País precisa dobrar, em 4 anos, o investimento em inovação, diz Finep

Camilla Veras Mota – Valor Econômico:

Para fazer “cócegas” na taxa de investimento, o volume de recursos aplicado pelo Brasil em inovação tem de dobrar nos próximos quatro anos, afirma Glauco Arbix, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) desde 2011.

Para ele, o gasto público nessa área – sem considerar a participação do setor empresarial – teria de passar dos R$ 25 bilhões aplicados entre 2011 e 2014 para algo próximo de R$ 50 bilhões neste quadriênio para ajudar a taxa de investimento do país sair do atual patamar desconfortável, de cerca de 17% do Produto Interno Bruto (PIB).

Paciência e continuidade, para Arbix, são as palavras-chave de qualquer política de pesquisa e desenvolvimento. Por isso, mesmo diante do ajuste fiscal que está sendo executado pela nova equipe econômica, o sociólogo defende que o financiamento e a subvenção ao desenvolvimento de novas tecnologias – atualmente atribuição quase exclusiva da Finep, afirma ele – sejam preservados e aponta este como o melhor caminho para a recuperação da indústria nacional.

Nesse sentido, a agência de inovação quer se tornar uma instituição financeira de fato, para ampliar suas possibilidades de financiamento. A seguir, trechos da entrevista.

Valor: A Finep dobrou os dispêndios com inovação no último quadriênio. A taxa de investimento, na contramão, está no menor patamar desde 2009, próximo de 17% do PIB. Por que o descompasso?

Glauco Arbix: Porque somos ainda muito pequenos. O Brasil investe pouco em inovação – tanto o setor público quanto o privado, seja em volume ou em porcentagem do faturamento das empresas ou do PIB. O investimento está crescendo, houve mudanças significativas nos últimos 15 anos e, de forma mais acelerada, nos últimos cinco. No biênio 2013-2014, contratamos R$ 13,5 bilhões. Entre 2011 e 2012, foram R$ 4,7 bilhões, com resultados ainda piores nos biênios anteriores. Estamos falando de R$ 13 bilhões e de um PIB de R$ 3,5 trilhões. Mas esse é o objetivo que a gente persegue. Como a agenda-chave da economia brasileira – a questão da produtividade baixa – é impactada de maneira mais rápida pelo desenvolvimento tecnológico, temos que perseguir isso de maneira muito obstinada. O setor público investe hoje cerca de R$ 25 bilhões em P&D [pesquisa e desenvolvimento]; as empresas, um pouco menos. Para fazer cócegas no PIB, esse número precisa dobrar: o setor público precisa colocar R$ 50 bilhões e as empresas, outros R$ 50 bilhões. As estatísticas internacionais falam que cada dólar do setor público aplicado em P&D alavanca outro dólar no setor privado.

Valor: Essa relação tem se repetido também no Brasil?

Arbix: Sim. Na verdade, se você trabalhar com os indicadores da Finep e do BNDES – onde a participação dos desembolsos com inovação é pequena se comparada ao total – vai ver que esse retorno do investimento público é maior do que um para um aqui no Brasil. Nós conseguimos alavancar mais. É só ver nossas contrapartidas, seja no crédito, na subvenção econômica ou nos projetos cooperativos. O setor público não investe em inovação só para mitigar risco, mas porque ela é a mais virtuosa no que se refere à alavancagem [dos investimentos] do setor privado. Quando se empresta recursos para a compra de um caminhão ou de um utilitário qualquer, a contrapartida é quase zero. Claro que ele tem impacto na gestão da empresa, na redução de custos, mas acaba em três, quatro meses, quebra. Esse tipo de investimento está dentro do que a empresa faria normalmente. No caso da inovação, não é assim, porque o risco é alto e o resultado é incerto.

Valor: O cenário de restrição fiscal desenhado para os próximos anos não coloca em risco a meta de dobrar os investimentos?

