Venda de genéricos no Brasil cresce 12,3% em volume no 1º semestre

Stella Fontes – Valor Econômico:

As vendas de medicamentos genéricos impulsionaram o faturamento da indústria farmacêutica brasileira no primeiro semestre deste ano. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos, a Pró-Genéricos, com base em dados do IMS Health, o volume comercializado de genéricos nos seis primeiros meses do ano cresceu 12,3%, para 467,3 milhões de unidades (caixas), enquanto o mercado de remédios em geral avançou menos, ficando em 11,2%.

De acordo com a presidente executiva da entidade, Telma Salles, a combinação de crescimento orgânico, chegada de novos produtos ao mercado e a adesão de uma nova classe de consumidores aos medicamentos dessa categoria explica o desempenho no semestre. “O país vive um momento complicado, mas os genéricos continuam puxando as vendas do setor também porque esse cenário estimula a substituição de medicamentos”, afirmou.

Em faturamento, o descolamento entre genéricos e o mercado de medicamentos em geral fica ainda mais evidente. Em todo o Brasil, que é o sexto maior mercado farmacêutico em todo o mundo, as vendas do setor no primeiro semestre somaram R$ 36 bilhões, com alta de 16,6% na comparação anual. Já os genéricos mostraram alta de 24,6%, para R$ 9,1 bilhões.

Conforme a Pró-Genéricos, com a exclusão dessa categoria de remédios do resultado da indústria em geral, o crescimento das vendas em unidades teria sido de aproximadamente 10%. Segundo Telma, os dados mostram que há um processo de substituição do produto de marca pelos genéricos, que são no mínimo 35% mais baratos, especialmente nesse momento de crise.

De acordo com a presidente executiva da Pró-Genéricos, não há uma projeção oficial para o desempenho das vendas dessa categoria de remédios no segundo semestre, mas a expectativa é de manutenção dos indicadores de crescimento verificados na primeira metade do ano. Nesse período, 25 novos produtos chegaram mercado, uma marca histórica para o setor.

Entre as dez maiores farmacêuticas do país, nove são fabricantes de medicamentos genéricos

Para a associação, é certo que o impacto da desvalorização do real frente ao dólar tem comprimido as margens da indústria farmacêutica brasileira, que importa mais de 80% de seus insumos. “Para recuperar margens nesse ambiente, a indústria pode reduzir descontos”, indicou.

Outro efeito da rentabilidade em queda é a redução dos investimentos, o que já está ocorrendo, conforme a executiva. Embora o setor seja um dos últimos a sentir os efeitos da desaceleração econômica, a percepção é a de que a crise chegou ao mercado farmacêutico. “A luz de alerta está ligada”, afirmou.

Conforme a associação, os genéricos detêm participação de mercado de 28,6%, fatia que pode superar os 35% se forem incluídas na conta as compras públicas e os produtos subsidiados pelos governos federal e estaduais. Entre as dez maiores companhias da indústria farmacêutica do país, nove são fabricantes de medicamentos genéricos.

abiquiflashes (30/07/2015 – 400)

  • EUA (1): o ácido salicílico além de sua ação queratolítica é o intermediário principal na síntese do ácido acetilsalicílico (AAS), por processo de acetilação. O Brasil exportou para os EUA em 2015, até junho, US$ 2.548.978,00 deste importante intermediário.
  • EUA (2): as cefalosporinas representam um destacado grupo de antibióticos no arsenal terapêutico mundial. O Brasil exportou para o Tio Sam em 2015, até junho, US$ 1.587.301,00 deste tipo de antibiótico.
  • EUA (3): O Brasil exportou para os EUA em 2015, até junho, US$ 47,5 milhões em medicamentos, destacando-se os medicamentos à base de cefalosporinas. Esta exportação atesta a qualidade das produções brasileiras de medicamentos.

Com acordo de US$ 40,5 bi, israelense Teva vira novo gigante farmacêutico

Jonathan D. Rockoff, Dana Mattioli e Liz Hoffman – Valor Econômico:

Ao anunciar ontem que fechou acordo para comprar a unidade de genéricos da Allergan PLC por US$ 40,5 bilhões, a israelense Teva Pharmaceutical Industries Ltd. saltou para o panteão dos grandes fabricantes mundiais de medicamentos.

A Teva informou que a Allergan receberá US$ 33,75 bilhões em dinheiro e US$ 6,75 bilhões em ações, o que dará a ela uma participação de 10% da Teva.

O acordo, o mais recente de uma onda de consolidação na indústria farmacêutica, combina a Teva, a maior fabricante de medicamentos genéricos do mundo em vendas, com o terceiro maior concorrente nesse mercado.

A aquisição dará à Teva uma maior escala no altamente competitivo mercado de medicamentos genéricos e uma oportunidade para impor um maior controle sobre os custos, o que poderia ajudá­-la a superar o fim de uma grande onda de vencimentos de patentes.

