércio

Daniel Rittner – Valor Econômico:

Os sócios do Mercosul vão apresentar à União Europeia uma oferta de abertura comercial que cobre mais de 85% das exportações de produtos europeus ao bloco sul­americano. A proposta foi revisada em uma reunião anteontem, em Assunção, com ministros de quatro países ­ Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Eles decidiram entregar uma proposta única, sem ritmos próprios de eliminação das tarifas para cada país, à UE. “Não haverá velocidades diferentes”, disse o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, que esteve na reunião junto com o chanceler Mauro Vieira.

Os dois blocos negociam um acordo de livre comércio há mais de 15 anos. Depois de quase terem alcançado um entendimento, em 2004, eles voltarão a trocar ofertas de liberalização comercial até dezembro. A data exata ainda não foi marcada. Na sexta-­feira da próxima semana, uma delegação europeia terá reuniões técnicas com representantes do Mercosul, em Assunção. “Será o último encontro antes do intercâmbio de propostas”, explicou Monteiro, confiante no destravamento das negociações.

A eliminação de tarifas para 85% do comércio é tida como um patamar mínimo para a prosperidade das discussões. Os descontos tarifários serão distribuídos em várias cestas de produtos, com períodos diferentes, mas Monteiro não deu pistas de como será essa distribuição. “Aí eu não seria um bom negociador”, desconversou.

Fontes europeias afirmam que uma das preocupações de Bruxelas com a proposta do Mercosul não é apenas com o grau de abertura para o mercado de bens industriais, mas também nas áreas de serviços e compras governamentais. O fim de restrições para escritórios de advocacia, empreiteiras e companhias aéreas está no foco da UE. Essa negociação é vista como extremamente difícil.

Segundo fontes, o interesse de Bruxelas no Mercosul ainda é grande, mas faltam quadros na Comissão Europeia para lidar com todos os acordos de livre comércio em discussão atualmente ­ o maior foco é no Tratado Transatlântico, negociado com os EUA. Por isso, a oferta inicial do bloco sul­americano serviria como um termômetro para “cativar” os europeus ou relegar as discussões com o Mercosul para segundo plano.

Um fator de incerteza, segundo a UE, são as eleições presidenciais na Argentina. O líder nas pesquisas, Daniel Scioli, é apoiado pelo kirchnerismo, mas espera­-se mudanças na economia.

abiquiflashes (24/09/2015 – 415)

  • Mercosul-5 (1): este bloco econômico da América do Sul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela) é um dos principais destinos das produções brasileiras de medicamentos. Nos primeiros sete meses de 2015, o Brasil enviou a este bloco US$ 140,5 milhões em medicamentos de vários tipos, o que representa 22,5% do total exportado.
  • Mercosul-5 (2): as preparações químicas contraceptivas produzidas no Brasil têm bom mercado neste bloco econômico. Em 2015, até julho, foram exportados US$ 10,9 milhões destes produtos para este destino, o que representa 33,5% do total exportado pelo código NCM 3006.60.00.
  • Mercosul-5 (3): a lisina é um aminoácido essencial, muito importante no crescimento e manutenção do corpo humano. O Brasil exportou para o Mercosul-5, até julho de 2015, US$ 7.338.481,00 deste aminoácido.

Hillary quer conter alta do preço de medicamentos

Valor Econômico:

Hillary Clinton, a pré-candidata a disputar a Presidência dos EUA em 2016 pelo Partido Democrata, propôs ontem um teto mensal de US$ 250 para medicamentos vendidos sob prescrição médica. A medida visa conter o que ela chama de “lucros excessivos” das empresas farmacêuticas. A notícia atingiu as ações dessas empresas.

Em campanha em Iowa, Hillary, que disputa a candidatura presidencial pelo Partido Democrata, expôs um plano para incentivar a produção e o uso de medicamentos genéricos e que põe fim à possibilidade das empresas farmacêuticas de abater do Imposto de Renda, como gasto empresarial, a propaganda voltada ao consumidor.

De acordo com o plano de Hillary, o limite mensal restringiria o valor que as empresas de seguro­-saúde podem pedir que os pacientes paguem por medicamentos para o tratamento de doenças crônicas ou graves.

“Chegou a hora de enfrentar a disparada dos custos”, disse Hillary na segunda-­feira, após o jornal “The New York Times” noticiar que a Turing Pharmaceuticals, uma empresa nova de biotecnologia, de pequeno porte, elevou o preço do Daraprim de US$ 13,50 para US$ 750 o comprimido, após adquirir a patente do produto. O medicamento está no mercado há 62 anos e é usado no tratamento de doenças como a toxoplasmose.

