Apex vai reduzir participação em parcerias com entidades setoriais

Marta Watanabe – Valor Econômico:

A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil) vai reduzir sua participação nos contratos de apoio a projetos de exportação e investimentos assinados com entidades setoriais. Antes esses contratos contavam com 85% de recursos da Apex com contrapartida de 15% das entidades de classe. Os contratos assinados a partir de agora terão 70% de participação da Apex com 30% das entidades.

Os contratos compõem os projetos setoriais, para os quais são direcionados cerca de 70% do orçamento da agência, previsto para este ano em R$ 534 milhões. Os contratos também passarão a ser avaliados trimestralmente por meio de indicadores que medirão o cumprimento de metas.

O presidente da Apex-Brasil, David Barioni, diz que a ideia é otimizar os recursos existentes. “Há alguns setores que estão mais maduros e não necessitam mais de um acompanhamento tão de perto da agência. Queremos alargar os setores atendidos e atuar mais intensamente neles.” Atualmente os contratos são assinados com cerca de 80 entidades. Segundo Barioni, os contratos já assinados serão mantidos e cumpridos. A nova proporção para financiamento da Apex e contrapartida da entidade será aplicada nas novas parcerias. “E essa nova proporção é o que será considerado como preferencial. O 70% contra 30% não é uma regra imutável, não está escrito em pedra.” O presidente explica que a medida permitirá à agência atender mais gente com o mesmo volume de recursos.

A mudança, diz Barioni, não vem isolada, mas dentro de uma reestruturação feita na agência, que envolveu redefinição de funções, cortes de cargos e mudanças de estratégia para contribuir na elevação da exportação. Ele destaca que a agência tem uma ampla base de dados capaz de detectar mercados internacionais em potencial para determinados produtos e condições de comercialização. “Não vamos mais esperar que os setores venham até nós. Nós vamos ao encontro dos setores. A ordem dentro da agência é gastar a sola do sapato”, diz Barioni.

Para ele, é preciso aproveitar o momento atual de real mais desvalorizado ante o dólar. “Claro que os programas de médio e longo prazos são importantes. Mas nós queremos projetos para amanhã, para aproveitar o dólar mais favorável. Agora é o momento da exportação”, diz.

Entre os setores há mais tempo contemplados por parcerias com a Apex estão os segmentos têxtil, de calçados, joias e gemas, máquinas e cerâmica, entre outros. Já entre os setores em que a Apex pode passar a atuar mais intensamente estão games, softwares, moda, vinho e equipamentos médicos, diz Ricardo Santana, diretor de negócios da Apex.

Entre os indicadores para analisar o andamento dos contratos, diz Santana, vamos verificar o aumento do valor exportado, a desconcentração de destinos, crescimento de novos exportadores, participação contínua das empresas nos embarques. A ideia, diz ele, é que os indicadores sejam acompanhados trimestral ou quadrimestralmente. Santana salienta que as métricas serão diferenciadas por setor, respeitando o ciclo econômico de produção e a estrutura de cada segmento. Caso o acompanhamento mostre que as metas não foram atingidas, diz Santana, deverá ser feito um diagnóstico para avaliar cada caso.

abiquiflashes (30/03/2015 – 366)

  • Anticonceptivos: as preparações químicas contraceptivas representam um importante item na pauta das exportações brasileiras de manufaturados. Em 2015, no primeiro bimestre, foram enviados ao exterior US$ 6.591.453,00 destes produtos.
  • Plantas: o Brasil exporta alguns farmoquímicos extraídos de plantas cultivadas no nordeste brasileiro, tais como rutina, pilocarpina e quercetina. Estas exportações renderam em 2015, até fevereiro, US$ 1.638.108,00.
  • Celulose microcristalina: este é um dos adjuvantes farmacotécnicos mais importantes produzidos no Brasil e exportados para várias partes do mundo. Em 2015, nos dois primeiros meses, foram exportados US$ 3.118.117,00 o que prevê uma excelente contribuição à nossa balança externa neste exercício.