“O que estamos fazendo aqui vai permitir que a Teva saia como uma das vencedoras da sempre mutante indústria farmacêutica”, disse o diretor-­presidente Erez Vigodman em uma entrevista ao The Wall Street Journal. Ele prevê que a Teva não terá problemas em se desfazer das linhas de produtos que sejam necessárias para satisfazer as preocupações dos reguladores de qualquer governo.

Vigodman acrescentou que a Teva desistiria de sua tentativa de comprar a rival Mylan NV agora que fechou a compra do negócio de genéricos da Allergan. “Acreditamos que temos uma oportunidade ainda maior para criar valor para os acionistas” na transação com a Allergan, disse ele.

A Teva informou que planeja rever suas opções em relação à participação de cerca de 4,6% que detém na Mylan. Em um comunicado separado, a Mylan felicitou a Teva e reafirmou seu compromisso de adquirir a rival Perrigo Co. Até agora, a Perrigo vem rejeitando as tentativas de compra da Mylan.

A desistência da Teva derrubou as ações da Mylan em quase 14% ontem, para US$ 57,03, enquanto as da Perrigo subiram 3,8%, para US$ 193,67.

Para a Allergan, o negócio com a Teva fornece o dinheiro necessário para pagar uma pilha de dívidas e permite que a empresa se concentre em medicamentos de marca, que são mais lucrativos. Allergan é o novo nome da Actavis, que foi rebatizada no início deste ano, depois de fechar US$ 100 bilhões em aquisições no ano passado, adquirindo um portfólio de medicamentos de marca, em especial o tratamento antirrugas Botox.

Esses acordos incharam a carteira de dívidas da Allergan, e a empresa tem afirmado que está empenhada em reduzir seus níveis de endividamento. As ações da Allergan subiram 7,3% ontem, para US$ 330,64.

A Teva informou que espera que a aquisição da Allergan Generics acrescente US$ 2,7 bilhões ao seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ou Lajida, em 2016, excluindo as sinergias. Ela espera alcançar com as sinergias uma economia de custos e de impostos de aproximadamente US$ 1,4 bilhão por ano que, em grande parte, se dará depois do terceiro aniversário do fechamento da transação.

Os mil produtos de preços baixos da Allergan incluem medicamentos genéricos de marca, medicamentos vendidos sem prescrição médica e versões genéricas de produtos farmacêuticos bem conhecidos, como o remédio para dor OxyContin e o Concerta, que trata transtorno do déficit de atenção e hiperatividade.

O negócio deve ser alvo de investigação dos reguladores antitruste. A Teva pode ser obrigada a se desfazer de produtos com cerca de US$ 500 milhões em vendas anuais para conseguir a aprovação, prevê Umer Raffat, analista da Evercore ISI. A Teva informou que a transação foi aprovada por unanimidade pelos conselhos de ambas as empresas e deverá ser concluída no primeiro trimestre de 2016.

Empresas de médio porte como a Teva têm impulsionado, em grande parte, o ritmo frenético de consolidação da indústria farmacêutica nos últimos anos ­ parte de um boom mais amplo das fusões e aquisições­, à medida que elas tentam tirar vantagem de um ambiente de crédito barato e, em alguns casos, redução de impostos permitida pela transferência da sede fiscal para países de tributação baixa. Elas também têm contado com o apoio dos investidores, que vêm dando impulso às ações do setor. Enquanto isso, rivais maiores e mais estabelecidos têm se mantido à margem da onda de fusões e aquisições.

A Teva, que tinha um valor de mercado de US$ 60 bilhões antes de o WSJ revelar as negociações com a Allergan no sábado, registrou US$ 9,1 bilhões em vendas de medicamentos genéricos no ano passado, de acordo com a EvaluatePharma, ou cerca de 12% do mercado mundial.

A empresa informou que já responde por uma em cada seis prescrições de medicamentos nos EUA. Mas grande parte dos seus negócios está no comércio de medicamentos genéricos sem marca, vendidos a preços mais baixos. Aproximadamente metade dos US$ 20,3 bilhões em vendas da Teva no ano passado veio de cópias genéricas de remédios que perderam suas patentes.

Ao adicionar os negócios da Allergan, que registraram US$ 6,6 bilhões em vendas no ano passado, a Teva teria uma receita significativamente maior que a de laboratórios mais conhecidos que produzem medicamentos de marca, como a Eli Lilly & Co., fabricante do remédio contra impotência Cialis, que fechou o ano passado com um faturamento de US$ 19,6 bilhões.

O acordo pode dar à empresa combinada um valor de mercado superior ao da Eli Lilly, que ontem alcançava US$ 94,12 bilhões.