A Pharmaceutical Research and Manufacturers of America (PhRMA), principal grupo de lobby da indústria farmacêutica americana, procurou se distanciar da Turing, dizendo em sua conta no Twitter que a empresa “não representa os valores” de suas associadas.

Ontem, após a polêmica sobre o tema, a Turing anunciou ter desistido do aumento de preço.

O índice Nasdaq de Biotecnologia caiu 3,1% ontem depois de Hillary divulgar sua intenção de combater o preço alto dos remédios.

O analista de biotecnologia Liav Abraham, do Citi, disse que a retórica de Hillary pode ser “mais intenção do que fato”, uma vez que as reformas exigiriam aprovação de um Congresso dominado pelos republicanos, pouco inclinado a implementá­-las.

Hillary diz que o governo poderia obter bilhões de dólares em arrecadação adicional de impostos se deixasse de autorizar as empresas farmacêuticas a deduzir o que gastam em ações de marketing para divulgar medicamentos entre os consumidores.

As maiores empresas farmacêuticas estão ganhando, coletivamente, de US$ 80 bilhões a US$ 90 bilhões ao ano, a margens maiores do que as de outros setores, enquanto o americano médio enfrenta dificuldade para pagar os remédios de que necessita, disse a campanha de Hillary.

Embora Hillary venha mantendo com folga a liderança na corrida pela indicação do Partido Democrata, ela tem sido pressionada a adotar posições de maior apelo popular, para conter a ascensão recente do do segundo colocado, o senador Bernie Sanders.

Hillary também está propondo proibir “acordos de pagamento por adiamento”, pelos quais a proprietária de um medicamento de marca paga a um concorrente genérico para manter seu produto fora do mercado por determinado período, normalmente como parte de um acordo para encerrar um contencioso judicial.

Hillary quer que o Medicare, o programa de seguro-­saúde do governo americano para os idosos, consiga negociar os preços dos medicamentos com os laboratórios farmacêuticos e exigir descontos mais generosos.

De acordo com sua proposta, os consumidores poderiam, além disso, comprar medicamentos de outros países, onde os remédios são, muitas vezes, mais baratos, desde que respeitados os padrões mínimos de segurança.

As grandes farmacêuticas há muito enfrentam críticas por elevar persistentemente os preços de seus remédios vendidos sob apresentação de receita médica nos Estados Unidos, muitas vezes por meio de saltos de 10% ou mais.

Um estudo que será divulgado nesta semana em congresso em Viena afirma que os americanos estão pagando preços excessivamente altos para novos remédios contra o câncer. Segundo a pesquisa do farmacologista Andrew Hill, da Universidade de Liverpool, algumas drogas chegam a ser vendidas por valores 600 vezes maiores do que seu custo de produção.

Netfarma busca novo rumo para operação

Adriana Mattos – Valor Econômico:

A Netfarma, maior farmácia on­line do país, está em processo de reestruturação para tentar dar outro rumo ao negócio. A empresa não quer ser exclusivamente uma varejista de medicamentos e produtos de higiene e beleza. Vai tentar montar um modelo de negócios que ofereça estrutura maior de serviços e atendimento na área de saúde e bem-­estar. Segundo informações que circulam no mercado, a Netfarma quer criar uma operação mais completa para uma provável venda no futuro.

Grupos internacionais têm planos de entrar ou ampliar a atuação no país e a Netfarma já teria sido sondada nos últimos anos por redes estrangeiras e locais. “Nunca vamos deixar de ser uma rede de venda on­line de farmácias, mas não dá para ser apenas isso. Algumas ações para ampliar a atuação estão sendo desenhadas pelo comando”, diz o presidente da Netfarma, Eduardo Mangione, ex­ P&G, e no cargo há quatro meses.

Criada em 2012, a empresa tem como sócios Omilton Visconde Jr., fundador da Biosintética e Segmenta, com 52% das ações; Alexandre Panarello, ex-­diretor geral da distribuidora Panarello, com 33%; e Nelson Libbos e Walter Geraigire com 7,5% cada. Márcio Kumruian, da Netshoes, vendeu sua participação na sociedade em 2014, mas se mantém como conselheiro.

Medidas serão voltadas para um formato de atendimento mais ativo e próximo ao cliente ­ cobrando por isso. Atualmente, no máximo, o consumidor da Netfarma consegue fazer a compra programada, determinando as datas para receber produtos de uso contínuo. A Netfarma evita detalhar as ações, mas no mercado, comenta-­se que o formato planejado passaria por um acompanhamento menos burocrático da situação de saúde do cliente. O consumidor poderá ter uma espécie de ficha on­line com histórico de compras de medicamentos. Os dados estarão acessíveis para consulta de seu médico.