Arbix: Nós precisamos investir. O Brasil tem que persistir na política, tem que ampliar o investimento em ciência e tecnologia, assim como em educação, e dar as bases para que os ajustes, que são necessários, sejam seletivos. Estamos falando de poucos recursos, se compararmos com o Orçamento nacional. A gente não gostaria de frustrar a expectativa de uma parcela do empresariado que, a duras penas, passou a investir em inovação e desenvolvimento. Fundamentar uma política de P&D é ter paciência e persistência no investimento. Se interrompermos, vamos colher os estragos por dez anos. É diferente de interromper a construção de uma estrada, de uma ponte, que podem ser retomadas depois de dois anos. O governo da presidenta Dilma sempre acreditou que a inovação é peça-chave no plano de desenvolvimento econômico sustentável de longo prazo. Prova disso foi o lançamento do Plano Inova Empresa, que teve demanda inicial de R$ 98,7 bilhões, frente a um orçamento inédito de R$ 32,9 bi. O próprio ministro da Fazenda, Joaquim Levy, citou em seu discurso inaugural que a concorrência, o empreendedorismo e a inovação serão indispensáveis para o crescimento da economia brasileira, o que reforça o alinhamento com as propostas da Finep.

Valor: A atividade está praticamente estagnada. Ainda assim as empresas mantêm o apetite pelo investimento em inovação?

Arbix: A demanda é forte – e essa é uma novidade altamente positiva. Há cinco, dez anos, o primeiro pigarro na economia mundial fazia com que as empresas brasileiras guardassem na gaveta seus projetos de inovação. Em meio às dificuldades grandes da crise econômica, uma parte crescente das empresas continua procurando a gente e contraindo empréstimos. A Finep deve ter fechado o ano colocando entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões na economia, com mais de R$ 8 bilhões só de contratações de crédito e com uma carteira de projetos já avaliados de praticamente R$ 7 bilhões.

Valor: A Finep tem expressado a intenção de se tornar uma instituição financeira formal.

Arbix: Essa questão está interligada às anteriores. De fato, já somos uma instituição financeira. Em 2014, colocamos mais de R$ 12 bilhões na economia. O que não somos é supervisionados e fiscalizados pelo Banco Central, porque o Conselho Monetário Nacional ainda não nos reconheceu, mas isso é uma questão de tempo. Nos últimos quatro anos, trabalhamos para adaptar todos os processos internos para que tivéssemos condições para isso. Como instituição financeira, podemos fazer captação, teremos mais liberdade para montar fundos de investimento, podemos trabalhar com instrumentos diferenciados. Nós gostaríamos de ter autonomia, porque o Brasil precisa massificar a inovação, é uma necessidade urgente. A indústria brasileira vive talvez um dos piores momentos das últimas décadas, não somente por conta do custo Brasil, mas porque está perdendo competitividade. A distância em relação à indústria mundial de ponta é muito grande – e está crescendo. Hoje, o financiamento de tecnologia pelos bancos de varejo, mesmo os públicos, é absolutamente marginal. Quem faz isso de forma intensa somos nós e um pedacinho do BNDES.

Valor: A inovação é então um caminho incontornável para a recuperação da indústria?

Arbix: Sem a menor dúvida. Ou a gente dá um choque de inovação, ou a gente vai ficar para trás. Por isso propomos a massificação do financiamento para algumas modalidades com um cartão comum, que deve ser chamado de “cartão inovação”, distribuído por todo o país. Em 2014, 62% das empresas que atendemos trabalharam pela primeira vez com a Finep. Isso é chave para a gente, porque não estamos fazendo mais com as mesmas empresas, estamos diversificando. Nos últimos anos conseguimos reduzir os prazos de análise dos projetos de 452 para 30 dias. Com o Finep 30 dias, tivemos uma redução de custo trabalhador/hora de R$ 4 milhões por ano. Criamos 86 indicadores, um sistema novo na área de informática, mudamos nossos processos. Se a economia para nós é grande, imagine para as empresas, que não precisam mais de departamentos inteiros para montar os projetos.

Valor: Hoje a Finep é financiada basicamente pelo Tesouro?

Arbix: Pelo Tesouro, via o PSI, e pelo FNDCP [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], um fundo do qual somos gestores, que tem um orçamento que varia entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões por ano e que nos permite fazer subvenção econômica, projetos cooperativos e transferência de recursos para toda a infraestrutura científica no país. Essas são nossas duas grandes fontes, mas fizemos um trabalho forte nos últimos anos para atrair outros fundos. Hoje somos os principais gestores e agentes do Funttel [Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações], por exemplo, e conseguimos atrair recursos do Ministério da Saúde e do FAT.

Valor: Diante da disponibilidade ainda modesta de recursos, quais as áreas prioritárias?