A Teva também informou na segunda­feira que espera divulgar resultados melhores que o esperado, tanto nas vendas quanto no lucro, para o segundo trimestre encerrado em junho. A empresa projetou uma receita de US$ 4,97 bilhões, 2% abaixo da registrada um ano atrás, mas 6% maior se excluindo o impacto do câmbio. Os analistas, em média, esperavam lucro 8% menor e receita de US$ 4,92 bilhões, segundo a FactSet. A Teva vai divulgar seus resultados do segundo trimestre na quinta­feira.

A Allergan, que tem sede em Dublin, tornou­se uma das dez maiores empresas farmacêuticas mundiais por vendas este ano, quando a Actavis comprou a fabricante de tratamento de rugas Botox por quase US$ 70 bilhões e adotou seu nome. O acordo com a Teva permitirá que a Allergan se concentre em seu negócio de produtos farmacêuticos de marca.

“Teremos a possibilidade de adicionar escala em áreas terapêuticas existentes, expandir em novas áreas geográficas e terapêuticas e avaliar negócios estrategicamente transformadores à medida que continuamos a construir nossa posição como a empresa farmacêutica de marca de crescimento mais dinâmico”, disse o diretor­ presidente da Allergan, Brent Saunders.

Em um sinal de sua ambição implacável, a Allergan anunciou um outro acordo no domingo, informando que vai pagar US$ 560 milhões em dinheiro pela Naurex Inc., empresa que desenvolve antidepressivos.

(Colaborou Razak Musah Baba.)

Com nova fábrica no Rio, P&G vai cortar importação

Robson Sales – Valor Econômico:

Mesmo com as tendências de queda no consumo das famílias, a Procter & Gamble (P&G) inaugurou oficialmente ontem mais uma fábrica de creme dental no Estado do Rio de Janeiro, apostando no mercado interno. A multinacional investiu R$ 280 milhões na unidade e vai atender toda a demanda pela marca Oral B no país. Desse modo, elimina a importação do produto. A unidade começou a funcionar parcialmente em setembro do ano passado.

Segundo o presidente da P&G no Brasil, Alberto Carvalho, que participou da cerimônia de inauguração ao lado do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, as vendas de produtos de higiene, limpeza e beleza avançam em torno de 8% neste ano. “Pretendemos crescer mais que isso para ganhar mercado”, disse Carvalho. “Não estamos investindo para os próximos dois anos, investimos porque sabemos que o Brasil vai continuar crescendo forte.”

A nova unidade fabril da P&G está próxima do Arco Metropolitano, rodovia que liga os principais municípios da Baixada Fluminense e é, para Pezão, a grande vantagem logística do Estado do Rio. Funcionará como vetor de atração de investimentos privados para a região.

“Eu acho que é um momento de dificuldade”, reconheceu Pezão. “As crises sempre existiram no país, mas a P&G deu uma demonstração de confiança.”

A P&G recebeu incentivos fiscais para a construção da unidade na cidade de Seropédica, às margens da rodovia Presidente Dutra. Pezão não descartou novos benefícios a outras empresas que desejam instalar-­se próximo ao Arco Metropolitano, mas não prepara nenhum pacote de “bondades”.

“Mais importante é ter emprego”, disse o chefe do Palácio Guanabara. “Quando temos emprego a economia roda, diminui o impacto na segurança pública. Os jovens vão no supermercado, na farmácia, nos bares e restaurantes e é isso que movimenta a economia. Farei o que puder para desenvolver a atividade econômica”, afirmou.

Para a instalação da fábrica da P&G, o governo do Rio precisou afrouxar as normas urbanísticas. Um plano de zoneamento já está em fase final de produção e deve ser enviado em breve à Câmara Metropolitana, que cuida das políticas para a região. O objetivo é facilitar a chegada de novas fábricas. “Sempre que as empresas pedem vamos nos adequar para tornar o Rio competitivo”, disse Pezão.

A nova unidade tem mais de 14 mil metros quadrados e capacidade para outros seis novos galpões, embora a ampliação das operações ainda não esteja confirmada. Foram mais de 200 empregos gerados diretamente. Alguns funcionários foram treinados na Alemanha e nos Estados Unidos. De acordo com Carvalho, cerca de 20% da produção da fábrica será voltada para exportação.

Desde 2013, a P&G já investiu R$ 1 bilhão no Brasil. No Rio, já existem fábricas na Cidade de Deus, Zona Oeste da capital, e em Queimados, na Baixada, além de outros dois centros de distribuição em Duque de Caxias e Itatiaia. O Brasil é o segundo maior mercado de produtos da P&G, atrás apenas dos Estados Unidos.

Câmbio leva Hypermarcas a ajustar preços

Tatiane Bortolozi – Valor Econômico:

A Hypermarcas está em um novo processo de ajuste de preços, em razão do câmbio. O objetivo é repassar os aumentos de custos considerando o dólar a R$ 3,10. Uma nova tabela começa a ser praticada neste mês em algumas categorias da divisão de consumo, disse o presidente Claudio Bergamo.