Outro caminho é um atendimento mais individual de pacientes que tomam medicamentos de forma recorrente, apurou o Valor, por meio de uma equipe de médicos e farmacêuticos, pagando um valor mensal pelo serviço.

Outras redes também têm analisado o segmento de serviços de saúde. A Raia Drogasil comprou, há dois meses, uma varejista de medicamentos e o diferencial será atendimento e serviços ao cliente. Para analistas, existe uma movimentação no sentido de as redes se “descolarem” da concorrência no varejo de farmácias, focado basicamente em preço e ofertas, com batalha forte por rentabilidade, para ampliar margem em serviços.

A Netfarma afirma que reduziu o ritmo de expansão para concluir mudanças internas neste ano. Um novo centro de distribuição deve ser aberto junto a um novo escritório, em Carapicuíba (SP), em algumas semanas. Sistema de gestão também foi trocado, em maio. O atual centro e a sede ocupam 2,6 mil m2 e a nova área terá 8,2 mil. “Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo, colocar a equipe para vender mais e ainda tocar as mudanças. Decidimos segurar um pouco o crescimento este ano”, diz ele.

A companhia prevê crescer de 25% a 30% em 2015 (quando deve atingir receita bruta na faixa de R$ 60 milhões), versus 150% em 2014. Questionado se o menor ritmo de expansão reflete efeito negativo da crise sobre a empresa, Mangione nega. “Perdemos velocidade porque mudamos o foco, se houve queda porque a demanda caiu, eu não consigo identificar isso dentro do meu número, porque nós decidimos já desacelerar”.

Segundo o executivo, a empresa, operando no prejuízo, estima entrar no ponto de equilíbrio no prazo de um ano e meio. E considera a possibilidade de entrada de novos fundos de investimento após 2016. “Já estaremos mais estruturados até lá, aí essa entrada faz mais sentido. Podemos fazer os aportes com os sócios atuais e as portas para novos fundos podem estar abertas após 2016”.

Novartis mantém otimismo mesmo com dólar mais caro

Thais Carrança – Valor Econômico:

Aumentar vendas, mantendo o atual quadro de funcionários, faz parte da estratégica da farmacêutica Novartis para compensar a forte alta de custos em 2015, em decorrência da desvalorização cambial. Com compras públicas em baixa, a companhia encontrou nos genéricos o motor para um crescimento de dois dígitos num ano de recessão.

“O mercado farmacêutico continua apresentando crescimento [em 2015] em relação ao ano passado, mas o impacto percebido é que o avanço neste ano, em relação ao histórico dos últimos anos, ocorre a uma taxa menor”, relata o presidente da Novartis, José Antônio Vieira, em entrevista exclusiva ao Valor ­ a primeira desde que assumiu o cargo em abril deste ano, vindo da AbbVie.

A companhia suíça projeta um crescimento entre 9% e 11% para 2015, pouco acima da previsão do setor, de uma alta inferior a 10% no ano, segundo a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) em agosto. “Isso é abaixo da média em relação aos últimos anos, mas ainda é um crescimento bastante positivo, quando comparado a outros mercados e empresas”, diz.

Segundo o executivo, a venda em farmácias ­ que representa pouco mais de 65% do mercado nacional ­ apresenta bom desempenho, com a divisão de genéricos em destaque. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos), a Sandoz, divisão de genéricos da Novartis, registrou alta de 29,1% nas vendas do primeiro semestre, para 39,9 mil unidades, mais do que o dobro do avanço setorial de 12,3%.

“As vendas institucionais, por outro lado, têm um perfil de crescimento bem abaixo das outras áreas. Num momento em que há reduções de gastos do governo, é de se esperar que haja um impacto nas vendas”, afirma Vieira.

Outro fator a prejudicar o desempenho da indústria farmacêutica no ano é a alta do dólar ­ de 49% até o momento. “Uma parte substancial do nosso custo é de importados de alta complexidade. Então a alta do dólar impacta e, como atuamos num segmento onde o preço é absolutamente controlado, é preciso absorver esse aumento de custo”, explica o executivo.

Assim, o ganho de produtividade é a alternativa possível, embora não chegue a compensar o efeito da alta de custos sobre os resultados. “É preciso controlar o avanço de gastos e conseguir que a força [de trabalho] existente entregue aumento de vendas, segurando a estrutura de custos sem que haja expansão”, afirma.