Arbix: Nós fizemos sete vezes mais investimentos em saúde, que é uma área-chave, pelo impacto social, científico e tecnológico. Nossos investimentos [nesse setor] entre um biênio e outro passaram de cerca de R$ 300 milhões para R$ 2,680 bilhões. A área de saúde é a que mais inova no mundo, mas na Finep era a mais deprimida até nossa chegada. Ao aumentar o investimento em saúde, ao triplicar o investimento em energia, ou mesmo em petróleo e gás, estamos na verdade ajudando a sintonizar o investimento brasileiro em tecnologia com o investimento internacional. Essas são as áreas de fronteira, são aquelas que nós temos que perseguir. A única área que não cresceu, entre as mais importantes, foi a de metalurgia e transportes, o que está, de certa forma, de acordo com o comportamento da atividade.

Valor: A questão da escala também explica por que ainda não se veem resultados na área de saúde?

Arbix: Não necessariamente. Nós estamos fazendo investimentos pesados nessa área. A questão é que o desenvolvimento de inovações não se dá quando a empresa recebe os recursos. As farmacêuticas brasileiras passaram a ampliar seu apetite por tecnologia, algo que era muito restrito um tempo atrás. As maiores empresas do mundo, as “big pharma” – Glaxo, Merck, Novartis -, investem até 27% do seu faturamento em P&D. Entre as brasileiras, as que mais investem colocam entre 6% e 6,5%. Há três, quatro anos, esse percentual era de 1%, 1,5%, e muito direcionado para o desenvolvimento de genéricos. Mas elas perceberam que, nesse mercado, ou você inova ou não vai ser nem um ‘player’ local. Nós e o BNDES estamos ajudando diretamente essas empresas, fornecendo financiamento, subvenção econômica. Um dos resultados que patrocinamos foi um medicamento de alta complexidade para o tratamento de câncer, desenvolvido pelo laboratório Libbs, que está sendo comercializado por um preço acessível e já está sendo compradopelo SUS. Se as empresas entregarem no prazo e com o preço e qualidade que queremos, o SUS e o Ministério da Saúde compram até R$ 8 bilhões por ano. Isso tem diminuído o risco e tem levado as empresas a inovar e a colher resultados. Mas leva tempo.

Valor: A falta de interação entre centros de pesquisa e o setor produtivo é apontada como um entrave para o desenvolvimento mais célere da inovação no Brasil. Como a Finep enxerga essa questão?

Arbix: Com o Inova Empresa, programa que criamos em 2013 e que conta com 12 projetos setoriais, atraímos 2.787 empresas e, junto com elas, 238 institutos de ciência e tecnologia. Ele já foi um sucesso sob esse ponto de vista. Mas demos um salto ainda maior com o Plataformas do Conhecimento, lançado recentemente. A ideia é colocar em contato empresas e universidades para que, juntas, elas possam desenvolver, a partir da demanda pública, da pesquisa básica até a inovação. A encomenda pode ser para o desenvolvimento, por exemplo, de uma vacina contra a dengue ou um anticorpo monoclonal para o tratamento de câncer. Mas não apenas na saúde – também na área de energia, de petróleo… Essa é uma modalidade muito pouco utilizada no Brasil e muito difundida fora. A ideia é fazer com que a inteligência das universidades e das empresas trabalhem juntas para atender à demanda pública. É um programa grande, que estamos formatando com o Ministério da Ciência e Tecnologia e que prevê financiamentos de longo prazo, por dez anos, com um volume de recursos acima de R$ 1 bilhão.

Valor: Está satisfeito com os resultados do último quadriênio?

Arbix: Mais do que satisfeito. Nós conseguimos ampliar o orçamento público da Finep em mais de quatro vezes em relação ao volume aplicado no biênio 2009-2010. Isso [o aumento dos repasses] é importante, porque significa que o recurso está sendo bem alocado. A discussão no Brasil, em geral, não é sobre a disponibilidade de recursos para investimento, mas à qualidade desse investimento. Se eu tiver que escolher entre direcionar recursos para comprar caminhão ou para desenvolver tecnologia, eu fico com a tecnologia, que usa mão de obra mais qualificada, um ferramental mais complexo. Tudo isso tem um impacto sobre a produtividade infinitamente maior do que a compra de bens mais simples, que muitas vezes nós acabamos financiando.

abiquiflashes (29/01/2015 – 350)

  • 2014 (1): a exportação brasileira de medicamentos em 2014 alcançou a soma de US$ 1 bilhão e 308 milhões superando em 4,0% as exportações de 2013 que somaram US$ 1 bilhão e 257 milhões.
  • 2014 (2): já as exportações de farmoquímicos recuaram 12,7% em 2014 (US$ 561,4 milhões) já que as exportações em 2013 foram de US$ 642,6 milhões. Já os adjuvantes farmacotécnicos avançaram de US$ 101,3 milhões em 2013 para US$ 112,2 milhões em 2014 representando 10,7% de aumento.
  • 2014 (3): com estes números a cadeia produtiva farmacêutica brasileira apresentou um recuo das exportações em 2014 de 1% sobre 2013, ou sejam 2,001 bilhões em 2013 e 1,981 bilhão em 2014.