Em fevereiro, a premissa de câmbio era de R$ 2,60 por dólar, mas a alta da moeda americana ante o real foi mais forte que o esperado. O dólar avança 25% ante o real em 2015 e 50% em 12 meses.

O aumento de preços de 6% a 8% na divisão de consumo no segundo trimestre foi “totalmente implementado”, disse Bergamo. E, se o dólar firmar-­se em R$ 3,40, serão analisadas novas elevações.

A Hypermarcas planeja diminuir o peso da estratégia de ganho de participação de mercado a partir de produtos de alto volume e menor margem na divisão de higiene pessoal e beleza (consumo), para melhorar a rentabilidade e o fluxo de caixa no segundo semestre, disse o presidente.

O fluxo de caixa livre de quase R$ 160 milhões de abril a junho de 2014 ficou negativo em R$ 7 milhões em igual período deste ano. Houve menor geração de caixa operacional, sobretudo pela maior formação de estoques, devido ao crescimento do volume de vendas nos últimos trimestres.

O índice de alavancagem aumentou de 2,65 vezes o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado acumulado nos últimos 12 meses ao fim de 2014 para 2,8 vezes ao final de junho de 2015.

A Hypermarcas planeja buscar em produtos de menor margem oportunidades para reajustes de preço que melhorem os lucros. A divisão de consumo recebe de forma mais intensa o efeito do câmbio e será o foco de avaliação.

A receita líquida da Hypermarcas cresceu 10,8% de abril a junho deste ano, em relação a igual período de 2014, para R$ 1,26 bilhão. O Ebitda somou R$ 261,2 milhões, queda de 3,7%. O lucro líquido caiu 9,3%, para R$ 110,9 milhões, com efeito negativo de R$ 23,6 milhões do câmbio.

A receita líquida avançou 15% na divisão de consumo e 7,7% na unidade farma, que comercializa medicamentos. O desempenho em farma, dona de marcas como Benegrip, Doril e Lisador, ficou abaixo do esperado por analistas por problemas pontuais em produção, importação de matérias-­primas e certo desequilíbrio entre oferta e demanda do varejo, informou a empresa. A carteira de R$ 27 milhões em pedidos não atendidos representaria crescimento adicional de 4,2% no trimestre e um avanço total de 11,9% nas receitas do negócio, segundo o presidente. A demanda do consumidor na divisão farma subiu 15%.

Ainda como parte de um cenário mais difícil, a Hypermarcas cogita desacelerar o ritmo de lançamentos em consumo neste ano, para esperar a maturação de investimentos. Praticamente todo o portfólio foi renovado nos últimos dois anos e diminuir um pouco o ritmo será saudável, principalmente ao conter o consumo de caixa, disse Bergamo.

Em farma, a situação é inversa ­ o objetivo é manter ou acelerar os lançamentos. Devido a restrições regulatórias, cada novo produto traz um rápido ganho de faturamento sem a necessidade de uso tão grande de recursos, pois há demanda reprimida, disse Bergamo.

Rio atrai menos projetos industriais em 2015

Glauce Cavalcanti – O Globo:

A crise econômica freou o número de novos investimentos de empresas privadas no Estado do Rio este ano. Desde o início de 2015, a Companhia estadual de Desenvolvimento Industrial (Codin) captou oito projetos de instalação e expansão de unidades fabris, incluindo iniciativas de grupos como Michelin e a farmacêutica Pierre Fabre.

Juntos, esses oito projetos representam investimento de ao menos R$ 523 milhões, com criação de mais de 460 empregos. Nesse ritmo, a estimativa é chegar a dezembro em patamar próximo ao registrado em 2013, quando foram captados 19 projetos, avalia Marco Antônio Capute, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico. No ano passado, foram 43 empreendimentos, totalizando R$ 4 bilhões em aporte e geração de quase 11.200 postos de trabalho.

— Com o atual cenário econômico, haverá queda na atração de projetos. Mas, a despeito da crise, continuamos atraindo novos negócios, investimentos e gerando empregos. Além disso, a economia fluminense vai se beneficiar dos projetos captados anteriormente e sendo inaugurados este ano — avalia Capute, destacando que a lista de projetos da Codin representa apenas parte do total em implantação no Rio de Janeiro. — Importa mais o volume de empregos e resultados gerados pelos projetos captados que a quantidade.

Entre 2015 e 2018, o Rio receberá R$ 5,3 bilhões só de companhias que ampliarão ou abrirão unidades às margens do Arco Metropolitano, que completa um ano em operação, de acordo com a Secretaria estadual de Desenvolvimento (Sedeis). Já existem 25 companhias — Rolls Royce e Deca, entre elas — em atividade nos arredores da via.

Para este ano estão previstas 18 inaugurações na área de indústria no estado. Quatro delas já ocorreram, incluindo a abertura da fábrica da Procter & Gamble (P&G), ontem, em Seropédica.

