Vinte anos de CPhI

Onésimo Ázara Pereira – Outubro 2014:

A abiquifi comemorou, de 7 a 9 de outubro de 2014, a sua vigésima participação consecutiva na “International Exhibition and Conference on Pharmaceutical Ingredients and Intermediates”, resumidamente denominada Feira CPhI Worldwide, que se realiza anualmente em algum país da Europa. Criada em 1989 pela indústria italiana de farmoquímicos e a empresa especializada em Feiras e Eventos Miller Freeman, a CPhI nasceu para atender à necessidade da indústria italiana de estimular a exportação de seus farmoquímicos produzidos, basicamente, no norte da Itália, sua área mais industrializada. Daí que o primeiro evento CPhI realizou-se em Milão no referido ano de 1989, com aproximadamente 40 empresas expositoras (hoje são mais de 2.500!).

Premido pela abertura comercial e buscando abrir caminho para as exportações de farmoquímicos, a abiquifi, em 1994, a convite da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos do MCT) fez uma prospecção na CPhI em Paris para avaliar a possibilidade do Brasil usar este evento internacional para estabelecer a sua primeira tentativa de ingresso no mercado internacional, ou seja, sua primeira tentativa de internacionalização da cadeia produtiva farmacêutica brasileira. A prospecção foi positiva. Nasceu a parceria abiquifi/FINEP com esta finalidade.

Em 1995 o Brasil iniciou a sua participação ininterrupta de 20 anos neste já famoso evento da família farmacêutica/farmoquimica mundial, evento este que a abiquifi batizou de “arena da globalização”. Neste ano de 1995 o Pavilhão Brasileiro tinha 52,0 metros quadrados (em 2014 tinha 525m²) e cinco (05) empresas foram as primeiras participantes deste evento: Cristália, Formil, Nortec Química, Quiral e Sanofi. A sequência da participação brasileira nas CPhI´s registra: Turim (1996), Londres (1997), Armsterdã (1998), Frankfurt (1999), Milão (2000), Londres (2001), Paris (2002), Frankfurt (2003), Bruxelas (2004), Madri (2005), Paris (2006), Milão (2007), Frankfurt (2008), Madri (2009), Paris (2010), Frankfurt (2011), Madri (2012), Frankfurt (2013), Paris (2014).

O crescimento da CPhI, versão europeia (atualmente ela existe, também, em outros países como Coréia, Índia e Brasil), é evidenciado pelo constante aumento do número de participantes e visitantes. Quando o Brasil iniciou a sua participação em 1995 eram 540 expositores e 8.812 visitantes e em 2014, segundo os organizadores, foram mais de 2.500 expositores e cerca de 35.000 visitantes envolvendo mais de 140 países.

Neste vinte anos de participação, verificou-se sempre o elevado perfil dos visitantes, destacando-se, pela ordem, os profissionais de venda, os presidentes ou gerentes gerais das empresas, os responsáveis pelas compras, o pessoal relacionado com a pesquisa e desenvolvimento (PD) e outros profissionais qualificados, confirmando-se o interesse dos visitantes pelo fluxo de importação/exportação de produtos farmoquímicos, farmacêuticos e de serviços.

O conceito de Pavilhão, criado pelo Brasil desde 1995, foi aprovado amplamente e incorporado pelos organizadores do evento. Vinte anos depois os pavilhões de vários países são “âncoras” nas várias áreas usadas para a realização do evento. Nestes últimos anos, passaram a ter pavilhões nas CPhI´s, além do Brasil: China, Croácia, Egito, França, Índia, Irlanda, Coréia do Sul, Malásia, Marrocos, EUA, Portugal, Escócia, Inglaterra, Polônia e Argentina.

A existência de uma área comum no Pavilhão Brasileiro, que vem sendo aumentada ao longo dos anos de participação, confirma sempre a sua utilidade pois consegue reunir, em um mesmo lugar, várias empresas brasileiras do setor, com reais vantagens para todos os participantes. Estes 20 anos de CPhI também viram a grande evolução que fizemos na área de comunicação. Desde o telefone fixo e o fax de 1995 ao sistema exclusivo de internet (Hi-Fi) para o Pavilhão Brasileiro em 2014 em Paris, vai um mundo de experiências e espanto com a evolução tecnológica.

Vale registrar, por oportuno, que, nestes 20 anos, evoluímos bastante no que se refere à estrutura do Pavilhão Brasileiro. Passamos de uma simples montagem com divisórias rente ao chão para uma construção mais sofisticada sobre uma plataforma, o que elevou a qualidade de nossa apresentação e aumentou a visibilidade positiva da presença brasileira nos referidos eventos, em linha com as melhores apresentações dos países de primeiro mundo. Nos anos mais recentes, incluímos o serviço de “catering”, para facilitar as refeições dos participantes brasileiros, sempre difíceis, dado o grande volume de pessoas em todas as áreas da exposição.

Vale registrar, também, que em todas estas versões da CPhI, através destes anos transcorridos, vários contatos comerciais aconteceram objetivando não só vendas futuras, mas, também, troca de tecnologias ou outras operações de cunho comercial. Hoje, no Brasil, existem operações comerciais importantes que foram geradas durante alguma das 20 edições da CPhI, sendo que a mais importante nos traz exportações de cerca de 40 milhões de dólares anuais.

Vale ressaltar, finalmente, que nos últimos anos (2012, 2013 e 2014) o Pavilhão Brasileiro ganhou uma área reservada para um pequeno auditório, no qual importantes palestras têm sido proferidas por representantes do governo brasileiro tais como FINEP, BNDES e ANVISA, esclarecendo pontos importantes para a classe produtiva brasileira.

Em resumo, os vinte anos da CPhI mostraram que a decisão da abiquifi em 1995 foi acertada. Iniciaram-se ali os primeiros passos para a internacionalização da indústria brasileira da cadeia produtiva farmacêutica. Valeu o esforço de todos.

Onésimo Ázara Pereira – Presidente-Executivo da abiquifi