Diário Oficial (janeiro 2015)

abiquifi Alerta (004/2015)

Resolução da Anvisa suspende a importação de IFA´s da empresa indiana Orchid por descumprimento das Boas Práticas de Fabricação e Controle, averiguado em inspeção da Agência:

Resolução-RE nº 209, de 22/01/2015, da ANVISA – Suspende toda a importação de todos os insumos farmacêuticos produzidos pela empresa indiana Orchid Chemicals and Pharmaceuticals Limited (.pdf).

Pfizer dá início à concentração de operações do Brasil

Valor Econômico:

A multinacional americana Pfizer começou, neste ano, o processo de consolidação das operações de sua atividade em saúde humana em um único site no Brasil, que fica na cidade de Itapevi, na Grande São Paulo. Dona de marcas e produtos como Lípitor, Celebra, Centrum, Advil, Viagra e Magnésia Bisurada, a farmacêutica se estrutura para atender à expansão do mercado brasileiro, bem como elevar exportações para a América Latina.

A companhia está concluindo investimento de US$ 27 milhões, com recursos próprios, nesse projeto. Com isso, ela aumenta sua capacidade de produção de 20 milhões para 48 milhões de unidades ao ano no site de Itapevi.

O engenheiro industrial peruano Joaquin Barreto, diretor de manufatura da empresa, que trabalha no grupo há 32 anos e está há 12 no Brasil, disse que a plena capacidade será alcançada gradualmente ao longo deste ano e de 2016. “Foi uma decisão estratégica: com inovação de tecnologias passamos a fabricar outras fórmulas farmacêuticas”.

O investimento, disse ele, trouxe para a unidade fabril maior capacitação tecnológica e de processos e vai permitir diversos ganhos em custos e de escala de produção, sinergias de processo e sistemas, bem como ampliação das famílias de produtos.

Segundo Barreto, a Pfizer vai adicionar 20 famílias de medicamentos às 18 existentes hoje na fábrica de Itapevi. Uma boa parte virá da unidade industrial situada em Guarulhos (SP), que passou a pertencer à Zoetis, uma nova companhia, criada para se dedicar exclusivamente à área de saúde animal.

Toda a transferência vai ocorrer ao longo deste semestre, de acordo com a companhia. “Estamos em um momento de transição, que deve se estender por alguns meses”, informou. Nesse período, alguns medicamentos continuarão ainda a ser fabricados em Guarulhos.

Itapevi, criada em 1999, está recebendo novos equipamentos para manufatura, embalagens e para o laboratório, além de ter a área das linhas de produção ampliada em 32%. “Foi toda modernizada”, disse Barreto. Assim, diz ele, ficará apta a manufaturar novas formas farmacêuticas, como cápsulas e comprimidos revestidos, até agora não produzidos nessa unidade fabril.

A quantidade de “apresentações” de medicamentos (formato do produto), conforme a fabricante, praticamente dobrará – de 323 para 619.

Segundo o executivo, até 2017 a previsão é conseguir um aumento gradativo no volume de exportação, a depender das aprovações regulatórias de cada país da América Latina. Atualmente, vende para Argentina, Chile, Colômbia e México, entre outros, e América Central.

Em 2013, obteve receita de R$ 132 milhões com esse mercado. Os principais produtos exportados foram o Lípitor (controle do colesterol), Ponstan (cólicas) e Viagra (disfunção erétil).

Em 2013, a subsidiária brasileira da Pfizer faturou R$ 4,1 bilhões, ante US$ 51,6 bilhões no mundo. A empresa tem 2,8 mil funcionários no país, e a expansão de Itapevi vai adicionar 120 outros ao quadro de pessoal.

Sobre o processo de entrada no segmento farmacêutico de medicamentos genéricos, com a aquisição de 40% do capital do laboratório nacional Teuto, localizado em Goiás, a Pfizer informou que continua como parceira da fabricante brasileira.