O projeto de R$ 280 milhões gerou 200 empregos. A quinta unidade da empresa no estado, entre fábricas e centros de distribuição, será dedicada à produção de linhas de cremes dentais da marca Oral-B. Além de alimentar a demanda nacional, será também plataforma de exportação para países do Cone Sul, como Chile e Argentina.

— O segmento em que atuamos, de higiene e beleza, vem registrando crescimento médio de 8% a 9% por ano. Queremos crescer ainda mais do que isso para ganhar em participação de mercado — diz Alberto Carvalho, presidente da P&G no Brasil, destacando que a empresa investiu R$ 1 bilhão em expansão no Brasil entre 2013 e 2015.

O mercado de higiene e beleza do Brasil é o terceiro maior do mundo, atrás de EUA e China, segundo a consultoria Euromonitor.

Antes da abertura da fábrica, que iniciou as operações em fase de testes em outubro de 2014, os produtos da Oral-B eram importados no Brasil. Com a produção local, Carvalho espera reduzir custos de produção, o que pode resultar em queda no preço para o consumidor:

— Quando lançamos a marca no Brasil, assumimos trazer a fábrica. Agora, teremos mais condições de reduzir custos de operação e tentar passar o máximo dessa redução para o consumidor.

A unidade de Seropédica está instalada em um terreno com espaço para futuras expansões, afirma o executivo, que não revela quando isso deve acontecer.

A fábrica de Seropédica encerra um pacote de investimento acordado entre a P&G e o governo do estado em 2008, explica Conceição Ribeiro, presidente da Codin. De lá para cá, a companhia saltou de cem funcionários e faturamento de R$ 200 milhões no Rio de Janeiro para dois mil colaboradores e R$ 3 bilhões em vendas, conta Francisco Bernardes Costa Filho, gerente jurídico e de relações de governo América Latina da P&G.

Obras do arco metropolitano

O governador Luiz Fernando Pezão, que participou da inauguração da fábrica em Seropédica, destacou a importância de novos investimentos:

— O mais importante é ter emprego. Quando a gente tem emprego, a economia está rodando. Isso diminui impactos em segurança pública, e os salários das pessoas que estão trabalhando na fábrica movimentam a economia. E quem investe durante a crise cresce mais rapidamente quando a economia se recuperar.

A Sedeis destaca a segunda etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL), anunciada pelo governo federal no mês passado, e que vai permitir conceder as obras dos trechos do Arco Metropolitano que ainda não foram terminadas.

Novas armas contra hepatite C

O Globo:

Ela é silenciosa, os sintomas só aparecem em casos mais graves e, muitas vezes, o diagnóstico ocorre por acaso. Mas a hepatite C afeta 150 milhões de pessoas, quase cinco vezes o número de portadores de HIV. E seu tratamento, até pouco tempo, era pouco eficaz e repleto de efeitos adversos. Agora, uma nova geração de drogas mais potentes e caras será incorporada ao SUS, anunciou ontem o Ministério da Saúde.

As drogas sofosbuvir, simeprevir e daclatasvir, fabricadas por três laboratórios, oferecem 90% de chances de cura e reduzem o tempo de tratamento. Os custos, entretanto, são altos. Em média, chega a R$ 300 mil o tratamento completo. Por isso, desde o ano passado os medicamentos vinham sendo aguardados com expectativa por médicos e pacientes. Ainda não há uma data exata, mas, segundo o ministério, estarão disponíveis a partir de dezembro.

Atualmente, são notificados dez mil casos da doença por ano no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, entre 350 mil e 700 mil pessoas morrem em todo mundo em decorrência da hepatite C.

Segundo o Ministério, em 13 anos de assistência à doença no SUS, foram confirmados 120 mil casos e realizados cem mil tratamentos. O órgão reforça que nem todas as pessoas que contraem o vírus precisam das novas medicações, que serão distribuídas para até 30 mil pessoas — o dobro das 15.821 que são tratados anualmente no Brasil —, ao longo dos 12 meses subsequentes ao início do programa.

Estimativas indicam que entre 1,5 milhão e 2,5 milhões de brasileiros têm o vírus HCV, responsável pela hepatite C crônica. Destes, 20% evoluem para cirrose e câncer de fígado.

— É um grande passo do governo, só não se pode esquecer que é um número muito aquém do necessário — comentou o hepatologista Carlos Terra, professor de medicina da Uerj e presidente do Grupo de Fígado do Rio de Janeiro.

Tratamento mais curto e eficaz

O atual tratamento leva de 48 a 52 semanas e oferece chances de cura que vão de 40% a 47%. Além disso, não pode ser aplicado caso o paciente tome uma série de outros medicamentos. O novo protocolo, que leva de 12 a 24 semanas, diminui essa interação medicamentosa e tem chances de cura superiores a 90%.