Brasil Pharma lança plano para reconquistar mercado

Gustavo Brigatto – Valor Econômico:

A teleconferência com analistas para discutir o balanço da Brasil Pharma no quarto trimestre feita ontem foi marcada por simbolismos. Logo no começo da apresentação, o agora ex-executivo-chefe da companhia, José Ricardo Mendes da Silva, falou da conclusão da primeira fase da reestruturação da empresa, focada na criação de controles e na disciplina operacional.

Na sequência, ele passou o bastão ao sucessor, Paulo Gualtieri, ex-executivo do Pão de Açúcar que comandará a Brasil Pharma no que eles classificaram como uma nova fase, voltada à melhoria das vendas nas mais de 1,2 mil farmácias das cinco redes. A mudança no comando havia sido antecipada pelo Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, semana passada.

Toda esse rito tem razão de ser. A companhia controlada pelo banco BTG precisa dar uma resposta a investidores e analistas, descontentes com o desempenho. Só nos primeiros três meses do ano, suas ações perderam mais de 70% de valor. A Raia Drogasil apresenta valorização de quase 10% no período. O Ibovespa, principal índice da bolsa, sobe mais de 1%.

A Brasil Pharma também anunciou a contratação da consultoria Enéas Pestana & Associados, do ex-presidente do Pão de Açúcar, para melhorar as vendas das farmácias.

Gualtieri é um dos 35 sócios de Pestana na empreitada e deixará o dia a dia da companhia para se dedicar à Brasil Pharma. No momento, 12 consultores estão atuando na rede. O trabalho de diagnóstico durará dois meses. A implementação das medidas sugeridas levará outros 18.

Outro ponto importante da nova fase da companhia são dois estudos que serão apresentados em um prazo de 30 dias. Um deles balizará o processo de integração da rede Big Ben, que atua no Nordeste, ao restante dos negócios do grupo. O outro formatará uma nova estrutura de capital para sustentar o crescimento do grupo.

Comprada há três anos, a Big Ben é responsável por metade da receita do grupo – que ficou praticamente estável no 4º trimestre, em R$ 901,8 milhões, contra R$ 893,7 milhões no mesmo período de 2013 – e opera numa estrutura administrativa independente, o que faz com que tenha grande peso nas despesas do grupo.

Na teleconferência, os executivos destacaram várias vezes que o enxugamento dessa estrutura e o melhor reconhecimento dos resultados da rede serão pontos fundamentais para a melhoria do desempenho em 2015.

Em 2014, a companhia ampliou em mais de 300% o prejuízo, chegando a R$ 613 milhões. Além de crescimento pouco expressivo na receita líquida – aproximadamente 9%, para R$ 3,8 bilhões – a companhia teve aumento de custos com demissões (foram 4,6 mil dispensas ao longo do ano), implementação do sistema de gestão SAP, entre outras medidas.

Em relatório a clientes publicado no fim do dia, a corretora Coinvalores avaliou as mudanças anunciadas pela Brasil Pharma como positivas, mas destacou que ainda é cedo para considerar uma recuperação consistente nos números. Em um ano complicado, a companhia terá que contar com a boa aceitação das mudanças nas lojas por parte dos consumidores para transformar os simbolismos em realidade.

Sanofi pode lançar vacina contra dengue no Brasil até 2016

Stella Fontes – Valor Econômico:

A francesa Sanofi tem pronta uma a vacina contra a dengue, que protege contra os quatro tipos de vírus e que a empresa espera disponibilizar no Brasil entre o fim deste ano e o início de 2016. O medicamento, desenvolvido pela divisão Sanofi Pasteur, depende de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A situação da doença é especialmente complicada no Estado de São Paulo, onde foi registrado o maior número de casos no país desde janeiro.

Segundo o Ministério da Saúde, dos 224 mil casos de dengue ocorridos no país até o início de março – o que equivale a crescimento de 162% na comparação com o mesmo período de 2014 -, 123 mil foram registrados em São Paulo.

Além da Sanofi, o Instituto Butantan, em parceria com o americano National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIH), e o laboratório japonês Takeda trabalham em vacinas que estão em estágio de desenvolvimento anterior ao da Sanofi e devem entrar, em breve, na fase 3 de testes clínicos, a última antes do lançamento. “É um processo longo e complexo, porque há necessidade de cumprir várias fases de pesquisa para garantir segurança e eficácia”, conta a gerente do departamento médico da Sanofi Pasteur, Sheila Homsani.