“A companhia continua avaliando uma potencial aquisição dos 60% restantes do Teuto”, declarou em nota. Segundo a multinacional, a decisão pode ser tomada durante um período que se iniciou no começo de 2014 e vai até 2016, conforme acordo firmado entre as duas empresas.

A companhia acrescentou na nota ao Valor que, apesar de ainda não ter tomado uma decisão final, “a Pfizer continua nesse processo de análise, avaliando qual é o melhor momento para tomar a decisão, levando em consideração os interesses de ambas as companhias”.

Segundo Barreto, não há nenhuma decisão da companhia de vir a produzir genéricos na fábrica de Itapevi, mesmo com a expansão de 130% de sua capacidade.

Proteína do café alivia dor e ansiedade, revela pesquisa brasileira

O Globo:

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade de Brasília (UnB) descobriram fragmentos de proteína (peptídeos) no café com efeito similar ao da morfina, apresentando qualidades analgésicas e ansiolíticas. E seus efeitos duraram seis vezes mais. Os experimentos foram feitos com camundongos.

Até quatro horas

Sob a coordenação do pesquisador Carlos Bloch Júnior, o estudante Felipe Vinecky descreveu as propriedades das moléculas em sua tese de doutorado, desenvolvida no Departamento de Biologia Molecular da UnB e na Embrapa. Ele identificou os peptídeos quando procurava genes de café associados à melhora na qualidade do produto, num projeto da Embrapa com o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento ( Cirad, na sigla em francês).

— A morfina é um alcaloide, uma molécula pequena que age no sistema nervoso central inibindo a dor. Após 40 minutos, ela é metabolizada, seu efeito para, e os pacientes voltam a sentir dor — explica Vinecky. — Já esses peptídeos têm efeito de até quatro horas.

Além disso, nos testes com os camundongos, não foram registrados efeitos colaterais, enquanto a morfina pode causar, entre outros problemas, a dependência, de acordo com Vinecky.

— Os fragmentos da proteína podem ser usados não só para evitar dor, como também regulam a ansiedade, ajudando até a emagrecer — acrescenta o especialista. — Eles poderiam ser utilizados no gado que vai ser submetido ao abate, que passa por estresse.

Sequênciamento

O sequenciamento do genoma do café, capitaneado em 2004 pelo pesquisador Alan Andrade, da Embrapa, resultou num banco de dados com mais de 200 mil sequências gênicas, das quais cerca de 30 mil já estão identificadas.

O pedido de patente de sete peptídeos identificados no estudo foi encaminhado ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI).

abiquifi Alerta (003/2015)

No link abaixo uma notificação de Não Conformidade de Boas Práticas de Produção da E.M.A. para a empresa indiana WOCKHARDT LIMITED, com site em L-1, MIDC, JALGAON ROAD, CHIKALTHANA, AURANGABAD, IN-210, Índia.

A empresa produz: Captopril, Oxybutynin HCI e Pramipexole Dihydrochloride monohydrate:

Medicines and Healthcare Products Regulatory Agency (.pdf)

abiquiflashes (26/01/2015 – 349)

  • ácido salicílico: este ácido, além da sua ação queratolítica é muito usado como intermediário na produção do ácido acetilsalicílico pelo processo de acetilação. US$ 12.789.489,00 foram enviados ao exterior deste importante intermediário.
  • virginiamicina: usado amplamente na veterinária como antibacteriano e estimulante do crescimento, este antibiótico foi enviado a várias partes do mundo em 2014, particularmente para o Canadá. As exportações no ano passado alcançaram a expressiva soma de US$ 48.566.542,00.
  • Malásia: a heparina brasileira tem sido usada sistematicamente neste mercado asiático. Em 2014 o Brasil remeteu àquele país a expressiva soma de US$ 3.035.567,00, evidenciando, assim, a excelente qualidade das produções brasileiras de farmoquímicos.

Saúde do setor de farmácias atrai interesse de estrangeiras

O Globo:

Cresce o interesse de grandes grupos estrangeiros do setor de farmácias no Brasil. Quase dois anos após adquirir a Onofre, a americana CVS dá duro para comprar a Drogarias São Paulo e Pacheco. Segundo analistas, três propostas já teriam sido feitas, sendo a mais recente delas costurada ao redor de cifras superiores a R$ 6 bilhões, todas recusadas por Samuel Barata, sócio controlador do grupo e à frente da carioca Pacheco. A companhia brasileira não comenta o assunto. Procurada, CVS não respondeu.