O grupo de pessoas que antes não podiam se tratar e que agora poderão recorrer à nova terapia inclui: portadores de HIV; quem tem cirrose descompensada; quem está em fase pré e pós- transplante; pacientes com má resposta ao medicamento Interferon; e os que não se curaram com tratamentos anteriores.

— São medicamentos muito mais avançados. O paradigma de tratamento muda completamente com eles — acrescentou Terra, reforçando que as drogas quase não têm efeitos colaterais, enquanto os antigos provocavam anemias graves, febre e mal- estar, entre muitos outros sintomas.

Terra lembra ainda que, além de mais prevalente, a hepatite C tem mortalidade mais alta que a Aids. Mas esta foi a que recebeu os maiores investimentos e campanhas nas últimas décadas. Durante o anúncio das novas drogas ontem, em Brasília, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, destacou o outro lado da moeda:

— O Brasil assume a vanguarda na oferta dessa terapia, como já fizemos com a Aids com os antirretrovirais.

Segundo o ministério, serão gastos R$ 500 milhões este ano para a compra dos remédios. Apesar dos gastos, o órgão diz que haverá economia: o valor gasto com dois pacientes no antigo tratamento é suficiente para cuidar de cinco agora. O anúncio do novo tratamento ocorreu na véspera do Dia Mundial de Combate a Hepatites Virais, celebrado hoje.

O alto custo de medicamentos vinha incentivando uma enxurrada de processos judiciais. A advogada Crispina Caju conta que, em seu escritório, chegava a mover mais de 300 pedidos por ano:
— E eu acho que vão continuar, porque o acesso ainda será limitado.

Esta foi a opção da empresária Tânia Tavares, que recentemente conseguiu na Justiça o acesso aos sofosbuvir e daclatasvir, tratamento que terá duração de três meses e custará em torno de R$ 350 mil ao seu plano de saúde, que ainda precisa pagar uma multa diária de R$ 2 mil devido ao atraso na compra. Há dez anos, ela teve o diagnóstico da infecção, provocada, provavelmente, por uma das cirurgias que fez na córnea. Logo começou o tratamento com interferon eribavirina, mas, por causa de erro médico, tomou doses muito superiores ao que deveria.

— Perdi o movimento das pernas por um período e nunca me recuperei totalmente. Continuo com uma hipersensibilidade nelas. Não havia mais opções de tratamento para mim — relata Tânia, que hoje não pode trabalhar. — Mantive a qualidade de vida como pude, com dieta, sem beber… Mas, nos últimos dois anos, vinha piorando muito: os níveis do vírus estão altos, perdi peso, comecei a desenvolver uma cirrose. A verdade é que estava morrendo. A chegada destes remédios me traz uma ansiedade enorme.

Maria Augusta de Souza Dantas não contém o ânimo com o início do seu tratamento, também possível após uma decisão judicial favorável para a compra do harvoni, uma combinação de ledipasvir e sofosbuvir, que, segundo seu médico, já está a um passo à frente dos que foram liberados pelo SUS. Ela também não podia usar os tratamentos disponíveis e convivia desde 2005 com a hepatite C. Em abril, começou a terapia, que deverá durar seis meses e custar mais de R$ 400 mil ao plano de saúde.

— Estava com cirrose, mas, felizmente, a doença não se manifestava. Com um mês de uso, a carga viral ficou indetectável — conta Maria Augusta.

Campanha de prevenção

Ambas relatam terem “entrado em pânico” com a descoberta da doença. Pouco se sabia, a não ser que um certo estigma a permeia. Mesmo assim, garantem que falam abertamente da doença, transmitida principalmente por sangue contaminado, geralmente em transfusões e contato com utensílios cortantes, mas também, em raros casos, por contato sexual e de mãe para filho.

O ministério também lançou ontem a campanha de prevenção a hepatites. O foco é o incentivo ao diagnóstico e ao tratamento. As hepatites B e C têm poucos sintomas e, por isso, podem passar despercebidas. O ministério pretende, até o fim do ano, lançar também um novo protocolo de tratamento contra a hepatite B.

A campanha da hepatite B tem como alvo jovens adultos, com incentivo à vacinação em três doses. Segundo a Organização Mundial da Saúde ( OMS), um terço da população mundial já foi exposta à hepatite B, mas apenas 1% não se cura espontaneamente. No Brasil, há 17 mil casos confirmados a cada ano.

Chip controla temperatura da carga remotamente

Jacilio Saraiva – Valor Econômico:

A distribuidora de medicamentos 4BIO utiliza chips que controlam, remotamente, a temperatura de produtos durante o transporte. Os remédios, de alto custo, são desenvolvidos por biotecnologia, o que obriga a empresa a mantê­-los entre dois e oito graus de temperatura. “Investimos R$ 200 milhões na tecnologia”, diz André Kina, presidente da companhia paulista, com filiais em Campinas (SP) e Palmas (TO).