O desenvolvimento da vacina contra dengue pela Sanofi exigiu 20 anos de pesquisas, na França, e o produto final parte de outra vacina, usada contra a febre amarela. De acordo com Sheila, essa vacina, disponível há 30 anos, é produzida com o vírus vivo enfraquecido revestido com quatro antígenos – de cada um dos tipos de vírus da dengue -, que são reconhecidos pelo sistema imunológico. “Essa é uma tecnologia bem complexa, de vacina de vírus vivo enfraquecido e recombinada com o vírus da dengue”, explica. “É como se tivéssemos recheado o vírus da dengue com a vacina da febre amarela”.

A Sanofi já tem uma fábrica dedicada à produção da vacina, em Neuville-sur-Saône, perto de Lyon, na França, com capacidade para 100 milhões de doses por ano. A fabricação já foi iniciada, mas a disponibilidade da vacina ainda depende da aprovação de agências reguladoras dos diferentes países que serão atendidos. No Brasil, a expectativa é a de que toda a documentação necessária à aprovação do medicamento seja encaminhada à Anvisa até o fim deste semestre. Na Malásia, o dossiê já seguiu para a análise da agência reguladora local.

De acordo com a especialista, o desenvolvimento clínico da vacina envolveu cerca de 20 estudos e mais de 40 mil participantes em 15 países. Um dos estudos da fase 3 foi realizado em cinco países da América Latina, entre os quais o Brasil, com mais de 20 mil crianças e adolescentes e mostrou redução de 60,8% no número de casos de dengue entre a população vacinada, atestando a eficácia do medicamento contra os quatro tipos de vírus.

Os resultados do estudo, que compreendeu também o Caribe, foram publicados em novembro. “Também conseguimos reduzir os casos graves em 95,5% e em 80,3% o risco de hospitalização, o que significa que leitos em hospitais poderiam ser liberados para outros doentes”, afirma Sheila, acrescentando que a eficácia da vacina, que deve ser aplicada em três doses a cada seis meses, está diretamente relacionada à capacidade de proteger contra os quatro tipos de vírus. “A vacina está pronta e temos estoque. Como a situação do país preocupa, temos a certeza de que a Anvisa quer resolver essa situação, mas só agência mesmo para dizer quando haverá lançamento.”

O laboratório japonês Takeda, por sua vez, está estudando uma vacina tetravalente contra a dengue baseada em uma forma atenuada do próprio vírus, da dengue 2 (DENV-2), que fornece o esqueleto genético para os demais vírus da doença. “A vacina tetravalente contra a dengue da Takeda está atualmente em fase avançada de estudos para testar a sua eficácia e segurança e entrará em fase 3 de testes clínicos em breve”, informa a farmacêutica.

A fase 3 envolve um número bem maior de participantes que a fase anterior, podendo chegar a dezenas de milhares, como foi o caso do projeto da Sanofi Pasteur. No Butantan, a vacina, que assim como a da Takeda é feita com o próprio vírus da dengue, está na fase 2 de pesquisa e deve chegar à seguinte ainda neste semestre.

De acordo com Sheila, da Sanofi, a chegada do inverno deve amenizar os números da dengue no Sudeste. No Nordeste, porém, é justamente nesse período que começa a haver crescimento dos casos. “Preocupante também é o fato de que, para esses mais de 200 mil casos registrados, há outros 300 mil casos de pessoas que se infectaram e não sabem que têm dengue porque os sintomas são moderados”, afirma.

Estimativa de reajuste de preço para 2015 desagrada setor

Stella Fontes – Valor Econômico:

A indústria farmacêutica recebeu com pessimismo e previsão de corte de empregos os fatores da fórmula de cálculo de reajuste dos preços de medicamentos em 2015, publicados pelo governo ontem no Diário Oficial da União. Por enquanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não divulgou o reajuste médio oficial permitido, mas cálculos do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), a partir de índices autorizados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), indicam que esse aumento deve ficar entre 5,4% e 5,9%.