Esse interesse pelas redes de drogarias brasileiras é embalado por uma expansão anual de causar inveja à China. As grandes redes viram seu faturamento subir, em média, 15% em 2014, de acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drograrias (Abrafarma), que reúne uma fração inferior a 10% das cerca de 68 mil farmácias em operação no país. O resultado das pequenas — que são maioria — teve incremento de 13% sobre 2013, diz a Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma). O Brasil deve saltar de 10º para 4º maior mercado farmacêutico entre 2008 e 2018, segundo dados da IMS Health, atrás apenas de EUA, China e Japão.

— Com o acelerado envelhecimento populacional, os estrangeiros virão. A CVS comprou a Onofre (quase dois anos atrás) para entender o mercado e o consumidor brasileiros. Agora, estaria em busca de ativos que garantam escala para atuar no Brasil. O acordo com a Drogarias São Paulo e Pacheco é questão de preço — diz Caio Moreira, analista do Banco Fator.

Cosméticos rendem mais

Empresas e especialistas afirmam que a atual crise econômica do país não implicará em retração para o setor, que deve manter crescimento de dois dígitos por pelo menos cinco anos.

O envelhecimento populacional e o ganho de renda são chaves no impulso às farmácias. Com maior acesso à saúde, sobem as vendas de medicamentos; com a busca por bem-estar, as de perfumaria. O segmento — principalmente cosméticos — já equivale a um terço do faturamento. Segundo a IMS Health, 34% das vendas vêm de não medicamentos, crescendo acima da média dos remédios, com altas de 10,4% e 8,9%, respectivamente, nos últimos dois anos.

— As mulheres têm papel preponderante neste cenário, pois têm decisão e, agora, poder de compra — diz Sérgio Mena Barreto, presidente da Abrafarma.

Esses itens transformaram o modelo de negócio. As farmácias apostam em espaço para produtos e marcas de beleza.

As cariocas Drogasmil e Farmalife seguem essa receita, remodelando a rede de lojas. Após a reforma, a unidade eleva o faturamento em 20%, diz Ivan Engel, diretor comercial da unidade de varejo da Profarma. A empresa comprou as duas redes em 2013 e é exemplo da estratégia de consolidação. A fusão de empresas está turbinando o Ranking Ibevar 2014, que lista as 120 maiores do varejo brasileiro. No segmento de drogarias e perfumarias, há oito redes no clube do faturamento bilionário, com expansão média de 16,5% sobre 2013.

Pague menos quer abrir capital

Em 2011, as Drogarias Raia e Drogasil deram as mãos. São Paulo e Pacheco fizeram o mesmo. Os dois novos grupos traduzem a motivação para o interesse de estrangeiros no país. O primeiro fechou 2014 com faturamento estimado em R$ 7,38 bilhões; o segundo, R$ 6,4 bilhões.

A Panvel, com 321 lojas na região Sul, equivale a 67% do faturamento do grupo gaúcho Dimed. Das vendas, 35% vêm de itens de beleza, com 20% do total de artigos de marca própria. O cearense Deusmar Queirós, sócio fundador da Pague Menos, com 740 lojas no país, credita a expansão de 18% em 2014 sobretudo à perfumaria e planeja abrir o capital da empresa em Bolsa em 2016.

As farmácias independentes também estão fazendo associações, diz Renato Tamarozzi, diretor executivo da ABCFarma. A união visa à melhora na negociação de preço, mas preserva a gestão de cada negócio.

abiquiflashes (22/01/2015 – 348)

  • sulfato de condroitina: encerrado o exercício de 2014 as estatísticas da SECEX indicam que foram exportados no ano passado US$ 9.457.815,00deste farmoquimico amplamente usado no tratamento das artroses. Ele é obtido por extração de cartilagens de aves, bovinos e suínos.
  • celulose microcristalina: este excipiente (NCM 3912.90.31) é importante na produção de comprimidos na indústria farmacêutica. Em 2014 foram exportados US$ 20.474.334,00 deste adjuvante farmacotécnico para várias partes do mundo.
  • heparina: este anticoagulante (NCM 3001.90.10) extraído da mucosa intestinal de bovinos e suínos é um destacado item da nossa pauta de exportações. Em 2014 o Brasil exportou US$ 28.872.756,00 deste farmoquímico.