Segundo o executivo, depois de adotar o recurso, conquistou cerca de dez novos clientes, ao ampliar a capacidade de atendimento. O transporte com chips representa R$ 2 milhões ou cerca de 2% do total do faturamento anual do grupo. É para empresas como a 4BIO, com novas necessidades de segurança em operações logísticas, que fornecedores de tecnologia criam soluções para proteger mercadorias, frotas e equipes.

A Trust, integradora brasileira especializada em TI, oferece um software de gestão que usa etiquetas e sensores de identificação por radiofrequência (RFID, na sigla em inglês) para monitorar ativos de frotas, como pneus e caixas de câmbio. O público alvo são companhias com grande volume de veículos e operadores logísticos.

“O sistema é atualizado com as datas de manutenção e traz informações sobre as condições físicas dos objetos monitorados”, explica Gustavo Nogueira, diretor de inovação. “O rastreamento dos equipamentos também pode ser feito a cada entrada do veículo na empresa, com a ajuda de antenas fixas.”

Nogueira diz que a tecnologia reduz custos nas operações de transporte e de inventário. No caso dos pneus, os recursos de identificação apontam a necessidade de rodízio e calibragem, o que pode aumentar a vida útil das peças em 15%. Até o final do ano, a meta é instalar a novidade em cinco novos clientes. Custa a partir de R$ 50 mil e pode ser usada também em dispositivos móveis, como tablets e smartphones.

Na Crown, multinacional da área de movimentação de materiais que atende Walmart e Grupo Pão de Açúcar, uma das novidades é uma ferramenta para a seleção e coleta de pedidos em galpões, lançada no Brasil este ano. “Com um controle remoto sem fio integrado a uma luva, os operadores podem mover a ‘transpaleteira’ (equipamento que movimenta paletes) até o local onde está o produto, sem ter de subir, repetidamente, a plataforma da máquina”, explica o gerente de administração Rafael Arroyo. “Com isso, os funcionários mantêm as mãos livres para trabalhar.” O sistema ainda inclui sensores que impedem as colisões das empilhadeiras nas estantes dos armazéns.

“Estudos mostram que, em média, funcionários de centros de distribuição andam 25 quilômetros ao dia e transportam de cinco a dez mil quilos de carga”, diz. A ideia da solução também é reduzir em até 50% a distância percorrida para o carregamento das mercadorias e cortar em 70% o tempo de elevação das empilhadeiras.

Sérgio Ivancko, gerente de pesquisa e desenvolvimento da WestRock para o Brasil, lembra que as embalagens também são peças importantes para a segurança do transporte de cargas.

A multinacional, do setor de papel e embalagens, com atuação em 30 países, lançou este ano um palete de papelão ondulado que promete substituir os similares de madeira.

“O novo produto não possui farpas e pregos, o que proporciona segurança no manuseio, é mais leve e gera até 76% menos resíduos do que as versões tradicionais, após o descarte”, garante. A unidade de papelão pesa 3,9 quilos ante 16 quilos de um palete comum, segundo Ivancko. “Além disso, traz benefícios para atividades de exportação, por dispensar tratamentos fungicidas, necessários para os modelos de madeira.”

PMEs aproveitam conjuntura cambial para exportar

Dauro Veras – Valor Econômico:

A desvalorização do real abre boas oportunidades para os pequenos e médios exportadores, apesar da conjuntura desfavorável, avalia a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Nos últimos anos, muitos se afastaram do mercado externo e, por isso, precisarão de tempo para reconquistar clientes. Empresas que nunca exportaram também podem encontrar nesse canal uma alternativa para fazer frente à retração do consumo interno. O segmento reivindica políticas públicas mais consistentes de apoio.

“Para 2015, o cenário não é muito positivo porque a demanda internacional está desaquecida, exceto nos Estados Unidos, onde a economia tem crescido”, diz o vice­-presidente da AEB, Fábio Faria. “Infelizmente, a crise econômica e a instabilidade política na Argentina e na Venezuela também têm nos prejudicado”. Entre as áreas promissoras para as empresas de pequeno e médio porte, ele menciona a de moda e confecções, bem recebida em outros países. “Há casos surpreendentes de sucesso, como a venda de lentes de contato e de joias”.

Exportar via remessa expressa não é para todos, por causa do alto custo e da limitação do volume. Para que o serviço compense, os produtos precisam ter valor intrínseco mais alto. Entretanto, a agilidade e a comodidade podem fazer a diferença. Como a maioria das pequenas e médias empresas não possui departamento de comércio exterior, a operação se torna mais viável quando as transportadoras dão apoio nos trâmites aduaneiros. Faria defende a adoção de sistemas de garantia às exportações e a simplificação de procedimentos: “O custo associado à burocracia às vezes inviabiliza a PME exportadora”.