“Mais uma vez, o reajuste vem abaixo da inflação e em momento que a pressão sobre os custos da indústria é muito forte, tanto do lado do câmbio quanto dos preços administrados”, disse o presidente do sindicato, Nelson Mussolini. O Sindusfarma representa 190 empresas responsáveis por 90% do mercado de medicamentos. A combinação de reajuste inferior à inflação e pressão de custos vai se refletir no nível de empregos.

Conforme a publicação oficial, o reajuste máximo autorizado pela Cmed para medicamentos de nível 1, que compreende classes terapêuticas sem evidência de concentração, foi estabelecido em 7,7%. Para o nível 2 (classes terapêuticas moderadamente concentradas), o índice pode ser de até 6,35%. Já para as classes fortemente concentradas, o chamado nível três, o aumento máximo permitido é de 5%.

De acordo com o Sindusfarma, se todas as apresentações de medicamentos forem reajustadas pelos índices máximos, o reajuste médio ficará em 5,9%. O índice inferior à inflação, conforme Mussolini, e a “difícil” negociação salarial com os sindicatos – que pedem 13% de aumento – devem levar o setor, que abriu 2 mil postos de trabalho no ano passado, a reduzir o nível de emprego em 2015. “Não poderia haver aumento real neste ano. Com esse reajuste e a pressão sobre os custos, se não conseguirmos negociar [os salários], haverá desemprego.”

Além da mão de obra, tem peso relevante nas despesas o preço da energia elétrica, uma vez que as embalagens usam muito alumínio. A desvalorização do real frente ao dólar também afeta negativamente a rentabilidade da indústria, já que mais de 90% dos insumos utilizados pelas farmacêuticas são importados. No ano passado, o aumento médio dos custos de produção foi de 15% – no mesmo período, os medicamentos subiram em média 4,94% e a inflação geral ficou em 6,41% (IPCA).

Segundo o Sindusfarma, entre 2008 a 2014, para um reajuste de preços dos medicamentos acumulado de 33,19%, a inflação geral acumulada atingiu 47,25% (INPC-IBGE) e os aumentos de salário ficaram em 62,06%. Neste ano, a tendência é de custos de produção ainda mais altos e algumas empresas projetam gastos 20% maiores, puxados por insumos e materiais de embalagem, e sem considerar aumente salarial.

Diário Oficial (março 2015)

Justiça suspende proibição ao uso de avermectinas

Luiz Henrique Mendes – Valor Econômico:

Alvo de conflito entre a indústria veterinária e os frigoríficos de carne bovina no ano passado, a Instrução Normativa nº 13/2014 do Ministério da Agricultura, que proibiu temporariamente o uso de avermectinas de longa ação – vermífugo largamente usados na pecuária brasileira -, foi suspensa pela 17ª Vara Federal do Distrito Federal. Na prática, a Justiça acolheu os argumentos do Sindam, sindicato patronal que representa a indústria veterinária, liberando as vendas e a produção do vermífugo.

Conforme o juiz Victor Cretella Silva, a decisão de proibir o medicamento foi “abrupta” e “potencialmente contraditória” com a postura anterior do próprio Ministério da Agricultura, que menos de um mês antes recomendava apenas que os medicamentos fossem vendidos sob controle especial. “É de se questionar se não seria mais coerente a sua manutenção sob regime de controle especial”, disse.

Quando a proibição foi criada, Ministério da Agricultura alegou riscos à exportação de carne bovina, por conta das diversas detecções de resíduos em carne enlatada exportada para os EUA. Procurado, o Ministério da Agricultura não respondeu até o fechamento desta edição.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carnes (Abiec), Antônio Camardelli, a decisão deve ser “acatada”. Indagado sobre o risco de novas detecções de resíduos, ele enfatizou que o clima de entendimentos entre indústria veterinária e frigoríficos contribui para “mitigar os riscos”, como demonstra a parceria em torno da campanha de combate ao contrabando de avermectina.

No setor veterinário, a decisão foi comemorada. A MSD, braço veterinário da Merck, já iniciou as vendas dos estoques que possui e pretende acelerar a produção, disse Thiago Arantes, diretor de pecuária da empresa. O executivo quer aproveitar a proximidade da campanha de vacinação contra aftosa, em maio. Os pecuaristas costumam utilizar a avermectina no período da vacinação.