Tendo iniciado sua carreira no setor farmacêutico na Ciba Geigy, que se fundiria em 1996 à Sandoz, criando a Novartis, Vieira voltou à companhia um ano depois do anúncio de uma reestruturação global da empresa. Em abril de 2014, a Novartis vendeu sua divisão de saúde animal à Eli Lilly e seu negócio de vacinas à GlaxoSmithKline, comprando a área de oncologia da GSK.

Com a venda do negócio de vacinas, uma fábrica em construção em Jaboatão dos Guararapes (PE) ficou com destino incerto. “Estamos comprometidos em encontrar um comprador para essa fábrica, que consiga dar um destino produtivo para esse investimento feito”, relata Vieira. Orçada inicialmente em R$ 1 bilhão, o projeto contou com financiamento de R$ 800 milhões pelo BNDES.

abiquiflashes (21/09/2015 – 414)

  • NAFTA (1): este bloco econômico (Canadá, EUA e México) importou do Brasil nos primeiros sete meses de 2015 a cifra de US$ 112,3 milhões em medicamentos de vários tipos. Esta exportação revela a qualidade das produções brasileiras de medicamentos.
  • NAFTA (2): entre os medicamentos exportados para este bloco econômico em 2015, até julho, destacam-se os medicamentos contendo cefalosporinas: US$ 31.316.769,00.
  • NAFTA (3): a virginiamicina é um dos principais itens das exportações brasileiras para este mercado. US$ 17,3 milhões foram enviados ao NAFTA em 2015, até julho, deste antibiótico usado em veterinária como antibacteriano e promotor do crescimento.

Brasileira Eurofarma compra fábrica da Sanofi na Argentina

Stella Fontes – Valor Econômico:

Eurofarma, farmacêutica multinacional de origem brasileira, deu mais um passo em seu plano de internacionalização, com a compra neste mês da fábrica do laboratório francês Sanofi na Argentina. O valor da aquisição não foi revelado, mas segundo o site argentino especializado em informações sobre a indústria, Pharmabiz, a operação envolveria desembolso de US$ 18 milhões e um acordo de produção terceirizada para a própria Sanofi, que deixa de ter unidades fabris naquele país.

Em breve comunicado, a Eurofarma confirmou o negócio e informou que a fábrica, na cidade de La Matanza, província de Buenos Aires, seguirá “sob gestão da Sanofi até que as atividades pré-­operacionais de integração e transferência sejam concluídas”. Essa fase deve durar de seis meses a um ano e, na sequência, a brasileira assumirá integralmente a operação. Os funcionários da unidade serão absorvidos pela Eurofarma.

“A aquisição da fábrica reforça a crença da Eurofarma na atividade do país e está alinhada à visão estratégica da empresa de consolidar suas operações internacionais, ganhar relevância em cada um dos mercados onde atua e tornar­-se uma importante empresa regional”, informou.

Em 2014, o laboratório, que está presente em 15 países e exporta para 20 mercados, teve receita de R$ 2,6 bilhões. A compra da fábrica da Sanofi representa a segunda investida da Eurofarma por ativos no mercado argentino. Em 2009, quando deu o pontapé inicial em sua estratégia de internacionalização, comprou a argentina Quesada e na sequência concretizou uma série de aquisições de unidades fabris na América Latina, com transações no Uruguai, Bolívia, Chile, Venezuela e Colômbia, entre outros países da região.

Diante disso, no ano passado, segundo dados do IMS Health, a empresa já cobria 78,4% do mercado latino­ americano de medicamentos, que movimentou US$ 71 bilhões naquele exercício.. A meta para 2015 é alcançar cobertura de 90% da região.

“A aquisição de uma fábrica na Argentina está alinhada à proposta de fortalecermos nossa operação localmente e à estratégia de termos uma base produtiva fora do Brasil para atendimento aos países do Cone Sul”, disse por e­ mail a diretora de Sustentabilidade e Novos Negócios da farmacêutica, Maria del Pilar Muñoz.

Conforme o portal Pharmabiz, que noticiou a aquisição na terça-­feira à noite com base em fontes de mercado, na fábrica argentina da Sanofi são produzidos medicamentos maduros líquidos, sólidos e semissólidos, entre os quais Novalgina, Deltisona e Rifocina.

Com capacidade para 2 milhões de unidades por mês, a fábrica poderá ser ampliada com a chegada da Eurofarma, segundo o site, e receber investimentos, estimados por fontes em US$ 6,5 milhões.