Em fevereiro, a AEB encaminhou ao governo diversas sugestões para aperfeiçoar o Plano Nacional de Exportação e proporcionar previsibilidade nas regras. A associação critica a redução de 3% para 1% na alíquota do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), parte do ajuste fiscal. Entre as propostas para aperfeiçoar o Programa de Financiamento à Exportação (Proex-­Equalização), inclui­-se a alteração na forma do “regime de competência” para “regime de caixa”, isto é, conforme os desembolsos efetivos. A AEB também reivindica a liberação dos recursos propostos de R$ 1,6 bilhão no orçamento do Programa para 2015.

Outras recomendações encaminhadas pelos exportadores ao MDIC são a manutenção e ampliação dos instrumentos de desoneração tributária das exportações; a adoção de uma política cambial neutra; uma campanha institucional no exterior; a priorização dos Estados Unidos como foco das ações; a criação de um mecanismo equivalente ao Exporta Fácil por via marítima; mais investimentos em infraestrutura para redução dos custos de logística; a negociação de novos acordos comerciais com o Mercosul, e reformas estruturais, com foco no sistema tributário e na legislação trabalhista.

“Antes de começar a exportar, o empresário deve pesquisar muito, para saber em quais países o seu produto encontra as melhores oportunidades de mercado”, orienta o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barreto. “Em seguida, é necessário realizar uma análise interna para descobrir os pontos fortes e fracos na gestão de pessoas, no marketing e nas finanças, verificando quais competências internas deverão ser ajustadas para atender o consumidor do país para o qual se deseja exportar”.

Sem exigir garantias, crédito para inovação fica mais fácil

Ivone Santana – Valor Econômico:

A Agência de Desenvolvimento Paulista ­ Desenvolve SP, vinculada ao governo do Estado, vai facilitar o acesso de micro, pequenas e médias empresas a financiamentos voltados à inovação, mesmo que não tenham garantias a oferecer. A partir de agora, essas empresas poderão contar com fundos garantidores combinados que fizeram convênio com a agência. Além disso, as empresas interessadas que já fazem parte de outros programas de fomento não precisarão apresentar nova análise técnica.

A agência firmou convênios com os fundos garantidores BNDES FGI (Fundo Garantidor para Investimentos); Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas (Fampe), do Sebrae; e Fundo de Garantia de Operações (FGO), do Banco do Brasil. A empresa pode combinar até dois fundos para oferecer ao agente financeiro e contratar o empréstimo.

O fundo de aval não encarece o empréstimo porque esse recurso foi criado para apoiar as empresas, disse ao Valor Milton Luiz de Melo Santos, presidente do Desenvolve SP. Além disso, o custo da contratação desses fundos pode ser embutido no próprio financiamento.

Quanto à dispensa de análise de crédito, aplica­se nos casos em que a empresa já tenha sido atendida pelos programas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Desde sua criação em 2009 até agora, a agência já desembolsou quase R$ 1,9 bilhão em operações de crédito, valores que retornaram à agência, disse Santos.

A Desenvolve SP também assinou contrato com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para operar em São Paulo a linha Inovacred. O orçamento inicial liberado pela Finep é de R$ 80 milhões para apoiar projetos de inovação. “Mas, à medida que o valor for sendo consumido, a Finep se propõe a abrir mais contratação”, disse o presidente da agência.

A Desenvolve SP financiou 23 empresas de diversos setores desde o ano passado. Santos disse que não pode revelar nomes, mas afirmou tratar-­se de empresas de software, sistemas para hospitais, sistemas de monitoramento, automação e equipamentos do setor fármaco, entre outros. Pela linha Inovacred, liberou R$ 13,9 milhões, de janeiro a junho.

Há disponíveis outras três linhas de financiamento. A mais recente é a Micro, Pequena e Média Empresa, ou MPME Inovadora. As outras duas são da própria Desenvolve SP: Incentivo à Tecnologia e Incentivo à Inovação.

Os empréstimos variam de R$ 10 milhões a R$ 30 milhões por empresa, com carência de 12 a 120 meses para pagar e taxa de juro de 0,49% a 0,7% ao mês. Na linha Incentivo à Inovação, a taxa é zero com variação do IPCA sobre o principal, se o pagamento for em dia. Se atrasar, a empresa paga a taxa mensal de 0,7%.

Para decidir se libera o empréstimo, Santos disse que a agência avalia a governança da empresa com os proprietários e o processo tecnológico usado. Também submete o projeto a universidades e ao mercado para saber se a tecnologia em questão está prestes a se tornar obsoleta.

A agência dispõe de um fundo próprio, o Inovação Paulista, com R$ 105 milhões em patrimônio. Esse fundo já investiu R$ 16 milhões em seis pequenas empresas, com participação de 30% a 40% em cada uma delas. O prazo para sair do investimento é de sete anos.