Tuberculose não é coisa do passado

Margareth Dalcolmo – O Globo:

Perdeu o lirismo a velha tísica da iconografia de óperas e romances, que fez passar partes de suas vidas em sanatórios artistas e poetas até a metade do século passado. Após a Segunda Guerra Mundial, surgiram os primeiros medicamentos para tratamento, iniciando pela estreptomicina, até a rifampicina, no fim dos anos 60, e ainda hoje protagonista no tratamento da tuberculose.

Apesar dos avanços nos últimos anos, com redução de 25% na incidência e 32% na mortalidade, o Brasil está entre os 22 países de maior carga de tuberculose no mundo, com 70 mil casos novos e cerca de quatro mil mortes anuais. Doença urbana, ligada a condições de vida, sua redução no país nas últimas décadas tem sido desigual. A redução anual, de cerca de 2,5%, é muito aquém da esperada.

Com a expectativa de erradicação nos próximos 50 anos, seria necessária uma queda de 6% ao ano. No mundo, três países do Brics — China, Índia e África do Sul — concentram 60% dos casos.

Identificar o sintomático respiratório, definido como a pessoa com tosse há mais de três semanas, e tratar é o mais eficiente. O tratamento, recomendado mundialmente, é composto de uma associação de fármacos de comprovada eficácia, utilizada há mais de 30 anos. Há evidências de que sua efetividade, porém, depende não só da disponibilidade de bons medicamentos, mas de fatores como adequada organização de ações, recursos humanos qualificados e tratamento humanizado.

Cinquenta anos após o lançamento da rifampicina, vivemos um momentum, com a descoberta de novas moléculas e estudos clínicos para testar eficácia e redução do tempo de tratamento. Há cerca de 20 novas moléculas em diversas fases de estudo e dois novos fármacos (bedaquilina e delamanide) recentemente aprovados por órgãos regulatórios internacionais para formas multirresistentes. Deverão estar disponíveis no Brasil no próximo biênio. Foi no início dos anos 90, com a epidemia de Aids e a alta mortalidade na associação HIV-tuberculose — a mais frequente e de maior morbidade e mortalidade —, que prosperaram ações visando à redução da doença no mundo. O Banco Mundial, pelo impacto econômico da mortalidade de jovens, e a Organização Mundial da Saúde denominaram a doença emergência mundial desde 1993.

O Brasil tem sido exemplo, desde a formulação de normas para diagnóstico e tratamento elaboradas em conjunto pelo Ministério da Saúde e a comunidade acadêmica, com participação da sociedade civil, sem conflito entre medicina pública e privada. Alguns fatos merecem registro: o pioneirismo dos esquemas de tratamento encurtados, de dois anos para seis meses, permitindo o fechamento de sanatórios e o tratamento ambulatorial nos anos 80; o reconhecimento de grupos vulneráveis, em que a incidência é centenas de vezes mais alta do que na população geral, como indígenas, presidiários, pessoas com HIV e população de rua; medicamentos formulados em comprimidos de dose fixa combinada, que reduz de nove para quatro comprimidos diários; aquisição de equipamentos e insumos para diagnóstico rápido molecular; criação de centros de referência para casos complexos; e um banco de dados on-line, de alcance nacional, para vigilância epidemiológica; além de iniciativas como a Frente Parlamentar contra a Tuberculose e o aumento de orçamento de US$ 15 milhões em 2002 para US$ 85 milhões em 2014. Tudo isso compõe o arcabouço de governo, profissionais da saúde e sociedade civil.

Nesse cenário teoricamente favorável, é inadmissível o paradoxo de morrerem por ano quatro mil brasileiros de uma doença diagnosticável, tratável, virtualmente curável e com tratamento gratuito — o que nos permite, tristes, concluir que não existe mau paciente, e sim serviço de saúde ineficiente.

Margareth Dalcolmo é pesquisadora da Fiocruz

abiquiflashes (26/03/2015 – 365)

  • Fevereiro (1): até o segundo mês de 2015 a cadeia produtiva farmacêutica brasileira exportou US$ 238,3 milhões, ligeiramente abaixo das exportações do mesmo período de 2014. É de se esperar uma reação positiva a partir de agora em função da variação cambial favorável às exportações.
  • Fevereiro (2): do valor acima citado US$ 136.429.691,00 correspondem à exportações de medicamentos.
  • Fevereiro (3): e US$ 101.921.968,00 foram divisas obtidas com a exportação de farmoquímicos e adjuvantes farmacotécnicos.

União Química prevê faturamento de R$ 1 bi em 2015

Stella Fontes – Valor Econômico:

O laboratório União Química, uma das maiores empresas farmacêuticas do país, pretende ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão de faturamento em 2015, com expansão acima do projetado para o mercado nacional de medicamentos. Enquanto as vendas de remédios no país devem crescer perto de 8%, a empresa estima alcançar um crescimento superior a 20%, ritmo que perseguirá nos próximos três anos. Assim, prevê dobrar de tamanho até 2018 e faturar R$ 2 bilhões.

No ano passado, a empresa, que entrou recentemente no negócio de terceirização de produção de medicamentos, teve receita bruta de R$ 851 milhões, o equivalente a alta de 21% na comparação com 2013. Ao mesmo tempo, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) subiu 28%, para R$ 141 milhões. Já o lucro líquido mais que dobrou, saltando de R$ 42 milhões para R$ 109,4 milhões.

De acordo com o diretor administrativo financeiro da União Química, Ronaldo Valentini, o forte resultado final deveu-se, do lado operacional, à execução da estratégia traçada entre 2010 e 2011 de crescer aceleradamente nos anos seguintes, à aposta em produtos com maior rentabilidade e ao avanço orgânico dos negócios. “A União Química tinha um amplo portfólio, que estava meio disperso”, disse o executivo ao Valor. No plano de longo prazo, foram definidos os focos da empresa e medicamentos de prescrição estão entre as prioridades – no segmento de MIPS (os produtos isentos de prescrição), o campeão de vendas do laboratório é o Vodol (usado no tratamento de micoses).

Além disso, comentou Valentini, há um esforço contínuo de melhoria da rentabilidade, com atenção constante a custos e despesas. “O ano passado consolidou todos esses fatores mas, com certeza, crescimento orgânico foi a maior parte [da expansão]”, disse. Também teve efeito no resultado final da farmacêutica um benefício fiscal que, quando excluído da conta, resulta em lucro ajustado de cerca de R$ 70 milhões, 67% acima do registrado em 2013.

Assim como em medicamentos de prescrição, a produção de fármacos para multinacionais terá peso crescente no portfólio. No começo do ano passado, a empresa comprou a fábrica de Taboão da Serra (SP) da suíça Novartis, em operação que deu origem a uma nova empresa, controlada pela farmacêutica brasileira e chamada Anovis Industrial.

A Anovis é responsável pela produção dos medicamentos da Novartis que já eram fabricados naquela unidade, entre os quais Cataflan (para inflamações) e Ritalina (usado no tratamento de déficit de atenção). Com a operação, a União Química se habilitou à produção de medicamentos para outras multinacionais e, conforme Valentini, essa área de terceirização deve representar 20% das receitas até 2018. Já existem conversas com outros laboratórios, que não podem ser revelados por acordos de confidencialidade.

A empresa pretende investir R$ 50 milhões em suas fábricas – Pouso Alegre (MG) e Distrito Federal devem receber a maior parte dos recursos, enquanto Embu Guaçu (SP) não receberá aporte relevante. O valor não inclui investimentos na Anovis e na Bhtek, comprada em 2012 e especializada em biotecnologia aplicada ao controle de pragas agrícolas. Nessa unidade, a farmacêutica está investindo R$ 100 milhões.

Os recursos aportados neste ano serão provenientes do caixa da União Química e de linhas de financiamento. Com intenção de listagem de ações em bolsa já há algum tempo, a farmacêutica descarta uma operação de abertura de capital em 2015, diante das condições desfavoráveis do mercado. “Está no radar, mas não é o momento”, afirmou Valentini.

Novas aquisições também estão nos planos do grupo, que desde 2007 comprou três empresas (Biomacro, Tecnopec e Bthek). O acionista majoritário da farmacêutica, o empresário Fernando de Castro Marques, e seus irmãos Paulo e Cleiton, que são sócios majoritários da Biolab e têm participação de 38% na União Química, ainda discutem na Justiça a separação dos negócios e não há decisão judicial até o momento.